Compartilhar

Capítulo 3

Autor: Luana
last update Data de publicação: 2026-03-28 02:49:55

Assim que chegou em casa, a mãe de Régis tirou os sapatos com pressa e foi direto até ele.

— Régis… eu vi aquela menina… a Rafaela… — disse, séria — ela tava na praça. Sozinha. De madrugada.

Régis franziu a testa na mesma hora.

— O quê?

Sem pensar duas vezes, pegou uma blusa.

— Eu vou lá.

— Régis, espera—

Mas ele já tinha saído.

O carro parou bruscamente perto da praça.

— Rafaela! — ele começou a chamar, olhando ao redor — Rafaela!

Nada.

Silêncio.

O coração dele apertou.

Sem alternativa, voltou para o carro e seguiu até a casa dela.

Quando bateu na porta, foi a mãe de Rafaela quem atendeu.

— Ela tá aí? — perguntou direto.

— Aquela menina fugiu — respondeu a mulher, com descaso — tá ficando maluca.

Atrás dela, o padrasto apareceu, com um sorriso irônico.

— Problemática… vive inventando coisa.

Régis sentiu o sangue ferver.

— Cala a boca! — ele disparou — se você encostou um dedo nela…

Deu um passo à frente.

— Você vai se ver comigo.

O homem apenas riu, debochado.

— Olha o moleque…

— Some daqui! — gritou a mãe de Rafaela, nervosa — não se mete!

Régis respirou fundo, tentando se controlar… e saiu.

De volta à praça, ele não desistiu.

— RAFAELA!

O vento soprava leve…

Até que uma voz, fraca, respondeu:

— Régis…

Ele olhou ao redor.

— Aqui…

Ele ergueu os olhos.

Ela estava na árvore.

— Meu Deus… Rafa, desce daí!

Com cuidado, Rafaela desceu. Quando chegou perto, já estava chorando.

— Ele tentou… — disse, com a voz quebrada — e minha mãe não acreditou…

Régis sentiu um aperto no peito.

— Vem… você não vai ficar aqui.

— Eu não posso ir… sua mãe não gosta de mim…

— Eu não vou te deixar sozinha!

Sem dar mais espaço pra discussão, abriu a porta do carro.

Depois de hesitar… Rafaela entrou.

Na casa dele, tudo parecia estranho.

Régis contou tudo.

Dessa vez… sua mãe ficou em silêncio.

Abalada.

— Você pode dormir aqui hoje… — disse, mais suave — vamos ver o que fazer.

Rafaela apenas assentiu.

Depois de um banho quente… ela finalmente se deitou.

E dormiu.

Na manhã seguinte…

TOC TOC

— Rafa… 7 horas… colégio.

Ela abriu os olhos devagar.

Ainda cansada… mas sem escolha.

O dia passou arrastado.

E, ao voltar…

Rafaela ouviu.

— Isso não pode continuar… — dizia a mãe de Régis — ela não pode ficar aqui escondida… temos que avisar a mãe dela.

Cada palavra foi como um golpe.

Rafaela voltou para o quarto, em silêncio.

Régis entrou logo depois.

— Eu tenho uma prova… volto rápido, tá?

Ela apenas concordou.

Sozinha… ela desceu.

Na cozinha, encontrou Raimunda.

— Você é a Rafaela, né? — disse a mulher, com um sorriso acolhedor.

— Sou…

— Fiquei sabendo de tudo… — disse, mais baixa — você não tá errada, não.

Rafaela sentiu os olhos marejarem.

— Não volta pra aquela casa.

Raimunda pegou um dinheiro e colocou na mão dela.

— Pra te ajudar.

— Eu não posso aceitar…

— Pode sim.

Rafaela segurou o dinheiro, emocionada.

Mais tarde, de volta ao quarto, ela observava fotos da família de Régis.

Momentos felizes.

Coisas que ela nunca teve.

A porta se abriu.

Régis voltou.

— A prova foi rápida…

Ele se aproximou… começou a beijá-la.

Dessa vez, mais intenso.

As mãos dele voltaram a deslizar pelo corpo dela.

