INICIAR SESIÓNJá era noite quando retornaram para casa. Albert sorria enquanto a água do chuveiro descia sobre o seu corpo lembrando das imagens preciosas daquele dia, quanto mais tempo passava com aquelas crianças mais os queria para si. Quando lancharam, Nicolas disse algo que o tocou no peito.
ALGUMAS HORAS ATRÁS... — Papai me chamava assim. — Falou o menino — Assim como? — Perguntou Sophie. — Campeão, gosto quando me chama assim tio Albert é como se... — O menino se calou receoso. — Como se, o que? — Insistiu Albert. O menino olhou para a tia com certa preocupação, desviou o olhar os dizer: — Como se meu pai estivesse falando comigo... Eu sinto...sinto...sinto muita falta dele. — Nicolas começou a chorar e Eliza o acompanhou abraçando a tia, que parecia estar desolada e muita aflita, os olhos inundados de lágrimas. Albert segurou a mão de Nicolas, eram tão pequeninas nas mãos dele. — O meu pai também — O menino olhou para ele contendo os soluços, Albert prosseguiu — Meu pai o seu avô me chamava dessa forma e eu chamava o seu pai assim ele sempre foi o meu campeão preferido. — Os olhos dele vagaram por um instante — Sinto falta dele também — Albert jurava ter sentido vontade de chorar publicamente, mas, conteve-se, ao invés limpou as lágrimas do sobrinho — Mas, eu sei que ele não iria querer ver o campeão preferido dele chorar assim. Nicolas olhou de sobressalto para o tio. — Eu sou o campeão preferido de papai? — Albert esboçou um sorriso terno. — Por que mais ele o chamaria assim? — Os olhos do menino se inundaram de alegria e algo pareceu derreter dentro do peito dele, era uma emoção nova e curiosa. Desligou o chuveiro. Precisava convencê-la. arrumou-se rapidamente. Não resistiu a vontade de beijar a testa das crianças, mas, por certo de que elas não dormiam em seus devidos quartos, sorriu. ... Uma batida na porta, outra batida e mais uma, Sophie decidiu ignorar, estava devastadoramente cansada. Não ignorava propositalmente, seu cérebro só recusava domar o corpo. Ela sobressaltou assustada quando aquela mão a tocou, despertando-a. Larsen! O que ele fazia no quarto? — Sophie. — O que? — Ela se sentou sonolenta, as crianças ainda dormiam, por sorte. — Venha, vamos conversar. — Ele disse se afastando da cama. Ela se levantou vagarosamente, irritada por ter sido acordada e irritada por ele ter simplesmente entrado no quarto, o fuzilou com o olhar respirando fundo, saíram juntos. — A casa pode ser sua, mas isso não lhe dá o direito de inva...— Ele a silenciou com um dedo. — Agora não, vamos conversar. — Ele segurou em uma das mãos dela e a levou para seu escritório, caminharam em silêncio, ela estava cansada e com sono demais para discordar. O pé descalço contribuía para o aumento do frio que subia por suas pernas, mesmo com o aquecedor ligado em toda a casa, aquela era uma noite gélida resultante de um dia frio apesar de caloroso em suas lembranças. Ela estava impaciente outra vez, mais desperta, sentou-se na poltrona acolchoada. — O que quer, Albert? — Casar. — Falou sem rodeio sentado à beira da mesa. — Outra vez isso? Não. — Sophie, o motivo de recusar meu pedido é por causa do Henrique? aquele seu namorado? — Perguntou com certo desprezo. Ela o olhou desconcertada. — O que sabe sobre... como soube? — Nicolas me contou. — Respondeu indiferente. Ela revirou os olhos. — Eu não tenho um namorado, não mais, mas essa não é a questão. — Se a recusa não é por causa de outro homem então não há nada que a prive de se casar comigo, acredito que seja o melhor a fazer. Ela se levantou. — Não, não vejo o menor sentido num casamento falso! Acorde Albert, não estamos num livro romântico, isso daqui é a vida real e casamento não é brincadeira, mas, sim uma instituição sagrada vitalícia! — E quando foi que propus algo falso? Eu pedi que se case comigo, casar-se de verdade, não pedi que assinasse contrato de casamento de fachada, pedi? Eu não seria tão infantil — Não, ele de fato não havia dito nada a respeito, o que era ainda mais assustador. — Você é louco! Eu já lhe disse antes que você não dispõe do que busco num homem