共有

Capítulo 3

作者: Kayla Sango
last update 公開日: 2026-05-05 03:29:52

Virei as costas e saí. Mas assim que alcancei o hall dos elevadores, um clarão iluminou as janelas de vidro, seguido por um estrondo que pareceu sacudir o prédio inteiro. No mesmo instante, o céu desabou em uma tempestade violenta.

Parei, estática. O som da chuva batendo no vidro não era apenas barulho para mim, era um gatilho. Olhei para a rua lá fora, a escuridão engolindo tudo, e depois para a porta da suíte de onde eu tinha acabado de sair.

O Rio de Janeiro era perigoso para uma mulher sozinha às três da manhã, mas embaixo de um temporal daqueles... era impossível. Senti o pânico subindo pela garganta.

Engoli o orgulho, dei meia volta e bati na porta.

Arthur abriu quase imediatamente, com um sorriso de lado que dizia "eu sabia".

— Posso ajudar, Cinderela? — debochou.

— Ah, larga de ser babaca — empurrei o ombro dele e entrei, passando direto para o banheiro.

Precisei de um minuto encarando o espelho para me recompor. Tirei o vestido alugado com cuidado (se eu estragasse aquela seda, teria que vender um rim para pagar) e vesti o roupão de algodão egípcio que estava pendurado atrás da porta. Era imenso em mim, mas era confortável.

Quando voltei para o quarto, Arthur ainda estava com o copo de uísque, me medindo de cima a baixo.

— Sexy — ele comentou, a voz mais baixa.

— Não ache que isso é algum tipo de sedução — retruquei, cruzando os braços. — Eu só não posso estragar aquele vestido.

Um trovão gigantesco explodiu lá fora, e a luz do quarto simplesmente apagou. O grito saiu da minha garganta antes que eu pudesse conter. Corri para a cama no escuro total, mergulhando embaixo do edredom como se tivesse dez anos de idade.

Ouvi a risada dele, curta e profunda, vinda do escuro.

— Atira vasos em cabeças alheias, mas tem medo de escuro?

— Eu não posso nocautear o escuro — respondi, com a voz abafada pelas cobertas.

— A luz de emergência já vai entrar. Relaxa.

Segundos depois, uma iluminação fraca e amarelada se acendeu, deixando o quarto com sombras longas e um clima denso. Mais um trovão, mais um sobressalto meu. Arthur caminhou até mim e estendeu o copo de uísque.

— Bebe. Você está tremendo tanto que daqui a pouco vai desarticular os dentes.

Peguei o copo, sentindo o peso do cristal genuíno. Minhas mãos ainda batiam contra o vidro, então usei as duas para levá-lo à boca. Tomei um gole generoso, esperando algo doce como os licores baratos que eu já tinha provado, mas o que veio foi um soco. O uísque era forte, amadeirado e tinha um gosto de coisa antiga e cara.

Imediatamente, fiz uma careta, fechando os olhos enquanto sentia o líquido queimar um rastro de fogo da garganta até o estômago.

— Credo... isso tem gosto de fumaça — reclamei, a voz saindo raspada, enquanto colocava o copo na mesinha de cabeceira.

Arthur soltou uma risada baixa, observando minha reação com um divertimento que não tentou esconder.

— Agora, é melhor a gente dormir. O resto da madrugada vai ser longo.

Ele deu a volta e começou a se acomodar no sofá perto da janela, cruzando as pernas longas de um jeito que parecia desconfortável para um homem daquele tamanho.

— Não vai caber todo o seu ego nesse sofá — ironizei, embora meu coração estivesse disparado.

— Estou acostumado a lidar com coisas grandes. E sei muito bem como usá-las — ele devolveu, os olhos brilhando no escuro.

Revirei os olhos, mas quando outro relâmpago iluminou o quarto, o medo venceu o orgulho.

— Deita aqui... na cama. Por favor.

