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CAPÍTULO 87: O PESO DA VERDADE

Autor: Isa S
last update Data de publicação: 2026-07-22 07:48:06

Lorenzo

Sexta-feira à noite. Os dias têm passado de forma torturante, arrastando-se como se as horas fizessem questão de prolongar cada segundo da minha ruína. O silêncio dentro da minha cobertura se tornou um vizinho barulhento, que não me deixa esquecer por um instante sequer o vazio que se instalou aqui. Mas nada foi pior do que o jantar na casa do meu pai. Omitir de Giusepp o que estava acontecendo, olhar nos olhos do meu pai que transbordava orgulho e mentir na sua cara foi horrível. Aquel
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  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 204: A HERANÇA DO AMOR

    LorenzoQuando o SUV do Matteo encostou em frente à alfaiataria tradicional no centro da cidade, senti como se pudesse finalmente puxar o ar para dentro dos pulmões com um pouco mais de leveza. A frustração de ter encontrado a casa de Chiara vazia ainda queimava no meu peito, mas a proximidade do dia seguinte exigia que eu deixasse a raiva do lado de fora. Eu precisava resgatar a minha paz. Pela Samanta, pela Valentina e por mim.Entramos no estabelecimento de fachada clássica e portas de vidro jateado. Assim que o sino da porta tocou, avistei Alessandro sentado em uma das poltronas de couro do ambiente. Ele usava uma camisa social com as mangas dobradas até os cotovelos e mantinha um copo de uísque entre os dedos.— Já estava achando que vocês tinham sido engolidos pelo trânsito — disse Alessandro, levantando-se com um sorriso largo assim que nos viu. — O meu terno já está provado, aprovado e devidamente embalado no balcão. Estava só esperando o noivo dar o ar da graça.— Tivemos uns

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 203: O RASTRO DA COVARDE

    LorenzoO trajeto até a casa de Chiara foi consumido por um silêncio pesado e claustrofóbico. Dentro do carro do Matteo, o único som que se ouvia era o ronco surdo do motor e o barulho dos pneus cortando o asfalto. No banco da frente, eu mantinha meus punhos fechados sobre os joelhos, enquanto Heitor, no banco de trás, encarava a janela com o olhar fixo e o maxilar rígido.Quando Matteo reduziu a velocidade para entrar no condomínio de alto padrão, não precisamos sequer passar pelo processo burocrático da portaria. Aquele era o mesmo condomínio fechado onde o tio do Matteo morava há anos; o guarda na guarita apenas reconheceu o rosto dele, acenou com a cabeça e liberou a cancela imediatamente, sem solicitar autorização prévia para o endereço da Chiara.Matteo acelerou pela alameda arborizada e dobrou à esquerda, parando o carro logo em frente à fachada moderna e imponente da residência.— É aqui — avisou Matteo, desligando o motor.Saltamos do carro praticamente ao mesmo tempo. O ar d

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 202: RUMO AO COVIL DA COBRA

    LorenzoA sexta-feira finalmente nasceu. Faltavam exatamente vinte e quatro horas para o momento mais importante da minha vida: o nosso "sim".Abri os olhos com a luz do sol atravessando as frestas da cortina do nosso quarto. O peso do dia anterior ainda reverberava nos meus ombros, mas antes mesmo que eu pudesse me sentar na cama, o visor do meu celular acendeu na mesinha de cabeceira. Ergui o aparelho e vi uma sequência de mensagens do Alessandro enviadas logo ao amanhecer:“Irmão, os homens da segurança privada já estão cientes e vão acompanhar o trajeto da Samanta e das meninas. Como vocês estão? Fique calmo. Vai dar tudo certo hoje e amanhã.”Soltei um suspiro profundo, expelindo o ar acumulado no peito que eu nem sabia que estava prendendo. A solidariedade do meu irmão me dava um ponto de apoio necessário no meio daquela turbulência.Virei o rosto para o lado esquerdo do colchão. Samanta dormia profundamente, o rosto sereno finalmente desprovido das sombras de terror que o consu

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    LorenzoA sexta-feira finalmente nasceu. Faltavam exatamente vinte e quatro horas para o momento mais importante da minha vida: o nosso "sim".Abri os olhos com a luz do sol atravessando as frestas da cortina do nosso quarto. O peso do dia anterior ainda reverberava nos meus ombros, mas antes mesmo que eu pudesse me sentar na cama, o visor do meu celular acendeu na mesinha de cabeceira. Ergui o aparelho e vi uma sequência de mensagens do Alessandro enviadas logo ao amanhecer:“Irmão, os homens da segurança privada já estão cientes e vão acompanhar o trajeto da Samanta e das meninas. Como vocês estão? Fique calmo. Vai dar tudo certo hoje e amanhã.”Soltei um suspiro profundo, expelindo o ar acumulado no peito que eu nem sabia que estava prendendo. A solidariedade do meu irmão me dava um ponto de apoio necessário no meio daquela turbulência.Virei o rosto para o lado esquerdo do colchão. Samanta dormia profundamente, o rosto sereno finalmente desprovido das sombras de terror que o consu

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 201: INSTINTO MATERNO

    SamantaSofia sentou-se bem ao meu lado no sofá, envolvendo minhas mãos trêmulas entre as suas. Ela tentava a todo custo me acalmar, transmitindo uma firmeza que o meu peito desesperado mal conseguia absorver naquele momento.— Sam, olha para mim... tenta puxar o ar devagar — pediu Sofia, acariciando meus dedos com carinho. — Vai dar tudo certo, a polícia já está cuidando disso. E o Lorenzo está coberto de razão, amiga. Com a segurança da sua família não se brinca! Se for preciso colocar homens armados em cada canto, que coloque.Engoli em seco, limpando uma lágrima teimosa que escorria pela minha bochecha. O terror de ter visto aquele animal peçonhento se mexer dentro da caixa ainda fazia meu coração desacelerar e acelerar em impulsos desordenados.Sofia virou o rosto na direção de Lorenzo, que andava a passos largos pela sala, a mandíbula tão travada que parecia prestes a quebrar.— Lorenzo... pelo amor de Deus, quem no mundo seria capaz de mandar uma monstruosidade dessas para a Sa

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 200: A AMEAÇA SILENCIOSA

    Samanta A porta da frente se escancarou com violência, e a figura de Lorenzo surgiu no hall de entrada. Mas antes mesmo que ele pudesse dizer um "boa noite", seus olhos bateram na minha figura encolhida contra o sofá e no pavor estampado no rosto de dona Sônia. — Samanta?! O que está acontecendo?! — o tom de Lorenzo veio carregado de um alarme imediato. Ele deu três passos largos para dentro da sala, mas congelou no lugar assim que olhou para a mesa de centro. Saindo de dentro da caixa preta, um corpo espesso, escamoso e sinuoso deslizava devagar sobre a madeira de demolição. Era uma cobra. Uma serpente viva, erguendo a cabeça e sibilando no silêncio perturbador da nossa sala de estar. — Meu Deus! — esbravejou Lorenzo, movendo-se com uma rapidez impressionante. Ele avançou sem hesitar, puxando-me para trás do seu corpo com um braço firme, blindando-me com o próprio peito. Eu tremia tanto que minhas pernas mal sustentavam o meu peso, agarrada com força ao tecido do seu terno, com

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