INICIAR SESIÓNPara qualquer mulher normal, estar diante de Adrian Volkov seria um sonho.
A realização de um desejo antigo. Elas suspirariam. Ficariam nervosas. Talvez até esquecessem como falar. Se sentiriam... privilegiadas. Como se estivessem diante de um deus grego. O problema é que eu não sou qualquer mulher. Eu sou Samantha Whitmore. Campeã de xadrez no colégio. Três vezes vencedora do prêmio de melhor acadêmica na faculdade. E completamente irrelevante quando o assunto é aparência. Eu não suspiro por homens. Suspiro por teses bem construídas. Por padrões bem resolvidos. Por animes com animação impecável. Então, estar diante de um homem como Adrian Volkov não me causava admiração. Me causava irritação. Porque, naquele momento, tudo o que ocupava meu cérebro não era o fato de ele ser absurdamente bonito. Era o fato de que eu estava sendo responsabilizada por um erro que não cometi. E isso... não era aceitável. Isso me enfurecia. E quando eu fico furiosa... fico pior. Mais desajeitada. Mais impulsiva. Menos... controlada. Ele ainda me encarava. Aquele olhar. Direto. Fixo. Preciso. Como se estivesse desmontando cada pensamento antes mesmo que eu o organizasse. E, por um segundo... apenas um... meu coração saiu do ritmo. Mas foi só um segundo. Quando tentei pegar o documento novamente sobre a mesa, o problema não foi a proximidade. Não foi o fato de estarmos perto demais. Não foi o olhar. O problema... foi o café. A xícara, esquecida próxima à borda, virou no momento exato em que minha mão esbarrou na mesa. O líquido escuro se espalhou rápido. Direto. Quente. Demais. Caiu sobre o chão... e sobre ele. Eu vi. Vi o exato momento em que o café atingiu o tecido da calça impecável. Vi quando ele sentiu. Foi sutil. Mas não passou despercebido. O leve tensionar do maxilar. O movimento quase imperceptível da perna. Controle. Até na dor. — Droga— A palavra escapou antes que eu pudesse impedir. Meu corpo reagiu antes da lógica. Me abaixei. Errado. Muito errado. Com a manga do meu moletom, comecei a tentar limpar o tecido da calça dele, completamente sem pensar. — Me perdoe... por favor... senhor Volkov... eu— Eu estava esfregando. Esfregando. A perna. Do CEO. Da empresa. O silêncio ficou... absurdo. E então ele se moveu. Rápido. Seguro. A mão dele envolveu meu pulso, firme, me puxando para cima. O contato fez algo estranho acontecer dentro de mim. Não dor. Não exatamente surpresa. Algo mais... elétrico. Quando me levantei, meu rosto ficou a centímetros do dele. Próximo demais. A respiração dele tocava meu rosto de forma sutil, controlada... quente. Eu queria desaparecer. De verdade. Se existisse um botão para sumir naquele momento... eu apertaria sem pensar. Ele não falou imediatamente. E isso foi pior. Porque o silêncio dele não era vazio. Era observação. O olhar dele desceu rapidamente até o meu rosto. Parou nos meus óculos tortos. E, com um gesto simples... ele os ajeitou. Delicado. Preciso. Inesperado. Meu coração falhou outra vez. — Eu acredito que a nossa conversa terminou. A frase foi direta. Fria. Como se nada daquilo tivesse acontecido. Como se eu não tivesse acabado de... esfregar a perna dele. Pisquei, tentando processar. — Mas eu não sei quem poderia ter cometido esse erro — minha voz saiu mais firme do que eu esperava. — Eu preciso de uma cópia do relatório. — Não se preocupe com isso — respondeu, já se afastando. — Vou mandar investigar. E a pessoa responsável será desligada. Desligada. Simples assim. Como se fosse um erro comum. Como se aquilo não envolvesse o meu nome. — Senhor Volkov... Ele parou. Lentamente. Mas não se virou imediatamente. — Eu quero descobrir quem colocou o meu nome nesse relatório. Agora ele se virou. E, dessa vez... o olhar era diferente. Mais duro. Mais incisivo. — Eu já disse para deixar isso comigo. Qualquer pessoa teria recuado. Qualquer pessoa teria abaixado