Compartilhar

Primeiro dia de Aula

last update Data de publicação: 2025-01-07 01:43:37

Após a conversa no escritório, Luna desceu as escadas, ainda assimilando a ideia de voltar para a escola. Já havia algumas semanas desde o acidente de sua mãe, e ela não tinha certeza de como se sentiria rodeada por tantas pessoas desconhecidas.

Eliezer estava esperando por ela no hall de entrada, segurando uma mochila preta simples e uma pilha de cadernos e livros encapados com cores sóbrias.

— Aqui estão seus materiais. Achei que precisaria de algo básico para começar — disse ele, estendendo o conjunto.

Luna aceitou os itens com um aceno de cabeça. A mochila parecia pesada, mas a preocupação maior não era o peso físico, e sim o que o dia traria.

— Eu achei que talvez... não fosse voltar para a escola — confessou, hesitante.

— Educação é essencial — respondeu Eliezer, categórico. — Além disso, será bom para você. Uma oportunidade de começar de novo, se adaptar.

Luna não quis prolongar a conversa. Apesar de tudo, sabia que ele estava certo. Então subiu para o quarto, trocou de roupa e voltou pronta, com o uniforme que já havia sido providenciado por Ravena na noite anterior.

Eliezer a levou até o carro, um sedan preto que combinava com a aura misteriosa dele. Enquanto dirigia pelas ruas de Lendcity, Luna observava as casas antigas e o movimento tranquilo da cidade. Era um lugar bonito, mas algo ali parecia escondido, quase como se cada esquina tivesse um segredo.

— Estamos chegando — anunciou Eliezer, tirando-a de seus pensamentos.

Ele estacionou em frente a um prédio de arquitetura neoclássica, com colunas brancas e um jardim bem cuidado na entrada. A placa dourada dizia: Colégio Ravenswood.

Eliezer saiu do carro e contornou até o lado dela, abrindo a porta.

— Vou levá-la até a diretora. É importante que faça uma boa primeira impressão — disse, enquanto caminhavam juntos até o prédio.

***

Dentro do colégio

O corredor principal estava silencioso, exceto pelo eco dos passos deles no chão de mármore. Luna se sentia pequena, como se cada parede daquele lugar a estivesse observando. Quando chegaram à sala da diretora, Eliezer bateu na porta com firmeza.

Uma mulher alta e magra, de cabelos grisalhos impecavelmente presos em um coque, abriu a porta. Seu olhar era penetrante, como se pudesse ler pensamentos.

— Ah, senhor Bolívar. Que prazer revê-lo — disse ela, com um sorriso que não alcançava os olhos.

— Diretora Hawthorne — cumprimentou Eliezer com um leve aceno. — Esta é minha filha, Luna.

Luna sentiu o olhar da diretora passar por ela de cima a baixo, avaliando-a.

— Seja bem-vinda ao Ravenswood, senhorita Bolívar. Tenho certeza de que você se adaptará rapidamente — disse a diretora, com um tom quase ensaiado.

Após algumas formalidades, a diretora entregou a Luna um mapa da escola e seu horário de aulas.

— Agora, senhor Bolívar, se não se importa, preciso levar Luna até sua sala.

Eliezer hesitou por um momento, mas assentiu.

— Estarei esperando por você no final do dia — disse ele a Luna, antes de sair pela mesma porta que entraram.

A diretora a conduziu por corredores cheios de armários metálicos e portas de madeira. Quando chegaram à sala de aula, Luna sentiu uma onda de nervosismo.

— Aqui estamos. Entre, e se apresente — instruiu Hawthorne, antes de abrir a porta.

***

Dentro da sala de aula

Luna entrou, sentindo dezenas de pares de olhos se voltarem para ela. O murmúrio dos alunos cessou, e o silêncio a envolveu como uma manta pesada.

— Classe, esta é Luna Bolívar, nossa nova aluna — anunciou a diretora, com um sorriso estranhamente formal.

Luna tentou parecer confiante, mas seu coração estava acelerado. Ela acenou de leve, sentindo-se vulnerável.

— Pode se sentar ali, ao lado do senhor Mathewook — disse a diretora, apontando para um lugar vazio no fundo da sala.

Ao olhar para onde a diretora apontava, Luna viu um garoto alto, de cabelos castanhos desgrenhados e olhos de um castanho profundo que quase brilhavam. Ele tinha um sorriso que parecia amistoso, mas havia algo em sua postura que fez os pelos de sua nuca se arrepiarem.

Ela caminhou até o lugar indicado e se sentou, tentando ignorar os sussurros ao redor.

