FAZER LOGINO tempo, em sua inabalável marcha, revelou uma peculiaridade no crescimento dos filhos de Luara e Eros que desafiava toda a compreensão natural. A cada mês que transcorria no calendário, um ano se desdobrava nas vidas de Katherine e Nicolai, um ritmo acelerado que se manifestava em suas feições e corpos, lançando uma sombra de apreensão sobre os pais de primeira viagem. Luara e Eros observavam, com uma mistura de fascínio e angústia, seus filhos transformarem-se diante de seus olhos, temendo a rapidez com que a infância lhes escapava.Ao completarem vinte meses de vida, um piscar de olhos na linha do tempo mortal, as crianças haviam atingido a maturidade de adultos de vinte anos. Foi então, em meio a essa fase de perplexidade e adaptação, que a inesperada figura de Fiona surgiu, portando notícias que trouxeram um alívio quase palpável aos corações dos pais. Fiona comunicou, com a serenidade que lhe era peculiar, que o crescimento de Katherine e Nicolai cessaria naquele ponto. A partir
Conde Eros A cena dos nossos filhos nos braços de Adrian e Kevin, tão felizes e à vontade com eles, permaneceu em minha mente por dias, gravada como uma memória inesperada. A princípio, meu ciúme e possessividade me cegavam, mas a insistência de Lua e a própria evidência diante dos meus olhos começaram a aceitar o inevitável. Se o destino de Katherine e Nicolai era estar ligados a esses vampiros, talvez eu devesse aceitar. Era uma batalha que eu não poderia vencer e no fundo, sabia que eles eram bem cuidados. Adrian e Kevin, apesar de seus defeitos e de minhas próprias inseguranças, eram leais e dedicados. A vida na brigada começou a encontrar um novo ritmo, uma melodia de coexistência outrora impensável. Os lobos, agora libertos de sua maldição, integravam-se lentamente à comunidade, muitos deles descobrindo novos talentos e propósitos em sua forma humana. Alguns se tornaram artesãos, outros ajudaram na reconstrução da cidade, e a visão de lobos e humanos conversando amigavelmen
Conde Eros Finalmente Lua concluiu seus treinamentos, demonstrando uma aptidão notável para controlar sua sede e conviver com os humanos. Sua força e poder como vampira recém-transformada eram evidentes e motivo de satisfação. Após os eventos recentes, alguns humanos optaram por deixar a brigada e retomar suas vidas, enquanto outros preferiram permanecer, acolhidos pela minha decisão de manter o local aberto a quem buscasse refúgio. Meus filhos cresciam rapidamente, exibindo uma beleza singular. A idade em que cessariam seu crescimento ainda era incerta, uma das muitas peculiaridades de sua natureza híbrida. Em uma conversa discreta com Patrícia, solicitei sua ajuda para organizar um casamento surpresa para Lua. O desejo de oficializar nossa união, de criar uma memória que ofuscasse seu casamento anterior, era um pensamento constante desde que ela se uniu a Adrian. Eu faria uma casamento melhor, mais exuberante. Falando em Adrian, sua constante proximidade com Katherine aliment
Conde Eros A escassez de sangue no banco do castelo era uma ameaça iminente, no entanto, a prioridade máxima era uma só: Luara. Kevin retornou rapidamente, o semblante carregado, com um punhado de bolsas que representavam o que restou dos nossos suprimentos. Entreguei um a Lua, observando com uma apreensão que me apertava o peito. Ela o segurou com mãos trêmulas, seus olhos fixos no líquido escarlate, uma mistura de fascínio e repulsa. Era um desafio monumental para qualquer vampiro recém-transformado, mas para Lua, com sua natureza lupina recém-despertada, a intensidade da sede era amplificada a níveis quase insuportáveis; talvez ela se alimente de comida também, ainda iremos descobrir. — Devagar, meu amor. Apenas o suficiente para acalmar a sede mais forte — instruí, minha voz suave, mas firme, enquanto ela rasgava a bolsa com as presas afiadas, um som que ecoava a brutalidade da sua nova realidade. Lua obedeceu, tomando pequenos goles, seus olhos fechados em um misto de alívio
Conde Eros Corro em direção a Lua, meus braços envolvendo sua cintura, tentando conter sua investida animalesca. Mas sua força recém-descoberta como vampira lupina me surpreende, seus músculos tensos e poderosos, um turbilhão de energia selvagem. Um misto de apreensão e orgulho me invade; ela será uma vampira formidável, sem dúvida, mas o perigo de sua sede incontrolável era palpável. Adrian e Kevin se juntam a mim, seus esforços combinados mal conseguindo imobilizar a fúria faminta de Lua. Seus olhos faiscam em um tom negro e hipnótico, suas presas à mostra, afiadas como punhais, e um rosnado gutural escapando de sua garganta, um som primordial que eu nunca imaginei ouvir dela. — Meu amor, olha para mim, tenta se acalmar! — imploro, segurando seu rosto entre minhas mãos, tentando alcançar a mulher que eu amava por trás daquele véu de instinto. — Estou com sede, não consigo controlar! — sua voz é rouca, quase animalesca, um lamento de sua nova condição, misturada à urgência da fo
Conde Eros Escuto alguém me chamar e era Fiona, sua figura etérea brilhando suavemente.— O que está fazendo, conde? — pergunta ela, sua voz carregada de uma serenidade melancólica, quase um lamento.— Minha eternidade não faz mais sentido sem ela — respondo, meus olhos fixos no corpo inerte de Lua, a dor me consumindo em ondas geladas e implacáveis.— Você sabia que isso iria acontecer — afirma Fiona, sua voz suave, mas inegável, como o sussurro do destino.— Mas isso não quer dizer que aceitaria — retruco, a amargura tingindo minhas palavras, um gosto ferroso na boca.— Está disposto a morrer por ela? — questiona Fiona, seu olhar penetrante, buscando a verdade em minha alma.— Já estou morto, sem ela minha eternidade não faz sentido. A escuridão sem Luara é uma morte pior que a aniquilação pelo sol. — A confissão escorre de mim, crua e verdadeira.— Estava esperando por essa declaração há muitos séculos — revela Fiona, um leve sorriso dançando em seus lábios.— Está falando de quê?







