Home / Romance / O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO / Cecília confronta sua realidade

Share

Cecília confronta sua realidade

last update publish date: 2024-09-10 03:37:37

Agora, com 24 anos, ela era uma mulher madura, endurecida pela vida, e sabia exatamente como lidar com homens assim.Ainda assim, o efeito que Gael tivera sobre ela era inegável.

Suas palavras firmes, sua presença dominadora, e o toque de seus lábios ainda queimavam nos dela, como uma chama que não se apagava.

Ele havia mexido com algo que Cecília pensava estar enterrado profundamente, uma parte dela que ela havia decidido ignorar após a decepção devastadora de seu passado.

Cecília tinha certeza de que jamais veria Gael novamente. Seus mundos eram completamente opostos.

Ele, com toda sua opulência e poder, certamente morava e circulava pelos bairros mais nobres da cidade, enquanto ela vivia no Morro Paraíso, um lugar dominado pelo tráfico e pela violência.

Seus caminhos se cruzaram apenas porque ele, ferido, fora parar no hospital público onde ela trabalhava.

Esse pensamento a trouxe um certo alívio. Homens como Gael representavam perigo, não apenas físico, mas emocional.

Ele poderia destruir sua sanidade, despertar sentimentos que ela jurara nunca mais sentir.

Desde que ouvira aquela conversa cruel anos atrás, Cecília havia fechado seu coração. O trauma daquela traição transformara sua vida. Ela nunca mais se permitiu envolver com ninguém, nem sequer sentiu vontade. Sua vida girava em torno de seus avós e do trabalho no hospital, uma rotina que a mantinha segura, longe de qualquer emoção que pudesse desestabilizá-la. Relacionamentos haviam se tornado algo distante, quase inconcebível.

Porém, Gael, com sua beleza inegavelmente hipnotizante, havia abalado suas estruturas. Apenas um beijo fora suficiente para reavivar algo que Cecília pensava estar morto. E era exatamente isso que a assustava. Não o perigo físico que ele poderia representar, mas o fato de que, pela primeira vez em anos, ela sentia o coração acelerado por causa de um homem e um homem que ela mal conhecera.

Cecília balançou a cabeça, como se quisesse afastar os pensamentos insistentes sobre Gael.

Cecília respirou fundo, forçando-se a retornar à realidade.

Não havia espaço para distrações ou lembranças perturbadoras.

Seu trabalho no hospital demandava total concentração, e ela se recusava a permitir que um único momento de fraqueza interferisse em sua dedicação.

Com uma determinação renovada, ajustou o jaleco e se encaminhou para a próxima sala, onde pacientes a aguardavam.

Cuidar das pessoas e se entregar ao trabalho era o que ela fazia de melhor. Foi esse foco que sempre a manteve firme no caminho certo, longe de qualquer envolvimento emocional que pudesse complicar sua vida. A partir daquele instante, Gael Ferraz estava enterrado em sua mente, assim como qualquer vestígio do beijo que ele lhe roubara.

Ela havia erguido muros ao redor de si mesma, muros que permaneceriam intactos. Cecília jamais permitiria que um homem os derrubasse, muito menos alguém como Gael, frio, arrogante, um homem que acreditava que o dinheiro o tornava superior a todos.

Mas, enquanto ela se concentrava nas tarefas do dia, uma sombra de dúvida pairava sobre ela. O que se passaria se, por acaso, seus caminhos se cruzassem novamente? Cecília não queria pensar sobre isso. Ela precisava manter sua vida sob controle, mas a imagem de Gael, com seu olhar penetrante e o beijo incendiário, parecia teimosamente resistir, mesmo quando ela tentava se perder nas rotinas do hospital.

O dia de Cecília havia sido inquietante desde o tumultuado encontro com Gael.

O pensamento sobre o beijo roubado continuava a atormentar sua mente, mas o turbilhão de eventos que se desenrolaram a seguir era muito mais concreto e ameaçador.

Quando ela desceu do ônibus, que parava algumas quadras do Morro Paraíso, o cenário era de caos.

