INICIAR SESIÓNAproveitei que Aiden estava distraído e contornei o salão pelas sombras das colunas de mármore.
Quando cheguei perto de Hector, ele nem sequer desviou o olhar para mim. Estava focado na multidão. — Oi... sussurrei, parando ao lado dele por um segundo. — Você está bem? — No posto, Nayla. ele respondeu seco, sem me olhar. — Não é hora para isso. — Eu sei, mas... a gente quase não se falou no almoço. O Aiden me manteve ocupada com os contratos e agendas. Pelo canto do olho, vi o maxilar de Hector travar. — Ele sempre te mantém ocupada, não é? Vai lá, ele está olhando para cá. Ele estava incomodado? Porque ele usou aquele tom comigo? Olhei para o centro do salão. Aiden não estava mais rindo. Ele estava com a taça parada perto dos lábios, os olhos escuros fixos em mim e em Hector. Não havia brilho de festa ali, apenas uma frieza possessiva que me fez estremecer. — Falamos disso depois. murmurei para Hector, sentindo um gosto amargo na boca. Voltei para a minha posição. Assim que me aproximei, Aiden se despediu dos alemães e caminhou na minha direção. Ele não deveria sair do círculo agora. O protocolo dizia que ele deveria ficar ali. — Algum problema com a segurança, Nayla? ele perguntou, parando perto demais. O cheiro do uísque e do perfume dele me envolveu como uma névoa. — Nenhum, senhor. Apenas conferindo os horários de rendição. — Você mente tão mal. ele disse, a voz num tom que só eu podia ouvir. — Você estava implorando por atenção daquele... guarda. Nunca, em seis anos trabalhando pra este homem, ele se dirigiu assim a mim. — Ele é meu noivo, Aiden. Ele deu um passo a mais, invadindo meu espaço pessoal. Senti minha respiração prender por uma fração de segundos. Ele inclinou a cabeça, o olhar descendo para os meus lábios e voltando para os meus olhos com uma intensidade que parecia queimar. Ele esticou a mão e ajeitou uma mecha rebelde do meu coque, o toque dos seus dedos na minha pele enviando um choque elétrico pelo meu corpo. — Peça para ele trazer o carro. Estou cansado desse circo. — Mas o evento mal começou, os sócios da holding ainda... — O carro, Nayla. Agora. Ele se afastou, deixando o rastro do seu poder pairando no ar. Peguei o rádio para chamar o Hector, mas algo me fez parar. Olhei para a entrada onde ele deveria estar. Hector não estava mais lá. Um dos outros seguranças, o novato, ocupava o seu lugar. — Onde está o Hector? perguntei pelo rádio. Houve um silêncio de dois segundos antes da resposta. — Ele foi acompanhar uma das convidadas até a suíte, Nayla. Ela disse que estava passando mal. Meu coração falhou uma batida. Acompanhar até a suíte? Esse era o trabalho do serviço de hotel ou de uma segurança feminina. Não do chefe da equipe. Olhei para Aiden, que me observava de longe com um sorriso de lado, como se já soubesse de algo que meu coração agora se nega a acreditar. ... Acionei o rádio, chamando o Hector. Sem resposta por alguns segundos. Tentei de novo. — Hector, o carro na entrada principal. O senhor Cupertini quer sair. — A caminho, Nayla. a voz dele veio pelo rádio, um pouco ofegante. — Ele já está a caminho. Caminhamos em direção à saída. Aiden mantinha sua postura. O carro preto blindado parou suavemente. Hector desceu rapidamente para abrir a porta traseira. Ele parecia impecável, mas evitou meu olhar, focando totalmente no Aiden. — Senhor. Hector disse, mantendo a porta aberta. Aiden parou antes de entrar. Ele olhou para Hector, depois para mim, e então para a mão de Hector na porta do carro. — Bom trabalho na garagem, é sempre bom uma nova ronda não é? Hector não mudou a expressão. — Apenas garantindo sua segurança, senhor. Aiden entrou no carro e eu o segui, me sentando ao seu lado com o tablet já aberto para revisar a agenda de Mônaco. O silêncio dentro do carro era pesado, carregado com o perfume cítrico do Aiden e a tensão que parecia vibrar entre nós três. Olhei pelo retrovisor e vi Hector assumindo o volante. Eu queria perguntar se estava tudo bem, queria um sorriso dele, mas Aiden pigarreou ao meu lado, chamando minha atenção de volta para a tela. — Mônaco, Nayla. Me diga que não terei que ver o rosto do meu pai por lá. — O senhor sabe que ele é o convidado de honra do GP pelo Prince's Club. respondi, tentando manter a voz profissional apesar do frio que subiu pela minha espinha. Aiden apertou os punhos. — Então trate de organizar uma agenda que me mantenha o mais longe possível daquela... família. Se eu cruzar com ele ou com a mulher dele, a sua "eficiência" será questionada. Ele nunca falava do pai ou da madrasta. Era a parte intocada dele, onde ninguém tinha acesso nem mesmo eu, que o conhecia como a palma da minha mão. .....CÁSSIO O bipe no painel avisou que a mensagem tinha entrado. A notificação chegou no celular da Laysa e no nosso ao mesmo tempo. Demos a largada. O plano que a gente passou a semana inteira ajustando finalmente tinha começado. — Elena mandou a mensagem. Hector disse, puxando a tela das câmeras. Aproximei o rosto do monitor. Na imagem, as duas apareciam perto da penteadeira. Hector apertou dois botões no console e o áudio do celular grampeado da Laysa começou a sair limpo nas caixas de som. Acompanhei cada segundo em silêncio. Através da voz hesitante da Laysa, a chantagem da Elena ficou escancarada: ela tinha uma foto de um vídeo do passado da minha mulher, o ultimato para que assinassem um acordo de silêncio e a ameaça de divulgar tudo em pleno dia do nosso casamento. Elas sabiam dar as cartas, mas não sabiam que o dono daquele jogo, já estava na partida. Senti o Hector tensionar ao meu lado com o golpe baixo contra a garota dele, mas o que veio a seguir me fez travar o
