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O Arrependimento do Don: Sua Amada Foi Embora
O Arrependimento do Don: Sua Amada Foi Embora
作者: Vesper Shaw

CAPÍTULO 1

作者: Vesper Shaw
Assim que voltei para o nosso quarto, peguei o celular e liguei para o meu advogado.

— Preciso que prepare os papéis do divórcio. Agora mesmo.

Um silêncio atônito veio do outro lado da linha.

— Papéis do divórcio? Don Vitale sabe que você está fazendo isso?

— Ele sabe — respondi.

A mentira arranhou minha garganta, mas forcei as palavras mesmo assim.

— Por favor, apenas me envie os documentos.

Meia hora depois, eu estava diante do pequeno aparador, com a impressora ainda quente. Assinei os papéis do divórcio. Em seguida, escondi todo o maço de documentos debaixo de uma pilha de contas da casa.

Mal tive tempo de controlar minha expressão quando Alessio entrou e, no instante em que seus olhos pousaram em mim, a surpresa atravessou seus traços marcantes.

— Ivy? Pensei que você só voltaria da viagem de negócios na sexta-feira.

Forcei um sorriso.

— Terminei tudo mais cedo. Queria fazer uma surpresa para você.

Ele atravessou o quarto em três passos largos e segurou meu rosto com as duas mãos. O calor de suas palmas costumava ser uma das minhas coisas favoritas no mundo.

Agora, fazia minha pele se arrepiar de repulsa.

— Você finalmente voltou. Senti tanto a sua falta — murmurou ele, passando o polegar pela minha maçã do rosto.

Suas palavras carinhosas me fizeram questionar se a conversa que eu havia escutado não passara de fruto da minha imaginação.

Antes que eu desmoronasse, peguei a pilha de papéis sobre o aparador e a estendi para ele.

— Já que está aqui, pode assinar isto? São apenas algumas contas da casa. Quero resolver tudo de uma vez.

— Claro.

Ele pegou os documentos sem demonstrar a menor desconfiança, tirou uma caneta do paletó e começou a assinar nos locais marcados.

Uma após a outra, suas assinaturas surgiam no papel — elegantes, firmes e completamente despreocupadas.

Observei a caneta deslizar pelos papéis do divórcio escondidos perto do fim da pilha.

Ele nem sequer olhou os cabeçalhos.

Confiava tanto assim em mim.

Ou talvez simplesmente nunca tivesse imaginado que eu faria algo como aquilo.

Quando terminou, devolveu os documentos com um pequeno sorriso.

— Pronto. Mais alguma coisa ou finalmente posso dar um beijo de boas-vindas na minha esposa?

Antes que eu pudesse responder, ele me puxou contra o peito.

Seus lábios se aproximaram dos meus, e entrei em pânico.

Virei o rosto no último instante, fazendo com que o beijo atingisse desajeitadamente o canto da minha boca.

Alessio se afastou, e a confusão escureceu seu olhar.

— O que foi?

Baixei a cabeça, deixando o cabelo esconder minha expressão.

— Nada. Só estou... acabada por causa da viagem. Viajar sempre me deixa exausta.

Sua testa imediatamente relaxou em preocupação.

— Então por que não disse antes? Sente-se.

Ele me conduziu até o sofá.

Seus polegares começaram a fazer círculos lentos na base do meu pescoço e depois subiram para massagear minhas têmporas.

Ele falou em um tom carinhoso:

— Você se esforça demais, querida. Já disse isso umas cem vezes: se esse trabalho está deixando você infeliz, peça demissão. Eu cuido de você.

No passado, palavras como aquelas teriam me feito derreter de gratidão. Eu teria me virado e o beijado.

Mas agora cada sílaba esmagava meu peito.

Apenas assenti e murmurei:

— Talvez você tenha razão. Vou pensar nisso.

Ele beijou o topo da minha cabeça.

— Boa menina. Agora vou tomar um banho rápido. Não saia daí. Já volto.

No instante em que a porta do banheiro se fechou e ouvi a água começar a correr, deixei minha máscara cair.

Afundei nas almofadas, com os olhos ardendo, mas teimosamente secos.

Um zumbido agudo cortou o silêncio do quarto.

O celular dele, deixado sobre o criado-mudo, acendeu com uma ligação.