Viaturas da polícia cercavam a entrada do morro, e o som de tiros de fuzil reverberava pelo ar. A cena era familiar, um triste eco de uma realidade que ela conhecia bem. Cecília sentiu o peso da ansiedade se instalar em seu peito. Ela e outros moradores foram impedidos de subir, barrados pelo forte esquema policial.

A visão de viaturas e o barulho ensurdecedor de tiros a transportaram de volta para a perda de seus pais.

Aquela violência brutal, fruto do confronto constante entre polícia e tráfico, havia levado seus pais embora, deixando-a com uma dor que nunca desapareceria.

Agora, ela tinha a responsabilidade de cuidar dos avós, e a perspectiva de perdê-los a aterrorizava.

O barraco onde moravam estava longe de oferecer qualquer tipo de segurança.

Ela sabia que, quando os tiros começavam, a proteção que aquele lugar oferecia era quase nula. A certeza de que o confronto poderia chegar até lá a mantinha em estado de alerta constante. Ela se perguntava, com o coração apertado, se seus avós estavam a salvo enquanto a batalha se desenrolava nas ruas.

O tempo parecia se arrastar enquanto Cecília esperava, impotente, que o confronto se encerrasse.

A frustração e o medo se entrelaçavam em seu coração, e o desejo de poder fazer algo, qualquer coisa, para proteger sua família se tornava esmagador. A espera era interminável e angustiante.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO   Anos depois... a paz tão sonhada

    O sol se punha, tingindo o céu com tons dourados e rosados enquanto Gael e Cecília caminhavam de mãos dadas pela beira da piscina do luxuoso hotel de Gael. A brisa suave balançava as palmeiras e a música ambiente preenchia o espaço, mas nada disso importava mais do que o que estavam vivendo juntos. Dois anos havia se passado desde o pesadelo que quase os separou, e agora, de alguma forma, eles haviam encontrado a paz. Aquele lugar, o hotel de Gael, tinha se tornado um símbolo do novo começo para os dois. Não era apenas um hotel; era o palco do amor que floresceu, da vida nova que estavam criando juntos, e agora, com os filhos pequenos que tinham, o cenário perfeito para celebrar seu amor. Gael, agora mais sensível e conectado com a dor dos outros, começou a fazer doações generosas para instituições que ajudavam mulheres vítimas de violência, muitas das quais acabavam se prostituindo por motivos que as levaram a caminhos difíceis. Ele sentia que tinha uma missão de ajudar a reconstr

  • O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO   Depois da tempestade a abonancia

    Gael estava imerso em um torpor, mas a dor que sentia no corpo era insignificante perto da angústia que corria em seu coração. Quando ele finalmente abriu os olhos, a luz do hospital era suave, mas ainda assim, ardia nas suas pálpebras. Ele estava em uma cam, uma cama de hospital e o corpo ainda dolorido, mas algo em seus olhos, um brilho de força, não havia se apagado. Cecília estava ali, ao seu lado, segurando sua mão com tanto cuidado e carinho, mas com uma força inabalável que ele conhecia bem. Ela estava cansada, os olhos vermelhos de tanto chorar, mas havia uma expressão em seu rosto que ele nunca esqueceria: alívio. E mesmo com a intensidade dos eventos que haviam passado, havia ali algo em seus corações que os unia ainda mais forte. — Gael, você está comigo. Estamos juntos. — Ela disse, com a voz trêmula, mas cheia de uma esperança renovada. A dor de vê-lo ferido não era nada comparada ao medo de perder tudo. Ela olhou para ele, e em seu olhar, ele viu mais do que sof

  • O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO   Será que é o fim ?