Arthur hesitou por um segundo, então se levantou e deslizou para o lado vago. O calor do corpo dele me deixando levemente mais calma.

— Qual o seu nome mesmo? A propósito.

— Zara. E o seu?

Ele me olhou surpreso, quase como se fosse um insulto eu não saber quem ele era. Típico daquele mundo.

— Arthur.

Ele não me deu um sobrenome. O que, normalmente, era típico de pessoas como ele. Apresentar a família quase antes de a si mesmo.

Então, minha curiosidade falou mais alto:

— Arthur do quê?

— Só... Arthur.

A chuva apertou, chicoteando o vidro. No reflexo, agarrei a mão dele com força. Ele não soltou. Em vez disso, começou a acariciar meu polegar, um gesto tão protetor que me desarmou por completo.

— Qual é a desse medo de chuva, Zara?

Respirei fundo, o cheiro do perfume dele me acalmando.

— Eu tinha dez anos. Uma enchente alagou tudo onde eu morava. Perdi tudo. Inclusive minha mãe. Ela morreu tentando salvar o pouco que a gente tinha.

— Sinto muito — ele disse, eu fiz um breve aceno com a cabeça, tentando não lidar com uma dor antiga. — E depois? Você não tinha mais família?

— Não é da sua conta — cortei, sentindo o nó na garganta.

— Tudo bem, tudo bem — ele cedeu, a voz suave. — Eu também não gosto de chuva.

— Você? Tem algum medo secreto?

— Só não gosto de não ser obedecido. Nem pelo tempo.

Soltei uma risadinha fraca.

— Você parece ser muito mandão.

— Eu faço isso para viver.

— Mandar?

— Mandar — ele repetiu, virando-se para mim. — E agora eu estou mandando você relaxar, ou vai acabar esmagando a minha mão.

Olhei para nossos dedos entrelaçados.

— E você é tão bom em mandar quanto é em fazer mulheres relaxarem?

O ar entre nós mudou. A diversão sumiu, dando lugar a uma eletricidade pura.

— Eu posso te mostrar, se você quiser.

Eu nunca tive o hábito de me entregar a desconhecidos. Na verdade, minha vida era um exercício constante de isolamento e a intimidade era um luxo que eu não podia pagar, pois exigiria baixar guardas que eu levei anos para construir. Mas ali, naquele quarto mergulhado em sombras e ecos de trovões, as engrenagens da minha resistência estavam falhando.

Era uma mistura perigosa de sensações que eu mal conseguia processar. Havia o medo, aquele trauma antigo da água subindo que ainda fazia meu peito apertar. Havia a adrenalina de ter acabado de escapar de um quase ataque no jardim. E havia o passado, sussurrando que eu sempre estive sozinha.

E havia o Arthur.

Ele estava ali, sólido e inabalável, agindo como uma âncora no meio da minha tempestade mental. Enquanto o mundo lá fora parecia querer me engolir, o calor do corpo dele e a pressão firme da sua mão eram as únicas coisas que me impediam de flutuar no mar da minha própria ansiedade.

O desejo não surgiu do nada. Ele brotou daquela necessidade desesperada de ser cuidada, de parar de lutar por apenas uma hora.

— Me mostra — desafiei em um sussurro.

Puxei-o pelo pescoço. Arthur não hesitou. Ele veio para cima de mim com a força da tempestade que rugia lá fora, mas seus beijos eram um incêndio controlado, projetado para queimar cada rastro de medo da minha pele.

Senti suas mãos firmes puxarem o nó do cordão que prendia o meu roupão, e o algodão pesado escorregou pelos meus ombros tão rápido quanto a minha sanidade. 

Na manhã seguinte, acordei com o sol batendo forte no rosto. Tentei tatear o outro lado da cama, mas só encontrei lençóis frios.

Abri os olhos de sobressalto. O quarto estava vazio. Nem sinal do Arthur. Tudo bem. Tinha sido um caso de uma noite só, eu devia esperar por isso. Fazia o tipo dele.

