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126: Rainha Sem Peões

last update Data de publicação: 2025-08-02 08:11:24

Vitória Mancini observava a cidade do alto de sua cobertura como quem contempla um reino prestes a ruir — e, ainda assim, se recusa a largar a coroa.

Os olhos, duros, impenetráveis, não viam prédios ou ruas. Estavam fixos no nada. No vazio entre o passado glorioso e o presente instável. O silêncio da noite era cortado apenas pelo som das unhas vermelhas, impecáveis, tamborilando com precisão cirúrgica no braço da poltrona de couro. Um ritmo calculado. Um prenúncio.

Seu telefone repousava ao lad
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Último capítulo

  • O NOIVO SUBSTITUTO — CONTRATO DE CASAMENTO    Bônus: O Amor Venceu 🦋

    Amanda Às vezes, nas noites mais calmas, quando o mundo inteiro parece conter a respiração e até o relógio silencia, Amanda se permite lembrar.Não das dores cortantes, embora elas estejam ali — adormecidas, mas jamais apagadas.Ela se permite lembrar das cicatrizes que a formaram. Das noites em que dormiu sozinha com a alma em carne viva, e das manhãs em que acordou com a esperança mastigada, mas ainda assim intacta.A casa repousa ao redor, serena, como um organismo vivo feito de amor, madeira antiga e novos começos. O vento dança com as cortinas brancas, trazendo o perfume da lavanda plantada no jardim. Um cheiro que ela mesma escolheu — por representar aquilo que dura e acalma.Ela se levanta, descalça, e caminha com passos leves até o berço branco próximo à janela. A lua derrama sua luz líquida sobre o quarto. Aurora, sua primogênita, dorme profundamente. A respiração pausada, os cílios compridos repousando como asas fechadas sobre a pele de pêssego. Os dedinhos fechados em punh

  • O NOIVO SUBSTITUTO — CONTRATO DE CASAMENTO    Bônus 🦋

    O outono tomava Lisboa como um incêndio lento — folhas em tons de ferrugem dançando sobre as pedras antigas, e o ar com cheiro de passado e promessas. Eduardo caminhava entre as colunas da universidade com passos que carregavam mais do que peso físico. Carregavam história. Escolha. E um tipo de saudade que só quem foi muito amado entende.O casaco xadrez, presente de Amanda, envolvia-o como se fosse abraço. Ainda exalava lavanda. O mesmo aroma que preenchia as manhãs na casa onde ele cresceu — onde Amanda servia café com pão quente e sabedoria em doses pequenas, porém definitivas.Na mochila, os livros pareciam pesados, sim. Filosofia Política. Direito Internacional. Mas era dentro do peito que ele carregava as perguntas mais difíceis:E se eu fracassar? E se não for suficiente? E se me perder de mim mesmo?Nos primeiros meses, a cidade parecia fria. Os corredores, longos demais. Os colegas, brilhantes demais. Eduardo se sentia um ponto fora da equação. Um coração no meio de cérebros.

  • O NOIVO SUBSTITUTO — CONTRATO DE CASAMENTO    Epílogo

    A casa já estava em silêncio. Mas era o tipo de silêncio bonito — não o que vem da solidão, mas o que nasce da paz. Da plenitude. Do depois.Lá fora, uma garoa fina dançava sobre o jardim iluminado por fios de luz âmbar. O vidro embaçado refletia sombras que se moviam lentamente, como se o tempo tivesse enfim aprendido a caminhar com calma.Lá dentro, o perfume de lavanda se misturava ao cheiro quente de madeira antiga, páginas de livros gastos e massinha de modelar esquecida no canto do tapete.Amanda estava sentada no chão da sala, descalça, com Aurora aninhada no colo. A filha mais velha usava um pijama azul-clarinho, com estrelas bordadas nas mangas, e embora sonolenta, seus olhos insistiam em permanecer abertos. Como quem sente que adormecer seria perder um milagre.Lucca entrou em silêncio, com uma manta nas mãos e o olhar cheio daquela ternura que só os homens que desmoronaram por amor sabem carregar. Ele havia apagado as luzes do corredor, fechado os livros infantis no quarto

  • O NOIVO SUBSTITUTO — CONTRATO DE CASAMENTO    Final

    Seis Anos Depois...Florença| ItáliaAmanhecia em Florença.A cidade despertava lentamente, vestida com véus dourados de névoa que dançavam sobre as cúpulas renascentistas e ruas de pedra antiga. O sino da Basílica Santa Croce ecoava suavemente à distância, como se abençoasse aquele novo dia.No alto de um edifício secular, agora sede internacional do Instituto Aurora, Amanda terminava sua palestra.O salão estava lotado — mais de cem jovens, de diferentes países, etnias, realidades. Olhos brilhando. Mentes pulsando. Aplaudindo não apenas o conteúdo técnico, mas a mulher que havia sobrevivido à fogueira da opinião pública e transformado cinzas em pontes.Ela não era mais só Amanda Costa.Era Dra. Amanda Mancini-Costa, referência mundial em justiça social, reconstrução comunitária e educação restaurativa. Mas o que a enchia de orgulho não eram os prêmios nas vitrines ou os convites das universidades de elite.Era o fato de, no meio de tudo, a sua alma ter permanecido intacta.Quando o

  • O NOIVO SUBSTITUTO — CONTRATO DE CASAMENTO    135: Aurora... Começo Depois da Noite Escura

    Cinco anos depois...Amanda Costa caminhava sozinha pelo novo pavilhão cultural da Fundação, agora rebatizada como Instituto Aurora — nome escolhido em homenagem aos recomeços que nascem depois da escuridão e a sua pequena filha, fruto do seu amor com Lucca. Seus passos ecoavam suavemente sobre o piso de madeira polida, enquanto a luz do fim da tarde invadia os corredores através das amplas janelas de vidro, lançando reflexos dourados nas paredes cobertas por quadros, murais e fotografias.Ela parou diante de uma imagem em preto e branco.Ali estavam ela, Lucca, e dezenas de crianças rindo em meio a tintas espalhadas, papéis amassados, mãos sujas e olhos brilhantes. A oficina de arte que salvou a Fundação da falência. A mesma oficina que quase a destruiu — e que agora era símbolo do renascimento.Amanda sorriu.Não por orgulho. Mas por algo mais raro e precioso: paz.Naquela imagem estava tudo o que o mundo tentou apagar — a pureza de um propósito, a integridade de quem resistiu, e o

  • O NOIVO SUBSTITUTO — CONTRATO DE CASAMENTO    134: Rainha Sem Trono

    A sala de Vitória Mancini era um túmulo iluminado por fogo.A lareira estalava como se mastigasse os ossos de uma história queimada. Do lado de fora, a tempestade cortava o céu em aço. Raios riscavam a baía como se o universo ecoasse a fúria contida naquela mulher parada diante da janela, onde seu reflexo a observava com olhos de juíza e carrasca.O império balançava. Mas Vitória não caía. Ainda não.— Eles acham mesmo que vão apagar minha história com discursos bonitos e caridade digital? — sussurrou, sem tirar os olhos do próprio reflexo. A voz era baixa, mas carregada como pólvora seca. — Eu construí impérios antes de Amanda Costa ter dentes. Eu fiz homens se ajoelharem e partidos nascerem. Ela não sabe brincar nesse tabuleiro. Mas vai aprender... pelo sangue.Atrás dela, Mariana Nardelli mantinha a pose no sofá de couro negro, como uma conselheira sombria. Cruzou as pernas com um estalo elegante dos saltos.— A comoção vai passar. É o ciclo da mídia. As pessoas esquecem. Mas preci

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