Ele sustentou o olhar por mais um segundo antes de se afastar, voltando a prestar atenção no que o professor dizia. Mas, de alguma forma, Luna sabia que ele ainda a observava de soslaio, como se soubesse algo sobre ela que nem ela mesma sabia.

Lá no fundo, uma sensação incômoda começou a crescer, a mesma que ela sentira na noite anterior. Ela tentou afastar os pensamentos, mas era impossível ignorar a intensidade daqueles olhos, como se eles guardassem um segredo.

Luna se sentou ao lado de Darius, sentindo a tensão pairar. Ele estava inclinado sobre o caderno, rabiscando distraidamente, os traços longos e fluidos de sua escrita quase hipnotizantes. Seus cabelos negros e longos caíam levemente sobre o rosto, escondendo parcialmente os olhos castanhos que, por alguma razão, pareciam tão familiares para Luna.

Ela se ajeitou na cadeira, o nervosismo subindo por sua espinha. "Você consegue, Luna. É só uma apresentação," pensou.

Luna respirou fundo, tentando ignorar a sensação de desconforto que pairava no ar.

— Oi, eu sou Luna. — Sua voz saiu tímida, quase como um sussurro.

O garoto ao seu lado não ergueu os olhos imediatamente. Ele continuou rabiscando algo no caderno, como se ela sequer estivesse ali. Luna sentiu o rosto esquentar com o silêncio prolongado, mas decidiu que não insistiria.

"Talvez ele só não queira conversar," pensou, tentando afastar a sensação de rejeição. Ela se virou para a frente, abrindo o livro que a professora havia solicitado e se forçando a focar na explicação.

Ainda assim, não conseguiu evitar de lançar alguns olhares furtivos para o garoto ao seu lado. Ele tinha os cabelos negros e longos, caindo de forma displicente sobre o rosto, e os olhos castanhos pareciam esconder algo profundo, quase como se fossem espelhos de outra vida. Algo nele parecia... familiar.

"Estou imaginando coisas," disse a si mesma, balançando levemente a cabeça. Com um suspiro, ela voltou sua atenção para a aula, lutando para ignorar a presença quase magnética ao seu lado.

Darius, no entanto, a observava discretamente pelo canto do olho. Ele podia sentir algo diferente em Luna, algo que fazia sua pele arrepiar e seu coração pulsar de maneira estranha. Mas, assim como ela, ele optou por permanecer em silêncio.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Luar Proibido - A Luna Proibida do Alfa   Dor

    O escritório da mansão estava em total silêncio quase sufocante.A luz da tarde atravessava as grandes janelas, iluminando parcialmente os rostos tensos dos presentes.Eliezer permanecia atrás da mesa, observando tudo em silêncio.Ravena estava ao lado da estante de livros, inquieta.A anciã mantinha-se sentada próxima à janela, como se aguardasse algo inevitável.Luna estava acomodada em uma poltrona confortável. A mão repousava instintivamente sobre o ventre já arredondado.Darius permanecia de pé no centro do escritório.Por mais que tivesse ensaiado aquelas palavras durante todo o caminho, agora elas pareciam impossíveis de dizer.Seu olhar encontrou o de Luna.Os olhos verdes dela ainda possuíam o mesmo brilho que o havia encantado desde o primeiro dia.Ele respirou fundo.— Luna... preciso conversar com você sobre algo importante.A jovem sentiu um aperto estranho no peito.Pela expressão dele, já sabia que aquela conversa não seria fácil.Darius passou a mão pelos cabelos e des

  • Luar Proibido - A Luna Proibida do Alfa   A Decisão

    Naquele mesmo dia em que Darius e Thaynara finalmente se entregaram um ao outro, o jovem alfa tomou uma decisão que acreditava ser definitiva para o seu futuro.Mas antes de seguir adiante, precisava ouvir alguém em quem confiava.Precisava do conselho de seu pai.Os dois estavam reunidos em particular no pequeno quarto da cabana principal da alcateia. O ambiente era simples, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. O silêncio entre eles trazia um peso de algo importante.Darius permanecia de pé, inquieto. Os braços cruzados sobre o peito não conseguiam esconder a sua ansiedade.Ranamés observava o filho em silêncio.Esperando.— Pai... eu tomei uma decisão. — A voz de Darius saiu mais baixa do que ele pretendia. — Mas antes de seguir em frente, preciso ouvir sua opinião.Ranamés apoiou os cotovelos sobre os joelhos e o encarou com atenção.— Algo está te incomodando, meu filho. — disse calmamente. — E com toda a experiência que os anos me deram... acredito que já sei

