Compartilhar

CAPÍTULO 06

last update Data de publicação: 2025-06-14 21:39:01

JULIAN

Depois do que a Amanda disse sobre a cunhada, reacendi a esperança de que ela desistisse de tudo aquilo. Sempre fui apaixonado por ela, mas o que estava prestes a fazer era uma verdadeira loucura. Fiz muitos planos para nós dois — e nenhum deles incluía vê-la carregando um filho que não fosse nosso.

Passaríamos por tudo o que um casal enfrenta nessa fase — e isso seria colocar a carroça na frente dos bois. Além disso, haveria os preconceitos. Como reagir quando viessem me parabenizar pelo filho que não era meu? Ter que explicar essa situação seria, no mínimo, constrangedor.

Decidi, então, ligar para os meus pais. Sempre que me sentia perdido, era a eles que recorria. Nos momentos de incerteza, eles eram meu porto seguro. Não demorou muito para que minha mãe atendesse.

— Oi, meu amor, como estão as coisas?

— Indo, mãe! E vocês, como estão?

— Bem, meu querido! O que houve?

— Nada, mãe! Só liguei por ligar.

— Agora você me deixou ainda mais certa de que algo está acontecendo. Você nunca liga só para falar, filho. Me conte o que está acontecendo, talvez possamos te ajudar.

— É a Amanda, mamãe. O irmão dela está com leucemia, e o médico não deu muitas esperanças. Ela está arrasada.

— Imagino o quanto isso deve estar sendo difícil para ela, filho. Mas, nesse momento, a única coisa que você pode fazer é apoiá-la. Como namorado, é isso que ela espera de você.

— Eu sei, mas ela está determinada a realizar o sonho dele. O sonho que ele nunca chegou a realizar.

— Isso é compreensível, meu amor. Então, por que você está tão chateado com isso?

— Porque o sonho dele é ser pai, mamãe. A esposa dele não pode ter filhos, e a Amanda se ofereceu para gerar o bebê deles.

Silêncio absoluto do outro lado da linha. Eu sabia que minha mãe estava relembrando tudo o que passamos alguns anos atrás. Minha prima também fez o mesmo que a Amanda, ajudando o irmão, mas a gravidez dela foi muito complicada.

No final, perdemos três vidas: minha prima, o bebê e meu primo, que não resistiu à doença. Como médico, sei que nenhuma gravidez é igual à outra, mas era natural o medo de que tudo pudesse se repetir.

— Agora eu entendo por que você está tão chateado. Eu compreendo você, Julian. O que pretende fazer a respeito?

— Ainda não sei, mãe… não sei o que fazer.

— Você sabe dos riscos que vai enfrentar. Sem contar que existe muita gente preconceituosa por aí. Você viu tudo o que sua prima passou. Está disposto a enfrentar esses preconceitos por causa dela?

— Eu a amo, mamãe. Já fiz vários planos para nós dois, mesmo sabendo que eles poderiam mudar a qualquer momento, mas nunca imaginei algo dessa magnitude. Tentei conversar com ela, mas ela está irredutível, e não sei se estou preparado para enfrentar tudo isso.

— Pode até parecer egoísmo da sua parte, meu filho, mas acredito que a melhor decisão, pensando em você, seria aceitar aquela vaga que seu padrinho te ofereceu em Toronto. Assim, você ficará distante e não precisará se envolver com tudo isso — argumentou meu pai.

— Eu disse para ela que havia aceitado a vaga, papai.

— O que ela falou, Julian? — perguntou minha mãe.

— Que eu deveria aceitar. Que essa era a oportunidade que todo médico sonha para a carreira e que, se um dia tivéssemos que terminar juntos, nos encontraríamos novamente.

— Filho, acho que essa moça não te ama como você merece. Acho que chegou a hora de você pensar em você e na sua carreira. Seu pai disse que vai entrar em contato com seu padrinho e cuidar de tudo. Será melhor assim.

— Tudo bem, mamãe.

— Você pode até sofrer um pouco no começo, mas estará tomando a melhor decisão. Não desperdice a carreira que tem pela frente por alguém que nem ao menos considerou seus sentimentos. Nosso sonho, Julian, é ver você bem-sucedido e brilhando na sua área, e você, meu filho, tem todo o potencial para isso — argumentou meu pai.

