Inicio / Máfia / MEU VIZINHO ASSASSINO / Vizinho bom samaritano

Compartir

Vizinho bom samaritano

Autor: Kari
last update Fecha de publicación: 2025-05-07 02:57:18

NARRAÇÃO DE LARA GASPAR...

Comentei que torcia para não ter um pesadelo com meu vizinho.

Mas minhas preces não foram atendidas.

Recordo claramente daquele pesadelo.

Estava deitada, sem conseguir me mover, sem conseguir gritar. Lá estava ele, parado aos pés da minha cama, com as mãos sujas de sangue.

É sempre o mesmo pesadelo: seus olhos brilham mesmo no escuro. Seu rosto não demonstra nenhum sentimento, seus olhos não piscam. Mas algo diferente aconteceu naquele sonho, algo mais assustador. Ele subiu na cama. Colocou os joelhos sobre o colchão, causando-me pavor. Me arrastei para trás. Os mesmos sentimentos me abraçavam: medo e desejo. Bastou fitá-lo enquanto ele soltava os cabelos ondulados e desabotoava o casaco, mostrando seu abdômen pálido e muito sarado. Ele é tão branco que parece ser pintado.

Soltei uma lufada de ar quando senti suas mãos quentes e sujas de sangue tocarem minhas pernas. Ele as deslizou da canela até a coxa, deixando um rastro de sangue pelo caminho. Mesmo amedrontada, deitei a cabeça no travesseiro. Uma sensação de torpor sobreveio a mim. O cheiro dele é doce, como baunilha. Sua barba é lisa e macia — soube disso porque toquei. Ele colocou as pernas entre as minhas. Senti claramente uma ereção. Um desejo intenso me consumiu, como se meu corpo implorasse por um toque mais profundo. Queria senti-lo dentro de mim, apenas para acalmar o fogo que se acendeu em meu corpo. Minha intimidade pulsava descontroladamente. Ele aproximou os lábios do meu ouvido e sussurrou:

— Não se mexa. Eu vou te matar lentamente.

Acordei ofegante, me sacudindo na cama. Totalmente suada. Na frente da cama, havia um imenso espelho. Me encarei, confusa e assustada. Coloquei a mão na testa, me perguntando se eu podia ser maluca... ou sem noção. Como assim?! Minha calcinha estava molhada e meu coração, acelerado de tanto medo! Como isso pode acontecer?

Acho que a síndrome de Estocolmo que Andrea comentou sobreveio a mim. Eu morro de medo dele, ok.

Mas também acho ele irresistivelmente sedutor, lindo, gostoso e delicioso. Como um doce que admiro pela vitrine de uma padaria: aguando para experimentar, mas sabendo que é caro... e que também sou alérgica.

Sacudi a cabeça, me repreendendo por aqueles pensamentos errados. Ele é uma ameaça, não uma isca!

Levantei, sentindo minhas pernas bambas. Decidi tomar uma ducha pela manhã, antes de ir para o trabalho. Tirei a calcinha, me perguntando se a menstruação tinha se adiantado, pois essa era a sensação. Juro que travei ao ver minha calcinha molhada com um líquido totalmente transparente. Certo, isso nunca aconteceu comigo. Talvez o motivo seja o fato de eu ser virgem e curiosa sobre a vida sexual. Prefiro acreditar nisso do que pensar que tive meu primeiro orgasmo... dentro de um pesadelo. Se eu contar isso para o Andrea, ele vai gritar em meio às gargalhadas, afirmando que tenho a síndrome de Estocolmo.

Eu não tenho isso. Minha saúde mental está ótima!

Depois do banho, me arrumei para o meu trabalho. Aquele que tanto odeio! Meu patrão é ignorante, os clientes são um porre, e meu salário é uma porcaria! Tudo isso para combinar com a minha vida medíocre. Porque não tenho nem o direito de pedir demissão. Caso contrário, ficarei sem comida e não pagarei minhas contas.

Saí do meu apartamento com zero vontade de trabalhar. Caminhei pelo corredor até chegar em frente ao elevador.

Iria apertar o botão, mas... quem fez isso?! O vizinho assassino. Ele estava logo atrás de mim e apertou o botão primeiro. Será que é cedo para infartar?

Prendi até mesmo a respiração. Parece que ele sabe que tive um orgasmo sonhando com ele.

— Bom dia. — Ele falou, parando ao meu lado.

— Bom dia. — Falei, sem olhar em sua direção. Será que ele vai estranhar se eu descer pelas escadas?

