Mag-log in***
Fiquei no meu cubículo esperando minha nova chefe me chamar. Ainda não tinha trocado uma palavra com ela e confesso que estava ansioso por isso.
Com certeza iríamos nos dar bem.
A porta da sala, que antes era a do Mike, se abriu e Emma apareceu.
— Harry Snow? — Ela me chamou com a voz amigável.
— Aqui — disse, levantando-me da cadeira com uma velocidade desnecessária.
— Você pode vir aqui, por favor?
Assenti, caminhando em sua direção.
Quando entrei na sala, Emma já estava sentada em sua cadeira. E por Deus! Ela era ainda mais bonita de perto.
— Snow, eu gostaria de saber se você já enviou o contrato para o dono da Boate K'kiss — disse ela. Pude notar uma mudança significativa em seu tom de voz. Também não estava me encarando.
— Enviei hoje pela manhã, como foi combinado.
— Cancele.
— O quê? — Acabei falando um pouco alto, devido ao susto.
— Você é surdo? Eu disse cancele — repetiu ela, concentrada na tela do computador.
Franzi o cenho, um pouco atônito.
— Eu não posso fazer isso. O contrato foi assinado pelo Mike…, digo, pelo senhor Vegar.
— Dê o seu jeito. Você é pago para isso — replicou, simplesmente.
Admito que fiquei um pouco pasmo com a arrogância repentina dela. Eu perdi alguma coisa?
— Mas eu teria que ter um belo motivo para cancelar o contrato… — Articulei.
— Invente qualquer coisa. Eu não me importo. — Ela balançou a mão no ar. — Eu quero essa boate para mim. O espaço dela, para ser mais clara — explicou, e então começou a digitar freneticamente no teclado do computador.
Como ela conseguia se concentrar na conversa e ao mesmo tempo escrever com tanta rapidez?
— Nenhum Presidente pode comprar um imóvel que vem para cá. Isso é contra as regras — falei, e logo me arrependi amargamente.
— Está tentando me ensinar como comandar um Setor? — Emma parou de digitar e me encarou. Fodeu! — Saia por aquela porta e só volte com o contrato cancelado, Snow. Caso contrário, adorarei te transferir para outro Setor mais incompetente.
Empalideci na mesma hora.
— Sim, senhora — disse, com a voz áspera.
— Senhorita — corrigiu ela, voltando a digitar.
Dei as costas e saí da sala.
Esse é um daqueles momentos em que a frase “não julgue o livro pela capa” faz todo o sentido. Minha nova chefe na verdade era uma megera arrogante.
Puta que pariu.
Sentei-me na cadeira do meu cubículo com tanta força que pensei até que iria cair.
— O que aconteceu lá dentro para você sair assim com essa cara de búfalo nervoso? — Perguntou Isaac, encostando-se na divisória entre meu cubículo e o dele.
— Aquela vaca quer que eu cancele o contrato — falei, quase rosnando.
— Que vaca?
— A senhorita Bright! — Fiz cara feia ao proferir o nome dela.
— Por que você já está chamando a sua chefe de vaca no primeiro dia de trabalho dela? Qual é o seu problema?
— Qual o meu problema?! — Gritei. — Qual é o problema dela, você quer dizer? Ela quer que eu cancele um contrato assinado que enviei hoje pela manhã. Sabe quanto trabalho dá para fazer isso?
— E qual a razão de ela fazer isso?
— Ela quer o imóvel — resmunguei.
— Mas ninguém pode comprar os imóveis que vêm para cá — ele cruzou os braços, intrigado.
— Eu sei. Disse isso a ela, o que ganhei foi um sermão e uma ameaça. Se eu não conseguir fazer isso hoje, ela vai me trocar de Setor.
— Nossa… — Isaac ergueu as sobrancelhas — Eu pensei que ela era legal.
— Legal é o cacete. Por trás daquele rostinho bonitinho tem uma naja que sabe muito bem como dar o bote — resmunguei mais uma vez.
— É, meu amigo... Bem-vindo ao time dos que tem um chefe insuportável. — Cantarolou Isaac, voltando sua atenção para o próprio computador.