— Eu sei disso, papai.

Encerrei a ligação e fui até a cozinha pegar um copo d'água. Ao passar pelo quarto da Amanda, ouvi seu choro abafado. Confesso que tive vontade de entrar, mas ela escolheu o próprio caminho — agora chegou a minha vez de fazer minhas escolhas. Como meu pai disse, a dor pode estar presente agora, mas logo vai passar.

Eu sabia que ela também estava sofrendo nesse processo, então ir embora era a melhor decisão. Se ficasse, não conseguiria manter distância entre nós, e isso só nos magoaria ainda mais. Além disso, eu não conseguiria concentrar a cabeça no trabalho.

Minha atenção estaria toda voltada para a Amanda, para o que ela estaria passando e como enfrentaria cada momento. Eu acabaria deixando meus sonhos profissionais em segundo plano. Depois do que meus pais me disseram, eu sabia que não poderia decepcioná-los — depois de tudo que fizeram para me ajudar a chegar até aqui.

Passei pelo quarto dela e fui até a cozinha. Peguei um copo d’água e voltei para o meu quarto. Sentei na cama por um momento e, como um filme, toda a minha história com a Amanda passou diante de mim. Mas a única pergunta que não saía da minha cabeça era: como ela podia estar disposta a jogar tudo aquilo fora por algo que, na verdade, nem tinha chance de dar certo?

Eu não conseguia parar de pensar nas possíveis consequências dessa decisão. E se a gravidez não vingasse? E se o irmão dela morresse antes mesmo da criança nascer? Ou pior, e se a cunhada se arrependesse de todo o procedimento no meio do caminho?

Tudo isso me aterrorizava, porque, no fundo, parecia que ela estava disposta a jogar nosso futuro fora por uma tentativa que, para mim, parecia banal e cheia de riscos.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • O Doutor da minha Vida   EPÍLOGO

    Um mês havia se passado desde a data do evento beneficente. Conseguimos finalmente equilibrar nossas agendas e aproveitar uma semana de férias que Théo transformou em nossa lua de mel.Ele me levou ao Marulhos Resort, em Pernambuco, Brasil, onde possuía um flat.O lugar era simplesmente incrível, a poucos minutos da famosa Praia de Muro Alto, com suas águas calmas que, na maré baixa, formavam piscinas naturais.As piscinas do hotel eram maravilhosas, com serviço de bar molhado, enquanto as acomodações cinco estrelas e a gastronomia de dar água na boca deixavam a experiência ainda mais especial — principalmente para mim, grávida e ávida por sabores.No entanto, preciso confessar — o local que mais aproveitamos durante toda a estadia foi, sem dúvidas, o quarto.Sei que algumas pessoas podem me criticar por isso, mas estar com um homem como Théo e não aproveitar cada instante ao lado dele seria um desperdício.Claro que aproveitamos um pouco de tudo durante a viagem, e nosso último dia f

  • O Doutor da minha Vida   CAPÍTULO 80

    Estava nervosa e com medo de falar em público para tantas pessoas, especialmente em um momento tão especial como aquele, e ainda mais assumindo o papel importante de esposa do diretor do Hospital Northbrook.No entanto, nunca me acovardei diante de nada na vida — e não seria agora que isso aconteceria.— Boa noite, pessoal! Tenho uma pequena noção do que essas famílias enfrentam todos os dias. Há dois anos, perdi meu irmão para essa doença. Não é fácil, muito pelo contrário: ela é devastadora. E não atinge apenas o paciente — destrói também todos que estão ao seu redor.Naquele momento, lembrei do Felipe, de sua luta, da nossa batalha juntos e de todos os momentos que compartilhamos.— Diante disso, posso afirmar que a noite de hoje é uma verdadeira celebração de esperança para essas crianças. Não poderia deixar de agradecer a confiança que depositaram em nós e a grandiosidade dos gestos anônimos, feitos sem alarde, sem esperar nada em troca…Cada gesto, por menor que pareça, tem o po

