INICIAR SESIÓN— Relembrando os velhos tempos, querida?
Ergo o olhar lentamente, olhando por cima do ombro, e vejo Arthur parado ali, me observando com aquele sorriso presunçoso, arrogante e repugnante que eu conheço tão bem. Ele usa um terno caro, cabelo penteado com gel, tudo para parecer perfeito aos olhos da sociedade, enquanto por dentro é vazio e cruel. — Por mim, você nunca trabalharia, nem pisaria fora de casa — continua ele, se aproximando devagar, com aquele ar de dono de tudo, como se eu fosse um objeto que ele comprou. — Porém, dessa vez será bom para os nossos negócios. Afinal, o meu chefe é um dos principais donos dessa instituição, e isso vai abrir muitas portas para mim. Engulo em seco, sentindo o nojo subir pela garganta. Esqueci de mencionar: eu me formei anos atrás, estudei noite e dia, me dediquei de corpo e alma, sonhando com esse momento. Mas essa será a primeira vez, em toda a minha vida adulta, que eu vou realmente exercer a minha profissão. Esse homem, esse idiota que eu sou obrigada a chamar de marido, nunca permitiu que eu trabalhasse, nunca me deixou ter uma vida fora das quatro paredes da nossa casa. Ele sempre disse que “mulher deve cuidar do lar”, “mulher inteligente não precisa trabalhar”, mas a verdade é que sempre foi pura dominação e controle. Ele tinha medo que, se eu saísse, eu fosse embora. Mas agora ele cedeu… só porque tem interesses escusos, planos obscuros onde eu sou apenas uma peça, um troféu que ele pode usar para subir na vida. — Você será professora da filha do meu chefe — ele sorri, malicioso, aproximando o rosto do meu. — Espero que vocês se deem muito bem. Ela é uma menina… diferente, dizem por aí. Mas você sabe se sair bem, não é mesmo? Há anos que eu guardo dinheiro, escondido em pequenos valores, economizados de tudo o que ele me deixa gastar na feira ou na farmácia. Guardo em meias velhas, em livros ocos, em lugares que ele nunca olha. Sonho com o dia em que conseguirei ir embora, desaparecer, viver só para mim. Já tentei fugir diversas vezes, mas nunca deu certo: ou ele me achava rapidamente, ou meus próprios pais me entregavam de volta. Não vale a pena entrar em detalhes sobre tudo o que já passei e ainda passo; só de lembrar, sinto vergonha, nojo de mim mesma, de como me tornei submissa, de como me deixei ser diminuída a esse ponto. Tenho dois seguranças na minha cola, vinte e quatro horas por dia, como se eu fosse uma prisioneira de alta periculosidade. No começo, eu pedia ajuda aos meus pais, chorava, implorava para que me tirassem daquilo. Mas era sempre em vão. Para eles, só o dinheiro e a posição social importavam. Na verdade… eu fui vendida pelos meus próprios pais, trocada por alianças, por status, por benefícios que Arthur deu a eles no contrato de casamento. E ninguém nunca se importou com o que eu sentia, com o meu sofrimento. Continuo caminhando, com ele logo atrás, não dou muita importância para o que ele fala, meu olhar perdido nas árvores do pátio. Ele me segura pelo braço discretamente, com força suficiente para deixar marcas roxas, mas sem que ninguém que passasse por perto perceba. — Estou falando com você! — sua voz fica mais dura, ríspida, quase um rosnado. — Pelo menos tenta disfarçar essa cara de desgosto quando estivermos em público, ou então… hoje à noite eu farei uma visitinha bem especial ao seu quarto. Você sabe como eu fico quando estou impaciente. Ele toca o meu rosto com a mão áspera e fria. Tento me afastar, mas ele me segura firme pelo queixo. Sorri de um jeito que me causa arrepios na espinha, e encosta os lábios nos meus, um beijo seco, frio, que me faz querer vomitar ali mesmo. — Arthur! — uma voz grave nos chama. Ergo os olhos e vejo um senhor de cabelos grisalhos, postura ereta e roupas de alfaiataria, vindo em nossa direção com passos firmes. — Estou trazendo os documentos para a sua esposa assinar. Ela não precisará passar por nenhum processo seletivo, já está tudo resolvido, como combinamos. — Obrigado, senhor Lombardi… — Arthur responde, mudando completamente o tom, agora bajulador e respeitoso, curvando-se ligeiramente. Vira-se para mim, com um aperto no meu ombro que quase me faz gemer de dor. — Querida, esse é o meu chefe, o senhor Riccardo Lombardi. Um dos homens mais poderosos da cidade. E essa é a minha esposa, Susana Hernandez. — Uma bela dama, realmente — o senhor Lombardi segura a minha mão e leva até a boca, beijando-a demoradamente, seus olhos escuros não saindo dos meus um segundo sequer. Sinto um nojo profundo percorrer o meu corpo; não gosto nada do jeito que ele me olha, um olhar faminto, possessivo, que me despida com os olhos. — É um prazer enorme finalmente te conhecer, Susana. O Arthur fala muito bem de você. — A satisfação é minha, senhor Lombardi — respondo com a voz controlada, educada, tentando