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Olhei para o lobo vermelho que se aproximava, mas ele não parecia querer me atacar.
“Não se aproxime!”. Exclamei, me arrastando pelo chão, pois já estava sem fôlego para correr.
Mesmo que eu pensasse que ele não me atacaria, continuava sendo um animal selvagem e eu estava apavorada.
Como se o lobo me entendesse, ele parou, mas fez um barulho parecendo dizer que ficaria tudo bem. Então continuou se aproximando e colocou seu focinho bem próximo ao meu rosto. Num rápido movimento ele envolveu meu pescoço, como se estivesse sentindo meu cheiro igual ao outro lobo, mas ele não parecia bravo como o seu amigo, parecia mais curioso. Então ele se abaixou ficando com o corpo a minha altura e me empurrou com seu focinho como se estivesse pedindo para montá-lo. Ele era realmente quase o tamanho de um cavalo, eu poderia montá-lo se quisesse, mas estava petrificada de medo.
Com os segundos passando e meu último pingo de coragem, forcei-me a perguntar:
“Você quer que eu suba em você?” Falei quase engolindo as palavras.
Ele apenas assentiu com a cabeça e eu me aproximei, passando a mão sobre sua pelagem, que era muito macia. Suas patas se dobraram para que eu pudesse montá-lo. Estava tão cansada que gostaria de dormir sobre ele, era tão quente e seu cheiro me lembrava a açúcar caramelizado. Da onde eu estava tirando essas referências? Devo estar sendo devorada mesmo e minha mente entrou em devaneios.
De certa forma, isso me acalmou. Não dá para imaginar um torrão de açúcar atacando uma pessoa. Não que ele parecesse um, mas seu cheiro o fazia parecer inofensivo naquele momento.
“Será que posso confiar em um lobo selvagem? Eu deveria estar com medo de você, mas estou com mais medo de ficar sozinha nessa floresta.” Falei com aquele lobo, como se ele estivesse entendendo tudo que eu dizia.
Comecei a passar minha mão sobre seu pelo. Eu já mencionei o quanto ele era macio e quente?
“Porque o seu amigo fugiu daquele jeito? Quem visse, pensaria que eu estava tentando atacá-lo. Foi bem estranho.”
Ele sacudiu um pouco as costas como se estivesse me repreendendo, mas mesmo assim, parecia ser uma atmosfera mais divertida do que ameaçadora.
“Não me entenda mal, fiquei aliviada quando ele sumiu. Eu pensei realmente que seria devorada. Minhas pernas já não aguentavam mais correr. Será que ele foi embora porque se assustou com alguma coisa? Será que ele estava com medo de... VOCÊ?”
A última palavra saiu mais alta, dando mais ênfase ao meu monólogo, fazendo com que o lobo vermelho parasse por um instante, então notei que sua respiração ficou estranha, como se faltasse o ar. Lembrou-me uma pessoa perdendo o fôlego de tanto rir. Mas do que ele poderia estar rindo?
“Hey! Você está rindo de mim? Faria muito sentido. De primeiro momento, achei que vocês fossem da mesma alcateia, mas se fosse mesmo, não teria razão para ele fugir, certo? Então posso deduzir que ele estava com medo de você! Apesar de que seus olhos pareciam aterrorizados ao me ver.” Falei como se estivesse aflita por ele ter me olhado assim, sendo que eu deveria estar feliz por isso.
Nesse instante o lobo desabou no chão, me fazendo cair para o lado. Sorte que o chão estava repleto de folhas secas, isso teria doído. Ele grunhiu e seus olhos se encheram de lágrimas. Posso jurar que isso era uma gargalhada, não vou mais tentar entender esse animal. Quando seu momento de euforia passou, ele fez sinal para eu subir novamente. Eu estava brava, não queria mais conversa.
"E eu estava prestes a te agradecer, mas vou deixar para mais tarde, se eu chegar inteira em casa."
Depois de uma longa caminhada silenciosa, ele saiu da floresta densa, chegando a uma rodovia.
“Você pode me deixar aqui, acho que consigo encontrar o caminho de casa.”
