FAZER LOGINNARRAÇÃO DE SARA...
Aquele homem me fez perder a fala. Ele é diferente… ou talvez minha percepção tenha mudado um pouco. A fama dele nunca foi das melhores. Antes de entrar em sua mansão, eu apenas ouvia falar sobre o famoso Dom de coração de gelo — frio, congelado após uma grande traição. Há boatos de que ele já foi encantador, que sua beleza chamava atenção, com cabelos sempre bem cortados e penteados com gel, barba impecável, realçando o queixo quadrado. Mas agora… agora vejo apenas uma casca que ele criou para se proteger. E, mesmo assim, dentro dessa casca, ainda é possível enxergar sua beleza. Eu vi esse lado dele quando apareceu em frente à minha casa. Ele se abaixou e sorriu, estendendo os braços para incentivar minha filha a confiar nele — e ela confiou. Amou o coelho de pelúcia, novinho em folha. Dom Dawson não é um monstro, mas parece guardar sua humanidade apenas para Julie. Seus olhos ainda carregam desconfiança e escuridão quando se voltam para mim. Ainda assim, fiquei grata pelo simples fato de ter alguma afeição por minha filha. Mais uma vez, Julie me constrangeu querendo que ele entrasse em nossa casa. Eu, é claro, não permitiria. Ignorei suas birras, entrei e a coloquei no sofá. Ela chorava, insistindo para que ele assistisse a um filme e conhecesse mais dos seus brinquedos. Repreendi-a, pedindo silêncio. Por curiosidade, espreitei pela cortina e o vi entrar no carro. Só então respirei aliviada. Afastei-me da janela e encarei Julie, ainda emburrada. — Amanhã eu te levo para o trabalho novamente, mas só se você obedecer e se comportar! — avisei. Ela começou a pular no sofá, comemorando. Sorri ao ver sua empolgação. De qualquer forma, já teria de levá-la mesmo… A noite caiu fria, e decidi dormir na cama de Julie novamente. Ela tem o hábito de se descobrir durante o sono. Acordei tremendo. O inverno estava chegando, castigando, e o aquecedor da casa havia quebrado. Abri a janela e vi os primeiros flocos de neve caindo naquela manhã gelada. Olhei para Julie, encolhida e abraçada ao coelho. — Julie, acorda! Está nevando… — chamei. Ela se espreguiçou sonolenta. Peguei-a no colo, rindo, e mostrei a paisagem pela janela. Seus olhos brilharam. Agasalhei-a bem e tomamos um café da manhã rápido. A campainha tocou. Ao abrir a porta, encontrei Marie e Evelyn, encolhidas sob gorros e cachecóis, sorridentes. — Finalmente o frio chegou! — comemorou Evelyn. Ri, peguei minha bolsa e ergui Julie no colo. — Finalmente? Fale por você… eu odeio sentir frio — resmunguei, passando por elas. O motorista já nos aguardava. As duas riram, soltando fumaça pela boca. No fundo, eu só pensava no alívio de chegar à mansão — lá certamente haveria aquecedor. Ao chegarmos, segurei firme a mão de Julie. Ela estava ansiosa para entrar. Abaixei-me até sua altura. — Julie, nada de invadir o escritório do Sr. Dawson. — Mas ele é meu amigo… — protestou. — Ainda assim. Ele trabalha lá. Você vai ficar no mesmo quarto da última vez. Tem seus desenhos preferidos… — arqueei as sobrancelhas, tentando animá-la. Ela reclamou, chutando a neve acumulada no chão. Marie interveio, pegando-a no colo. — Para com isso, menininha. Vamos ver seu desenho preferido! Hoje vou fazer aquele purê de batata que você adora — disse, entrando com ela na mansão. Suspirei aliviada por ter essas duas na minha vida. Marie, melhor amiga da minha mãe, sem perceber, me trata como filha. Evelyn parou ao meu lado, estremecendo ao encarar a mansão. Sussurrou: — Ele me assusta profundamente. Ontem, tentei arrumar os arranjos de flores. Algumas margaridas estavam murchas. Tentei salvar algumas, mas ele simplesmente as jogou no chão e ordenou que eu não mexesse mais. Foi humilhante… Eu só aguento isso porque preciso pagar a