puxar a minha mão de volta, mas ele não permite. Coloca a outra mão por cima da minha, dá dois tapinhas lentos e, enfim, a larga, mas com um sorriso que me deixa arrepiada. — Arthur, precisamos marcar um jantar urgente nos próximos dias — ele diz, sem tirar os olhos de mim. — Minha esposa irá adorar conhecer a sua. Precisamos estreitar ainda mais essa parceria. — Quando o senhor quiser, estamos à disposição para o que precisar. — Bom, eu preciso ir agora. Minha filha chegou hoje de viagem, passou um ano fora estudando na Europa. Uma menina inteligente, forte… um pouco difícil às vezes, mas adorável. Tenho certeza que você irá adorar a minha menina… ela será sua aluna, a partir de agora. Carolina. Os dois conversam mais alguns minutos, sobre negócios, sobre a faculdade, sobre viagens, mas eu mal ouço. Me sinto extremamente incomodada com o olhar daquele senhor, que não sai de mim um segundo sequer, como se eu fosse um objeto que ele quer comprar. Espero nunca mais ter que vê-lo tão de perto. Depois disso, participei de uma breve reunião com o reitor, um homem mais velho, sério e reservado, que me recebeu com educação mas pouca simpatia. Notei que alguns professores presentes pareceram não gostar nem um pouco da minha contratação, olhares de desconfiança e crítica, cochichos baixos, como se eu não merecesse estar ali, como se eu tivesse conseguido a vaga apenas por influência. Mas eu não ligo, não importa. Eu só preciso trabalhar, ocupar a minha mente, me sentir útil, encontrar um pouco de mim mesma novamente. Fui informada oficialmente que as aulas começariam apenas em uma semana — sete dias para me preparar, para respirar, para sonhar um pouco. — Vou te deixar em casa. Entro no carro em silêncio, sentindo o cansaço bater nos ossos. Ele entra logo em seguida, mas não dá a partida. Fica parado, segurando o volante com tanta força que os seus dedos chegam a ficar roxos, os nós dos dedos brancos de tensão. Já fico imediatamente apreensiva, conhecendo bem o que vem depois desse silêncio carregado. — Você é uma vadia — ele cospe as palavras, entre dentes, a voz cheia de raiva contida. Olho para ele sem entender, mas não abro a boca, não me defendo, já sei que não adianta nada falar. Sinto apenas o impacto forte da sua mão contra o lado do meu rosto, um tapa seco, doloroso, que me faz virar a cabeça para o lado com a força. Levo as mãos ao local atingido, sentindo a pele arder, estou trêmula, mas permaneço em silêncio absoluto. Ele se inclina para frente, segura firme nos meus cabelos, puxando meu rosto para perto do seu, até nossos narizes quase se tocarem. — Odeio quando você faz isso, quando fica calada como se fosse melhor do que todos nós — rosna, a respiração cheirando a uísque barato. — Não gosto de te machucar, você sabe que não… mas você não colabora, nunca colabora. Insiste em se insinuar para todos que se aproximam, não é mesmo? Para o Lombardi, para os funcionários, para todo mundo! Tento me afastar, mas ele me segura pelo maxilar com uma força que me impede de qualquer movimento, e me beja à força, um beijo cheio de raiva e posse, que me faz sentir suja. — Sei exatamente o que você está tramando, sua ingrata — sussurra perto dos meus lábios, os olhos cheios de ódio. — Você pensa que eu não vejo? Que eu não percebo? Mas te garanto: isso não vai dar certo. Nunca vai. Você é minha, só minha, e nunca vai escapar. Ele me solta bruscamente e, enfim, dá a partida no carro, fazendo o veículo arrancar com um solavanco brusco. Encosto a cabeça na janela, fecho os olhos, deixo o vento bater no rosto e secar as lágrimas que insistem em querer cair. Mas não deixo elas caíremSusana...Não sei se estou sendo uma pessoa egoísta, mas não quero nada e nem ninguém que me faça lembrar o meu passado, amo minha irmã, mas sei que não viverei em paz, ela está bem, feliz, segura, com pessoas que a ama, melhor que continue assim, não prolonguei a despedida, só queria ir embora com a única pessoa que me amou, que lutou por mim e que me daria a vida para me vê bem.__tem certeza disso? __tá querendo que eu fique?...ou já colocou outra em meu lugar?__cruza os braços e faço um biquinho fazendo ela rir.__te esperei por cinco anos, te esperaria por uma vida inteira se fosse preciso __mesmo receosa, segura meu braço e me puxa para si selando nossos lábios, o beijo é rápido, mas o suficiente para me acender, segura meu rosto entre suas mãos__vamos embora desse país?__Eu com certeza gostei da ideia, com você eu vou para qualquer lugar do mundo__me dar um selinho, segura minha mão, seguimos para o carro que estava estacionado do outro lado da rua.__já esta tudo pronto para