— Régis… não…

— Eu sou homem, Rafa… eu preciso…

Ela se afastou, magoada.

— Então é isso? Você só quer ficar comigo se eu fizer isso?

Silêncio.

Ela caminhou até a porta.

E então viu.

— Sua mãe… — disse, assustada — ela tá vindo com a minha mãe…

Régis se levantou rápido.

— Fica aqui… eu resolvo.

Mas Rafaela já tinha decidido.

Pegou a bolsa.

O dinheiro.

E saiu pela porta dos fundos.

Ela correu.

Sem olhar para trás.

Sem pensar.

Só fugir.

A rodoviária estava quase vazia.

O coração ainda acelerado.

Os olhos marejados.

Ela se aproximou do guichê.

— Uma passagem… — disse, com a voz baixa — pro Rio de Janeiro.

Pagou.

O ônibus sairia em 20 minutos.

Sentou-se.

Abraçando a bolsa.

Sozinha.

Com medo.

Mas decidida.

Quando chamaram o embarque…

Rafaela se levantou.

Respirou fundo.

E entrou no ônibus.

Sem saber…

Que aquela viagem mudaria tudo.

E que, no destino…

Alguém perigoso estava prestes a cruzar o caminho dela.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App
Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Adriana Franco
estou gostando
VER TODOS OS COMENTÁRIOS

Último capítulo

  • Do bordel para máfia    Final.

    Às vezes eu penso em tudo que aconteceu.E sinceramente?Parece outra vida.Outra Valéria.Outra história.Outra garota.Porque quando olho para trás e lembro da menina de dezesseis anos andando pelo morro atrás do meu pai, querendo aprender tudo, querendo provar que era forte...Eu mal consigo acreditar que era eu.Muita coisa aconteceu desde então.Muita coisa mesmo.Eu amei.Eu perdi.Eu chorei.Eu sobrevivi.E principalmente...eu aprendi.Aprendi que algumas dores nunca vão embora.Mas a gente aprende a viver com elas.Aprende a carregar.Aprende a continuar.Porque a vida continua.Mesmo quando a gente acha que não vai conseguir.E foi exatamente isso que aconteceu.Os anos passaram.Roberto terminou os estudos.Virou médico.Um médico respeitado.Do jeito que sempre sonhou.E eu?Eu construí uma nova vida ao lado dele.Uma vida longe dos tiros.Longe das guerras.Longe de tudo que meu pai queria que nosso filho não conhecesse.E Deus sabe o quanto eu lutei para cumprir aquela p

  • Do bordel para máfia    Capítulo 212

    A noite já tinha tomado conta de tudo.As luzes espalhadas pelos morros brilhavam ao longe, mas pareciam mais fracas agora.Como se até elas estivessem de luto.Sentados na varanda da antiga casa de Macário, Roberto e Valéria permaneciam abraçados em silêncio.O vento soprava devagar.E pela primeira vez em muitos dias não havia tiros.Não havia correria.Não havia rádios chiando.Só existia o som da dor tentando encontrar um lugar dentro deles.Roberto continuava com a mão sobre a barriga de Valéria.Ainda era estranho pensar que existia uma vida crescendo ali.Uma vida que não fazia ideia da quantidade de sofrimento que tinha acontecido antes mesmo de nascer.Ele ficou alguns segundos olhando para frente antes de finalmente falar.— Eu senti tanta raiva.A voz saiu baixa.Rouca.Valéria levantou os olhos para ele.Roberto respirou fundo.— Quando minha mãe morreu...As lágrimas voltaram imediatamente.— Eu queria matar todo mundo.Valéria apertou sua mão.Sem dizer nada.Ele continu

