INICIAR SESIÓNMelina, a Russa de coragem.
Melina continuou, animada, sem perceber o choque dele: — O salão inteiro silenciou. Alguns riram, outros ficaram indignados. Mas todos olharam. Todos. E sabe o que foi mais louco? Tinha um homem no centro, sentado numa almofada mais alta que as outras, ele era um coroa de aproximadamente cinquenta anos. Tinha olhos diferentes… , delineados com kohl preto perfeito, como se fosse um guerreiro antigo. Ele me encarou direto. Não piscou, não sorriu. Mas eu senti o olhar dele queimando na minha pele. Foi… intenso, ele era claramente o mais poderoso ali. Depois que eu terminei a dança, o aplauso foi ensurdecedor. Até ele bateu palmas, mas os olhos não saíram de mim. Mas eu… eu saí do salão como uma rainha. Ela riu o abraçando, jogando a cabeça para trás, os cabelos negros cascateando. — E você me fala dele assim? Você não está na Rússia, Melina. — Eu dei uma bronca nos homens mais poderosos dos Emirados Árabes Unidos e eles calaram a boca! Pode acreditar? Eu sou louca, né? E não venha com ciúmes, eu terminei o noivado. Não é porque te beijei que está perdoado. Ferith sentiu o sangue descer do rosto. Suas mãos, que ainda estavam na cintura dela, ficaram geladas. A descrição… era perfeita. O homem do centro. Olhos castanhos esverdeados com kohl. Almofada mais elevada. Seu pai. Sheik Khalid Al-Mansour. O homem que controlava metade do petróleo do país, que decidia destinos com um aceno de cabeça, que havia proibido Ferith de namorar “dançarinas” cinco anos atrás. O homem que Ferith temia mais do que qualquer coisa no mundo. E Melina… havia confrontado ele. Publicamente. Na frente de todos os aliados, rivais e assessores. A carta no envelope parecia queimar na mesa. Ferith havia planejado tudo, abrir o vinho, sentar ela no sofá, dizer “Meu amor, tem uma coisa que eu escondi de você desde o começo. Meu pai é o Sheik Khalid. Eu sou o único herdeiro. O nome completo da minha família é Al-Mansour. Eu terminei com você na faculdade porque ele ameaçou deserdar a mim por desobediência. Mas agora eu quero que você saiba tudo.” Ele tinha até ensaiado a reação dela: surpresa, talvez raiva no começo, depois aceitação. Eles eram noivos ainda. O amor era forte ou era o que ele queria que fosse. Mas agora? Agora ele via o desastre. Melina não tinha só dançado para o pai dele. Ela havia parado o show inteiro e dado uma lição de respeito no homem que nunca, jamais, aceitava ser contrariado. O Sheik Khalid não perdoava afrontas. E se descobrisse que a dançarina russa que o humilhara em público era a noiva do próprio filho… Ferith engoliu em seco. O coração batia como um tambor de guerra no peito. — Você… você fez isso? — perguntou ele, a voz rouca, tentando disfarçar o pânico. — Parou a dança e… bronqueou todos eles? Melina assentiu, orgulhosa, passando os dedos no rosto dele. — Fiz. E foi incrível. Pela primeira vez na vida eu me senti… poderosa. Não só uma dançarina bonita. Eu forcei aqueles homens a me respeitarem. Especialmente aquele do centro. Ele tentou fingir que não se importou, mas eu vi. Ele ficou afetado. Eu senti. Talvez issoe coloque em problemas, ou ele aprendeu a lição. Ferith fechou os olhos por um segundo. “Afetado”. O pai dele. O Sheik mais duro e sério dos Emirados. Afetado por Melina. Ele sabia exatamente como o pai reagia quando algo ou alguém o atingia. Khalid nunca demonstrava. Mas quando queria algo… ele conseguia. Sempre. A boca de Ferith secou. Ele abriu a boca para falar. As palavras estavam ali, na ponta da língua: “Melina, aquele homem… era meu pai. Eu sou filho dele. Eu ia te contar hoje. Eu…” Mas nada saiu. Em vez disso, ele forçou um sorriso torto, puxou-a mais para perto e beijou o pescoço dela, ganhando tempo. — Você é incrível — murmurou contra a pele clara. — Louca, imprudente… mas incrível. Eu teria pago pra ver isso. Melina riu, aliviada, achando que ele estava orgulhoso. — Eu sabia que você ia gostar! Depois da nossa briga de dois dias atrás, eu precisava de uma vitória assim. E agora… podemos comemorar? Ela se mexeu no colo