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CAPÍTULO 5

Autor: Ara Pereira
last update Data de publicação: 2025-03-26 10:40:13

VICTOR

*

Enquanto estávamos sentados, Luciano perguntou sobre as minhas experiências profissionais, eu tive o prazer de falar sobre todas elas, mas passei o tempo todo analisando disfarçadamente as atitudes silenciosas da Zoe. No meio da conversa, eu perguntei sobre quando surgiu o desejo dela pela medicina, e a sua resposta foi inesperada.

A forma como ela falou sobre o próprio corpo foi sexy, e eu não pude evitar olhar para os seios dela. Eu deixei bem claro que faria ela mudar de opinião ao longo do tempo, mas as minhas palavras tinham um certo excesso de certeza, como se eu já soubesse o que aconteceria ao longo desse tempo.

Eu tinha pressa em começar aquele trabalho, então falei para Luciano que resolveria tudo o que precisava, e poderia iniciar no dia seguinte, mas as minhas reais intenções era mostrar na prática, todas as partes do corpo humano para Zoe.

Antes de ir embora, falei com ela, e ao ouvi-la me chamar de professor, fez o meu corpo inteiro vibrar, como se eu pudesse sentir a energia que emanava do corpo dela. Eu cheguei a questionar a minha sanidade mental, era de fato loucura pensar nela da forma que eu estava pensando, mas era mais forte do que eu.

Quando saí da propriedade deles, eu fui direto para a universidade em que eu trabalhava para pedir meu desligamento, enquanto eu resolvia tudo, o meu celular não parava de tocar, era a Brenda, e eu não atendi porque já sabia qual era o conteúdo da conversa.

Eu passei tanto tempo ocupado resolvendo tudo, que só fui olhar o relógio na hora de voltar para casa, já eram 16:30, e haviam 22 ligações da Brenda.

— Ela está louca.

Falei enquando dirigia até em casa.

Era a primeira vez que aquilo acontecia, eu nunca havia desejado outra mulher ou traído a Brenda, mas também não me sentia culpado por todos os pensamentos impróprios que tive, o desejo de me separar já existia, e naquele momento ele estava mais forte.

Assim que entrei no nosso apartamento, ela estava no sofá mexendo no celular, eu esperava que ela fosse enlouquecer, ou me questionar o motivo de eu ter passado o dia inteiro fora de casa e sem atender as ligações dela, mas não foi isso o que aconteceu.

— Você conseguiu o trabalho? Quanto vai receber por ele? Vai dar para comprar a minha bolsa?

Eu fiquei uns dez segundos encarando ela, tentando ingerir tudo aquilo de uma só vez, o peso da realidade me atingiu em cheio, como se só faltasse aquilo para eu finalmente tomar coragem pra decidir o nosso destino.

— Responde, Victor? Vai dar ou não para comprar a minha bolsa?

— Eu quero o divórcio.

Eu praticamente vomitei as palavras, enquanto o meu corpo ficava enrijecido pela raiva.

— Você não pode estar falando sério. O que deu em você?

— Você tem o seu emprego, poderá cuidar de si mesma, e seu salário poderá suprir os gastos com esse apartamento, se não der, é so se mudar para um menor, eu vou ficar aqui alguns dias até eu encontrar um outro lugar para eu morar, a não ser que você queira sair desse, a escolha é sua.

— Porque você está fazendo isso? Que decisão é essa tão repentina? Você não me ama mais?

— Não é repentina, Brenda, já tem um tempo que venho pensando nisso.

— Desde quando?

— Desde quando percebi o quanto você é fútil. Você não sabe nada sobre dividir a vida com uma pessoa, você só pensa em si mesma, se juntasse o seu salário com o meu, daria pra ter mantido o outro apartamento, daria pra manter a nossa vida confortável, mas você não podia contribuir com isso, pois o seu dinheiro é todo comprometido com luxos que claramente você não pode bancar, pois se pudesse, não precisaria comprometer o meu dinheiro também pra pagar contas dos cartões que você vive estourando.

— Victor, não é bem assim, a gente pode resolver isso.

— Agora você quer resolver? Depois de ter atrasado a minha vida por três anos?

— É isso o que você pensa sobre o nosso casamento? Um atraso de vida?

Eu me aproximei e fiquei cara a cara com ela, tentando a todo custo controlar o meu tom de voz.

