INICIAR SESIÓNMaya Há momentos em que o silêncio do palácio fala mais alto do que qualquer trombeta de guerra. Eu sentava-me junto à grande janela em arco dos meus aposentos privados, observando a luz alaranjada do fim de tarde tingir os telhados de Valência. Nas minhas mãos, um cálice de chá de ervas já esfriara, mas eu não conseguia afastar a inquietação que apertava o meu peito desde que o meu filho cruzara os portões da cidade. Asher regressara vitorioso. O Rei do Sangue caíra pela sua lâmina, a ameaça no Leste fora sufocada e a sua liderança consolidara-se perante os generais. Qualquer mãe — qualquer soberana — deveria sentir apenas orgulho e alívio. No entanto, o meu sangue de Luna e a minha intuição moldada em anos de sobrevivência sussurravam-me que a verdadeira tempestade não viera da montanha. Vinha de uma presença. A porta de carvalho dos meus aposentos abriu-se com um farfalhar suave. Dominic entrou, a sua figura imponente preenchendo o ambiente. Ele retirara o manto pesado do trono
AsherO corpo do assassino ainda estava estendido sobre o piso de mármore do quarto quando Damon e quatro cavaleiros da Primeira Guarda arrombaram a porta da antessala. A espada do meu capitão estava empunhada, os olhos arregalados ao ver a desordem, o sangramento no chão e a silhueta inerte do invasor.— Senhor! — exclamou Damon, correndo em nossa direção. — Ouvimos o estrondo... A sentinela da galeria foi drogada com uma toxina no pescoço. O que aconteceu aqui?— A corte enviou as suas sombras — respondi com a voz gélida, sem desfazer o abraço em torno dos ombros de Lyra. — Tranque todas as entradas da Ala Leste. Quero o palácio em alerta máximo, mas sem alarmar a nobreza. Ninguém entra e ninguém sai do setor dos aposentos sem a minha autorização direta.Damon assentiu prontamente, posicionando dois guardas nas portas internas enquanto instruía os outros a examinar o perímetro.Lyra, libertando-se suavemente do meu braço, ajoelhou-se ao lado do cadáver. A sua expressão pálida dera l
AsherA Sala do Conselho Secreto ficava nas profundezas do palácio, escavada diretamente na rocha da montanha sobre a qual Valência fora erguida. Não havia janelas, apenas paredes de pedra nua adornadas com mapas antigos e estantes repletas de tomos selados com cera vermelha. O único som era o crepitar das tochas em arandelas de ferro e o arrastar cadenciado das cadeiras de carvalho pesado.No centro da sala, ao redor de uma mesa circular de marta-negra, sentavam-se as figuras mais poderosas do Império.À cabeceira, o meu pai, o Imperador Dominic, observava o recinto com olhar gélido. À sua direita estava o Chanceler Vane, um homem de pele pálida e dedos finos, conhecido por controlar a rede de espionagem do Sul; à esquerda, o General Kaelen, o comandante veterano que via em qualquer diplomacia uma fraqueza imperdoável.Eu estava de pé ao lado da cadeira de Lyra, mantendo a mão direita pousada suavemente no castão da minha espada. Lyra vestia um vestido sóbrio de veludo azul-petróleo,
AsherA última noite de viagem trouxe um manto denso de estrelas e o sopro gélido das montanhas. Acampamos no Vale das Velhas Encostas, a poucas léguas das muralhas externas de Valência. Ao longe, no topo das colinas, já era possível divisar o farol de vigia da capital, brilhando como um rubi na penumbra.O ambiente no acampamento era diferente de todas as noites anteriores. O peso da incerteza e o fantasma do exército de Varick finalmente se dissolveram no ar. Camponeses e soldados compartilhavam risadas baixas perto do fogo, embalados pelo som de uma flauta de osso tocada por um dos nossos cavaleiros.Depois de inspecionar a linha de sentinelas e garantir que o perímetro estava seguro, afastei-me da agitação das fogueiras centrais. Caminhei até um outeiro de rocha nua que se projetava sobre o vale, buscando o silêncio da noite.Para minha surpresa, a rocha já tinha uma ocupante.Lyra estava sentada sobre uma manta dobrada, com os joelhos recolhidos contra o peito e o manto escuro be
AsherO rugido da marcha militar dera lugar ao ranger constante das rodas de madeira sobre a estrada de terra. A caravana de resgate descia a Serra das Serpentinas em direção ao vale central, serpenteando por trilhas cercadas por pinheiros altos que começavam a perder a geada da manhã sob o sol suave do outono.À frente do comboio de vinte carroças cobertas, eu cavalgava a passo lento ao lado de Sombra. A retaguarda e as alas eram flanqueadas pelos homens da Primeira Guarda, cujas armaduras espelhavam a luz do sol, trazendo uma sensação de alívio palpável aos camponeses libertados. Mas, enquanto os meus generais mantinham a atenção focada nas cristas dos morros contra possíveis emboscadas de remanescentes dos clãs, o meu pensamento orbitava a carroça de liderança.Ali, sentada ao lado do condutor e envolta num manto escuro de lã fina oferecido pelos nossos oficiais, estava Lyra.Durante os dois primeiros dias de marcha, observei-a à distância. Ela cuidava das crianças do grupo, organ
AsherO crepúsculo cobria o vale com um manto roxo e dourado.Fogueiras foram acesas ao longo de todo o acampamento libertado, lançando faíscas que subiam em direção às estrelas que começavam a despontar. O cheiro de sangue e mofo fora gradualmente substituído pelo aroma de lenha queimada, sopa quente de cevada e pão assado nas brasas.Mesmo com a batalha terminada, o meu trabalho estava longe do fim. Um príncipe não lidera apenas na hora de desembainhar a espada; ele lidera quando os feridos precisam de ataduras e os traumatizados precisam de abrigo.Passei as duas horas seguintes caminhando entre as tendas improvisadas de atendimento, coordenando os meus oficiais. Damon organizara os curandeiros da Primeira Guarda para priorizar as crianças e os idosos, enquanto os nossos suprimentos de reserva eram distribuídos sem restrição.— Mantemos cinquenta cavaleiros no perímetro externo, meu Príncipe — informou Damon, aproximando-se com um pergaminho onde anotava os nomes dos resgatados. —