a cabeça. Saído. Aceitado. Mas havia um problema. Eu não estava mais calma. — Eu não vou deixar. As palavras saíram. Firmes. Sem autorização. Sem filtro. O silêncio que veio depois foi pesado. Denso. Quase palpável. Dei um passo à frente. Mesmo sem perceber. — Eu quero investigar isso — continuei, agora mais baixa, mas não menos firme. — E não aceito outra resposta além de que o senhor permita que eu limpe o meu nome. Eu estava tremendo. Não por medo. Por intensidade. Por necessidade. Por algo que ia além de orgulho. Era... princípio. O olhar dele mudou. Não suavizou. Mas mudou. A irritação ainda estava lá. Mas havia outra coisa agora. Foco. Interesse. Real. Ele me observou por alguns segundos. Sem pressa. Sem desviar. Como se estivesse recalculando cada coisa que pensava sobre mim. — Você é insistente. — Eu sou precisa. A resposta veio automática. Ele inclinou levemente a cabeça. Quase imperceptível. — E acha que consegue fazer melhor do que a equipe que eu designar? — Eu não acho. Respirei fundo. Sustentei o olhar. — Eu tenho certeza. Silêncio. Longo. Controlado. E então... algo aconteceu. Não no ambiente. Não em mim. Nele. Um pequeno movimento no canto dos lábios. Quase inexistente. Mas suficiente. — Uma cópia será enviada para o seu e-mail. Meu coração acelerou. — Mas entenda uma coisa, Samantha... Ele deu um passo à frente novamente. Invadindo meu espaço. Dessa vez de forma consciente. — Se você estiver errada... A voz dele baixou. Perigosa. — Eu não tolero falhas repetidas. Engoli em seco. Mas não recuei. — Eu não estou errada. Outro silêncio. Mas agora... carregado de algo novo. Algo que eu reconheci imediatamente. Não era aprovação. Não era simpatia. Era pior. Interesse. E, pela primeira vez... eu tive certeza de uma coisa. Eu tinha deixado de ser invisível. E não havia como voltar atrás.O dia do meu casamento começou com lágrimas.E, surpreendentemente... nenhuma delas era de tristeza.A luz da manhã atravessava delicadamente as cortinas do quarto enquanto Alice andava de um lado para o outro completamente surtada tentando organizar absolutamente tudo ao mesmo tempo.— Onde está o buquê?Ela praticamente gritou para ninguém em específico.— Quem foi o irresponsável que tirou o meu café daqui?— Samantha, você está respirando direito?Eu comecei a rir.— Alice, eu só vou casar. Não vou entrar em guerra.Ela virou para mim lentamente.Os olhos arregalados.— Isso É uma guerra emocional!Ethan, que estava sentado no canto do quarto tentando inutilmente acalmá-la, soltou uma risada baixa.— Amor, você está mais nervosa que a noiva.— Claro que estou!Ela colocou a mão no peito dramaticamente.— Minha melhor amiga vai casar com um CEO bilionário absurdamente bonito! Isso é praticamente um evento nacional!Balancei a cabeça ainda rindo enquanto olhava meu reflexo no espelh
Existem momentos na vida que mudam tudo.Não porque sejam grandiosos.Mas porque, depois deles... você nunca mais consegue voltar a ser quem era antes.Naquela noite, eu ainda não sabia disso.Ainda não sabia que meu coração estava prestes a atravessar uma linha sem volta.Tudo começou de forma simples.Adrian me ligou no fim da tarde dizendo apenas:— Quero te levar em um lugar hoje.A voz dele estava calma.Controlada.Mas existia alguma coisa escondida ali.Uma tensão diferente.Quase nervosismo.E Adrian Volkov nunca parecia nervoso.Foi exatamente isso que despertou minha curiosidade.— Isso deveria me preocupar?Perguntei brincando enquanto terminava de me arrumar.— Talvez.A voz grave veio acompanhada daquela pequena risada rouca que sempre bagunçava completamente meu sistema nervoso.— Esteja pronta às sete.E então ele desligou.Sem explicar mais nada.Tipicamente Adrian.Passei quase uma hora inteira tentando descobrir o que vestir. O problema era que Adrian podia me levar
