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last update Data de publicação: 2025-10-16 06:44:01

POV Aurora.

— Kael… eu… — minha voz falhou. Eu queria dizer que não deveria ter acontecido, que eu não deveria estar ali, mas nenhuma palavra parecia suficiente.

Ele se aproximou, eu não consegui recuar. Meu corpo reagiu antes da minha mente, tremeu, se curvou em direção a ele, como se reconhecesse o que precisava.

— Aurora… — ele murmurou, a mão subindo devagar para o meu rosto, acariciando minha bochecha, seus lábios tão próximos aos meus, sua testada colada à minha. — Eu não vou conseguir p
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Último capítulo

  • Destinada ao lobo da máfia    82

    CAPÍTULO EXTRAVALENTINEu sempre achei que conhecia todos os contornos da noite, cada sombra que se movia, cada murmúrio que surgia entre as árvores, cada segredo que o vento tentava carregar sem sucesso, mas naquela época, quando tudo começou, eu era apenas um garoto aprendendo a sobreviver em um mundo que não seguia as regras dos homens; seguia as regras do sangue. As histórias que me contaram sobre a queda das bruxas pareciam lendas antigas, narrativas distantes demais para serem reais, mas minha mãe sempre dizia que o passado nunca dormia — ele se arrastava, silencioso, esperando a hora certa de acordar. A guerra nunca começou com espadas, começou com amor. Começou com um erro. Começou com um lobo que acreditou poder desafiar o destino. Salvatore Vescari. O braço direito do alfa, o mais promissor guerreiro da alcateia, o único que carregava no corpo inteiro a marca da noite eterna, aquela que prometia força, disciplina e obediência. Mas ele não nasceu para obedecer. Ele nasceu

  • Destinada ao lobo da máfia    81

    KAELO chamado atravessou minha mente como uma lâmina. Todos congelaram por um segundo — até que o instinto tomou o controle. Corremos pela trilha estreita no meio da floresta, os passos pesados ecoando no chão úmido, cada respiração vibrando como se algo nos arrastasse para a beira de um precipício.Quando chegamos à clareira, o mundo parou.O Alfa estava caído no chão, o corpo enorme estirado sobre as raízes, os olhos opacos mirando o nada. Não havia sangue. Não havia luta. Apenas… o fim. O fim inevitável que todos sabiam que viria, mas não agora, não assim, não antes da lua que selaria tudo.Um murmúrio de horror percorreu a alcateia.Eu senti o chão tremer.Vitória caiu de joelhos ao lado do pai, as mãos trêmulas sobre o peito dele. — Pai… pai!Salvatore avançou imediatamente, verificando respiração, pulso — mas era inútil.Ele apenas fechou os olhos do Alfa com um gesto lento.— Ele se foi — disse, a voz grave, sufocada.As palavras bateram no meu peito como um golpe.O Alfa mor

  • Destinada ao lobo da máfia    80

    AURORAA copa da Tecnocare sempre teve aquele cheiro familiar de café forte misturado ao ar metálico do ar-condicionado, mas naquele dia tudo parecia mais distante, como se eu estivesse sentada dentro de um vidro grosso. O mundo continuava seguindo, funcionando, respirando, falar alto, digitar, rir — mas nada me alcançava. Eu estava ali, sentada no balcão, as pernas balançando distraidamente, mas a mente vagando por lugares que não pertenciam ao presente. Pela primeira vez em dias, eu estava sozinha comigo mesma, sem ninguém tentando me arrancar respostas que eu ainda não tinha.Fechei os olhos por alguns segundos e a lembrança veio com força, como se estivesse presa debaixo da minha pele esperando o momento certo para emergir. A conversa com Valentin na noite anterior. Eu me lembrava de cada palavra, cada expressão, cada silêncio.Estávamos sentados na sala, aninhados um ao outro como sempre fazíamos. Conversavamos pela primeira vez em muito tempo sobre coisas aleatórias, programas

  • Destinada ao lobo da máfia    79

    AURORAEu acordei como quem retorna de um mergulho profundo demais, a respiração presa no peito, o coração batendo num ritmo que não parecia meu. A claridade suave da manhã atravessava a cortina fina do meu quarto, mas o tecido tremulava como se fosse uma sombra, como se algo no ar estivesse mais pesado do que deveria. Eu piscava devagar, tentando reconstruir o que tinha acontecido, mas tudo vinha em flashes desconexos: a floresta, o cheiro úmido do musgo, o brilho suave de algo que parecia luar mesmo sem ter lua, uma voz chamando meu nome, e Kael… queimando. Mas não podia ter sido real. Era impossível. Era bom demais, assustador demais, intenso demais para ser apenas sonho — e ao mesmo tempo, impossível demais para ser lembrança.Tentei me sentar, mas meu corpo protestou com uma exaustão que não fazia sentido. Era como se eu tivesse corrido quilômetros, como se tivesse drenado energia por horas e horas. Cada músculo parecia vibrar em uma tensão baixa que não doía, mas avisava. Algo d

  • Destinada ao lobo da máfia    78

    VITÓRIA — E então? — Salvatore me pergunta, enquanto está encarando o labirinto abaixo de sua janela. — Ela está segura, foi entregue a Valentin. — Me jogo na cadeira de frente a sua mesa, exausta.— E ele? — Pergunta, se sentando em sua poltrona. — Está lá em cima, dormindo. Ainda está febril. — Hum... — Ele resmunga, parece pensativo. Exausto. Assim como eu. — O que o senhor achava que aconteceria quando contou “a verdade” para ele? — Perguntei, não consegui me conter. — Para ser sincero, eu sabia que ele sofreria, mas não achei que se destruiria. — Ele disse, parecia estar disposto a colocar as cartas na mesa. — Ele é o meu filho, não há nada que mude isso para mim... Você pode achar que eu sou um homem sem coração, mas eu sofro duas vezes mais que ele. E ninguém entenderia. — Eu não acho que o senhor é um homem sem coração. — Disse, por fim. — Acho que o senhor está sendo punido duas vezes, porque fez de tudo para corrigir as coisas e no final, ainda perdeu todo mundo que a

  • Destinada ao lobo da máfia    77

    AURORAEu sonhei com fogo.Com labaredas que se erguiam do chão como serpentes douradas, dançando ao meu redor enquanto o céu se desfazia em vermelho e laranja. Sonhei com vozes — sussurros femininos, profundos, ecoando como se viessem de dentro da terra. Sonhei com a floresta viva, respirando, pulsando, chamando meu nome como se eu fosse parte dela.Mas o pior de tudo foi a sensação.A sensação de que alguém precisava de mim.Que alguém estava queimando.E que eu era a única capaz de chegar até ele.Acordei com o coração acelerado, o suor frio colando meu cabelo à testa e a respiração presa no peito. Por um instante, pensei que estava tendo outra febre como a da semana passada. Mas não. Aquilo era diferente.Era um chamado.Um puxão visceral vindo de algum ponto da floresta, como se um fio invisível estivesse amarrado ao meu peito e me arrastasse para longe da minha cama.Sentei-me devagar, tentando recuperar o fôlego, mas a sensação só piorou.Vem.Era como se uma palavra sem som se

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