Inicio / Lobisomem / Marcada pelo meu chefe Alfa / 02. Carne, Sangue e Verdades

Compartir

02. Carne, Sangue e Verdades

last update Fecha de publicación: 2025-04-03 20:56:12

Ali estava eu.

Sozinha. Com uma mochila nas costas,e uma mala na mão as esperanças em frangalhos e o céu ameaçando desabar.

O carro da agência me deixara na entrada de uma propriedade imensa, cercada por árvores antigas e uma atmosfera pesada. A mansão surgiu depois de uma curva: de pedra escura, janelas enormes e um silêncio sufocante.

Bati na porta, hesitante.

Ela se abriu parcialmente, revelando uma mulher de feições duras, cabelos presos em um coque rígido e um olhar sem nenhum traço de empatia.

"Caroline Hart?"

"Sim."

"Está atrasada. O Sr. Thorn detesta atrasos."

"É que a viagem..."

"Pouco importa." Ela abriu a porta por completo. "Café às sete. Almoço ao meio-dia. Jantar às sete em ponto. Você não entra nos corredores principais, e evite fazer barulho. O Sr. Thorn tem sono leve. E paciência mais leve ainda."

"Entendi."engoli o seco."

"Seu quarto é no chalé dos fundos. A chave está aqui. Torça para conseguir passar da primeira semana."

Peguei a chave com dedos trêmulos.

Minha cabeça latejava, e o cansaço se misturava com a raiva e a vergonha.

Eu precisava trabalhar. Me esconder. Recomeçar.

Me troquei, lavei o rosto e fui direto para a cozinha. A mulher de antes, Daiana, como ouvi alguém chamá-la,me entregou os ingredientes sem cerimônia.

Preparei um medalhão ao ponto, com purê de batata e legumes salteados.

Na bandeja, enviei o prato. Alguns minutos depois…

"Que tipo de lixo seco é esse?!"

A voz de homem ecoou pela mansão. Grave. Cortante.

Meu estômago revirou.

No jantar, tentei algo mais sofisticado.

Cordeiro ao vinho tinto. Redução de alecrim. Técnica impecável. Apresentação de revista.

"Seco e pretensioso. Se quiser servir esse tipo de coisa, volte para os programas de culinária da TV."

Na manhã seguinte, Daiana entrou na cozinha com um suspiro de exaustão.

"Última tentativa, Caroline. Ele nunca deixa passar a terceira."

Esperei que todos saíssem. E então observei.

A despensa estava abarrotada de carne crua. Cortes robustos. Gordurosos.

Poucas ervas. Nada delicado.

Foi aí que entendi.

Ele não queria fine dining. Ele queria carne. Sangue. Instinto.

Escolhi um contrafilé grosso, selei na manteiga com alho e pimenta-do-reino esmagada. Por fora, dourado. Por dentro… vermelho. Suculento. Quase cru.

Ninguém quis subir com o prato.

"Você fez. Você leva", disse Daiana, jogando um pano sobre o ombro.

Respirei fundo, segurei a bandeja com as duas mãos e caminhei até o andar de cima.

O corredor parecia ainda mais sombrio. As paredes apertavam.

Parei em frente à porta dele. Bati.

Silêncio.

Girei a maçaneta devagar. A porta rangeu.

Entrei.

O quarto era amplo, com móveis antigos, cortinas pesadas e cheiro de terra e madeira. A lareira ainda acesa lançava sombras vermelhas sobre o chão.

Coloquei a bandeja sobre a mesa e me virei para sair.

Foi quando vi.

Parado, junto à lareira.

Um lobo.

Imenso. Cinzento. Olhos... azuis.

Me encarando. Feroz e calmo ao mesmo tempo.

Meu coração disparou.

"Não… isso não pode…"

Dei um passo para trás, o sangue deixando meu rosto.

Eu devia estar delirando. Cansada. Louca.

Ele não se mexeu. Nem rosnou. Só me observava.

Larguei tudo. E corri.

Eu estava ficando louca.

O celular vibrava sem parar, mesmo no modo silencioso.

Eu ignorei todas as notificações até finalmente atender Simon, meu advogado.

"Caroline, precisamos conversar", disse ele, a voz baixa e tensa.

"Já estou acostumada a más notícias. Pode falar."

"Várias marcas cancelaram os contratos. Patrocinadores estão emitindo comunicados. Sua imagem está… ruim. Você está sendo vista como a traidora da vez."

Revirei os olhos, rindo sem humor.

"É claro. Porque uma mulher beijar um estranho num bar é imperdoável. Mas um homem trepar com outra  no sofá da própria casa, no dia do aniversário de namoro… isso ninguém vê, né?"

"Caroline, a imprensa está usando o vídeo da live como prova de que você perdeu o controle. Estão dizendo que você surtou e saiu beijando qualquer um."