e... — Albert segurou-a pela cintura e a puxou para perto com intensidade. Quando falou novamente sua voz estava tão forte quanto uma tempestade sombria ao mesmo tempo rouca e baixa como as fortes brisas de outono. — Olhe para mim, Sophie, o motivo de eu querer desposá-la é pelo bem-estar de nossos sobrinhos podemos criá-los juntos. — Ela ficou reclinada sobre ele, o abraço se tornou mais apertado enquanto Albert falava, por que ela não se moveu? Por que era tão difícil respirar? — Eles precisam de uma figura paterna, precisam de mim, e eu posso lhes prover a vida que eles merecem, pense. — Uma das mãos dele deslizou nas costas dela até alcançar uma mecha de cabelo, ele a colocou atrás da orelha dela pousando a mão na nuca. Como podia pensar em alguma coisa? — E estou certo de que podemos conviver em perfeita harmonia pelo bem de nossas crianças. — Ela entreabriu os lábios, mas, as palavras simplesmente se recusavam a sair. Que tola parecia! Era impressão ou ele aproximava o rosto do dela...? Albert a beijou! capturou os lábios de Sophie aos dele e a beijou delicada, sensual, e ardentemente, quanto a ela...retribuiu! retribuiu por um segundo aquela carícia indevida, sútil, mas fervorosa, até cair em si e se afastar. Aquilo era insanidade total, estava a tanto tempo sem beijar um homem? Ora! isso não seria desculpa, sempre fez o estilo puritana, jamais foi indecente. Bateu no rosto dele involuntariamente. Saiu do escritório com o coração disparado, Albert por outro lado sorria apesar da ardência no lado direito de sua face. Voltar a dormir, foi uma dificuldade extrema! Não apenas porque não parava de pensar no beijo, sua mente não lhe deixava em paz. Ela devia se casar com aquele homem? Devia dar a chance de criar seus sobrinhos juntamente com ele? O que devia fazer? De fato, Albert proporcionaria uma vida abastada em que eles não passariam dificuldades financeiras, mas, esse seria o único caminho? Ela não precisa casar-se com ele para que possam criá-los juntos, precisa? "E acredito que possamos viver em perfeita harmonia" Lembrar disso e do beijo a deixou com muito, muito calor. O que era ridículo. Pior! ainda sentia os lábios dele nos dela...mordiscou. Sacudiu a cabeça e decidiu tomar um banho.Albert estava feliz com aquela visão, pela primeira vez em 3 décadas se sentia feliz de verdade. Parte de algo maior…. De um família, o que era muito bom, quem diria que o grande Larsen teria esposa e filhos? Ou quem diria mais ainda que ele amaria ser marido e pai? A vida é mesmo muito estranha e as vezes insana, mas sempre improvável. Ao menos era assim que ele pensava ao refletir sobre como alguns meses bastou para que tudo mudasse. As crianças abraçaram Sophie com tamanha força que ela foi ao chão e logo um pânico o envolveu, ele correu na direção deles aflito. Ela não podia cair, era perigoso para o bebê. Mas ver que ela ria o deixou aliviado e ao mesmo tempo irritado, Sophie tinha de ser mais cuidadosa consigo mesma, porém, ele se conteve. Era bom contar a novidade o quanto antes para seus pequenos.Como será que eles vão reagir a notícia? Albert não negava sentir certas preocupações, talvez o melhor fosse estreitar ainda mais os laços. Eles enfim inauguraram o cinema. Passaram
Albert entrou em choque por um momento, antes de sentir uma alegria formidável e espontânea borbulhar dentro do peito. Sophie não estava doente, estava grávida! Um filho dele, grávida de um filho dele… Aquilo era, era…maravilhoso! Ele não conseguiu conter o sorriso. — T-tem certeza d-disso doutora? — Perguntou a marquesa com a voz trêmula. — Perfeitamente Milady, o exame de sangue é o teste mais preciso e sem enganos. — Minha esposa está grávida de quantos meses doutora? É menino ou menina? Quando o bebê vai nascer? — Perguntou Albert eufórico. — Calma, calma… Ainda será preciso fazer alguns exames Milorde, passar em consulta para poder saber… — Albert mal conseguia ouvir a médica, não resistiu e começou a beijar a mão de sua esposa não se importando com a demonstração pública de afeto. Sophie parecia imersa em outro universo, o marquês no entanto precisou se conter para não beijar os lábios da esposa na frente da doutora. Agora sim ele era sem sombra de dúvidas o homem