Caminhei até lá, pensando em entregar o aparelho a Alessio caso fosse algo urgente.

Então vi o nome brilhando na tela:

Hazel.

Meu estômago despencou.

O celular vibrou mais duas vezes antes de ficar em silêncio.

Permaneci imóvel, sentindo o peso do aparelho na mão.

Quando estava prestes a colocá-lo de volta no lugar, a prévia de uma nova mensagem apareceu na tela bloqueada.

"Mal posso esperar para você ver isto."

Meus dedos se moveram antes que meu cérebro pudesse impedi-los.

Digitei a data do meu aniversário.

O celular desbloqueou imediatamente.

Abri a conversa com Hazel.

A mensagem mais recente continha uma única imagem.

Uma ultrassonografia.

Abri a foto.

Ali, em meio aos tons granulados de preto e branco, estava a pequena silhueta curvada de um bebê. Eu já conseguia distinguir o contorno da cabeça.

Aquele era o filho da minha irmã.

E meu marido era o pai.

Pressionei o punho contra a boca para impedir que qualquer som escapasse.

Havia dezoito meses que eu tentava engravidar de Alessio, mas nada acontecia. Os parentes dele estavam cada vez mais insistentes sobre a necessidade de um herdeiro.

Ainda assim, Alessio sempre se colocava diante de mim como um escudo.

— Temos tempo — ele dizia, beijando minha testa. — Eu não preciso de um bebê. Só preciso de você. Teremos o nosso próprio mundinho, apenas nós dois.

Mas fora Hazel quem lhe dera aquilo que eu não conseguira.

Minha própria irmã.

Aquela que nossos pais sempre favoreceram enquanto eu desaparecia no cenário.

Ela sempre conseguira tudo o que eu queria.

E agora também tinha aquilo.

A dor era profunda e esmagadora, como uma faca sendo torcida dentro do meu coração.

Fechei a imagem e bloqueei o celular.

Depois, me ajeitei na cama, apoiada nos travesseiros, e comecei a mexer distraidamente no meu próprio celular, como se nada tivesse acontecido.

Alessio saiu do banheiro alguns minutos depois, com uma toalha presa baixa em seus quadris e gotas de água ainda brilhando sobre os músculos definidos do peito.

Ele olhou para o celular, e eu percebi.

A breve tensão em seu maxilar.

A maneira como seus olhos foram até mim e logo se desviaram.

Ergui os olhos com uma casualidade cuidadosamente ensaiada.

— Está tudo bem?

Ele colocou o celular virado para baixo sobre o criado-mudo.

— Apenas negócios. Uma gangue do sul está tentando tomar o controle de um dos nossos armazéns. Vou resolver isso amanhã.

Senti meu coração afundar.

Ele estava mentindo outra vez.

Alessio se deitou ao meu lado, envolvendo meu corpo com o dele.

Obriguei-me a relaxar, a continuar interpretando o papel da esposa que não sabia de nada por apenas mais alguns dias.

Na manhã seguinte, Alessio mencionou a reunião da minha família enquanto ajustava a gravata diante do espelho.

— Depois de amanhã, na propriedade dos seus pais. Você não precisa ir, Ivy. Eu sei o quanto detesta essas reuniões.

Olhei para ele.

— Por que está dizendo isso?

Ele encontrou meu olhar através do espelho.

— Porque seus pais mal olham para você quando Hazel está no mesmo ambiente. Odeio ver você passar por isso.

Cada palavra era verdadeira e, no passado, eu teria ficado profundamente grata por sua proteção.

Agora eu enxergava o verdadeiro motivo.

Ele não queria que eu estivesse lá porque Hazel estaria presente, com a barriga começando a aparecer sob o vestido de grife.

Reprimi minha amargura.

— Eu vou. É uma reunião de família. Todos estarão lá. Seria estranho se eu não aparecesse.

Algo passou por seus olhos — culpa, talvez, ou desconforto —, mas ele rapidamente disfarçou.

— Tudo bem. Se é isso que você quer.

Eu iria àquela reunião e olharia para os meus pais, que sempre haviam coberto Hazel de carinho enquanto eu permanecia em um canto.

Veria minha irmã, que havia tirado tudo de mim.

E então iria embora para sempre.

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