Mag-log inO escritório da mansão estava em total silêncio quase sufocante.A luz da tarde atravessava as grandes janelas, iluminando parcialmente os rostos tensos dos presentes.Eliezer permanecia atrás da mesa, observando tudo em silêncio.Ravena estava ao lado da estante de livros, inquieta.A anciã mantinha-se sentada próxima à janela, como se aguardasse algo inevitável.Luna estava acomodada em uma poltrona confortável. A mão repousava instintivamente sobre o ventre já arredondado.Darius permanecia de pé no centro do escritório.Por mais que tivesse ensaiado aquelas palavras durante todo o caminho, agora elas pareciam impossíveis de dizer.Seu olhar encontrou o de Luna.Os olhos verdes dela ainda possuíam o mesmo brilho que o havia encantado desde o primeiro dia.Ele respirou fundo.— Luna... preciso conversar com você sobre algo importante.A jovem sentiu um aperto estranho no peito.Pela expressão dele, já sabia que aquela conversa não seria fácil.Darius passou a mão pelos cabelos e des
Naquele mesmo dia em que Darius e Thaynara finalmente se entregaram um ao outro, o jovem alfa tomou uma decisão que acreditava ser definitiva para o seu futuro.Mas antes de seguir adiante, precisava ouvir alguém em quem confiava.Precisava do conselho de seu pai.Os dois estavam reunidos em particular no pequeno quarto da cabana principal da alcateia. O ambiente era simples, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. O silêncio entre eles trazia um peso de algo importante.Darius permanecia de pé, inquieto. Os braços cruzados sobre o peito não conseguiam esconder a sua ansiedade.Ranamés observava o filho em silêncio.Esperando.— Pai... eu tomei uma decisão. — A voz de Darius saiu mais baixa do que ele pretendia. — Mas antes de seguir em frente, preciso ouvir sua opinião.Ranamés apoiou os cotovelos sobre os joelhos e o encarou com atenção.— Algo está te incomodando, meu filho. — disse calmamente. — E com toda a experiência que os anos me deram... acredito que já sei
As patas de Thaynara golpeavam o chão da floresta com uma fúria cega. O vento uivavaentre suas orelhas de loba, mas não era o suficiente para abafar os gritos internos dahumilhação. Como ele pôde? Ela, a joia da alcateia, a prometida de sangue, preterida poruma qualquer... e um bastardo a caminho.Quando o cheiro de água doce e musgo atingiu seu faro apurado, ela desacelerou. O riachocortava a mata como uma cicatriz de prata sob a lua cheia. Exausta, Thaynara sentiu ocalor da transformação subir pela espinha, como uma febre saindo pelos seus poros. Oestalo dos ossos voltando ao lugar foi um alívio físico, mas a dor no peito permaneciaintacta.Seu peito doía como nunca, era uma dor que parecia quebrar seus ossos muito mais doque qualquer transformação poderia ser capaz.Ela emergiu da forma animal nua, sentindo o ar do fim de tarde arrepiar sua pele branca.Com movimentos lentos e mecânicos, vestiu o tecido leve que havia deixado escondidopróximo às pedras antes d
Eliezer respirou fundo antes de falar. A voz saiu grave, controlada.— A partir de agora, precisamos focar em proteger Luna… e o bebê. Nada é mais importante do que isso.Ele se afastou alguns passos, passando a mão pelos cabelos escuros, inquieto.— Eu não sei quando vai acontecer… mas vai. Uma guerra está se formando. Eu sinto. A qualquer momento pode haver uma retaliação entre nós e a alcateia.O ar no escritório pareceu ficar mais pesado.Ravena se levantou lentamente, aproximando-se dele. Seus olhos castanhos estavam firmes.— Então nosso foco é um só — disse com convicção. — Proteger Luna e o bebê. A qualquer custo.Eliezer ergueu o olhar para ela.E foi nesse instante que algo mudou.Ele nunca havia reparado daquela forma. Nunca tinha permitido.Os olhos de Ravena… eram intensos. Profundos. Havia fogo neles — mas não o fogo destrutivo. Era calor. Força. Vida.Hipnotizantes.Ravena sustentou o olhar.Por um segundo, seu instinto a alertou. Ela conhecia o poder dos vampiros. Conh
Antes de sair do quarto para que Luna pudesse se ajeitar, Eliezer parou na porta e lançou um olhar discreto para Ravenna.— Podemos conversar… em particular?Havia algo diferente em sua voz. Ravenna sustentou o olhar dele por um segundo, como se já soubesse o assunto antes mesmo das palavras serem ditas. Então assentiu, serena.— Claro.Ela saiu logo depois, fechando a porta com suavidade.O quarto ficou em silêncio.Luna voltou sua atenção para a bandeja. Comeu mais algumas frutas, terminou o suco e, com cuidado, colocou tudo ao lado da cama. O corpo ainda guardava vestígios da transformação — uma leve sensibilidade nos músculos, uma memória física da dor.Mesmo assim, levantou-se.Sentia que aquele dia não seria comum.Havia algo no ar. Algo pendente.Caminhou até o espelho.E parou.A mulher refletida ali… não era exatamente a mesma de dias atrás.Seus olhos estavam mais firmes. Mais conscientes. Havia uma chama diferente no olhar — não de medo, mas de coragem. Confiança. Como se,
Dois dias haviam se passado desde a noite em que a lua mudou o destino de todos.Os primeiros raios de sol atravessavam timidamente as cortinas do quarto, desenhando faixas douradas sobre as paredes claras. O ar estava diferente. Mais leve. Mais… vivo.Luna despertou devagar.O corpo ainda doía. Não como antes — não como fogo rasgando ossos e pele — mas como se cada músculo tivesse sido moldado novamente. Havia um peso diferente em seus sentidos. Ela conseguia ouvir o canto distante de um pássaro na copa das árvores. Conseguia sentir o cheiro da grama molhada lá fora.Sentidos aguçados.E então…Toc, toc.Uma batida suave na porta.Antes que pudesse responder, a porta se abriu com cuidado.— Hora de acordar, dorminhoca! — Ravenna anunciou, entrando com uma bandeja nas mãos.O aroma invadiu o quarto imediatamente. Frutas frescas, pão levemente tostado, sanduíche, suco natural e um copo de leite ainda morno.Ravenna fechou a porta com o pé e caminhou até a cama, depositando a bandeja co