"Eu não traí o Zion." minha voz saiu firme, amarga." Ele me traiu. Eu só tive o azar de reagir... em público."

"Acredito em você Hart. Mas mesmo assim, está difícil segurar os danos. O apartamento de Manhattan já não está no seu nome. E se a cláusula do contrato for validada, ele pode levar até o nome da sua marca."

Fechei os olhos. Respirei fundo.

A voz tremeu, mas saiu com raiva:

"Eu juro, Simon. Nem que eu tenha que ir até o inferno… eu vou provar que aquele homem é um babaca manipulador. E vou fazer o mundo inteiro ver quem ele é de verdade."

Desliguei.

Minhas mãos tremiam. Eu precisava sair daquela casa.

Lá fora, o céu já escurecia. Peguei um casaco qualquer e saí caminhando sem rumo, até chegar ao único lugar onde eu conseguia respirar: o bar escondido no fim da rua.

Pedi um whisky duplo, sentei no canto mais escuro do balcão, e fechei os olhos por alguns segundos.

Estava cansada. De tudo. Do caos, da injustiça, das mentiras.

Um som de passos.

Um cheiro forte e amadeirado.

Quando ergui os olhos…

Ele.

Aquele homem. MAS QUE PORRA É ESSA. 

O mesmo dos olhos azuis, do beijo confuso e quente da noite anterior.

"VOCÊ?!" disparei, antes mesmo de pensar.

Ele arqueou a sobrancelha, divertido."Você de novo? Está me seguindo, é isso?"

"Eu te beijei uma vez e me tornei o escândalo nacional. Última coisa que quero é te ver outra vez."

Ele sorriu com desdém.

"Eu moro e mando nessa cidade. Estava em Nova York a negócios. Você é quem está me seguindo, humana."

Minha garganta secou.

Alguma coisa naquele homem… não era normal. Ele não era só irritante, ele era assustadoramente intenso. Como se carregasse um segredo que ninguém mais sabia.

Eu engoli o whisky de uma vez só, tentando ignorar o arrepio na espinha.

Mas, em vez disso, segurei a gola da jaqueta dele e o beijei. De novo.

Foi instintivo. Eu estava tendo dias horríveis, e um erro a mais não iria me custar tanta coisa assim. Me atracar com um homem lindo não era tão ruim.

As mãos dele apertaram minha cintura, me puxando contra seu corpo quente. O beijo foi firme, intenso e viciante.

Quando recuei para respirar, meus lábios estavam formigando.

Ele sorriu, satisfeito.

"Isso responde à minha pergunta. Você está me seguindo."

Minha mente gritava para eu sair dali. Mas meu corpo? Queria mais.

Ele então me puxou pela mão dando acesso a uma saída pelos fundos do bar.

"Vamos sair daqui."ele sussurrou."

Eu não exitei, apenas o segui e entramos em seu carro.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Marcada pelo meu chefe Alfa   Epílogo

    Caroline Hart Corto caminho pelos arbustos da floresta enquanto Elizabeth e Gael correm como loucos a minha frente. Eles estavam brincando de se esconder, e Gael fingia ser o Alfa de toda aquela matilha."Calma crianças não vão muito longe." gritei tentando me aproximar mais deles."Nossa vida mudou um pouco. Eu havia aberto uma franquia de reestaurantes, com o lucro dos outros, Damon continuava liderando a matilha e sua construtora com o mesmo fervor de sempre.Três anos se passaram... longos três anos onde eu era completamente feliz com o amor da minha vida. "Meu Deus." Magie sussurrou respirando fundo." Só em pensar que daqui há alguns anos serei eu correndo atrás de crianças.""Você vai dar conta." eu sorri acariciando a enorme barriga de grávida dela.""Será? As vezes acho que nasci somente para os negócios,filhos não são o meu forte.""Quando viramos mães, apenas... Viramos. Não sei explicar.""Eu nem pari e Victor quer mais filhotes." revirou os olhos."Eu me sentei em frente

  • Marcada pelo meu chefe Alfa   185. Novo ano, lua nova

    Caroline Hart Os flashes das câmeras estouravam diante de mim, mas tudo o que eu conseguia ouvir era o som abafado do próprio coração batendo rápido no peito.“E o prêmio de Chef Revelação do Ano vai para... Caroline Hart!”Por um segundo, fiquei paralisada. O nome ecoou pelo salão luxuoso e elegante, arrancando aplausos e assobios. Senti mãos empurrando gentilmente minhas costas, era Magie, sorrindo com os olhos brilhando de emoção.“Vai, mulher! Esse prêmio é seu!” ela sussurrou.Subi no palco com passos rápidos, o vestido vermelho deslizando como fogo pelas minhas pernas. As luzes me cegavam um pouco, mas quando segurei o troféu, tudo pareceu parar. Não era apenas uma conquista profissional. Era a prova viva de que, apesar de tudo, eu tinha recomeçado. Sobrevivido. Florescido.“O que você gostaria de dizer, Caroline Hart?” o apresentador perguntou, sorrindo.Segurei o microfone com firmeza,com o troféu na outra mão.“Quero agradecer à minha equipe, aos clientes que acreditaram em

