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####CHIARA E LUCCERO

last update Data de publicação: 2025-09-11 17:40:03

Chiara ergueu uma sobrancelha, claramente incomodada com o tom firme dele.

— O que está acontecendo com você hoje, Luccero? Você está agressivo, nunca me tratou desse jeito.

Ela cruzou os braços, como se ainda esperasse que ele voltasse atrás, mas ele não deu espaço.

— Já te falei antes: se você não tem o que fazer, se vive de rendas, se é herdeira e nunca precisou trabalhar, ótimo. Mas eu também sou herdeiro, e escolhi trabalhar. Se ocupe com algo útil e pare de incomodar quem está tentando manter uma empresa funcionando.

— Você está me dispensando? — ela perguntou com incredulidade.

— Estou pedindo que pare de se incomodar com as cores que as funcionárias da minha empresa usam. — A voz dele soava cortante, firme. — Se quer uma empresa bege, cinza e marrom, funde a sua, aqui, a Nicola trabalha bem, ela é competente, organizada e me entrega tudo no prazo. Se ela usa rosa ou amarelo, isso não me importa. E se continuar me pressionando, Chiara, eu vou começar a achar que você está mais preocupada em se manter como enfeite do que em respeitar o meu espaço.

— Enfeite?! — Chiara deu um passo para trás, ofendida.

— Eu não sou seu namorado, nem sequer te pedi em namoro. Nós temos um acordo de conveniência, que já nem está mais funcionando. Se quer um relacionamento, procure alguém que queira isso com você. Eu, não. E se continuar se intitulando minha noiva, eu vou ser obrigado a emitir uma nota à imprensa dizendo que é mentira. E olha que você sabe que eu faço.

Ele caminhou até a porta, abriu com elegância e estendeu o braço, indicando a saída.

— Agora, se me der licença, eu tenho uma reunião para gerir, tenha uma boa tarde, Chiara.

Ela hesitou por um segundo, os olhos úmidos pela humilhação.

Luchero olhou o relógio, depois a fitou com total frieza.

— Eu acabei de dizer pra você que em quinze minutos eu teria uma reunião. Esses quinze minutos já estão estourando. Eu tenho uma reunião, Quehara. Então vá fazer o que você gosta de fazer: gastar dinheiro. E me deixe ir para a minha reunião.

Ele virou-se para a porta do escritório e, em tom objetivo, chamou:

— Francesca, vamos para a reunião enquanto a Nicola redige esse contrato e o transcreve para os idiomas que eu pedi.

E, voltando o olhar por um último instante para Chiara completou, impassível:

— E tenha uma boa tarde, Chiara, porque eu preciso trabalhar.

Sem dizer mais uma palavra, ele se afastou ao lado da secretária, deixando a porta aberta atrás de si.

O som do salto agulha de Chiara ecoou pelo mármore enquanto atravessava o corredor com o orgulho ferido. Mas antes de sair, girou o pescoço em direção à jovem sentada à mesa, e disparou, com a voz carregada de veneno:

— Você deveria se vestir com mais discrição para trabalhar em uma empresa. Principalmente numa função como a sua.

Nicola ergueu o rosto com suavidade e firmeza. Seus olhos cor-de-mel brilharam, mas sua postura permaneceu serena.

— Senhorita — começou com um tom calmo, porém firme — a minha competência é uma. O meu modo de vestir é outro. Se eu estou vestida, estou. Se eu uso rosa, florido, ou o que for, é porque eu gosto. A senhora prefere bege e marrom? Que ótimo, a senhorita é monocromática, tem um gosto neutro.

Ela cruzou os braços lentamente e concluiu com elegância, sem elevar a voz:

— Eu gosto de jardim, de primavera, a cor, me define... desde o momento em que a senhorita entrou aqui, só me ofendeu. Eu aguentei por respeito, mas agora eu estou sendo obrigada a lhe dar uma resposta. Com licença, eu tenho mais o que fazer.

Sem dar tempo para réplica, Nicola retornou o olhar para a tela do computador e começou a revisar os documentos que Luccero havia solicitado.

Chiara saiu com o salto ainda mais estalado, mas por dentro, desfeita.

E a cor-de-rosa que ela tanto criticava, ainda perfumava o ambiente inteiro.

Hoje eu escolhi flores para a minha entrevista.

No meu primeiro dia de treinamento, já conheço a namorada do Sr. Luccero. Ele preto e cinza, ela bege e marrom. Que casal monocromático! E ela ainda vem querer me ensinar a me vestir? Era só o que me faltava.

Se essa criatura voltar aqui com mais alguma “sugestão fashion”, eu juro, vou dar de presente para ela um vestido todo estampado com hibiscos, margaridas e girassóis. Vai que ela se anima, porque, olha... pensa numa mulher apagada!

Hoje, quando eu sair daqui, a primeira coisa que eu vou fazer é passar naquela floricultura que tem aqui próximo da empresa. Vou comprar umas plantas bem lindas para enfeitar essa recepção. Já estou até vendo lavandas , girassol e umas suculentas... Ah, sim, vou!

Eu vou transformar esse escritório em um jardim. Porque esse é o meu ambiente de trabalho agora. E o Sr. Luccero que se acostume.

Nicola respirou fundo, e um pequeno sorriso brotou nos lábios enquanto ela ajustava a fonte do contrato que estava digitando. Seus dedos voltaram a correr pelo teclado com mais leveza. O perfume do campo ainda não estava ali, mas dentro dela... a primavera já tinha começado.