Tentei descer, mas o lobo vermelho fogo não parou de caminhar, ele prosseguiu até chegarmos à Twin Falls, como se soubesse onde eu morava. Quando estávamos prestes a entrar na cidade, ele foi para outra direção e avistei um caminho de pedras, cercado de árvores. Era um corredor de pinheiros. Os feixes de luz que vinham da lua atravessavam a vegetação deixando tudo mais mágico.
“Para onde está me levando? Minha casa é para o outro lado.”
Senti o nervosismo tomar conta de mim, parecia que eu estava entrando em outra floresta. E se ele resolvesse me largar no meio do nada e eu tiver que começar uma nova corrida? Já não tenho forças nem para me segurar direito sobre sua pelagem, quem dirá correr para salvar minha vida. Tentei descer, mesmo com ele em movimento, mas fui advertida com um rosnado baixo, manso, mas ainda era um rosnado. Respirei fundo para me acalmar e esperar o que o destino havia me reservado.
“Afinal você não é tão diferente do seu amigo raivoso!” Falei entre os dentes, mas ele parecia se divertir com as minhas palavras.
A primavera já havia chego, mas as noites ainda eram geladas. Mesmo com o calor que vinha do lobo vermelho, ainda sentia o frio da madrugada arranhando a pele das minhas costas seminuas em cada brisa que passava. O cansaço me atingiu como uma grande pedra depois desse surto de adrenalina e o medo de ficar sozinha novamente. Já fazia horas que estávamos caminhando e meu corpo começou arder em febre. Os passos do lobo vermelho estavam ficando tão distante dos meus ouvidos, seu calor emanando abaixo do meu peito e seus pelos macios pareciam me abraçar. Meus olhos pesados se abriam e fechavam, por um momento achei que não estava mais sobre um lobo, e sim, sendo carregada sobre o peito nu de um homem grande. Minha cabeça estava recostada sobre seu ombro, sua pele era macia, mas firme como uma rocha, seus braços eram fortes e ele era quente, o seu cheiro permanecia o mesmo do lobo. Devo estar em um sonho dentro de outro sonho.
Como poderia ser real eu estar sendo carregada por um lobo gigante? E como poderia ser real eu estar agora envolta nos braços fortes de um homem? Seu cabelo escorregou em meu rosto, era bem comprido e a cor era como vermelho fogo.
HANNAH Não sei quantas vezes mais Elijah estava disposto a me ver gemer em sua cama, mas na quinta vez meu corpo simplesmente se apagou com o cansaço. A noite anterior não tinha se iniciado como o planejado, mas o restante dela foi muito melhor do que eu poderia imaginar. Quando nossos corpos se encontraram, era como se tudo tivesse ficado no passado, como se o que aconteceu com Elisha tivesse sido há muito tempo, pois meus olhos e coração pertenciam a apenas um homem, ou melhor, a um homem lobo. Há cinco dias atrás, eu nunca imaginei que lobisomens poderiam ser reais e agora estou ligada a um deles. Elijah me completava de um modo que sempre busquei. Minha vida toda eu procurava por aceitação, em me encaixar em algum lugar e a alguém. Ele me proporcionou isso com apenas um gesto: Selando nosso vínculo de companheiro. Eu era humana, mas ainda podia sentir a atração avassaladora que nos consumia. Como eu não havia sentido isso antes? É absurdamente incrível a sensação de perten
HANNAH Elijah levantou sua cabeça, ajustando seu longo cabelo com um sorriso satisfatório estampado na cara. Eu estava envergonhada demais para encará-lo, mas não pude segurar um riso bobo. Até vê-lo passar o braço contra a boca, enxugando o excesso da minha excitação, o que me fez corar e tentar esconder o meu rosto, porém senti seu toque me impedindo. “Não se esconda de mim, você está tão linda está noite. E ainda mais agora que está pronta para me receber.” Ele massageava seu membro, enquanto me olhava fixamente com seus olhos quase prateados. ”Por um acaso, você ainda tem dúvidas?” Olhei novamente para baixo, seguindo a linha de seu abdômen, e não tinha parado para pensar em quão enorme ele era. Eu tinha tido uma noção no primeiro dia quando o vi com aquele pijama, a seda denunciava o que me esperava e agora eu não conseguia desviar o olhar dele. O calor que ardia dentro de mim desejava que ele não fizesse mais pausas. Eu não queria ter dúvidas, eu só queria ele. “Não mai