Laysa franziu o cenho, surpresa. Ela apertou o botão lateral várias vezes, mas o aparelho deu uma travada bizarra, a tela piscando em linhas disformes como se estivesse bugado. — Que estranho... ele estava com carga cheia. — Desliga e liga de novo. Antes que pudéssemos entender o que tinha acontecido com o telefone, duas batidas firmes soaram na porta de madeira, fazendo nós duas darmos um pulo. — Guarda isso! Vai... sussurrei rápido. Laysa enfiou o celular na bolsa, fechando o zíper às pressas. A porta se abriu e o Cardoso apareceu no portal, vestindo um terno alinhado. — Está pronta, Violet? ele perguntou, mantendo o tom profissional e calmo de sempre. — Está na hora. O senhor Cupertini já está aguardando na cerimônia. Tentei disfarçar o tremor nas mãos e sorri fraco. — Eu já vou, Cardoso... Noivas sempre se atrasam um pouco, me dá só mais um minuto. Ele assentiu com um leve gesto de cabeça. — Não demore. E fechou a porta, saindo pelo corredor. Assim que f
Aiden soltou, a incredulidade evidente na voz. Hector nem piscou, mantendo o maxilar travado e o olhar fixo em mim, ignorando completamente o comentário do irmão. Continuei, sem dar espaço para distração. — A rebeldia dessa garota, a desobediência dela, pode nos custar caro demais se ela der um passo em falso fora dos muros desta mansão. Eu não vou tolerar ver tentarem usar a minha noiva contra mim através da irmã dela. Hector deu um passo à frente, a voz saindo baixa, cortante e mortalmente séria. — Ninguém vai tocar nela. Dei um aceno de cabeça imperceptível, reconhecendo o brilho perigoso nos olhos dele. — É assim que se fala. Voltei a me movimentar pelo escritório. — A Núbia está cercando elas. Está usando uma amiga de infância para atraí-las para uma armadilha. Violet tem repulsa por essa mulher, mas eu não sei até onde vai a lealdade ou a influência dessa amizade com a sua. Antes que o Hector pudesse responder, o som vibrante de uma notificação cortou o ar. Ele puxo
Nayla deu uma risada leve, passando a mão pelo ventre em um gesto carinhoso. Laysa manteve os olhos fixos na barriga dela, parando tempo demais ali, com uma expressão indecifrável. Sem filtro algum, Laysa disparou: — Esse filho tem mesmo chance de ser do Hector? Nayla travou no lugar, surpresa pela pergunta direta e repentina. Olhou para mim estranhando, mas acabou respondendo: — Não... Bom, além da questão das datas, eu soube de algo que... deixa a chance quase nula. Como assim, uma coisa? — Que coisa, Nayla? Nayla suspirou, abaixando o tom de voz: — O Cássio mandou trocar a minha pílula do dia seguinte. Eu tomei um remédio que não fez efeito nenhum. Ele já sabia que estávamos nos envolvendo e queria garantir que a gestação acontecesse. Laysa virou o rosto lentamente para mim, o olhar em choque. — Onde foi que você meteu a gente, Violet? Naguei com a cabeça, tentando engolir o impacto daquela revelação sobre o Cássio. Nayla interveio, tentando relaxar a conversa: — Tudo
Depois que a porta do quarto se fechou, não conseguimos mais ouvir o som da conversa abafada que vinha do corredor. Laysa tinha acabado de sair, me deixando a sós com o Cássio. O silêncio rápido que ficou era denso, E aquela descoberta que ainda parecia irreal queimou dentro do meu peito. Olhei para o teste de gravidez sobre a mesa de cabeceira, a palavra Positivo estampada que não deixava dúvida alguma e depois ergui os olhos pra ele. — Cássio... Minha voz quase nem saiu. Meu coração aceleradissimo. Ele deu passos firmes em minha direção. Suas mãos grandes pegaram meu rosto, segurando firme. Meu corpo inteiro amoleceu com o calor dele. Ele colou sua boca na minha. A pressão dos seus lábios, mais parecia um selo de confirmação do que qualquer outra coisa. A mão dele estava firme na minha nuca, o nosso ar se misturando. Afastei levemente os lábios deixando nossos rosto praticamente todo unido. — Você é a porra da mulher da minha vida. Meu coração errou as batidas
Ela nem espera a irmã responder, levanta da cadeira em um sobressalto, cruza a sala de jantar a passos rápidos e puxa a laysa pelo braço, arrastando a mala junto com elas. O desespero na cara da minha noiva para fazer aqueles testes é quase palpável. Levantei pronto pra ir atrás, mas Cardoso diz: — Tem um minuto. — agora não. Ele para na minha frente. — É importante senhor. A postura dele muda, se tornando mais rígida, o olhar focado. — Senhor Cupertini... Com essa nova suspeita, pressumo que queria ver isso o quanto antes. ele diz, a voz baixa, o tom confidencial de sempre. — Fale de uma vez. — Tenho atualizações sobre a nossa vigia. O homem na folha de pagamento da Núbia finalmente aceitou o nosso acordo. E ele já nos soltou uma informação de peso. Ergo os olhos para ele, deixando de lado a xícara de café. — Ele confirmou que a Núbia andou se encontrando com esta mulher nas últimas horas. Cardoso puxa o tablet debaixo do braço, digita um comando rápido e vira







