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Capítulo 73 — Sangue e Prazo

Autor: A.C. Borges
last update Data de publicação: 2026-07-18 14:18:18

POV: JADE

O clique do telefone satelital encerrando a chamada foi abafado pela chuva forte batendo nas telhas de zinco da oficina. Eu continuei encostada na mesa de madeira do Tadeu, sentindo o frio do tampo atravessar a calça jeans molhada.

— Santos — repeti, o som das minhas próprias palavras saindo oco na garagem escura. — Alguém abriu o arquivo lá.

Rafael não respondeu de imediato. Guardou o telefone no bolso e foi direto até o Opala azul desmontado onde Igor estava escorado. O ombro esq
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  • O DONO DO TIGRINHO   Capítulo 112 — Página Doze

    POV: JADEO apartamento que compramos juntos, seis meses depois do casamento, tinha uma varanda pequena de frente para o quintal comum do condomínio. Não era o terraço do Itaim Bibi. Não era nenhuma cobertura que tivesse feito parte da nossa história. Era só um apartamento de casal comum, num bairro comum, com vizinhos que não sabiam nada sobre Malta Ventures, Tiger Bet ou o resto do passado que a gente tinha deixado pra trás.Estava na mesa da cozinha, numa quinta-feira comum, com o notebook aberto na minha frente, quando Rafael entrou trazendo dois envelopes que tinham chegado pelo correio naquela tarde.— Um é seu — ele disse, entregando o primeiro, um envelope grosso com o timbre do Ministério Público. — E o outro é nosso.Abri o meu primeiro. Era a confirmação oficial: o Cláusula Doze tinha sido convidado a se tornar parceiro permanente da nova secretaria de proteção ao consumidor digital, com financiamento público garantido pelos próximos três anos.— Rafael — falei, a voz trava

  • O DONO DO TIGRINHO   Capítulo 111 — Todo Mundo na Mesa

    POV: RAFAEL O casamento aconteceu num sítio pequeno na Serra da Cantareira, longe o suficiente de qualquer prédio corporativo pra parecer outro mundo, perto o suficiente pra todo mundo chegar em menos de uma hora de carro. Não convidamos imprensa, não fizemos anúncio nas redes do Cláusula Doze, não avisamos ninguém do conselho de Valletta além do estritamente necessário pra logística de segurança discreta. Era um dia nosso, dos poucos que conseguíamos manter completamente livres de holofote depois de tudo que tínhamos atravessado em público. Fiquei parado debaixo do arco de flores brancas improvisado, ajustando a gravata pela décima vez, enquanto Igor, ao meu lado como padrinho, revirava os olhos. — Você sobreviveu a tiroteio em Santos sem suar essa quantidade — ele comentou, baixo. — Relaxa, chefe. — Isso é diferente — respondi, sentindo o coração bater mais forte do que em qualquer confronto armado que já tinha enfrentado. — É — Igor concordou, o tom ficando sério por um segun

  • O DONO DO TIGRINHO   Capítulo 110 — Um Ano

    POV: JADE Um ano depois, o estúdio da Vila Madalena já tinha dobrado de tamanho, ocupando o andar inteiro do prédio que antes dividíamos com uma produtora de podcast que nunca decolou de verdade. O Cláusula Doze empregava seis pessoas agora, incluindo dois advogados de plantão e uma equipe de moderação que filtrava as centenas de mensagens que chegavam todo dia. Estava sentada na minha mesa, revisando o roteiro de uma nova série de vídeos sobre contratos de afiliados digitais, quando Rayssa bateu na porta do escritório, um envelope grande na mão. — Chegou pelo correio — ela disse, entregando o envelope. — Parece oficial. Abri, encontrando um convite formal do Ministério Público, convocando o Cláusula Doze pra participar como parceiro técnico numa nova comissão parlamentar, dessa vez focada em regulamentação de contratos de influenciadores digitais em nível nacional. — Eles querem a gente lá — falei, sentindo o peso bom daquela frase. — Oficialmente, como consultoria. — Faz senti

  • O DONO DO TIGRINHO   Capítulo 109 — O Que Sobrou do Russo

    POV: RAFAEL O telefone tocou durante o jantar, um número que eu não reconhecia imediatamente, mas que trazia o prefixo internacional que já tinha aprendido a associar com más notícias ou revelações inesperadas. — Pode ser importante — falei, me levantando da mesa, Jade continuando a comer o risoto que eu tinha preparado, os olhos me acompanhando com curiosidade discreta. Atendi, saindo pra varanda pequena do apartamento novo. — Rafael Lima — a voz do outro lado era formal, com um sotaque que eu reconheci depois de alguns segundos como policial internacional, talvez Interpol. — Meu nome é agente Ferreira, ligando a pedido do Lorenzo Valchiera. Preciso confirmar uma informação com o senhor. — Pode falar — respondi, o corpo tenso apesar de tudo. — Localizamos um corpo na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, próximo a Ponta Porã, há três dias. As digitais conferem com o registro internacional de um indivíduo conhecido pelo codinome "o Russo", associado à estrutura da Malta Venture

  • O DONO DO TIGRINHO   Capítulo 108 — Cláusula Doze, Ao Vivo

    POV: JADE Quatro meses depois da sentença, o estúdio que eu tinha alugado na Vila Madalena parecia impossivelmente diferente daquele quartinho apertado da Consolação onde Henrique costumava gravar meus vídeos de propaganda disfarçada. Paredes brancas, iluminação profissional, um fundo neutro que eu tinha escolhido justamente pra não distrair de nada além do conteúdo. Ajeitei o microfone lapela, checando o enquadramento na tela do notebook conectado à câmera. — Nervosa? — Rayssa perguntou, sentada num banco alto ao lado do tripé, ajudando a controlar os comentários que já começavam a se acumular na live de pré-lançamento. — Um pouco — admiti, sentindo o estômago revirar do jeito bom, não do jeito que eu tinha aprendido a temer nos últimos meses. — É diferente de gravar escondida atrás de uma parede de concreto em Juquitiba. — Pra melhor — ela completou, sorrindo. O contador regressivo na tela chegou a zero, e a live foi ao ar. — Oi, gente — comecei, a voz mais firme do que eu es

  • O DONO DO TIGRINHO   Capítulo 107 — Fortaleza, Sem Pressa

    POV: RAFAEL O avião pousou em Fortaleza sem nenhuma urgência dessa vez, sem prazo correndo, sem viatura esperando na pista, sem infiltrado documentando rota. Só eu e Jade, malas de mão, e um fim de semana livre que ela tinha insistido em reservar assim que o projeto Cláusula Doze permitiu a primeira pausa real em meses. O calor bateu diferente quando saímos do aeroporto. Não era o calor tenso da corrida contra o relógio da última vez. Era só calor de verdade, úmido, pesado, o tipo que nao pede pressa nenhuma. Dona Célia esperava na porta de casa quando o táxi parou. O cabelo estava mais cheio do que da última vez, a pele com uma cor que eu ainda não tinha visto nela — sinal de que a quimioterapia finalmente parecia funcionar de verdade, não só empurrar o problema por mais um ciclo. — Minha filha. — Ela abraçou Jade com força, os olhos já marejados antes mesmo de soltar. — Oi, mãe — Jade respondeu, a voz embargada. Dona Célia me olhou por cima do ombro dela, com aquela curiosidad

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