dele, sedutora, os quadris roçando de leve, o movimento que sempre o enlouquecia. Mas Ferith, pela primeira vez, não respondeu com o mesmo fogo. Sua mente girava pensando nas consequências. O pai ia investigar, ia descobrir o nome dela, ia ligar os pontos. E se Khalid quisesse Melina para si? O Sheik já tivera três esposas. Ele colecionava o que desejava. E pelo jeito que Melina descrevera o olhar dele… Não. Ferith não podia contar agora. Não hoje. Talvez nunca. Pelo menos não até entender o que o pai faria. — Amanhã a gente comemora direito — disse ele, a voz controlada, mas o coração em pedaços. — Hoje você está exausta. Vamos dormir. Eu… eu te amo, Melina. Mais do que tudo. Ela franziu a testa de leve, sentindo que algo estava errado, mas atribuiu à preocupação dele com as viagens. — Tudo bem. Mas amanhã você me conta o que tanto queria falar antes de eu sair pro show. Você disse que tinha uma coisa importante. Ferith sentiu um soco no estômago. Ela lembrava. Ele havia dito “quando você voltar, temos que conversar sério”. — Amanhã — repetiu ele, beijando a testa dela e escondendo o rosto nos cabelos pretos para que ela não visse o pânico nos olhos castanhos. — Prometo. Eles foram para o quarto. Melina adormeceu rápido, enrolada nele, respirando tranquila. Ferith ficou acordado horas, olhando o teto, o envelope ainda fechado na sala como uma bomba-relógio. Ele não contaria. Não ainda. Porque a mulher que ele amava havia desafiado o homem mais influente dos Emirados Árabes Unidos, e esse homem era o próprio pai dele. E Ferith, pela primeira vez na vida, tinha medo de verdade do que viria depois. — Que Alá me proteja! ... No palácio, a quilômetros dali, Sheik Khalid Al-Mansour também não dormia. Sentado na varanda privada, com um copo de chá na mão, ele relembrava os olhos verdes e a voz firme daquela russa. Pela primeira vez em décadas, algo havia mexido com ele de verdade. E ele já havia ordenado a um assessor: “Descubra tudo sobre Melina Petrova. Tudo.” O destino dos três estava selado. Mas nenhum deles sabia ainda como.O Fim e o Começo Meses se passaram como um sonho lento e quente, daqueles que a gente não quer acordar. O casamento de Khalid e Melina não foi apenas uma cerimônia, foi o início de uma vida que nenhum dos dois imaginava possível. O palácio Al-Mansour, antes um lugar de tradições rígidas e silêncios pesados, ganhou risadas, música suave nos corredores, o tilintar de moedas de dança vindo da sala espelhada onde Melina ensinava Laila e, aos poucos, outras mulheres da família e amigas próximas. Melina não parou de dançar. Ela apenas mudou o palco. Em vez de shows públicos, ela dava aulas particulares para mulheres, esposas, filhas, primas de famílias influentes. Ensinava a dança do ventre como arte, como expressão, como forma de se reconectar com o próprio corpo. E, secretamente, em sessões mais íntimas, ensinava variações sensuais e eloquentes, movimentos que as alunas poderiam usar exclusivamente para os maridos. “A dança é poder”, dizia ela às mulheres, sorrindo. “Use-o onde quiser
O Amanhecer na Ilha Amanheceu na ilha como se o próprio sol tivesse sido feito para eles. A luz dourada entrava pelas frestas das cortinas de linho branco, riscando o quarto em faixas quentes que dançavam sobre a cama king-size. Melina dormia de lado, completamente nua, lençol embolado nos pés, cabelos pretos espalhados como tinta sobre o travesseiro. A pele clara brilhava com o suor leve da noite anterior, marcas rosadas ainda visíveis na curva da bunda e no pescoço, lembranças do chicote, das algemas, dos dentes dele. Khalid acordara horas antes. Não conseguia dormir. Não queria. Estava deitado de lado, apoiado no cotovelo, olhando para ela como se fosse a primeira vez. O pau duro feito pedra, latejando contra a barriga, tesão de touro, quase doloroso de tão intenso. Ele nunca se sentira tão vivo. Aos 55 anos, depois de décadas de poder, de casamentos por obrigação, de noites frias mesmo em camas quentes, ele finalmente entendia o que era desejo puro, sem máscaras, sem controle.