HANNAH Não sei ao certo o que Elisha fez comigo, mas depois que ele irradiou aquela luz violeta em mim, é como se o meu sangue fervesse embaixo da minha pele. E escutei quando ele disse para Elijah que eu não passaria por isso sem a ajuda dele e acredito que seu gêmeo do mal estava falando sobre a marca de companheiro. De alguma forma, eu sei disso e o meu corpo ansiava pelo seu toque. Era como se a energia que corria dentro de mim tivesse despertado uma Hannah há muito tempo adormecida. Pude sentir uma confiança que antes era inexistente fluir pelas minhas veias. Eu estava diferente e me sentia diferente. Quando abri os olhos, vi o contorno de Elijah na varanda. Seu corpo estava sendo banhado pela luz da lua, que já não tinha o mesmo brilho intenso de algumas noites atrás. O seu cheiro estava sendo transportado para o quarto através da brisa fria da madrugada, era único e parecia me abraçar toda vez que eu o sentia, me trazendo a segurança que tanto precisava hoje. Quando dei
ELIJAH Olhei para Hannah e algo chamou minha atenção. Ela não parecia bem, não que ela estivesse melhor antes. “Lucy, veja se Hannah está com febre. Sua testa está vertendo suor.” “A temperatura dela parece estar boa.” Lilly já havia se adiantado e colocado a mão na cabeça de Hannah. “Mas ela está suando muito. Não é normal.” Lucy tomou o lugar de Lilly para aferir a temperatura novamente. Keegan se aproximou rapidamente e em um movimento brusco tirou o lençol de Hannah. Meu instinto de proteção com a minha companheira falou mais alto e o agarrei pelo colarinho da camisa. “O que pensa que está fazendo, Beta?” “Eu sei que parece estranho, Eli. Porém preciso confirmar algo.” Rosnei em reprovação, odeio quando ele me chama assim. Elijah me colocou esse apelido para nos diferenciarmos quando criança, pois não basta termos a mesma aparência, mas nosso nome também é parecido. “E o que seria?” Questionei-o. “Hannah disse que Elisha irradiou uma luz em sua barriga. Eu quer
ELIJAH “Sua mãe não era companheira do seu pai, Elijah. Ela era uma feiticeira, o que tornaria impossível ser uma união confirmada pela deusa. Seu pai obrigou-a a usar o poder da pedra rubelita, uma variedade da turmalina vermelha, para que Rachel gerasse os filhos dele. Ela já sabia o que estava acontecendo, quando sentiu que a gestação havia se duplicado, mas Rachel não queria que a história se repetisse e que a maldição passasse para os seus filhos. Deste modo, para o seu pai não descobrir que um dos filhos teria o mana, ela o selou, mas eu não sabia que seu poder conseguiria te dar um lobo. Somente isso explicaria ela ter perdido a vida no processo.” “Minha mãe não precisava ter passado por tudo isso. Por que ela não negou desde o começo? Se já estava pensando em se sacrificar por nós, não faz sentido, Lucy” “A perseguição aos feiticeiros não era uma simples disputa por domínio. O Alfa Zen Féhr estava procurando uma mulher forte o suficiente, que pudesse usar a rubelita. Não
ELIJAH Elisha se dissipou como uma névoa escura com um intenso brilho roxo. Não adiantava ir atrás dele, não sei como, mas ele estava mais forte que eu. Era algo desumano, até mesmo para nós licantropos. Ter um lobo em nossa genética já nos fazia mais fortes que os humanos, mas o que ele se tornou era algo que jamais pensei ser possível. Corri em direção a Hannah, ela estava quase inconsciente e pressionava fortemente o seu abdômen. Sua testa estava suada, era um suor frio, indicando que estava com uma dor excruciante. Eu não sabia como ajudá-la. Através do elo mental, chamei por Keegan, para trazer Lucy e aquele livro velho. Por segurança achei melhor que Lilly viesse junto. Vai saber o que aconteceu com ela para que o seu lobo estivesse ausente. “Dói muito…” A voz de Hannah saiu trêmula, quase sem forças. “Calma, Hannah. Vamos resolver isso.” Pressionei cuidadosamente sua barriga procurando por alguma lesão. “O que ele te fez?” “Não sei dizer, ao certo…” Ela pausou de