— Se eu tivesse pegado todo o dinheiro que gastei com bolsas, calçados, e coisas caras da qual você não precisava, eu teria comprado uma casa, trocado o carro, feito bons investimentos, e estariamos em condições melhores que essa. Pra mim não importava suas idas ao salão, para se cuidar e continuar linda como sempre foi, desde que o salão não fosse de gente rica, coisa que a gente não é. Não me importaria se você comprasse bolsas e calçados, desde que não fossem do valor de um carro. Você comprometeu todas as chances de avanços que tinhamos com a sua futilidade. Se você tivesse sido um pouquinho mais compreensiva, e tivesse sido uma parceira de verdade, nós chegaríamos nesse patamar, e no futuro teríamos dinheiro para comprar quantas bolsas e calçados caros que você quisesse ter. Mas isso não importa mais, pois eu vou sair da sua vida, e você poderá encontrar outro trouxa pra bancar tudo isso para você, mas quando você procurar, procura alguém que já esteja com a vida ganha, pra você não atrasar a vida dele também.

Eu saí andando em direção ao meu escritorio, na tentativa de não me deixar levar pelas lágrimas dela, eu também estava ferido, estava decepcionado, pois eu imaginei ganhar o mundo ao lado da Brenda, mas claramente o nosso casamento já havia acabado, eu estava apenas atrasando o inevitável.

Eu sabia que o meu interesse repentino na Zoe, havia contribuído naquela decisão, mas muitas garotas lindas e interessadas em mim já haviam cruzado o meu caminho, e nunca houve espaço em meu coração para elas, e se houve esse espaço para Zoe, era porque o meu amor por Brenda já havia chegado ao fim, eu não podia de forma nenhuma traí-la, era preciso eu finalizar a nossa história.

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Último capítulo

  • MEU PROFESSOR PARTICULAR   FIM

    ZOE*Eu mal consegui prestar atenção nas aulas seguintes. As palavras dos professores se misturavam em um zumbido distante, e as horas pareciam não passar. Tudo o que ocupava meu pensamento era a possibilidade de reencontrar o Victor. Eu tentava imaginar sua expressão, seu toque, até mesmo o tom de voz com que ele poderia me receber. Havia medo dentro de mim, mas também havia uma chama de coragem que queimava alto, me dizendo que eu não poderia perder essa chance.Quando o último horário terminou, fiquei parada por alguns instantes no corredor, sem saber para onde ir. Eu poderia simplesmente voltar para o meu apartamento e fingir que nada estava acontecendo, mas não dava para cometer esse erro. Ele já tinha escolhido o silêncio, a fuga, e só o que colhi foi dor e arrependimento. Não. Dessa vez seria diferente. Dessa vez, nós merecíamos um reencontro à altura daquilo que havíamos vivido.O estacionamento da universidade ficava em frente a um ponto de táxi. Eu atravessei a rua com o co

  • MEU PROFESSOR PARTICULAR   CAPÍTULO 71

    VICTOR *Ver a Zoe se aproximando no final da aula, fez o meu corpo inteiro reagir. A minha vontade era de abraçá-la e nunca mais soltá-la.Ela ficou frente a frente comigo, com o rosto tão perto do meu, os lábios dela estavam ali, à minha disposição e tudo o que eu precisava fazer era beijá-la, mas eu senti uma necessidade enorme de falar que menti. Aquilo havia me consumido de uma forma dolorosa por meses. Tudo o que eu queria dizer era que eu a amava, mas ela já sabia...De alguma forma, ela sabia que eu havia mentido.O nosso tempo acabou, os alunos começaram a chegar, e ela finalizou aquele momento com uma única frase que daria um rumo diferente a nossa história... Eu queria fugir? A resposta era clara como a luz. Não, eu não queria fugir. Eu nunca mais fugiria daquele amor que havia atravessado o tempo, a distância e que havia encontrado uma forma de me reencontrar. A Zoe era pra mim, e eu era pra Zoe. Não restava mais dúvidas.Eu saí da sala, e a olhei. Mas o meu olhar não foi