  • Marcada pelo meu chefe Alfa   184. Um alfa também ama

    Damon ThornGael dormia tranquilo nos meus braços, com a respiração leve e o rostinho sereno. Parecia alheio ao peso do mundo, às responsabilidades que um dia cairiam sobre seus ombros. Acariciei sua bochecha com carinho, admirando cada traço tão pequeno, tão perfeito.“Você vai ser o próximo Alfa da nossa matilha”, murmurei, como uma promessa que só ele e eu precisávamos ouvir. “Mas eu juro que vou te guiar para ser melhor do que fui um dia. Mais justo. Mais forte.”No andar de cima, Elizabeth ainda dormia em seu berço, cercada pelos brinquedos que Hart havia escolhido com tanto cuidado. Minha filha, tão doce e determinada, mesmo ainda sendo só uma bebê. Só de pensar nela, meu peito se enchia de algo que mal cabia no corpo, amor, orgulho, medo. Tudo junto.Entrei no quarto devagar. Hart ainda dormia, com o lençol bagunçado cobrindo parte do corpo e os cabelos soltos espalhados pelo travesseiro. A expressão dela era tranquila, e por um momento, fiquei só a observando. Era quase surrea

  • Marcada pelo meu chefe Alfa   183. Elizabeth

    Caroline Hart.Os próximos minutos foram um borrão entre juntar tudo que eu precisaria para levar até a maternidade e entre o desespero evidente de Damon.Tento respirar e sinto uma dor repentina novamente,era provavelmente uma contração.As mãos de Damon seguram as minhas e ele me olha aparentemente nervoso."O que fazemos agora?"Damon era um grande macho Alfa, para todos nessa alcateia, mas naquele momento ele era somente um pai desesperado esperando o filhote nascer.Durante todo o momento ele franzia a testa, coçava a cabeça, e eu me segurava para não rir daquilo.Sinto mais uma contração, minutos depois, dessa vez mais forte ainda, eu me apoio na beirada da cama tentando sufocar aquela dor. "Precisamos ir. Avise a Magie e Ava. E a Daiana também." sussurro."Observo ele pegar as bolsas e as colocar no carro. Em seguida, ele se aproxima e segura a minha mão.Ele observa minha barriga e a acaricia com as pontas dos dedos."Você está linda Hart."ele sussurrou com a voz vacilando."

  • Marcada pelo meu chefe Alfa   182. Uma pequena surpresa

    Caroline Hart Magie teve a brilhante ideia de irmos fazer compras. A bebê estava crescendo tão rápido e faltava pouco tempo para o parto.Eu já podia sentir a ansiedade de ter minha filha nos braços, mas, ao mesmo tempo, a alegria de vê-la se desenvolvendo dentro de mim trazia um consolo que eu nunca imaginei experimentar. Esta gravidez estava sendo completamente diferente da de Gael, um turbilhão de medo, dor e incertezas. Mas agora... havia paz.Eu já estava com sete meses. Daqui a algum tempo, iria ver o rosto da minha pequena bebê.Entramos na loja, e eu me vi cercada por roupas pequenas, sapatinhos fofos e cobertores macios, tudo em tons suaves de rosa e branco.Eu nunca pensei que ficaria tão emocionada com coisas tão simples, mas ali estava eu, com o coração disparado, tocando cada peça de roupa como se fosse a primeira vez. A ideia de preparar o enxoval da nossa filha me trouxe uma paz que eu não sabia que precisava."Olha esses sapatinhos, Hart! São tão fofos!" Magie disse,

  • Marcada pelo meu chefe Alfa   181. Amor

    Damon ThornA taça de vinho tremia em meus dedos quando senti o cheiro dele antes mesmo de vê-lo. Damon. Era como um trovão cruzando meu corpo, cada célula respondendo com urgência, calor, e fome.Meus olhos se ergueram devagar quando a porta do restaurante se abriu e ele passou, com a postura dominante que sempre carregava.Os funcionários se curvaram discretamente, mas ele apenas caminhou direto até mim, ignorando todos."Como está minha chefe favorita?" ele perguntou com um meio sorriso, os olhos cravados nos meus como se soubesse exatamente o que o meu corpo gritava. Eu estava no cio. Não o físico, humano. Era a loba em mim, despertando com fúria e desejo desde que ele apareceu naquela floresta.Engoli seco, tentando manter o controle, mas meu corpo já tremia. As palavras sumiram da minha boca."Você está pálida..." ele disse, curvando-se um pouco, seus dedos tocando meu queixo. "Ou será que está tentando me provocar com esse vestido e esse perfume?"Eu ri, nervosa. "Você chegou a

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status