Pensei muito, mas não agi. A porta do elevador se abriu, ele deu espaço para minha entrada.

Entrei. A sensação é de viver um déjà-vu... mas de algo que me recordo claramente: dividir o elevador com ele.

Entramos em silêncio. O mais constrangedor é que o elevador mostrava nosso reflexo. Eu estava com cara de doida. Percebi que amarrei o cabelo errado. Estava em rabo de cavalo, mas com alguns fios tortos.

— Eu não me recordo do seu nome. — Ele quebrou o silêncio, olhando em minha direção. Soltei um sorriso amarelo.

— Lara. — Mantive o sorriso, me perguntando: "Quem esquece desse nome?! Lara! L-A-R-A! É tão simples, com apenas quatro letras."

— Ah, sim. Seu amigo te apresentou, mas ele falava com tanta pressa.

— Sim. Acho que a maioria dos italianos fala como se estivesse correndo. — Ele riu, colocando as mãos nos bolsos.

— O sotaque é como se estivessem querendo recitar uma poesia. — Matias falou entre os risos.

— Sim! — Confirmei, rindo. Mas logo diminuí o sorriso ao me lembrar do perigo. Andrea pode afirmar que ele seja um bom vizinho samaritano... mas não foi o que eu vi.

Fiquei séria, encarando a porta do elevador, torcendo para sair logo daquele ambiente. E finalmente, a porta do elevador se abriu. Saí quase correndo.

— Até mais. — Ouvi ele falar logo atrás de mim. Acho que ali fiz papel de um animal selvagem. Não respondi, apenas fugi do prédio, com sentimentos confusos.

Chamei um Uber e finalmente segui para o meu segundo pesadelo: o trabalho.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • MEU VIZINHO ASSASSINO   Fim

    NARRAÇÃO DE LARA GASPAR...Eu posso dizer com toda a certeza: comecei a viver depois dos vinte anos de idade. Tive tantas experiências maravilhosas...É sério! Já experimentaram sorvete de pistache? Eu jurava que era bom… não gostei. Mas, segundo Matias, devemos apreciar lentamente, como um vinho. O problema é que até o vinho não me desce bem — só bebo pra ficar um pouco tonta e rir à toa.Nesses meses de lua de mel, aprendi algumas coisas… Matias mostrou que, após uma garrafa de vinho, a gente fica mais safado, mais selvagem. Também tive uma experiência catastrófica com sexo* anal. Ele pediu, né? Eu tentei relaxar, seguir tudo o que ele aconselhou. Mas na hora da penetração, quase fugi engatinhando. Foi, literalmente, a pior experiência da lua de mel.Mas calma, não estou aqui pra falar só do lado negativo!Agora eu sou praticamente profissional do sexo*, e só aprendi a fazer sexo* anal depois da quarta tentativa.Pra quem ainda não conseguiu, aqui vai um segredo: quando houver a pen

  • MEU VIZINHO ASSASSINO   Contando os minutos

    NARRAÇÃO DE PETRINA...Acordar nos braços de Miguel ainda parece um sonho. Um daqueles que vivi incontáveis vezes em minha imaginação — mas, na realidade, cada despertar ao lado dele traz uma sensação nova, diferente.Quando eu não estava com ele, quando ainda vivia sob os domínios de Emma, sequer podia mencionar seu nome. Era um pecado. Um tabu. Ela tratava o nome dele como se fosse o maior erro da minha vida. Só ela ousava pronunciá-lo — sempre com nojo, com um ódio profundo. O que ela nunca soube, é que isso me alimentava. Cada vez que eu ouvia o nome dele, mesmo que em tom de rancor, algo em mim renascia. Era como voltar ao passado — aos nossos dias. Às nossas noites.Eu sonhava com ele. Com seus olhos. Com sua boca. Com a nossa primeira vez. Uma noite, sonhei que fazíamos amor sob um céu tomado por fogos de artifício, como naquela lembrança mágica que ainda me embriaga. Estava há tantos anos sem sentir o toque de um homem... Acordei suada, trêmula, as pernas bambas, o corpo latej

