FAZER LOGINUma forma elegante e educada de dizer tímido, inadequado e completamente deslocado para este mundo brilhante e caro.
— Claro, claro — Marcel assentiu compreensivamente. — Bem-vindo à família, Oliver.
Se precisarem de qualquer coisa — absolutamente qualquer coisa — é só chamar.
Quando Marcel finalmente se afastou, nos sentamos em silêncio carregado.
Eu podia sentir fisicamente os olhares curiosos de outros clientes, provavelmente reconhecendo Sebastian instantaneamente e se perguntando com crescente curiosidade quem diabos era eu.
O secretário. O marido. O intruso.
— Você está bem? — Sebastian perguntou baixinho, estudando meu rosto com aquela intensidade analítica.
— Estou — menti automaticamente.
— Oliver.
Havia algo no tom grave da sua voz que me fez olhar diretamente para ele, sem conseguir desviar.
Seus olhos escuros me analisavam com aquela intensidade familiar e perturbadora.
— Eu sei que isso é... difícil para você — ele disse tão baixo que quase não ouvi. — Mas você precisa aprender a lidar com essas situações.
Elas vão acontecer com frequência cada vez maior.
Assenti rigidamente, tentando parecer muito mais confiante do que me sentia.
O garçom veio anotar nosso pedido, e Sebastian escolheu eficientemente por nós dois — algo que eu provavelmente deveria ter achado presunçoso e controlador, mas que na verdade me aliviou profundamente.
Uma decisão a menos para eu inevitavelmente estragar.
Durante a espera pela comida, tentei relaxar conscientemente.
Este era Sebastian, afinal. Meu chefe, sim, mas também... meu marido, pelo menos no papel legal.
Talvez eu devesse agir mais naturalmente, mais como um marido de verdade agiria.
Quando ele estava contando algo técnico sobre um novo contrato complexo, sem pensar muito, estendi a mão por cima da mesa e toquei a dele suavemente.
Era um gesto simples, pequeno.
Casais fazem isso o tempo todo.
Sebastian parou de falar imediatamente, as palavras morrendo no ar.
Seus olhos desceram lentamente para nossas mãos tocando e depois voltaram para meu rosto com uma expressão indecifrada.
Havia algo ali que eu não consegui interpretar — surpresa, talvez.
Ou desconforto profundo.
Retirei a mão rapidamente como se tivesse tocado fogo, sentindo meu rosto esquentar violentamente.
— Desculpe, eu...
— Não — ele disse baixo, mas havia uma tensão óbvia vibrando em sua voz. — Está tudo bem. É... natural.
Mas definitivamente não parecia natural para ele.
Parecia forçado.
Desconfortável.
Errado.
O restante do almoço passou numa atmosfera estranha e pesada.
Sebastian voltou a ser educado mas distante, mantendo aquela parede invisível entre nós.
Eu voltei a ser desajeitado, inseguro e patético.
Quando saíamos do restaurante, Marcel veio se despedir novamente com aquele entusiasmo genuíno, e eu, tentando desesperadamente ser um
"bom marido", me aproximei de Sebastian e toquei seu braço casualmente enquanto conversávamos.
Senti-o enrijecer completamente sob meu toque.
Todo o corpo dele ficando tenso como pedra.
— Conversamos em casa — ele disse tão baixo que apenas eu pude ouvir, enquanto sorria educadamente para Marcel. — Sobre isso.
Meu estômago despencou violentamente.
O caminho de volta para a empresa foi dolorosamente silencioso.
Sebastian dirigia com a mandíbula visivelmente tensa, músculos saltando, e eu ficava olhando pela janela sem realmente ver nada, tentando desesperadamente descobrir exatamente o que havia feito de tão errado.
De volta ao escritório, mergulhei no trabalho mecanicamente, tentando ignorar a sensação crescente de que havia desapontado Sebastian de alguma forma fundamental.
Por volta das três da tarde, meu telefone tocou alto.
— Ollie, querido!
A voz aguda e dramática da minha mãe me fez franzir o rosto involuntariamente.
— Oi, mãe.
— Como estão as coisas? Como está a vida de casado? Está sendo tudo maravilhoso?
— Está... bem.
— Só bem? — Ela soou genuinamente escandalizada. — Oliver, você se casou com um dos homens mais poderosos e ricos de Nova York inteira! Deveria estar nas nuvens! Radiante!
Olhei na direção do escritório de Sebastian através das paredes de vidro, onde podia vê-lo ao telefone, completamente focado no trabalho, completamente distante de mim.
— Estou feliz, mãe — menti sem convicção.
— Que bom! — Ela não percebeu a mentira, como sempre. — Escute, seu pai e eu queremos comemorar o casamento de vocês adequadamente. Que tal um jantar especial? Hoje à noite?
Meu coração disparou em pânico.
— Hoje? Mãe, eu não sei se Sebastian...