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Último capítulo

  • MINHA ASSISTENTE COR DE ROSA   ####EPÍLOGO I

    QUANDO O AMOR SE TORNA FAMÍLIACinco anos haviam se passado desde o dia em que Nicola foi levada às pressas para o hospital. As gêmeas, Francesca e Antonella, agora com cinco anos, corriam pela casa com a leveza de quem nascera duas vezes: uma vez no ventre e outra no coração da família que as acolheu. Giuliano, com seus três anos redondos, era a mistura perfeita de doçura e bravura — um pequeno príncipe de olhos brilhantes que adorava aviões, ferramentas do pai e o colo da mãe.A casa parecia ainda maior agora, preenchida por vozes infantis e pelo som suave da vida. Nicola, com o ventre já bem arredondado, caminhava devagar pela sala enquanto preparava o lanche das crianças. Esperava um casal: um menino e uma menina. O presente que Deus lhes enviara para completar a família.As gêmeas surgiram correndo pelo corredor, risonhas, vestidas de rosa e branco.— Mamãe Nicola! — gritou Francesca. — Hoje nós vamos dormir com a mamãe Chiara!— E

  • MINHA ASSISTENTE COR DE ROSA   ####AMOR PRIMAL

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  • MINHA ASSISTENTE COR DE ROSA   ####GIULIANO NASCEU

    O DIA EM QUE O AMOR NASCEU DE NOVO—Uma casa repousava num silêncio morno quando a madrugada se estendeu por inteiro, como um manto suave cobrindo o mundo. —As luzes da cozinha ainda estavam acesas — um hábito de Nicola, que sempre fazia questão de deixá-las assim. —Aquela pequena arte de iluminá-las era um gesto de amor, uma promessa silenciosa para que, se uma das gêmeas se levantasse no meio da noite, o caminho ficasse iluminado e seguro, como um farol em meio à escuridão. —O relógio marcava pouco depois das três da manhã, um momento em que o mundo exterior parecia congelado, e apenas o som suave do vento poderia ser ouvido através das janelas semiabertas.—Foi então que uma dor profunda, firme e distinta fez seu corpo estremecer. —Não era uma dor de susto, nem uma dor comum que perturbava o sono. —Era um chamado poderoso, um sinal inequívoco de que sua vida estava prestes a mudar de forma irreversível. — Ela levou a mão ao ventre, tocan

  • MINHA ASSISTENTE COR DE ROSA   ####NOVA VIDA

    – O PRESENTE QUE A VIDA DEVOLVEUUm ano havia se passado desde aquela manhã que mudou tudo. — As marcas do acidente tinham desaparecido; apenas uma cicatriz suave na lateral da testa de Nicola permanecera como lembrança — não de dor, mas de renascimento. — Aquela cicatriz, embora discreta, era como um símbolo de sua resistência, uma prova de que mesmo nas horas mais sombrias, a vida encontrava um jeito de florescer novamente. — Era uma herança de seus dias de luta, uma evidência tangível de que havia superado não apenas a tragédia, mas também as limitações que um dia pensou serem intransponíveis.— As gêmeas, agora com um ano e meio, balbuciavam palavras com a inocência característica da infância, correndo pela casa como pequenas tempestades de alegria, deixando um rastro de risadas e brinquedos espalhados por onde passavam. — Elas eram o coração pulsante do lar, em constante movimento, trazendo luz e sorrisos a cada canto da co

  • MINHA ASSISTENTE COR DE ROSA   ####O JULGAMENTO DE CHIARA

    A sala de audiências estava envolta em um silêncio palpável e tenso, iluminada por feixes de luz que penetravam as janelas altas, criando um ambiente quase etéreo. O clima era pesado, mesmo na ausência de gritos ou tumultos — era o tipo de silêncio que prenuncia transformações profundas e irreversíveis. Luchero, o acusado, entrou primeiro, um homem de estatura robusta, sua expressão carregava uma mistura de desgosto e impaciência. Ao seu lado, Giancarlo, seu advogado, caminhava com a confiança de alguém que já havia enfrentado inúmeras batalhas jurídicas, mas cujo olhar refletia a gravidade da situação. Estendendo-se pelo recinto, os pais de Nicola e seu irmão já aguardavam, suas feições expressando uma combinação de apreensão e opressão emocional, cada um preso em seus próprios pensamentos sobre o que aquela audiência poderia significar para suas vidas. Nicola, por sua vez, caminhava lentamente em direção ao centro da sala, apoiada no braço f

  • MINHA ASSISTENTE COR DE ROSA   ####O AMANHÃ

    MANHÃ QUE SELA O COMEÇO. O sol deitou um clarão suave sobre o quarto, ainda envolto pelo aroma de lírios e pelas velas apagadas da noite anterior. Nicola despertou lentamente, sentindo primeiro o calor do beijo em sua testa e, em seguida, o roçar carinhoso dos dedos de Luchero na linha do seu maxilar. Ela abriu os olhos devagar, encontrando o olhar sereno de Luchero, completamente entregue, como se estivesse diante de algo sagrado. — Bom dia, minha esposa — murmurou ele, a voz rouca da madrugada. — Como se sente? Nicola sorriu, tímida, mas com aquela doçura única que apenas ela possuía. — Como se o mundo inteiro tivesse ficado mais leve… e mais bonito. Luchero deslizou a mão pela bochecha dela, acariciando com reverência. — Você sabe… — disse com delicadeza. — Eu jamais vou esquecer esta noite. A forma como você se entregou… a confiança… Ele pousou a testa na dela. — Você é a minha primeira e única virgem, Nicola. E eu juro, por tudo

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