Murmurei pelo menos cinco palavrões antes de começar a pensar no que fazer, mas sem sucesso. Quando pensei em pedir ajuda ao meu companheiro ao lado, antes que ele fosse embora, para que me desse alguma ideia do que usar como desculpas para cancelar um contrato valioso que passei semanas trabalhando, escutei uma voz feminina e autoritária atrás de mim.
— Eu pensei que tinha mandado você trabalhar, Snow. — Virei-me. Emma estava parada a dois metros da minha cadeira. — Você é pago para trabalhar e não para ficar de conversa fiada.
Ajeitei minha posição na cadeira e comecei a digitar coisas aleatórias no documento aberto no Word, só para não dizer nada a ela. Convenhamos, a minha resposta não seria agradável.
Emma passou por mim e cumprimentou o Isaac, de soslaio pude ver que até sorriu para ele.
Sério?
A senhorita Bright caminhou em direção ao elevador, com passos firmes, fazendo seus saltos produzirem um barulho irritante ao se chocarem contra o piso de mármore, e entrou no equipamento.
— Não diga nada. Eu vi que ela foi simpática com você, mas comigo foi o contrário — disse antes que Isaac abrisse a boca para proferir algo.
— Vai ver foi ódio à primeira vista — ele deu de ombros, prendendo o riso.
— Como você é engraçado — disse, com desdém. — Vai logo embora, Isaac.
— Não quer ajuda?
Ponderei, olhando para o elevador por um tempo, para ter certeza de que a senhorita Bright não iria aparecer.
— Melhor não. É bem provável que a megera apareça e diga que sou incompetente ao ponto de não conseguir trabalhar sozinho — praticamente rosnei.
— Acho que você exagerou um pouco, mas vou embora antes que você desconte o seu ódio em mim. — Ele se levantou da cadeira, arrumando suas coisas. — Tchau, Harry. Te vejo às sete no bar?
— Se eu tiver 1% de paciência quando acabar isso aqui, irei.
— Ok. Te vejo lá, então.
Isaac saiu do cubículo dele e caminhou até o elevador. Voltei a atenção para a tela do meu computador. Procurei na lista interminável dos últimos contratos fechados o número de contato do quase novo proprietário e liguei para ele.
Se eu conseguisse cancelar o contrato, ainda teria que preparar a papelada da multa por quebra de acordo. Ou seja: mais trabalho.
***
Depois de escrever um relatório de cinco páginas e ler três vezes, mandei o documento para o e-mail do senhor Miller — que seria o dono —, e imprimi uma cópia para entregar à senhorita Bright, já que eu ainda não tinha o e-mail dela. Coloquei o relatório dentro de um envelope e fui até sua sala, dando duas batidas na porta.
— Pode entrar — disse ela.
— Com licença. — Entrei na sala, me aproximando da mesa. — Vim entregar o relatório que eu enviei para o senhor Miller.
— Você poderia ter enviado para o meu e-mail.
— Poderia, se o tivesse. — Talvez, só talvez, minha voz tenha soado rude. Realmente não gostei de como ela me tratou mais cedo.
— Ah, é..., tinha esquecido. Deixe-me ver isso. — Entreguei o envelope. Antes que pudesse sair rapidamente de sua sala, ela continuou: — Tenho dois contratos para você fazer um resumo e quero que analise o rendimento de uma empresa de bebidas. Os contratos são para hoje.
— Hoje? — Quase gritei. Eu tinha que aprender a controlar meu tom de voz quando era surpreendido.
— Como sempre: surdo.
— Não tem possibilidade de entregar isso hoje. O meu horário já acabou.
— Você sai às cinco e meia?
— Não. Às três. — É por isso que eu amo as segundas-feiras; chego tarde e saio cedo.
— Então me traga os três, prontos..., amanhã.
— O quê? — Assumi a minha maior cara de incrédulo. — Eu não vou passar a noite em claro fazendo isso.
— Você é meu assistente e faz o que eu mandar — retrucou.
