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Capítulo 40 - Conversar.

last update Data de publicação: 2025-10-21 00:45:15

Dante Bianchi

Dois dias.

Setenta e duas horas.

Quatro mil, trezentos e vinte minutos.

Mas quem tá contando, certo?

A verdade é que desde o momento em que ela saiu, batendo a porta como se estivesse fechando tudo o que éramos, o silêncio dela virou o som mais alto da minha vida.

Tentei me ocupar. Treinar, ler relatórios, resolver pendências com o conselho da família… Mas tudo que eu fazia acabava voltando pra mesma maldita imagem: Marina. O jeito que ela me olhou quando descobriu a verdade. O o
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Último capítulo

  • Meu Coração na Mira da Máfia    Epílogo

    CINCO ANOS DEPOISO sol de Positano tinha um brilho diferente naquela manhã. Dourado, cálido, como se o próprio Mediterrâneo se curvasse em reverência àquele cenário de celebração. As ondas batiam suavemente na areia clara da praia privativa da família Bianchi, e o som ritmado se misturava às risadas infantis que ecoavam pelo ar.Marina Salles estava descalça, os pés afundados na areia fina, observando a pequena figura correndo à beira do mar. A filha deles, Chiara, usava um vestidinho branco que balançava ao vento, os cachos escuros colando-se à testa enquanto ela tentava capturar uma concha antes que a água levasse embora.— Vai acabar molhando o vestido, piccola — Dante disse, rindo, com as calças dobradas até os joelhos, pronto para correr atrás da filha a qualquer momento.A menina apenas gritou “papà!” e saiu correndo mais rápido, fazendo Dante soltar uma gargalhada sincera — aquele tipo de riso que ele só aprendeu depois de conhecer Marina.Marina observava os dois, e o coraçã

  • Meu Coração na Mira da Máfia    Capítulo 49 - Meu presente.

    Marina SallesA estrada que levava até Positano era como um fio dourado costurado sobre o mar. O sol começava a cair, tingindo o horizonte com tons de cobre e vinho, e o carro de Dante parecia deslizar em silêncio por entre as curvas estreitas, embalado pelo som grave do motor e pelas ondas batendo nas rochas lá embaixo.Eu olhava pela janela e respirava fundo, sentindo o ar salgado e a brisa úmida invadindo o carro. Fazia semanas que Dante vinha me prometendo essa viagem. E agora, sentada ali, com a mão dele firme sobre a minha coxa, percebi que essa promessa era mais do que apenas um final de semana fora — era um refúgio, uma pausa no caos em que vivíamos.Quando chegamos à casa da família dele, o céu já era um tecido escuro pontilhado de estrelas. A propriedade ficava no alto de uma encosta, com uma vista absurda da costa amalfitana. A casa tinha aquele charme antigo e ao mesmo tempo elegante, com varandas de ferro e jardins que cheiravam a jasmim. Assim que entramos, Dante me abra

  • Meu Coração na Mira da Máfia    Capítulo 48 - Juntos.

    Dante Bianchi Um mês. Trinta dias inteiros desde que o inferno que a Interpol tentou acender se apagou. E, nesse tempo, a minha vida voltou a um tipo de paz que eu nunca pensei que existisse pra alguém como eu. Marina continuava aqui. Ela tinha dito que estenderia a estadia por um tempo, mas acabou ficando de vez. Trabalhando de forma remota, escrevendo, participando de reuniões virtuais e... se tornando parte de tudo. Do meu cotidiano. Da minha casa. Da minha rotina. Fernanda e Alícia voltaram pro Brasil duas algumas semanas — e, sinceramente, foi um alívio. Não por não gostar delas, mas porque a ausência das amigas trouxe uma tranquilidade que a presença constante delas não deixava. Principalmente porque elas estavam hospedadas aqui em casa, para poupar o dinheiro do hotel. Marina se encaixava na minha vida com a naturalidade de quem sempre pertenceu a ela. Ela não era uma visitante, nem uma distração passageira. Era mais do que isso — era o tipo de mulher que deixava o ambie

  • Meu Coração na Mira da Máfia    Capítulo 47 - Comemoração.

    Marina SallesQuatro semanas. Era estranho pensar que fazia só isso — quatro malditas semanas — desde que eu entrei de cabeça no mundo de Dante Bianchi.Em tão pouco tempo, parecia que eu já tinha vivido umas três vidas diferentes. A mulher que eu era antes… já não existia mais.O escritório de Dante era o tipo de lugar que parecia respirar poder. A madeira escura, o cheiro de charuto e couro, os quadros italianos antigos nas paredes e o brilho frio do metal das armas sobre a mesa formavam um cenário que, curiosamente, me fazia sentir confortável.O tempo todo, o som das vozes graves dos homens de Dante ecoava pelo ambiente — Donatello, Enrico e mais três dos soldados de confiança dele. Todos ali revisando comigo os documentos, mensagens e arquivos falsos que a gente tinha montado nas últimas semanas.Era um jogo de xadrez disfarçado de guerra suja, e eu amava cada segundo.— Se a rota for rastreada até aqui, temos um problema — disse Donatello, apontando para a tela do notebook à min

  • Meu Coração na Mira da Máfia    Capítulo 46 - Admiração.

    Dante BianchiA raiva era uma presença física dentro de mim. Densa. Quente. Pulsante.Eu ainda sentia o gosto metálico dela na boca quando o portão da minha casa se abriu e o carro atravessou o caminho de pedras. Marina estava ao meu lado, em silêncio, o olhar distante. A luz suave do entardecer cortava seu rosto, deixando-a com um ar sereno que contrastava com o caos que fervia dentro de mim.Kertin. Aquele maldito nome ecoava na minha cabeça como um veneno.A ousadia dele de tocar na mulher que eu amava — mesmo que fosse só com palavras — era algo que eu não ia esquecer. Nem perdoar.O motor desligou. Antes mesmo de sair do carro, vi Donatello, Enrico e mais alguns dos meus homens de confiança esperando na entrada. Todos estavam sérios, atentos. O tipo de olhar que só quem já viu a morte de perto tem.Saí do carro, e Marina me acompanhou. O vento frio da noite levantou uma mecha do cabelo dela, e por um instante, entre a raiva e a adrenalina, eu me peguei pensando que aquela mulher

  • Meu Coração na Mira da Máfia    Capítulo 45 - Inimigo.

    Marina SallesTrês dias.Três dias desde que eu e Dante paramos de lutar um contra o outro e, enfim, deixamos o que sentíamos falar mais alto. Foram dias silenciosos, mas tranquilos. Uma calmaria estranha, daquelas que a gente sabe que não dura pra sempre, mas decide aproveitar enquanto pode.Eu precisava de um pouco de normalidade. Por isso aceitei quando Fernanda e Alícia me chamaram pra sair. Estávamos em uma cafeteria pequena no centro de Milão, o tipo de lugar que servia o café mais forte da cidade e croissants que pareciam derreter na boca. O som dos talheres, o cheiro de café moído, as conversas baixas — tudo parecia perfeitamente comum. E talvez fosse exatamente isso que eu estava precisando: me sentir comum de novo.— Então quer dizer que o Sr. Italiano Misterioso finalmente abriu o coração? — Fernanda perguntou, arqueando uma sobrancelha com aquele sorriso maroto que só ela sabia dar.— Digamos que sim — respondi, mexendo distraidamente a colher no café. — Ainda estamos nos

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