Carol...Foram momentos difíceis, fiquei dias em coma, muitas queimaduras pelo corpo inalei muita fumaça, que me deixou impossibilitada por um ano, eu lutei contra meus medos, precisava ser forte por ela, eu poderia sergui em frente, mas jamais iria desistir, precisava me reerguer por ela, só ela que me importava.As cicatrizes que aqueles malditos deixaram no meu corpo foi o combustível para consegui me vingar de todos aqueles malditos. Devo minha vida ao Lipe e aos amigos dele, já não havia esperança para mim, me deram dois tiros e me trancaram no carro e, em seguida colocaram fogo, já sem forças eu só pensava na Susana, mas eles não me deixaram morrer, me tiraram de dentro do carro em chamas, só consegui agradecer e desmaiei, acordei dois meses depois, estava sozinha, sem identificação, assim que consegui entrar em contato com o pessoal, respirei aliviada em saber que as crianças estavam bem, eles tiveram que me deixar pois a polícia chegou.Minha recuperação foi bem difícil, mas e
Susana Cinco malditos anos se possaram e, se eu falar a vocês que aqui me sinto livre, posso dormir se medo pois tenho a certeza de que não serei tocada, abusada, agredida.O primeiro ano nesse lugar foi um inferno, eu fui espancada varias vezes, ouvi uma detenta falar que a ordem vero de fora, aquele maldito delegado, tenho certeza que foi ele, mas em um belo día acordei com gritos, fomos tiradas das celas e jogadas no patio, lembro que ness dia chovia muito, passamos horas na chuva, quando finalmente fomos levados para dentro, ao passar pelo corredor me diparo com cinco corpos no chão, eram elas, as malditas que fizeram meus dias um inferno, pensei comigo, elas se foram mas outras virão outros, mas não veio.Tenho pesadelos quase todas as noites, em todos esse meses a imagem da Corol naquel carro me atormenta. A diretora do presidio por anos tentar me ajudar, depois da Carol aqui encontrei pessoas boas, que tentam me deixar bem, mesmo eu sendo essa pessoa fechada, que não fala com
Susana...Enquanto a idiota dormia, pensei qual seria o próximo passo, preparei uma panela de óleo, quero que ela sinta bastante dor.__Hora de acordar__encosto a panela em sua perna, acorda no susto, coloco a panela sobre a cadeira, agarro em seus cabelos__Lívia, já te dei tempo suficiente, agora só irei parar quando você estiver morta.__va...vamos conversar.__não quero ouvir nada que venha de você.__Susana...__bato forte sua cabaça na mesa, dois dentes são quebrados, ela chora.__você pode chorar, implorar, mas não irei parar__o sangue dos seus joelhos escorre sem parar, formando uma poça de sangue no chão, quando ela levanta a cabeça e me olha, pego a panela de óleo e derramos em parte do seu coro cabeludo e por toda suas costas, a dor é tanta que ela desmaia na hora, nem deu tempo de gritar.Sua respiração era fraca, ela não irá aguentar muitíssimo, pego uma serra circular, nunca usei essas coisas, mas acredito que não seja tão difícil, ela abre os olhos, me aproximo mostrando
Susana...__Chegamos__não sei em que momento eu dormi, acredito que essa desgraçada me deu algo__dormiu o caminho inteiro, você deve está com fome.__só preciso de um banho__saio do carro me sentindo tonta, olho em volta tentando saber onde estamos.__vamos dormi aqui essa noite, amanhã pela manhã temos uma avião para pegar.__para onde você vai me levar? __surpresa, mas garanto que você vai amar__antes mesmo dela sair do carro sei telefone toca....como assim a polícia? Você só pode está de brincadeira comigo__...não se preocupa, tenho um lugar seguro pra ir, é realmente tivemos sorte...não me liga novamente, espera por minha ligação.Ela desliga a chamada, fica alguns minutos olhando para a frente, quando volta a me olhar um largo sorriso brota em seu rosto.__os idiotas ainda acreditam que o babaca está vivo, tivemos sorte, a polícia chegou logo depois que saímos, vamos só tomar um banho, vou antecipar o nosso voo.Não falo nada, pois única coisa que quero é acabar com a raça dess
Susana...Chegou a pior hora, mesmo sabendo que logo estaremos juntas, me dói, depois de tantos dias sem vê-la, sem tocá-la, estou confiante, isso é o que me conforta conforta, sei que iremos consegui.__se você continuar a me olhar assim, te juro que não penso duas vezes, e te levo para longe daqui__me abraça, mas não tem como ficar indiferente com tudo isso.__vamos pensar positivo, tudo irá ficar bem, estou confiante__ela se mantém séria, tá muito apreensiva, mas não é pra menos.__você sabe dos perigos__respiro fundo, sei que ela está certa, mas quero viver a vida toda me escondendo.__sabemos dos perigos, mas acabar com a Livia virou uma questão de honra, so viveremos em paz, no dia que ela morrer.__hmmm, nasce uma nova Susana__sorrio com o jeito que ela fala__ depois disso iremos embora.__sim, iremos, sem olhar pra trás__nem sei o que farei com a Manu depois de tudo o que ela fez, mas assim que estiver livre, irei sentar com a Carol e iremos decidir juntas__Carol, acho que é m