INICIAR SESIÓNPassei por sete lares adotivos. Antes que cada um deles me mandasse embora, paravam de responder às minhas perguntas, paravam de olhar para mim e deixavam a casa mergulhar em silêncio. Eu não suportava aquele tipo de silêncio. Então, tornei-me alguém que falava demais. Quando minha mãe biológica finalmente me levou para a poderosa Família Moretti aos dezessete anos, tentei ainda mais fazer com que gostassem de mim. Em apenas um dia, eu já sabia os aniversários dos seguranças, o podcast favorito da enfermeira da escola e onde meus colegas de classe guardavam seus medicamentos de emergência. Minha meia-irmã, Bianca, chamou isso de manipulação. Meu meio-irmão, Luca, chamou de vício em atenção. Para me curar, ele ordenou que toda a minha escola e minha família não falassem comigo durante setenta e duas horas. Minhas ligações foram bloqueadas. Minhas mensagens foram colocadas em quarentena. Até mesmo minha mãe prometeu não responder. Então, sofri um acidente. Bianca trocou secretamente a placa de sinalização da trilha na minha mochila, fazendo com que eu pegasse por engano um caminho abandonado. Caí de uma altura de quase quatorze metros em um túnel de contrabando inundado, e minha perna ficou esmagada sob uma laje de concreto. Liguei para todos que conhecia. Noventa e nove vezes. Ninguém atendeu. Antes de fechar os olhos, enviei uma última mensagem de voz. — Desculpa. Eu sei que falo demais. Mas não se preocupe. Não vou mais incomodar vocês.
Ver másSeis meses depois, o Departamento de Programas ao Ar Livre da minha nova escola me convidou para revisar seus procedimentos de segurança. Eles não usaram minha história em uma campanha de arrecadação de fundos nem deram meu nome à política. O diretor simplesmente me explicou o sistema de registro de entrada e saída, a distribuição das rotas e os contatos de emergência e perguntou em que ponto um aluno ainda poderia desaparecer.As regras finais eram simples. Dois adultos precisavam realizar contagens independentes dos alunos na partida e no retorno. Qualquer troca de veículo exigia a confirmação tanto do motorista quanto do professor responsável. O histórico disciplinar de um aluno desaparecido jamais poderia ser usado para diminuir a urgência da resposta.Na parte inferior da página final, escrevi: "Se os números não baterem, encontre a pessoa. Não procure uma explicação que faça o número errado parecer razoável."Meu caso terminal de síndrome da borboleta social nunca desapareceu.
Transferi para outra escola. Não fui expulsa nem pressionada a sair. Foi uma decisão minha.A nova escola era um internato a dois estados de distância que aceitava transferências no meio do ano. Dividia um quarto em um antigo alojamento com outra garota do décimo primeiro ano. A sala comum no fim do corredor quase nunca ficava em silêncio. Sempre havia alguém assistindo a um filme, preparando macarrão instantâneo ou discutindo sobre de quem era a vez de levar o lixo para fora. Pela primeira vez, encontrei conforto no barulho.Mamãe mandava mensagens todos os dias."Você tomou seu remédio?""Sua perna ainda dói?""Posso visitar você neste fim de semana?"Eu respondia apenas o necessário."Sim.""Não muito.""Não."Não havia dias bons, boas noites nem nada além disso.Luca não apareceu na escola. Enviou vários e-mails ao meu defensor dos direitos da criança e perguntou se eu aceitaria vê-lo. Recusei duas vezes. Na terceira, minha terapeuta perguntou se eu realmente não queria
Uma hora depois de a publicação ir ao ar, vários alunos cujas informações apareciam no caderno entraram em contato comigo."Poppy, eu vi você entrar na Trilha Azul. Tentei contar à Sra. Carter, mas Luca me impediu.""Eu contei a você sobre a minha família. Você não investigou a minha vida.""Eu pedi que você lembrasse onde guardo meu EpiPen.""Você salvou o número da minha mãe porque eu tinha medo de não conseguir falar durante uma crise de asma."Meu defensor dos direitos da criança me orientou a não responder publicamente e a não apagar nada. Ele encaminhou as testemunhas aos advogados externos que conduziam a investigação da escola.Não havia centenas de testemunhas úteis. Eram apenas algumas, mas cada uma tinha algo específico a oferecer. Ethan confirmou que havia pedido que eu registrasse a localização de seu EpiPen. O aluno que me viu entrar na Trilha Azul apresentou uma declaração por escrito e admitiu que recuou quando Luca o interrompeu. A enfermeira da escola confirmou
Bianca parou de chorar enquanto assistia às imagens. Ao que parecia, ela não sabia que uma das câmeras ainda cobria a entrada da sala de equipamentos.— Eu troquei a etiqueta — admitiu. — Mas não sabia que a trilha iria desmoronar. Eu só queria assustá-la.O policial perguntou:— Quando a Sra. Carter percebeu que estava faltando alguém na contagem, por que você disse que Poppy tinha voltado para o estacionamento?— Eu estava com medo de me meter em problemas.— Quando Walter contou novamente, por que você disse que ela tinha ido embora em outro veículo?Bianca olhou para Luca.— Ela conhece todo mundo. Achei que tivesse realmente conseguido outra carona.— E quanto à mensagem dizendo que ela estava presa no subsolo?Bianca abaixou a cabeça. Depois de um longo silêncio, disse:— Achei que ela estivesse fingindo.Luca falou:— Eu ensinei ela a pensar assim.Todos se viraram para ele.— Eu disse às pessoas que Poppy usava doenças e desaparecimentos para exigir atenção. Pegue






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