faculdade. Afaguei seu ombro e suspirei. — Ignore. Finja que o Sr. Dawson não existe. — Eis o problema… é difícil — murmurou, entrando. Respirei fundo, pronta para mais um dia de trabalho. Combinamos que eu ficaria nos quartos do andar de cima, e ela cuidaria dos de baixo. Chequei Julie: estava quieta, assistindo desenhos. O frio lá fora não dava trégua. Ao abrir a janela de um quarto, o nevoeiro avançava, deixando o quintal branco e escondendo as ervas daninhas. Mas, ao entrar no terceiro quarto… congelei. Meu coração falhou. Sr. Dawson estava se trocando. Vestia apenas uma calça de moletom e, distraído, abotoava a camisa social ainda aberta. Meu olhar percorreu seu abdômen e peitoral — tão definidos quanto o corpo de Chris Evans no papel de Capitão América. Largo, trincado, impecável. Como a esposa dele teve coragem de traí-lo? Quando percebi que o encarava demais, tentei desviar, mas ele levantou o rosto e me reconheceu. Estava… diferente. A barba feita, o cabelo recém-cortado, o rosto limpo. Não era um anjo — era um deus grego que, até então, se escondia sob cabelos desalinhados e barba por fazer. Ele continuou calmo, abotoando a camisa lentamente. A luz que entrava pela janela atravessava o pó suspenso no ar. — Do que precisa? Esse quarto não é para entrar — disse, pegando seu sobretudo preto. — Eu posso… — comecei, mas ele me cortou, aproximando-se e impondo sua presença. — Aqui não, Sara. Vá procurar outra coisa — ordenou. Soltei o ar, observando-o se afastar. Mesmo sendo rude, continuava… lindo.Brady Dawson conseguiu manter tudo sob controle por longos dezessete anos...Mas nem sempre ele consegue controlar, e uma das coisas é a sua filha caçula. Julie e Bela cresceram unidas, parceiras e confidentes, adaptaram-se às regras do próprio pai.Estudos em casa, professores particulares, duas princesas da máfia monitoradas por onde quer que vão, completamente protegidas. Elas têm um único amigo e primo chamado Lucas.Bela tem dezessete anos, assim como seu primo Lucas. Já Julie chegou aos vinte e dois anos; agora está pronta para a faculdade em casa. Para ela, não é um problema: Julie é a filha que todos sonham em ter — carinhosa, conselheira e inocente. Essa inocência veio da tamanha proteção da família; é uma verdadeira princesa que trata todos bem, até mesmo os seguranças e os porteiros. Muitos sonham com ela, muitos são apaixonados, mas não ousam se aproximar, pois o olhar tão temido de Brady afasta qualquer um que ele achar não ser digno da sua filha mais velha.Já Bela é cur
NARRAÇÃO DE BRADY DAWSON...O destino às vezes pode ser cruel… ou apenas zombeteiro.Eu odiava profundamente a chuva. A tempestade sempre me pareceu um castigo, e eu sabia exatamente o motivo. Mas, por ironia do destino, conheci Julie pela primeira vez em um dia de chuva — um temporal daqueles que fazem o mundo estremecer. A água batia com força nas janelas do meu escritório enquanto eu afundava na depressão. Aquele barulho... a chuva... aaah, a maldita chuva. Mas então ela surgiu, sorridente, e seu sorriso me arrancou de vez da escuridão onde eu pensei estar preso.Dizia que odiava dias assim. Dizia que jamais voltaria a gostar da chuva.E que destino... Julie se apresentou, e agora, minha outra filha.Eu dormia profundamente. O berço e todo o preparo para receber nossa recém-nascida já estavam ali, montados ao lado da cama. Estou tão coruja que quero protegê-la nos primeiros dias de vida, enquanto dorme rente a nós.Foi então que Sara me despertou. O barulho lá fora se intensificava