Em minha defesa, eu não era o tipo de assistente que recusava trabalho, sempre fazia o que o Mike mandava com maior prazer, afinal, para mim era uma experiência e aprendizado. Mas a senhorita Bright tinha um jeito autoritário demais, parecia que com três palavras ela me resumia em um simples lacaio, para ser mais claro.
Ou talvez eu só esteja exagerando e deva calar a boca e obedecer.
Emma ficou me encarando por longos segundos. Eu não disse uma sílaba sequer, mas estava olhando fixamente em seus olhos.
Estávamos em um momento muito desconfortável, mas a minha mente só divagava no quanto ela era bonita — mesmo sendo uma chata. — Dessa vez eu estava mais perto dela. Meus olhos percorreram suas pernas torneadas, meu coração começou a bater mais forte à medida em que seu perfume amadeirado invadia as minhas narinas.
Emma começou a falar algo, mas eu não prestei a mínima atenção.
Estava imaginando como seria beijá-la.
Acho que gosto de mulheres raivosas, afinal.
— Snow? — Meu devaneio se desfez quando escutei a voz da mulher soar mais grave. — Algum problema?
— O que disse? — Senti minhas bochechas corarem. Merda.
— Disse que você pode levar os três e me trazer em quatro dias. E não adianta arrumar mais desculpas, eu quero em quatro dias, já sabe o que te aguarda se não fizer. — Ela me entregou os envelopes. — Agora saia, estou cansada da sua cara.
— Ótimo — foi tudo que consegui dizer.
Não, eu não gosto dela.
Virei-me e saí da sala.
Isaac tinha razão. Foi ódio à primeira vista.
Peguei meu paletó, que estava pendurado na cadeira, minha maleta e caminhei para o elevador.
Minha cabeça começou a latejar só de pensar no quanto eu teria que trabalhar pela noite.
Chegando ao trigésimo andar do Royal Garden, caminhei calmamente pelo longo corredor. Eu nunca cheguei a apertar a campainha daquele apartamento, então eu não fazia a menor ideia de onde ela ficava, e como um tolo, fiquei procurando. De repente, a porta se abriu e a Elena apareceu.— O que você estava fazendo? — Ela perguntou.— Procurando a campainha.Ela deu risada. Não entendi o porquê dela estar rindo.Era algum erro procurar uma campainha na casa de uma pessoa banhada em dinheiro?— Não tem campainha manual. Sempre que o elevador chega ao trigésimo andar, toca uma campainha automática.Como só a Emma mora aqui, é evidente que a visita é para ela.— Entendi — falei, contendo o meu tom de voz para não soar tão impressionado. — A senhorita Bright está?— Entre — Elena me deu passagem. — Ela está no quarto, você sabe onde fica. — A mulher deu um pequeno sorriso e se afastou.Em plena segunda-feira de manhã eu já estou sendo constrangido.Mantendo o resto de calma que me sobrou, caminh
Aproveitei o domingo de manhã para me exercitar, tinha muito tempo que não ia para a academia. Passei quatro horas no estabelecimento, saí de lá apenas quando já estava exausto.Antes de ir para casa, comprei um sanduíche de peito de peru com alface em uma lanchonete. Como estava suado e fedido, não fiquei por lá.Ao chegar no segundo quarteirão antes da minha casa, encontrei uma garotinha quase dentro de um cesto de lixo, apoiada em uma caixa, tentando pegar algo no lixo. Ela era muito pequena, poderia até cair dentro do cesto, caso se esticasse mais. Ao me aproximar, vi que ela conseguiu pegar algo de dentro: um saco manchado. A garotinha o abriu e tirou o que tinha dentro, que eram restos de comida. Ela cheirou e balançou a cabeça, quando fez menção de colocar aquilo na boca, gritei:— Não faça isso! — Ela olhou para mim assustada e se encolheu ao lado do cesto. Aproximei-me devagar, a criança fechou os olhos, tremendo. — Eu não queria ter gritado com você, me desculpe — disse bran