Me vesti, tentei dar um jeito no cabelo e saí do quarto.

Ao chegar no saguão, caminhei em direção à recepção para fazer o check-out.

— A chave da suíte, por favor — o recepcionista pediu educadamente.

Entreguei o cartão magnético, pronta para dar o fora dali.

— Aqui está. Obrigada.

Eu já estava me afastando, a poucos passos da porta giratória que me levaria de volta para a rua, quando a voz dele me parou como um tiro.

— Senhorita, espere! — O homem analisava a tela do computador com uma expressão profissional implacável. — Ainda consta uma pendência no seu check-out.

Parei, sentindo um calafrio subir pela espinha.

— Pendência?

— Um consumo de serviço de quarto e frigobar no valor de mil seiscentos e quarenta reais. Como a senhorita pretende pagar?

この本を無料で読み続ける
コードをスキャンしてアプリをダウンロード
コメント (1)
goodnovel comment avatar
elizbnascimento
Poxa! Nenhum detalhe de como foi a noite!
すべてのコメントを表示

最新チャプター

  • INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO   Epílogo

    ~ Dois anos depois ~Estávamos todos sentados em uma mesa de café da manhã no Hotel Milani Londres.Thomas e a Júlia — que sim, finalmente tinham se assumido depois de um bom tempo saindo juntos, mas fingindo que nos enganavam ao negar. A Geórgia, que tinha aproveitado as férias da faculdade de medicina que ela tinha finalmente começado um semestre atrás, depois de ser a ovelha desgarrada da família e ter insistido em três outros cursos antes de chegar lá.— Acontece que eu realmente descobri que gosto de medicina. — Ela explicava para qualquer um que perguntasse. — Eu não queria fazer só porque a família é toda de médico, sabe? Então precisei fazer engenharia, direito e cinema antes, para ter certeza.O que sempre fazia a gente rir, porque se a Geórgia não tinha habilidade nenhuma para engenharia ou direito, tinha ainda menos para cinema. Mas ela não saiu desse último curso de mãos abanando, estava namorando um cara que tinha o maior estilo roqueiro clássico, para o qual a Claire to

  • INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO   Capítulo 188

    — Últimas palavras? Talvez eu possa repassar para o Arthur antes de acabar com ele também.Então eu ri. Porque havia algo absurdo em estar naquela situação e ainda assim ter a cabeça funcionando o suficiente para perceber o detalhe que ela não tinha percebido.— Você se esquece que eu vivi por anos em uma favela? — Pressionei ainda mais a cabeça contra o metal frio da arma. — É uma Derringer.— O quê? — Leonora franziu a testa, a arma ainda apontada.— Sua arma. É uma Derringer.— Essas são suas últimas palavras?— Não. Mas isso significa que você só tinha dois tiros. — Pausei. — E os dois já foram.Eu estava contando. Estava forçando-a a atirar para qualquer lado por duas vezes. Estava torcendo para que o plano, o único que eu tinha, desse certo.Vi o momento em que ela processou. A mão apertou o gatilho de qualquer forma, claramente sem acreditar no que acabou de ouvir.Nada saiu.Aproveitei o seu choque e agarrei o braço dela com as duas mãos e virei pra trás com força, usando o ân

  • INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO   Capítulo 187

    ~ ARTHUR ~O telefone tocou enquanto eu ainda estava no estacionamento, a chave do carro na mão, tentando lembrar exatamente em qual faixa tinha parado.— Alô?— Arthur. — A voz do meu pai soou do outro lado, e o tom era diferente do suficiente para acender um alerta imediato. Não o tom de médico que ele usava para dar más notícias com controle total, mas algo por baixo disso, algo que raramente aparecia e que eu aprendi a reconhecer ao longo dos anos como o tom que ele usava quando havia perdido o controle da situação. — Você está com a Zara?— Não. Longa história, mas a Leonora armou uma armadilha e nos pegou mais uma vez. A Zara está sendo conduzida até a delegacia por um policial, eu estava indo buscar o carro para ir atrás e depois a encontrar lá...— Não deixa. — A urgência na voz dele subiu de um grau que eu não estava acostumado a ouvir. — Não deixa a Zara entrar naquela viatura. Arthur, para o que você está fazendo e ouve o que estou dizendo.— O que está acontecendo? Por quê

  • INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO   Capítulo 186

    Leonora soltou uma risadinha contida que me assustou mais do que qualquer gargalhada aberta que ela pudesse ter dado.— É isso que você acha de mim, então?— Bem, foi o que você fez com meu avô, não foi?— Eu só faço o que é necessário. — Ela disse calmamente, como se uma confissão de assassinato fosse como qualquer discussão mundana. — Você... sua morte não era necessária pra mim. Tentei te afastar com aquele exame falso, mas não é que seu marido parece realmente estar tão apaixonado a ponto de colocar a reputação médica dele em jogo por você?— Se minha morte não era necessária, por que mandou a Genevieve pra aquele quarto?— Porque você se tornou uma pedra no meu caminho. Você e ele, o Arthur. A ideia era eliminar meu irmão, afastar você do Arthur, casá-lo com a Genevieve para que ela pudesse controlá-lo, e eu ficava com tudo. — Fez uma pausa. — Mas aparentemente não tem nada no mundo que afaste vocês dois, tem?— Como você teve coragem? — A pergunta saiu levando minha raiva com el

  • INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO   Capítulo 185

    — O quê? — Perguntei para o Arthur, claramente um passo atrás dele na conclusão.— Ficamos tão desesperados pra entrar na área de embarque que esquecemos da sua restrição em deixar o estado. Quando a passagem no seu nome acusou no sistema, o sistema entendeu que você estava tentando violar a determinação judicial.— Merda, merda!— Ela antecipou nossa jogada. Provavelmente soltou a informação falsa de que estava saindo do país exatamente para isso, para nos fazer correr para o aeroporto, para nos fazer comprar passagens sem pensar nas implicações.— Filha da puta. — Murmurei. Leonora tinha calculado cada passo que nós daríamos com uma precisão que era, objetivamente, impressionante. O que tornava tudo ainda mais frustrante.— Senhora... — O policial começou novamente, agora com menos paciência na voz.Ainda estava parado ali, com o distintivo em mãos, com aquela expressão de quem está ficando progressivamente menos disposto a continuar esperando.— Já estou indo! — Respondi, incapaz d

  • INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO   Capítulo 184

    Eu nunca tinha estado em um aeroporto antes, mas eu imaginava que em condições normais ele já não seria um dos meus lugares favoritos — barulhento, cheio de gente com pressa, com aquela iluminação artificial que não favorecia ninguém e filas em toda parte sem começo nem fim claro.Mas eu uma situação de emergência, como hoje, era ainda pior. Cada pessoa que passava era um possível obstáculo, cada corredor uma possível direção errada, e o ruído de fundo tornava impossível pensar com a clareza que a situação exigia.A informação tinha chegado pelo Eduardo, vinda de um dos seus contatos, que Leonora estava prestes a embarcar em um voo para Portugal. O que fazia muito sentido. Genevieve tinha dado seu depoimento na tarde anterior, Leonora já estava sando da traição e sua melhor opção era fugir do país.Então, fizemos o que nossa ansiedade nos pediu: fomos para o aeroporto. Não que acreditássemos que fossemos resolver algo com as próprias mãos, mas... Tá, eu acreditava que ia resolver com

続きを読む
無料で面白い小説を探して読んでみましょう
GoodNovel アプリで人気小説に無料で!お好きな本をダウンロードして、いつでもどこでも読みましょう!
アプリで無料で本を読む
コードをスキャンしてアプリで読む
DMCA.com Protection Status