Albert olhou para a incógnita estampada no rosto do mais velho. Como ele poderia não aposentar Dagfinn depois de tudo isso? uma rotina como a que costumava ter era a porta aberta para outro infarto que de acordo com o médico ocorreu por stress, ansiedade e pressão. Agora o mais velho teria de tomar remédio para pressão alta e calmantes, de um jeito ou de outro era culpa sua aquele leito. Albert já tinha tudo planejado, daria uma bela casa para que Dagfinn pudesse viver com Karen e pagaria pelos estudos da jovem, certamente também por todos os gastos com a saúde daquele velho e também todas as suas despesas.— Eu não posso mais sobrecarregar você, Dagfinn, me faltam palavras para expressar o quão sinto-me péssimo por não ter percebido o que estava mal e passando por um momento difícil — Ele nunca notou o romance se Dagfinn baixo do seu nariz ou se havia ficado triste pela partida de Lenora, na época estava atolado com a universidade e sempre imerso nos próprios problemas e em tudo era
— Crianças! deixem Dagfinn descansar — Pediu Sophie. — Mas tia Sosô! A gente estava com uma baita saudade do vovô Daff — Reclamou Eliza e Nicolas concordava enfaticamente com a irmã. Sophie insistiu para as crianças agirem de modo cauteloso para que o mais velho não se cansasse. Era tão triste o ver naquele estado. — Oh, imagina Milady, já estou farto de ficar aqui deitado feito um inválido, sua graça lorde Larsen e sua graça lady Larsen são um colírio aos meus olhos. — Sophie realmente precisava se acostumar ouvir aquele povo falar de Eliza e Nicolas com tamanha formalidade. — Não fale isso de si mesmo, nem por brincadeira! O senhor não é nenhum inválido — Corrigiu Madson parecendo irritada. Passando um pano úmido sobre a testa dele. Qual seria a relação desses dois? Sophie sorriu sem mostrar os dentes, era evidente que havia um clima romântico no ar. Eliza e Nicolas abraçaram o mais velho e entregaram os desenhos que fizeram para ele, dava para notar um brilho alegre no
Brasil - São Paulo - SP O delegado Ventosa chamou o inspetor Henrique para uma reunião. O jovem entrou afoito no recinto, com aquele olhar inocente que fazia com que todos acreditassem nele. Era um mentiroso habilidoso, Ventosa achava até engraçado o quão rápido ele estava subindo de cargo para alguém de vinte e seis anos, vindo de origem questionável, em outras palavras alguém da plebe. Admirável? O delegado teria prazer de acabar com a bela carreira corrupta impecável daquele jovem presunçoso apesar de ele ter o apoio Federal e de pessoas importantes. Não passava de um peão descartável. — Me chamou, senhor? — Perguntou Henrique. O mais velho tomou um gole longo de café enquanto o analisava. — Parece que você irritou gente poderosa, criança. — Disse ainda olhando para a xícara. — Perdão, senhor? — Me poupe desse teatro de bom moço, nós dois sabemos o quanto você é podre inspetor Henrique. — O jovem sorriu sarcástico. — Aprendi com o melhor, não acha, senhor? O mais
Sophie acordou acomodada num abraço apertado e caloroso. Albert a segurava de modo que parecia ter medo que de alguma forma irracional ela caísse. Sorriu ainda de olhos fechados se aconchegando mais, aquele aroma delicioso que só ele tinha era a soma de tranquilidade e paz no peito dela. O som ritmado da respiração pesada e o bater forte do coração daquele homem era sua melodia favorita. — Sophie? — Ela abriu os olhos ante o chamado daquela voz rouca em seu ouvido, porém permanecia sereno e de olhos cerrados. — Hum? — Amo você Ele já havia dito isso antes, mas, ouvir essa frase ao acordar de forma direta, doce e objetiva lhe causava borboletas no estômago e francamente uma vontade ridícula de chorar e rir ao mesmo tempo. Ela não respondeu, precisava digerir a alegria que a enlaçou, ele olhou para ela e como sempre sua mente entrou no costumeiro transe gelatina ao mirar naquele mosaico verde cristalino — Vou repetir, eu Albert Larsen amo muito você. — Sophie engoliu a seco. Sab