NARRAÇÃO DE SARA...Outra menina, outra... Meu coração bateu forte ao imaginar o futuro tão próximo, outra criança, uma recém-nascida que em breve estará em meus braços, pequena e delicada. Eu não preciso adivinhar que seu nome fará jus ao seu nome... Bela.Ela será Bela, pois seu pai é lindo, não me restam dúvidas... Enquanto acariciava minha barriga, apaixonada por saber que serei mãe de duas meninas, reparei Brady falando ao telefone, emocionado, olhos marejados, sorrindo enquanto escutava seu pai lhe parabenizar. Suas mãos tremiam, e ali eu entendi que ele desejava muito ter mais uma menina para criar.Aproveitei para ligar para minha mãe. Ela riu e chorou, mas disse que sabia que seria uma menina.Brady se tornou muito mais cuidadoso comigo; achei até mesmo exagero quando desci da maca. Me peguei rindo ao reparar como ele queria que eu até pisasse no chão com cuidado. Já imagino como essas meninas serão criadas com extrema proteção e mimos vindos do próprio pai.Ao retornarmos pa
NARRAÇÃO DE BRADY DAWSON...Após o nosso entendimento, não tivemos mais problemas particulares. Sara compreendeu como a máfia funciona e que eu, como Dom, preciso dar a sentença final sobre qualquer decisão. Mas também preciso escutar sua voz, de mãos dadas e em conversas singelas.No dia seguinte, encontrei Stefan um tanto estranho ao lado do meu pai na mesa de café da manhã. Meu pai assobiava enquanto passava geleia de frutas em sua torrada, totalmente indiferente ao incômodo visível do seu filho caçula.Sentei ao lado deles, já que Sara arrumava Julie para o seu primeiro dia de aula. Pigarreei ao chamar a atenção dos dois. Meu pai olhou-me e sorriu radiante, já Stefan fingiu não me escutar… bebericava seu café lentamente.— Bom dia, filho! Você e Sara estão bem? — Sorri, estranhando aquela empolgação.— Sim. Onde está dona Marie?— Descansando… Ela não dormiu direito essa noite. — Respondeu com a voz baixa, tão baixa que parecia falar consigo mesmo. Stefan o encarou como se pudesse
NARRAÇÃO DE MARIE...Eu não sabia ao certo quando havia perdido o juízo… talvez tenha sido no instante em que Elijah me pressionou contra o carro, ou quando senti a respiração dele quente em meu pescoço, ou talvez antes disso — quando o desejo deixou de ser apenas vontade e se tornou urgência.Tudo dentro de mim dizia que aquela noite mudaria tudo. E, mesmo assim, eu queria.O carro estacionou diante do hotel, um daqueles discretos e elegantes, com luzes amareladas que pareciam convidar ao pecado. Elijah desceu rapidamente e deu a volta para abrir minha porta. O gesto simples, cavalheiro, contrastava com a fome que eu sabia que queimava nele… e em mim.Quando meus pés tocaram o chão, senti minhas pernas tremerem. Não era só o vinho — era ele. O jeito como me olhava, como se eu fosse a única mulher existente naquela noite. Como se tivesse esperado a vida inteira por isso.— Marie… — Elijah murmurou, baixo o suficiente para ser só nosso. — Se você quiser que eu pare, diga agora.Olhei p
NARRAÇÃO DE SR.ELIJAHStefan me constrange ao extremo!Eu e Marie estamos na melhor fase do nosso relacionamento. Quase aconteceu uma vez... Quase aconteceu a nossa primeira vez há alguns dias. Porém, Marie foi um tanto relutante...Em uma noite quente, a chamei para tomarmos um vinho. Estávamos na sacada da varanda de um quarto. Elogiava seu sorriso, seus olhos. E, no fundo, queria mais... Marie nunca ultrapassou os limites, nunca. O máximo que aconteceu foram beijos intensos, mas bastava ela sentir minha ereção para fugir de mim — fugia como uma menininha. O que mais me encanta nela é a forma como se preserva, como se preocupa com sua crença. É engraçado quando ela diz ser pecado. Não imagina como desperta o melhor ou o pior de mim... Quanto mais diz ser pecado, mais eu quero. O proibido nunca se tornou tão gostoso... E naquela noite quente, o máximo que pude sentir foram seus mamilos enrijecidos sutilmente nas costas dos meus dedos. Ela estremeceu, fechou os olhos e mordeu os lábio