A Ilha e a Noite de Núpcias O avião pousou suavemente na pista privada da ilha. O céu estava tingido de laranja e rosa, o mar calmo refletindo as cores como um espelho vivo. A ilha era pequena, deserta exceto pela equipe mínima que Khalid mantinha: cozinheiros, governanta e seguranças invisíveis posicionados em pontos estratégicos. Nenhum sinal de presença humana à vista. Bangalôs sobre a água, palmeiras balançando ao vento, areia branca que parecia brilhar sob o sol poente. Privacidade absoluta. Khalid segurou a mão de Melina enquanto desciam a escada do avião. Ele a levou direto para o bangalô principal, o quarto de núpcias. Quando abriram a porta, o ar estava perfumado com jasmim e sândalo. Velas flutuantes em bacias de água, pétalas de rosa vermelhas espalhadas pelo chão e na cama king-size coberta por lençóis de seda branca, uma garrafa de champanhe gelada ao lado de duas taças, frutas frescas cortadas em bandejas de prata. Tudo perfeito. Tudo preparado para eles. — É lindo —
A Festa e a Partida para a Lua de Mel O salão principal do castelo antigo estava transformado em um sonho acordado. Lustres de cristal pendiam como constelações, refletindo luz dourada sobre milhares de velas flutuantes em fontes de água perfumada. Mesas longas cobertas de linho branco, arranjos de rosas brancas e orquídeas douradas, pratos de prata com cordeiro assado, tâmaras recheadas, baklava crocante e champanhe francês servido em taças de cristal. A música era uma fusão perfeita: orquestra árabe tocando melodias clássicas, misturada com toques de violinos russos e percussão que convidava ao movimento. Khalid estava no centro de tudo, e ao mesmo tempo distante. Vestia thobe branco com bordados dourados pesados, o anel de casamento simples de platina brilhando no dedo. Ele recebia cumprimentos com a postura de sempre: cabeça erguida, sorriso contido, voz grave e educada. Líderes árabes, embaixadores europeus, filantropos internacionais, artistas famosos, todos passavam por ele,
O Grande Dia Três dias. Três dias inteiros sem ver Melina. Para Khalid Al-Mansour, que comandava reuniões de cúpula com líderes mundiais sem piscar, que assinava contratos de bilhões sem hesitar, que enfrentava crises diplomáticas com frieza de aço, três dias sem tocar nela foram uma eternidade. Ele não dormia direito. Mal comia. Andava pelos corredores do palácio como um leão enjaulado, olhando para o relógio a cada cinco minutos. Melina havia imposto a tradição russa que ela queria: “Não me veja antes da cerimônia. Três dias sem contato. É importante para mim.” E ele aceitara. Porque a amava. Porque ela pedira. Mas agora, na manhã do casamento, a ansiedade o consumia. Os pais e familiares de Melina haviam chegado dois dias antes em um jato particular, o pai Viktor ainda desconfiado, mas orgulhoso; a mãe Irina chorando de emoção ao ver o palácio; tios e primos boquiabertos com o luxo. Eles foram hospedados na ala de convidados, tratados como realeza, mas Khalid mal teve tempo de
A Paz Antes do Casamento Meses se passaram como areia fina entre os dedos, rápidos, dourados, cheios de alegria e preparação. O palácio Al-Mansour transformou-se em um formigueiro de costureiras, floristas, joalheiros e conselheiros. Melina vivia entre provas de vestido, aulas de etiqueta árabe refinada (que ela aceitava com bom humor, mas sem perder o brilho desafiador nos olhos verdes), reuniões com estilistas internacionais e noites longas ao lado de Khalid quando ele estava presente. Khalid, porém, ficou muito tempo longe. Compromissos diplomáticos se acumulavam: cúpulas em Riad, negociações em Genebra, visitas de Estado em Pequim e Washington. Ele prometeu, e cumpriu, passar metade das tarefas administrativas e representativas para Ferith. O filho, que antes carregava o peso do ressentimento, agora parecia renascer. Jasmine estava grávida de quatro meses, barriga discreta mas visível, e Ferith andava radiante: segurava a mão da esposa em público, sorria mais, falava com orgulho