Existem decisões que nascem de forma racional.Você senta, analisa possibilidades, calcula consequências e escolhe o caminho mais lógico.Foi assim que tomei praticamente todas as decisões importantes da minha vida.Mas existem outras...Que simplesmente acontecem.Silenciosamente.Como uma verdade inevitável crescendo dentro do peito até ficar impossível ignorar.E Samantha tinha se tornado exatamente isso para mim.Uma inevitabilidade.Nos últimos meses, minha vida entrou em uma espécie de equilíbrio estranho. Pela primeira vez em muitos anos, eu acordava sem sentir que estava apenas sobrevivendo entre contratos, reuniões e metas inalcançáveis.Agora existia alguém me esperando no fim do dia.Alguém que reclamava do meu gosto musical quando eu dirigia.Que roubava metade das minhas batatas fritas mesmo dizendo que não estava com fome.Que transformava silêncio em conforto ao invés de vazio.E talvez fosse exatamente por isso que esconder nosso relacionamento começou a me incomodar t
Algumas pessoas dizem que a felicidade nunca vem completa.Que sempre existe algo faltando.Um medo escondido.Uma insegurança.Uma tragédia esperando a próxima esquina.Talvez isso fosse verdade para muita gente.Mas, pela primeira vez na minha vida... eu estava cansada de viver esperando a próxima dor acontecer.Depois de tudo o que enfrentei, percebi que o medo tinha roubado tempo demais de mim. Ele roubou minha adolescência. Roubou minha confiança. Roubou anos inteiros da minha vida.E eu não queria mais entregar absolutamente nada para ele.Nem mesmo agora.Nem mesmo sendo feliz.Principalmente sendo feliz.Por isso, aos poucos, comecei a me permitir viver aquilo que estava acontecendo entre mim e Adrian.Sem culpa.Sem receio.Sem tentar fugir toda vez que meu coração começava a bater forte demais.E Deus... como ele fazia meu coração bater forte.Os dias foram passando de uma maneira quase assustadoramente tranquila depois que começamos a namorar oficialmente. Não existiam gran
Voltar parecia simples.Mas não era.Ficar meses longe do trabalho muda mais coisas do que a gente imagina. Não é só a rotina. Não é só o despertador tocando cedo ou o café corrido antes de sair.É... quem você era naquele lugar.E quem você se tornou depois de tudo.Parei na frente do prédio da empresa por alguns segundos antes de entrar. O mesmo prédio. As mesmas portas de vidro. O mesmo reflexo.Mas... não a mesma Samantha.Respirei fundo, sentindo o ar preencher meus pulmões com mais facilidade do que antes. Ainda havia um leve desconforto no peito, uma lembrança constante de tudo o que aconteceu... mas não era mais dor.Era cicatriz.E, pela primeira vez em muito tempo... eu não senti medo.Empurrei a porta e entrei.O ambiente era familiar. O som dos saltos no piso polido. As vozes ao fundo. Os computadores. Os olhares discretos.Algumas pessoas me reconheceram. Outras demoraram um segundo a mais. E então vieram os sorrisos, os cumprimentos, os olhares surpresos."Você voltou!"
Tomar decisões sempre foi fácil para mim.Eu analisava cenários, calculava riscos, antecipava consequências... e agia.Sem hesitação.Sem ruído emocional.Era assim que eu construí tudo.Era assim que eu mantinha o controle.Mas com Samantha...Nada seguia esse padrão.Eu estava no escritório, tarde da noite, com a cidade se espalhando em luzes abaixo de mim, e pela primeira vez em muito tempo... não era um contrato que ocupava minha mente.Era ela.Sempre ela.A imagem dela rindo.A forma como me olhava quando achava que eu não estava percebendo.O jeito como, mesmo depois de tudo o que passou, ainda conseguia ser leve.E então veio o pensamento.Simples.Direto.Inescapável.Eu não queria mais indefinição.Eu não queria mais aquele espaço ambíguo entre o que éramos e o que poderíamos ser.Eu não funciono assim.Nunca funcionei.Se eu queria Samantha na minha vida...Eu precisava deixar isso claro.Definitivo.Irrefutável.Mas, ao contrário de tudo o que já fiz...Dessa vez, não bast