  • MEU PROFESSOR PARTICULAR   CAPÍTULO 70

    Minha mãe já tinha organizado tudo sobre a minha moradia na França, então eu já cheguei com um teto reservado para mim, o apartamento era lindo, ficava apenas a 5 minutos da universidade, e próximo de tudo, cafés, mercados, farmácias. A empolgação era gigante, eu ainda não sabia como eu iria me virar em um país completamente desconhecido, mas, eu sabia que era questão de tempo até eu me adaptar.Enquanto organizava minhas coisas, eu pensei no Victor, fazia um mês que eu já não chorava por ele, mas eu sabia que devia aquela realização a ele. Ele tocou em partes do coração da minha mãe que eu mesma não cheguei a tocar, e conseguiu abrir uma porta que a anos eu tentava abrir. Ele me deu um presente gigante a falar sobre o meu sonho pra ela.— Como eu queria que você estivesse vivenciando essa alegria comigo, Victor. Onde será que você está? Será que já encontrou um novo amor?Limpei as lágrimas que estavam caindo e revivi a mesma dor que passei meses tentando esquecer. Eu vinculei isso

  • MEU PROFESSOR PARTICULAR   CAPÍTULO 69

    ZOE*O meu pai realmente foi morar com a Brenda, e ela acabou abrindo a boca pra ele e eu sabia que teria que enfrentar outra confusão.Acordei no dia seguinte com várias ligações dele, e eu no fundo sabia o que ele queria.Prefiri tomar um banho, lanchar e depois lidar com aquilo de forma madura.— Bom dia, mamãe.Falei ao entrar na cozinha, o rosto dela estava inchado, e eu sabia que ela levaria bastante tempo para se recuperar. Eu também não tive uma noite legal, eu também estava com o rosto inchado, mas a dor dela parecia muito maior que a minha.— Bom dia filha.— Você sabe que foi melhor assim. Não sabe, mãe?— Eu sei Zoe, eu me recupero. Mas, e você?— E eu? Eu consigo sobreviver sem um pai.— Não estou falando disso. Estou falando do Victor.Aquilo me pegou de surpresa. Então ela já sabia de mim e do Victor? Como?— Não precisa ficar assustada, Zoe. A forma como ele defendeu seus sonhos, a forma como falou de você, deixou isso muito claro. — Mamãe, eu...— Olha, não vou regu

  • MEU PROFESSOR PARTICULAR   CAPÍTULO 68

    (SEIS MESES DEPOIS)...Seis meses se passaram desde que pisei pela primeira vez em solo francês. A cidade que antes parecia estranha e intimidadora agora já me era familiar. Consegui um emprego em uma das melhores universidades particulares da França, reconhecida por sua excelência acadêmica e pelo prestígio de seus professores. Minha função ali era perfeita para mim: professor de Humanidades e Artes Interdisciplinares. Eu lecionava filosofia, literatura, história da arte e fundamentos da estética, integrando múltiplas disciplinas para formar uma visão crítica e completa nos alunos.O semestre começava, e com ele, uma sala cheia de rostos novos, ansiosos, curiosos e, em alguns casos, já desafiadores. Eu respirava fundo, sentindo aquele frio na barriga típico de quem assume uma sala de aula pela primeira vez em um novo ciclo. Mas, por trás da calma que tentava manter, havia um peso silencioso no peito.Nos últimos seis meses, a saudade da Zoe se tornou uma presença constante. Às vezes

  • MEU PROFESSOR PARTICULAR   CAPÍTULO 67

    VICTOR *Durante todo o trajeto até o hotel, eu senti vontade de voltar até a Zoe e contar a verdade, que eu a amava, que fazer uma escolha naquele momento era difícil para mim por conta do nome que construí ao longo dos anos. O Luciano jamais permitiria que eu tivesse paz, se eu escolhesse lutar por ela. Que pai aceitaria com facilidade que o professor de sua filha tivesse um relacionamento amoroso com ela?Talvez ele colocasse alguém para me caçar quando descobrisse o meu envolvimento com ela. Eu não podia me envolver naquela confusão. A minha realidade não me permitia isso. Sumir, foi a única escolha que me restou naquele momento.Quando cheguei no hotel, as pessoas olhavam pra mim com pena, era raro um homem chorar, e eu tinha consciência que os meus olhos estavam muito vermelhos. Eu estava destruído, sentindo um enorme buraco no peito.Tomei um banho, depois de me vestir, peguei os papéis do divórcio, li e assinei tudo o que faltava assinar.Liguei para o advogado e avisei que

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