  • Luar Proibido - A Luna Proibida do Alfa   A Lua Dos Noivos

    As patas de Thaynara golpeavam o chão da floresta com uma fúria cega. O vento uivavaentre suas orelhas de loba, mas não era o suficiente para abafar os gritos internos dahumilhação. Como ele pôde? Ela, a joia da alcateia, a prometida de sangue, preterida poruma qualquer... e um bastardo a caminho.Quando o cheiro de água doce e musgo atingiu seu faro apurado, ela desacelerou. O riachocortava a mata como uma cicatriz de prata sob a lua cheia. Exausta, Thaynara sentiu ocalor da transformação subir pela espinha, como uma febre saindo pelos seus poros. Oestalo dos ossos voltando ao lugar foi um alívio físico, mas a dor no peito permaneciaintacta.Seu peito doía como nunca, era uma dor que parecia quebrar seus ossos muito mais doque qualquer transformação poderia ser capaz.Ela emergiu da forma animal nua, sentindo o ar do fim de tarde arrepiar sua pele branca.Com movimentos lentos e mecânicos, vestiu o tecido leve que havia deixado escondidopróximo às pedras antes d

  • Luar Proibido - A Luna Proibida do Alfa   Sussurros do Destino

    Eliezer respirou fundo antes de falar. A voz saiu grave, controlada.— A partir de agora, precisamos focar em proteger Luna… e o bebê. Nada é mais importante do que isso.Ele se afastou alguns passos, passando a mão pelos cabelos escuros, inquieto.— Eu não sei quando vai acontecer… mas vai. Uma guerra está se formando. Eu sinto. A qualquer momento pode haver uma retaliação entre nós e a alcateia.O ar no escritório pareceu ficar mais pesado.Ravena se levantou lentamente, aproximando-se dele. Seus olhos castanhos estavam firmes.— Então nosso foco é um só — disse com convicção. — Proteger Luna e o bebê. A qualquer custo.Eliezer ergueu o olhar para ela.E foi nesse instante que algo mudou.Ele nunca havia reparado daquela forma. Nunca tinha permitido.Os olhos de Ravena… eram intensos. Profundos. Havia fogo neles — mas não o fogo destrutivo. Era calor. Força. Vida.Hipnotizantes.Ravena sustentou o olhar.Por um segundo, seu instinto a alertou. Ela conhecia o poder dos vampiros. Conh

  • Luar Proibido - A Luna Proibida do Alfa   Laços que Não Foram Planejados

    Antes de sair do quarto para que Luna pudesse se ajeitar, Eliezer parou na porta e lançou um olhar discreto para Ravenna.— Podemos conversar… em particular?Havia algo diferente em sua voz. Ravenna sustentou o olhar dele por um segundo, como se já soubesse o assunto antes mesmo das palavras serem ditas. Então assentiu, serena.— Claro.Ela saiu logo depois, fechando a porta com suavidade.O quarto ficou em silêncio.Luna voltou sua atenção para a bandeja. Comeu mais algumas frutas, terminou o suco e, com cuidado, colocou tudo ao lado da cama. O corpo ainda guardava vestígios da transformação — uma leve sensibilidade nos músculos, uma memória física da dor.Mesmo assim, levantou-se.Sentia que aquele dia não seria comum.Havia algo no ar. Algo pendente.Caminhou até o espelho.E parou.A mulher refletida ali… não era exatamente a mesma de dias atrás.Seus olhos estavam mais firmes. Mais conscientes. Havia uma chama diferente no olhar — não de medo, mas de coragem. Confiança. Como se,

  • Luar Proibido - A Luna Proibida do Alfa   O Amanhecer de Uma Nova Luna

    Dois dias haviam se passado desde a noite em que a lua mudou o destino de todos.Os primeiros raios de sol atravessavam timidamente as cortinas do quarto, desenhando faixas douradas sobre as paredes claras. O ar estava diferente. Mais leve. Mais… vivo.Luna despertou devagar.O corpo ainda doía. Não como antes — não como fogo rasgando ossos e pele — mas como se cada músculo tivesse sido moldado novamente. Havia um peso diferente em seus sentidos. Ela conseguia ouvir o canto distante de um pássaro na copa das árvores. Conseguia sentir o cheiro da grama molhada lá fora.Sentidos aguçados.E então…Toc, toc.Uma batida suave na porta.Antes que pudesse responder, a porta se abriu com cuidado.— Hora de acordar, dorminhoca! — Ravenna anunciou, entrando com uma bandeja nas mãos.O aroma invadiu o quarto imediatamente. Frutas frescas, pão levemente tostado, sanduíche, suco natural e um copo de leite ainda morno.Ravenna fechou a porta com o pé e caminhou até a cama, depositando a bandeja co

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status