PRAIA DE MONTAUK - CASA DE VERÃO DA FAMÍLIA BLACKWOOD-MILLERO sol da tarde pintava o céu de tons dourados enquanto as ondas quebravam suavemente na areia.Era um daqueles dias perfeitos de verão que pareciam feitos sob medida para memórias felizes.Sebastian caminhava pela praia.Protegendo os olhos do sol com a mão.Procurando por uma figurinha pequena que havia desaparecido há alguns minutos.— Henry! — chamou para o adolescente de 15 anos que estava sentado numa cadeira de praia, completamente absorto em seu celular.Henry levantou os olhos.Seus cabelos castanhos bagunçados pelo vento marinho.— Oi, pai.— Você viu seu irmão? O Sal desapareceu de novo.Henry deu de ombros.Voltando sua atenção para o telefone.— Não vi não. Mas ele provavelmente está se escondendo em algum lugar.Sebastian suspirou.Começando a sentir aquela familiar pontada de preocupação que todo pai conhece quando perde uma criança de vista.Mesmo que por alguns minutos.Foi quando ouviu a voz familiar de Olive
O primeiro sorriso genuíno do dia todo.— Estou pronto — disse ele.— Tem certeza?— Tenho. Vamos nos casar.ALTARDez minutos depois, estávamos parados no altar.De mãos dadas.Ouvindo o Padre Michael falar sobre amor, compromisso e união eterna.— Sebastian, você aceita Oliver como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?— Aceito — disse Sebastian, sua voz forte e clara, todos os nervos finalmente desaparecidos.— Oliver, você aceita Sebastian como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?— Aceito — respondi, sentindo lágrimas de felicidade escorrendo pelo meu rosto.— Declaro vocês marido e marido. Sebastian, pode beijar seu esposo.O beijo que trocamos no altar foi diferente de todos os outros.Era um beijo de promessa.De compromisso.De amor eterno.A igreja explodiu em aplausos.Quando nos separamos, ambos estávamos c
Ajeitou minha gravata.— Mamãe e papai estão lá fora. Eles estão... orgulhosos, Ollie. Genuinamente orgulhosos.Senti lágrimas picarem meus olhos.— De verdade?— De verdade. E a avó Blackwood está lá também. Ela tem 89 anos e disse que não perderia este casamento por nada no mundo.IGREJA - CERIMÔNIAQuando chegou a hora, fui o primeiro a entrar na igreja.Caminhei lentamente pela nave central.Acenando para os convidados que se levantaram em respeito.Vi meus pais na primeira fileira.Minha mãe limpando lágrimas discretamente.Do outro lado, Richard e Catherine sorriam orgulhosos.David estava lá com seu filho.Um menino adorável de cabelos loiros que acenou timidamente para mim.Funcionários da empresa.Amigos da família.Até mesmo alguns colegas de faculdade que não via há anos estavam presentes.Quando cheguei ao altar, o padre me cumprimentou calorosamente.Agora era só esperar por Sebastian.Os músicos começaram a tocar a marcha nupcial.Todos se viraram para a entrada da igrej
NARRADORO dia havia chegado.Depois de meses de planejamento.Expectativa e ansiedade.Sebastian e Oliver finalmente se casariam.Desta vez por amor verdadeiro.Não por necessidade ou mentira.A Igreja de St. Patrick estava magnificamente decorada com arranjos de rosas brancas e folhagens verdes.As velas criando uma atmosfera dourada e romântica.Os bancos estavam repletos de familiares e amigos.Todos vestidos em seus melhores trajes.Sussurrando animadamente sobre a cerimônia que estava prestes a começar.Na sacristia, a correria era total.Floristas faziam ajustes de última hora.O organizador verificava a lista de convidados pela décima vez.Os fotógrafos testavam seus equipamentos.Pratos elaborados estavam sendo preparados no salão de festa.Desde canapés sofisticados até pratos tradicionais americanos que Oliver tanto adorava.POV SEBASTIAN - QUARTO DE PREPARAÇÃO— Para de se mexer, você vai amarrotar o terno — disse Marcus pela quinta vez, tentando ajustar minha gravata.Eu
Sobre como havia refletido extensamente sobre nosso breve encontro em Chicago.— Sabe uma coisa — disse ele em determinado momento. — Sebastian tomou a decisão correta lutando por você.— Ele te contou nossa história completa?— Contou que vocês se amam verdadeiramente. E que eu consigo te fazer sorrir de uma maneira que ele nunca conseguiu. — David sorriu compreensivamente. — Ele disse que queria nossa amizade porque pessoas que te fazem feliz automaticamente o fazem feliz também.Senti meu coração se aquecer profundamente.— Ele realmente disse isso?— Disse textualmente. E estava completamente certo. Não somos adequados um para o outro romanticamente, mas podemos desenvolver uma amizade excepcional.Enquanto caminhávamos pelo parque, observando as crianças se divertirem, David mencionou casualmente:— A propósito, estou convidado para o casamento de vocês?— Obviamente.— Perfeito. Será uma oportunidade de conhecer melhor sua família.— Você tem família aqui em Nova York?David fic
— É relevante sim! — disse eu, me levantando agitado. — É uma quantia completamente absurda!Sebastian conseguiu se transferir da cadeira para a cama com algum esforço.— Amor, por favor, me deixe explicar.— Não precisa explicar nada. Entendo que queria me dar algo especial, mas isso... parece que você está tentando me comprar de alguma forma.— Eu jamais tentaria te comprar! — disse Sebastian, visivelmente magoado. — Estou tentando te oferecer exatamente o que você merece!— Eu não mereço um anel de sessenta mil dólares!— Para mim, você merece infinitamente mais que isso.Suspirei pesadamente.Me sentei ao lado dele na cama.— Sebastian, quando nos casarmos oficialmente... quero que cada um mantenha sua própria conta bancária individual.— Como assim?— Você pode manter sua fortuna, mas eu preciso da minha independência financeira. Quero conquistar minhas coisas através do meu próprio esforço e trabalho.Sebastian franziu a testa.— Por que não pode simplesmente aceitar que desejo