  • Do bordel para máfia    Capítulo 211

    O silêncio que veio depois da guerra foi pior do que os tiros.Muito pior.Porque os tiros terminavam.O silêncio não.O silêncio deixava espaço para a dor.Para a ausência.Para a realidade.E a realidade era cruel.Cruel demais.O sol já começava a desaparecer no horizonte quando os homens finalmente conseguiram organizar tudo ao redor.Os corpos estavam sendo retirados.Os feridos recebiam atendimento.Os rádios continuavam transmitindo informações.Mas para aquela família...Nada mais importava.Porque Tiago já não estava mais ali.E Macário ainda respirava.Mas cada vez com mais dificuldade.Roberto permanecia ajoelhado ao lado do pai.Segurando sua mão.Sem coragem de soltar.Como se largar aquela mão fosse aceitar o inevitável.Como se ainda existisse alguma forma de impedir aquilo.— Pai...A voz dele saiu falha.Quebrada.Macário abriu os olhos lentamente.O rosto estava pálido.Cansado.Mas havia uma paz estranha em sua expressão.Talvez porque soubesse que o responsável por

  • Do bordel para máfia    Capítulo 210

    O dia chegou.Durante semanas, Tiago havia se preparado.Durante semanas, Diógenes levantou informações.Durante semanas, homens de confiança investigaram cada passo, cada movimento e cada esconderijo ligado a César Preto.E naquela manhã, ninguém precisou dizer em voz alta o que todos sabiam.Era o dia que decidiria tudo.O ar parecia pesado.Difícil de respirar.Como se o próprio mundo estivesse esperando o que aconteceria nas próximas horas.Valéria acordou antes do amanhecer.Não conseguiu dormir direito.Roberto também não.Os dois permaneceram sentados na varanda durante boa parte da madrugada, em silêncio.Observando as luzes da cidade.Pensando em tudo que tinham perdido.Pensando no futuro.Pensando no filho que estava chegando.Até que Tiago apareceu.Já vestido.Já preparado.O olhar sério.Mais sério do que Valéria já tinha visto.— Vocês dois não vão entrar.Valéria levantou imediatamente.— Pai...— Não.A resposta veio firme.Sem espaço para discussão.— Eu já tomei min

  • Do bordel para máfia    Capítulo 209

    Enquanto o enterro de Priscila terminava e o sol começava a desaparecer no horizonte, havia alguém sofrendo a mesma perda em outro lugar.Macário.Preso havia dias.Machucado.Cansado.Mas ainda vivo.Os sequestradores não faziam questão de esconder as notícias dele.Muito pelo contrário.Queriam que ele sofresse.Queriam que ele sentisse cada golpe.Cada perda.Cada derrota.Foi assim que ele soube.Um dos homens entrou no cômodo improvisado onde ele estava preso e simplesmente contou.Contou sobre o ataque.Contou sobre a invasão.Contou sobre a morte de Priscila.No primeiro momento, Macário não acreditou.Depois ficou em silêncio.E por fim desabou.Chorou como poucas vezes havia chorado na vida.Chorou pela mulher que amava.Pela companheira de tantos anos.Pela mãe do seu filho.Pela única pessoa que sempre esteve ao seu lado quando tudo dava errado.As lágrimas escorriam sem controle.E nem mesmo os sequestradores zombaram daquela dor.Porque havia sofrimentos que até os homens

  • Do bordel para máfia    Capítulo 208

    O amanhecer chegou cinzento.Pesado.Como se até o céu soubesse que aquele seria um dos dias mais dolorosos que o Morro do Macário já vivera.Durante toda a madrugada, moradores continuaram chegando.Alguns levavam flores.Outros levavam comida para os familiares.Outros simplesmente apareciam para prestar respeito.Porque Priscila era uma daquelas pessoas raras que conseguiam ser amadas por todos.Ela não era lembrada apenas como a esposa de Macário.Era lembrada pelos conselhos.Pelas ajudas discretas.Pelas visitas que fazia às famílias mais necessitadas.Pelas vezes em que pagou remédios para alguém.Pelas vezes em que acolheu pessoas dentro daquela própria casa.E agora sua ausência parecia impossível de aceitar.O salão onde acontecia o velório estava lotado.Silencioso.Tomado por lágrimas e tristeza.O caixão permanecia cercado por flores.Brancas.Delicadas.Como se tentassem suavizar uma dor impossível de ser suavizada.Roberto estava sentado na primeira fileira.Vestido de

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status