Inicio / Máfia / O DON QUE ME ESCOLHEU / 131: Fernando Torrenegro

Compartir

131: Fernando Torrenegro

last update Fecha de publicación: 2025-12-28 00:31:03

"E, quando ela encosta minha mão sobre o ventre mais uma vez, eu entendo: o amor não me matou. Ele apenas mudou de forma. Agora, ele respira — dentro dela.

Dentro do que ainda resta de mim." — Fernando Torrenegro

🖤

Não há silêncio suficiente para abafar o nome dela.

Luna.

Desde que ela partiu, a casa parece um mausoléu — fria, vazia, ecoando lembranças que me dilaceram mais do que qualquer inimigo jamais conseguiu. As paredes guardam o som da voz dela, o cheiro dela, o rastro de uma vida
Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App
Capítulo bloqueado

Último capítulo

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   160: Final

    Fernando TorrenegroSempre acreditei que finais precisavam ser grandiosos. Que só faziam sentido quando vinham acompanhados de sangue, fogo, sirenes e corpos no chão. Um último acerto de contas que justificasse cada perda, cada cicatriz, cada escolha errada feita em nome da sobrevivência. Vivi como quem esperava esse momento — o dia em que tudo explodiria de vez.Eu estava errado.O verdadeiro fim chegou numa manhã comum. Tão simples que quase passou despercebido. O sol atravessou a janela sem pedir licença, tocando o chão como se não soubesse de nada do que já aconteceu ali dentro. Não havia homens armados nos corredores. Nenhum telefone vibrando com más notícias. Nenhum plano sendo traçado em voz baixa.Havia silêncio.O tipo de silêncio que não ameaça. Que não exige. Que apenas existe.Café esfriando na mesa, esquecido porque ninguém teve pressa de bebê-lo. O relógio marcando o tempo sem urgência. E, no quarto ao lado, o som da respiração de Luna — profunda, ritmada, viva. Cada vez

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   159: Fernando & Luna

    "A guerra nunca acaba quando você acha que venceu. Ela apenas muda de rosto."🖤Luna caminha ao meu lado com passos firmes, mesmo sem enxergar o caminho à frente. E isso diz mais sobre coragem do que qualquer arma que eu já empunhei. O prédio fica para trás, mas a presença do pai dela não. Homens como ele não desaparecem - apodrecem lentamente, e no processo tentam levar tudo junto.— Ele vai reagir — digo, entrando no carro. — Não por orgulho. Por sobrevivência.— Eu sei — Luna responde. — É por isso que eu não posso ser poupada dessa parte.Olho para ela. Para o rosto calmo demais para quem acabou de enfrentar o próprio demônio. Pela primeira vez, não a vejo como algo que preciso proteger do mundo. Vejo como alguém que caminha comigo dentro dele.— Eu passei a vida inteira decidindo sozinho — confesso. — Acreditando que amar era uma fraqueza que eu não podia me permitir.Ela vira o rosto na minha direção. Não precisa ver para sentir quando estou nu por dentro.— E agora?— Agora eu

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   158: Fernando & Luna

    FernandoO amanhecer sempre foi meu território. Hora em que decisões se consolidam e os fracos ainda dormem. Mas hoje, o sol nasce diferente. Não me chama para a guerra — me chama para permanecer.Luna está na varanda quando volto com duas xícaras de café. Eu sei que ela ainda não bebe, mas gosta do cheiro. Diz que o aroma ancora o corpo quando a mente quer correr. Entrego a xícara a ela apenas para que sinta o calor. Um acordo silencioso.— Você não dormiu — digo.— Dormi o suficiente — responde. — O que eu precisava resolver… já foi.Há algo novo na postura dela. Não é dureza. É eixo. Luna não se curva mais ao mundo — ela se alinha a si mesma. E isso muda tudo.— Seu pai não vai parar — aviso. Não como ameaça. Como verdade.— Eu sei — ela diz. — Mas agora ele sabe que eu também não.O telefone vibra no meu bolso. O nome que aparece confirma o que já sinto no ar. Lúcio.— Encontraram o homem do hospital — ele diz. — Não vai falar. Mas o rastro aponta direto para Castilho.Fecho os ol

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   157: Luna Castilho

    “Alguns silêncios não pedem respostas — pedem coragem. A minha foi entender que sobreviver ao meu pai significou, finalmente, nascer para mim.”🖤O silêncio que vem depois da guerra é traiçoeiro porque não traz vitória estampada no peito. Ele não explode, não ameaça, não sangra. Apenas se infiltra — lento, persistente — e cobra tudo o que foi adiado enquanto eu sobrevivia. Acordo antes do amanhecer com o coração acelerado, como se meu corpo ainda estivesse atrasado em relação ao mundo. A mão vai ao ventre por instinto, não em pânico, mas em vigília. Há uma vida ali que não conhece o medo que me formou, e essa consciência pesa mais do que qualquer ameaça explícita jamais pesou.Fernando dorme ao meu lado. Sei pelo ritmo da respiração, profundo, inteiro, finalmente sem sobressaltos. É um som que deveria me acalmar — e acalma —, mas também me lembra que algo terminou de verdade. Não o toco. Não por distância. Por respeito. Há lutos que não se dividem no instante em que surgem. Há dores

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   156: Fernando Torrenegro

    “Passei a vida inteira acreditando que sobreviver era vencer. Hoje eu sei: vencer é escolher ficar, mesmo quando o passado ainda tenta puxar você para a guerra.”🖤Os finais nunca chegam com estardalhaço. Aprendi isso cedo demais. Eles não explodem — se dissolvem. Escorrem pelos cantos da rotina, se escondem nos detalhes que só quem viveu em guerra aprende a notar: um guarda dispensado sem substituto, um relatório que não exige resposta, um telefone que permanece mudo por horas sem provocar tensão no peito. É assim que entendo que algo terminou de verdade. Não porque venceu. Mas porque deixou de lutar.O império de Hernán Castilho não caiu com sirenes ou manchetes. Caiu como tudo o que é sustentado por medo: em silêncio constrangido, abandonado pelos próprios ecos.— Confirmado — diz Lúcio, ao entardecer, com aquela voz profissional que sempre tentou esconder o peso das notícias. — Ele saiu do país. Sozinho. Sem aliados. Sem dinheiro suficiente para comprar silêncio… ou lealdade.Fec

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   155: Luna Castilho

    “Lucidez é quando o medo perde o comando e a escolha assume o leme. Eu não caminho porque é seguro — caminho porque, pela primeira vez, sei exatamente para onde estou indo.”🖤O dia nasce sem cerimônia. Não há presságios no ar, nem aquela pressão invisível que costumava apertar meu peito sempre que algo importante estava prestes a acontecer. Não há sirenes internas. Não há fuga mental. O que existe é outra coisa — mais rara, mais difícil de sustentar: lucidez. Uma clareza quase desconfortável, porque não me oferece desculpas.Visto-me devagar. Cada movimento carrega o eco de noites mal dormidas, de decisões que exigiram mais de mim do que eu sabia ter. Ainda assim, meu corpo responde. Não com pressa. Com presença. O ventre pesa diferente hoje. Não é fragilidade. Não é medo. É consciência. Há alguém aqui dentro que ainda não entende palavras, mas sente mudanças. Sente quando o mundo deixa de girar em torno da violência e passa a girar em torno de escolhas.Passo a mão pela barriga qua

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status