Chegamos em Doncaster às nove e vinte. Pegamos um táxi e fomos para o estádio. Demorou menos de dez minutos até lá. Passei na bilheteria e peguei as credenciais. Fui direto falar com Landon no campo.— Lan! — Gritei, acenando.— Até que enfim você chegou, cacete! — Ele correu em minha direção, me abraçando assim que chegou perto.— Você é um apressado sem paciência! — Retruquei, olhando ao redor. — Isso aqui está bastante cheio, não é?— Sim, da última vez não tinha nem metade disso. — Os olhos do meu amigo se voltaram para a mulher atrás de mim. — Oi, Emma. — Ele acenou para a ela. — Obrigado por vir, e desculpa se ficar entediada, esse não é o melhor lugar para um encontro.Olhei feio para o Lan.— Isso não é um encontro — murmurei.— Eu gosto de futebol — respondeu Bright, dando de ombros, e ignorando o comentário do Landon.— Sério? — Perguntei, virando o corpo em sua direção.— Sim. Eu sempre joguei na escola, desde que tinha treze anos. E fui capitã do time na faculdade.— Isso
Porra.Eu fiz de novo.E dessa vez foi pior.Fiz sem culpa alguma.Eu realmente a fodi como queria. A toquei e pedi para fazer as coisas que eu queria.Ah, maldita Emma!Mas... o que eu poderia fazer? Emma Bright era uma tentação; sua pele macia, que não sentia a menor vontade de parar de tocar; seus lábios bons de beijar, que se não fosse pela falta de ar, não os afastaria dos meus por um bom tempo; seu gemido era o mais prazeroso que já escutei em toda minha vida de fornicação. Não dá para vencer.Será que consigo manter essa casualidade? Será que vamos manter?Ah, estou pensando demais, de novo.Alguns minutos depois, ainda na cama, quase pegando no sono, levantei-me e comecei a pegar minhas roupas no chão.— O que você está fazendo? — Emma perguntou, ainda deitada na cama.— Humm... Pegando a minha roupa para vestir. — Não a encarei.— Por quê? Você disse que gosta de dormir sem roupa.— É que eu ten… Eu disse? — Franzi o cenho. Não me lembrava de fornecer aquela informação a ela.
— Emma… — Sua voz saiu rouca, mas ele não se afastou.— Está melhor assim ou você quer que eu continue? — Indaguei. Já decidida, sentei-me em seu colo, colocando uma perna em cada lado de seu corpo. Senti o volume (ele é rápido) e aproveitei o momento para fazer fricção.— Emma… — Agora foi um gemido.Calei sua boca com um beijo, movendo as minhas mãos para abrir sua camisa. Não demorou muito para Harry ser vencido e aproveitar o que estava acontecendo, seus dedos se emaranharam nos meus cachos, puxando-os moderadamente, enquanto seus lábios devoravam os meus com mais intensidade no beijo.Não fiquei muito tempo ali, pois queria ir para a melhor parte. Saí do colo dele e o puxei pela mão. Quando se levantou, Harry voltou a me beijar. Fui conduzindo-o até o meu quarto, sem pararmos de nos beijar
· semanas antes · — Senhorita Bright, pretende ficar com o assistente do senhor Vegar ou quer selecionar outro? — Perguntou Isabella, do RH.Eu mal tinha chegado a Londres e já estava sendo bombardeada com vários trabalhos e problemas.— O assistente do senhor Vegar é tão incompetente quanto ele? — Questionei, organizando algumas pastas na minha sala provisória.A mulher à minha frente ficou sem reação por um tempo.— Hã... Aqui está a pasta dele. — Ela me entregou os papéis. — Ele é formado em Administração na melhor faculdade aqui de Londres, e está aqui na Bright’s há cinco anos. Nunca houve reclamações, então acredito que ele é bom.Assim como o chefe do primeiro Setor?Abri a pasta com as informações do assistente. A primeira coisa que vi foi um par de olhos verdes como esmeraldas me encarando, uma foto do Harry Snow. Antes de terminar de ler as informações, um sorriso animado tomou conta do meu rosto.— Deixe-o comigo por enquanto — informei para Isabela, devolvendo a pasta.Vam