  • MEU VIZINHO ASSASSINO   Primeiro dia de mulher casada

    NARRAÇÃO DE LARQ GASPAR...Acordei cedo. Bem cedo. Só para admirar a luz suave da manhã refletindo na minha aliança. A pedra era linda — tão brilhante, exuberante — que me faltou o ar. Mas o que de fato me fez errar as batidas do coração foi a visão de Matias, nu, estendido sobre a cama. Totalmente nu. Meus olhos deslizaram por cada centímetro do seu corpo, fixando-se, por fim, nas nádegas firmes. Mordi os lábios. A intimidade ainda dolorida me fazia recordar, com calor, tudo o que ele foi capaz de fazer comigo na noite passada. A cama molhada falava por si só...Levantei na ponta dos pés e vesti a blusa dele, tentando não fazer barulho. Eu amava aquele apartamento. Tinha algo que me remetia ao antigo lugar onde o conheci — um sopro de nostalgia com cheiro de café fresco.Fui até a cozinha. Fiz questão de preparar um café da manhã maravilhoso. Ah, eu preciso contar! A experiência de estar com ele na cama, agora com os cabelos cortados e a barba feita, foi completamente diferente. Melh

  • MEU VIZINHO ASSASSINO   Queda

    NARRAÇÃO DE MIGUEL BAZZO...Fechei a porta atrás de mim, sentindo o silêncio se adensar ao redor como uma névoa espessa.Emma estava sentada no canto, os pulsos amarrados, os tornozelos marcados pelas tentativas frustradas de fuga. O ar cheirava a ferro, suor e medo. Mas o que me atingia com mais força era o olhar. Ainda havia fogo ali — um último fiapo miserável de soberba. Tão típico dela.Aproximei-me devagar, saboreando cada passo, como um predador que já não tem pressa.— Sozinha, enfim. Sem plateia. — arrastei uma cadeira para o centro do cômodo e me sentei diante dela. — Agora podemos conversar… com calma.Ela não respondeu. Apenas me encarava — olhos fundos, exaustos, mas ainda perigosos. Como um animal ferido que não aprendeu a morrer.— Sabe o que é curioso, Emma? — falei baixo, quase confidencial. — Eu deveria estar com raiva. Gritar, cuspir na sua cara, quebrar cada osso do seu corpo. Mas não. Estou... calmo. Em paz, até.Inclinei o tronco, apoiando os cotovelos nos joelho

  • MEU VIZINHO ASSASSINO   Dia seguinte

    NARRAÇÃO DE MIGUEL BAZZO...A luz da manhã filtrava-se pelas frestas da cortina, dourando o quarto com uma claridade suave, quase sagrada. O lençol estava morno sobre minha pele, o cheiro dela ainda impregnado nos travesseiros, em mim, em tudo. Abri os olhos devagar, com o corpo leve, embora exausto — uma exaustão boa. Daquelas que só vêm depois de noites intensas, feitas de amor, suor e redenção.Petrina dormia ao meu lado, nua, com a perna entrelaçada à minha. O lençol cobria parcialmente seu corpo; a curva do quadril exposta, os cabelos soltos sobre o travesseiro. Linda. Intocável, e ao mesmo tempo, tão minha.A noite anterior havia sido mais que entrega. Foi reconexão. Depois do que aconteceu no carro, chegamos ao quarto e fizemos de novo — com mais fúria, mais ternura, mais fome. Como se nossa pele precisasse confirmar que ainda éramos nós. E fomos. Muitas vezes. A madrugada inteira.Toquei com delicadeza a linha da sua cintura, sentindo a pele arrepiar sob meus dedos. Ela suspir

  • MEU VIZINHO ASSASSINO   Dentro do carro

    NARRAÇÃO DE MIGUEL BAZZO...Luna desapareceu na noite como um sopro amargo, e a paz começou, lentamente, a se reorganizar dentro de mim — lenta, mas firme. Voltei meus olhos para Petrina. Ela ainda segurava os papéis da separação em uma das mãos, mas o olhar… o olhar era todo meu.— Não se sinta insegura — disse, antecipando o que vi cintilar por um segundo em seus olhos.Petrina soltou o ar com força. Irritada. Furiosa.— Eu ainda estou tentando entender se ouvi isso mesmo! Ela quer que você assuma um filho que não é seu?!Sorri, me aproximando devagar, como quem acalma uma fera — a minha fera, linda e indomável.— Isso não vai acontecer. Só quero vocês. E, sinceramente… gostei da sua resposta, Petrina. Foi firme. Foi o basta que a gente precisava. Chega de mentira.Enquanto eu falava, ela pareceu se acalmar. Os ombros relaxaram, e os olhos, antes faiscantes, se suavizaram com meu toque.— Não quero mais ver essa mulher — resmungou.— Eu vou garantir que ela fique longe. Agora, mudan

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status