    Gustavo olhou para Gael com desprezo, como se ele fosse um simples insecto a ser esmagado. — Esse merdinha achou que eu ia deixar ele vivo para me chantagear depois, igual a vagabunda da sua mãe fez, e aquela desgraçada da cafetina dela... Sua mãe eu matei por acidente, quer dizer, só antecipei o trabalho sujo que eu ia pagar para alguém fazer por mim. Mas a cafetina, eu matei de propósito, com minhas próprias mãos. — A risada cruel de Gustavo cortou o ar gelado, e Gael sentiu a raiva queimando sua alma. Com uma força renovada, Gael tentou avançar para ele, mas o disparo veio rápido, ensurdecedor. O som do tiro foi como um trovão, e Cecília gritou em pânico ao ver Gael cair no chão, ensanguentado. Ela correu até ele, mas já era tarde. O corpo de Gael estava caído, e a vida dele parecia se esvair a cada segundo. O desespero tomou conta de Cecília, e, em um grito de dor e impotência, ela se ajoelhou ao lado dele. Foi nesse momento que a polícia invadiu o galpão, as sirenes cortando

  • O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO   Resgate dramático

    Gael, com a adrenalina correndo em suas veias, forçava o carro a acelerar, determinado a chegar até Cecília o mais rápido possível. A tensão em seu peito aumentava a cada segundo, o medo de que, ao chegar, algo irreparável já tivesse acontecido com ela. O sangue escorria de seu ombro, mas ele não se importava. O único pensamento que o mantinha consciente era ela, Cecília, e a necessidade urgente de resgatá-la. A estrada à frente estava escura e lamacenta, e, quando ele tentou virar uma curva fechada, o carro perdeu a aderência. O som do pneu derrapando cortou o silêncio da noite, seguido por um grito estridente do motor tentando se recuperar, mas, em um piscar de olhos, o carro deslizou para o lado e, com um barulho seco, colidiu com uma árvore. O impacto foi violento, e Gael foi jogado para frente, o cinto de segurança apertando contra seu corpo. Sua cabeça bateu no volante com força, e ele ficou alguns segundos atordoado, o rosto quente pela dor, tentando recuperar os sentidos.

  • O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO   Uma atitude impulsiva

    Gael entrou no prédio de sua empresa, mas sua mente estava longe. Ele tentou se concentrar nos papéis sobre a mesa, mas a raiva e o ódio cresciam como um incêndio incontrolável. Lembranças do passado o consumiam, e ele sabia que não conseguiria se concentrar até enfrentar o responsável pelo pior dia de sua vida. Ele se levantou de repente, decidido. Pegou as chaves do carro e saiu sem dizer uma palavra. Dirigiu em alta velocidade até o gabinete do senador Gustavo de Castro. A cada quilômetro, sua determinação se intensificava. Ao chegar ao prédio, a segurança tentou impedi-lo, mas Gael estava tomado pela fúria. Com movimentos rápidos e precisos, desarmou e derrubou os seis seguranças que cruzaram seu caminho. Cada golpe era carregado pela dor e pela ira que ele guardava há anos. Finalmente, ele invadiu o gabinete do senador. A porta bateu com força contra a parede, e Gustavo de Castro levantou os olhos assustados. Ele era um homem de 50 anos, com uma aparência impecável e um ar d

  • O CEO FRIO E A ENFERMEIRA DO MORRO   Se preparando para fazer justiça

    Ela ficou imóvel por um instante, o coração disparando. — Quem foi? — perguntou ela, a voz baixa e cheia de apreensão. Gael ergueu a cabeça, fitando-a nos olhos antes de responder: — Um senador. Um homem renomado, respeitado, admirado por todos... — Ele hesitou, como se ainda fosse difícil acreditar. — Mas, na verdade, ele não passa de um assassino covarde. Cecília levou uma mão à boca, abismada. — Um senador? — Ela balançou a cabeça, incrédula. . . — Como alguém assim pode esconder algo tão monstruoso?Eu quero dizer, viver pousando de homem que priva sempre a moral e os bons costumes e ser um monstro desse. Depois de alguns minutos no sofá, Cecília levantou-se e estendeu a mão para Gael, que a segurou com firmeza e se levantou. Sem dizer nada, os dois seguiram para a suíte, onde a tensão acumulada parecia ter dado lugar a uma cumplicidade silenciosa. Gael ligou o chuveiro e, juntos, entraram no box, deixando que a água morna lavasse não apenas seus corpos, mas também parte

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status