  • O Doutor da minha Vida   CAPÍTULO 79

    Nesse momento, ela retribuía o beijo dele, e eu me peguei emocionada com a cena. Menos de um minuto atrás estava sorrindo, e agora as lágrimas já rolavam pelo meu rosto.Só podiam ser os hormônios. Saí do quarto, deixando os dois se entenderem. Assim que cheguei à sala, Olívia me olhou com atenção.— Você também tá dodói, mamãe? Não chola, eu cuido de você! — disse, antes de me envolver em um abraço apertado. Eu correspondi, sorrindo diante de tanto carinho.Depois de quase uma hora, meus amigos finalmente saíram do quarto.Eu estava na sala, distraída no celular, quando Manu se jogou no outro sofá, os olhos visivelmente inchados. Logo em seguida, Lucas sentou-se ao lado dela com um sorriso enorme no rosto.— Você está péssima, amiga! — falei, rindo da situação.— Tenho certeza de que vou precisar de uma máscara de pepino mais tarde. Não posso aparecer no evento amanhã com os olhos assim — respondeu, e eu apenas assenti em concordância.— Já decidiram o que vão fazer? — perguntei. Ela

  • O Doutor da minha Vida   CAPÍTULO 78

    Após me examinar novamente e confirmar que eu estava bem, a médica me deu alta. Julian, ao meu lado, permanecia em silêncio, enquanto eu ainda estava em choque. Quando chegamos à recepção do hospital, ele me fitou.— Quer que eu chame o Dr. Almeida? — perguntou Julian, sem saber exatamente o que fazer.— Não, Julian, não precisa — respondi. — Estou bem, apenas um pouco em choque, mas vai passar. Vou até o consultório da Dra. Ella, preciso falar com ela.— Então vou te acompanhar — insistiu. — Você ainda não parece bem. Tem certeza de que não quer que eu chame o Dr. Almeida?— Não precisa, Julian — afirmei, mais uma vez.— Pelo que parece, essa gravidez não foi planejada, mas tenho certeza de que ele ficará feliz com isso. Eu, pelo menos, ficaria — disse, enquanto percebia o olhar dele fixo em mim.— Realmente não foi, mas não tenho dúvidas de que o Théo ficará feliz com a notícia. Minha vida andou muito agitada nos últimos meses… eu só preciso de um tempo para processar tudo isso — ex

  • O Doutor da minha Vida   CAPÍTULO 77

    Na verdade, era um vestido de noiva, completamente branco. Nada de volumoso ou cheio de camadas como os vestidos tradicionais de capa de resvista.O vestido era elegante e exuberante, embora claramente de noiva. O busto era todo em renda sofisticada, enquanto a saia caía solta e fluida, com um caimento perfeito. Precisei admitir — era realmente lindo.— Filha, esse vestido é para quem vai se casar. Mamãe vai apenas a uma festa, então não pode ser esse.— Opa, opa, opa. Nada disso, Amanda Bernardes. Você não vai apenas a uma festa — disse Manu, balançando a cabeça enquanto notava a troca de olhares entre minha mãe e a tia Samara. — Você está indo para A festa. E tenho que confessar: minha afilhada tem muito bom gosto. Você vai provar esse vestido, ponto final.— Manu, não inventa — protestei. — Esse é um vestido de noiva. Não faz sentido eu prová-lo.— E se este for o vestido que ficará perfeito em você? — Manu perguntou, insistindo. — Você não paga nada para experimentá-lo, e tenho ce

  • O Doutor da minha Vida   CAPÍTULO 76

    Com Manu já melhor, voltamos para a sala e retomamos nossa noite em família, entre risadas e conversas animadas. A atmosfera estava leve e acolhedora, e por um momento pude simplesmente aproveitar aquela sensação de pertencimento.Em dado momento, minha mãe se aproximou de mim, com um sorriso suave, mas seus olhos estavam um pouco apreensivos, como se quisesse compartilhar algo importante naquele instante.— Filha, preciso lhe contar uma coisa, mas não quero que se chateie com a notícia — disse minha mãe, e todos nós nos voltamos para ela, atentos e curiosos.— O que aconteceu, mamãe? — perguntei, preocupada e curiosa ao mesmo tempo.— É sobre a Lara — ela começou, hesitante. — Encontrei-a no mercado. Para minha surpresa, estava casada e grávida. Sua barriga bastante saliente.— A notícia não me pegou de surpresa, mamãe, afinal, sempre desconfiei que o problema entre a Lara e o Felipe, na época, estava justamente no fato de ela não querer engravidar.— Mas me diga, filha, por que deci

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status