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Capítulo 4

Autor: Luana
last update Fecha de publicación: 2026-08-12 01:18:58

O som do pagode já tomava conta da rua inteira. Luzes coloridas piscavam, gente dançava animada, e o clima era de pura descontração. Foi nesse cenário que Rafael, Leandro, Lucas e Roberto chegaram, ainda com o cansaço do plantão, mas com a energia lá em cima.

— Hoje a gente merece — disse Lucas, abrindo um sorriso enquanto puxava uma cadeira.

Eles se acomodaram em uma mesa mais afastada, mas com uma boa visão da roda de samba. Logo chamaram o garçom e pediram várias cervejas bem geladas.

— Pode caprichar, meu amigo — brincou Leandro.

Entre risadas, histórias do quartel e comentários sobre o movimento da festa, o grupo foi se soltando. A música envolvia, o ritmo contagiante fazia com que ninguém ficasse parado por muito tempo.

Foi então que Roberto, distraído, deixou o olhar vagar pelo ambiente… até parar.

Carla .

Ela estava linda, com seu top vermelho destacando ainda mais sua pele morena e o short jeans que chamava atenção. Ria com Rebeca, jogando o cabelo para o lado, completamente à vontade. Quando os olhos dela encontraram os dele, foi como se o resto do mundo tivesse diminuído.

Roberto sorriu de canto.

Carla não desviou.

— Já vi que alguém ali te interessou — cutucou Rafael, percebendo.

— Talvez — respondeu Roberto, levantando já com um ar decidido.

Sem perder tempo, ele caminhou até ela. Carla observou sua aproximação com um leve sorriso, curiosa.

— Você dança? — perguntou ele, direto, mas com charme.

Carla arqueou a sobrancelha, divertida.

— Depende… você dança bem?

— O suficiente pra não te fazer passar vergonha.

Ela riu.

— Então vamos descobrir.

Os dois foram para a roda de dança, se misturando à multidão. O ritmo envolveu os corpos, e logo estavam em sintonia, próximos, trocando olhares e sorrisos. A química era evidente.

Na mesa, Rebeca observava tudo com um leve sorriso, feliz pela amiga… mas também atenta.

Porque do outro lado, Rafael também olhava.

E dessa vez, não disfarçava tanto.

Leandro, sempre mais atirado, se aproximou de Rebeca, puxando conversa.

— Você tá linda hoje — disse, sem rodeios.

— Obrigada — respondeu ela, educada, mas sem se entregar muito.

Ele continuou tentando, fazendo elogios, contando histórias, se aproximando um pouco mais… mas Rebeca, apesar de sorrir, não estava totalmente ali.

Seus olhos, vez ou outra, escapavam.

Direto para Rafael.

Que, por sua vez, também não conseguia evitar olhar para ela.

Era um jogo silencioso.

Um tipo de conexão que não precisava de palavras.

Quando Roberto e Carla voltaram da dança, os dois já estavam mais próximos, rindo juntos, com aquela intimidade que nasce rápido quando a química é forte.

— Acho que alguém se deu bem — brincou Lucas.

— Fica na sua — respondeu Roberto, sorrindo.

Carla se sentou ao lado dele, naturalmente, como se já fosse o lugar certo.

A noite continuou animada. Cerveja, música, risadas… mas agora, com novas tensões no ar.

Leandro ainda tentava conquistar Rebeca.

Roberto já estava completamente envolvido com Carla .

E Rafael…

Rafael e Rebeca trocavam olhares que diziam muito mais do que qualquer conversa.

A noite prometia.

E aquilo tudo estava só começando…

A mesa agora estava completa, cheia de vozes, risadas e olhares curiosos. A música seguia animada ao fundo, mas ali, entre eles, uma nova história começava a se desenhar.

— Então vocês são bombeiros mesmo? — perguntou Carla apoiando o queixo na mão, olhando para Roberto com interesse.

— Somos sim — respondeu Lucas. — E sobreviventes de plantões puxados.

— Dá pra ver — brincou Rebeca, sorrindo de leve.

Rafael observava tudo em silêncio, mas seus olhos insistiam em voltar para ela. Rebeca percebia… e não fazia questão de disfarçar tanto assim.

Leandro, por outro lado, estava determinado.

— E você, Rebeca, sempre trabalhou com moda? — perguntou ele, se inclinando um pouco mais perto.

— Sempre gostei… mas foi com muito esforço que consegui abrir minha loja.

— Mulher determinada… gosto disso — disse ele, com um sorriso confiante.

Rebeca sorriu de volta, mas seus olhos escaparam mais uma vez… direto para Rafael.

Aquilo não passou despercebido.

Rafael tomou um gole de cerveja, pensativo. Lucas, que já tinha notado o clima no ar, deu um leve toque no braço dele.

— Acho que a gente tá sobrando aqui — murmurou, baixo.

Rafael soltou um pequeno sorriso de canto.

— Também acho.

Ele se levantou devagar.

— Galera, a gente vai nessa… amanhã o dia começa cedo.

— Já? — perguntou Roberto, surpreso.

— Alguém tem que ser responsável — brincou Lucas.

Leandro olhou rapidamente, mas por dentro até gostou da ideia de ter mais espaço com Rebeca.

Rafael, antes de sair, olhou uma última vez para ela.

E dessa vez, foi diferente.

Um olhar mais demorado.

Mais direto.

Rebeca sentiu.

E retribuiu.

Sem palavras… mas cheio de intenção.

— Boa noite — disse ele, com um leve sorriso.

— Boa noite — respondeu ela, quase no mesmo tom.

Rafael e Lucas se afastaram, deixando a mesa com uma nova dinâmica.

Leandro rapidamente se aproximou mais de Rebeca.

— Agora sim… mais tranquilo pra conversar — disse ele, animado.

Rebeca riu de leve, mas já não parecia tão envolvida quanto antes. Algo tinha mudado… ou talvez, alguém tivesse mexido mais com ela do que esperava.

Do outro lado, Carla e Roberto continuavam em sintonia, conversando baixo, trocando risadas e toques discretos.

O tempo passou rápido.

A música continuava, mas o cansaço começava a aparecer.

Carla olhou para Rebeca.

— Amiga… acho que já deu pra mim.

Rebeca concordou com um aceno.

— Pra mim também.

Ela se levantou, ajeitando o vestido.

— A gente vai indo — disse, olhando para todos.

Roberto fez uma leve cara de desapontamento, mas sorriu.

— Já?

— Amanhã tem trabalho — Carla, piscando para ele.

Leandro ainda tentou:

— Posso te acompanhar, Rebeca?

Ela sorriu, educada.

— Não precisa… mas obrigada.

Mais uma vez, delicada… e distante.

As duas se despediram e começaram a caminhar para fora, deixando para trás a música, as luzes e… algumas histórias começando.

Enquanto se afastavam, Rebeca não resistiu.

Olhou para trás.

Mas Rafael já não estava mais lá.

E, sem entender muito bem o porquê… aquilo deixou um pequeno vazio.

A noite tinha sido boa.

Mas algo dizia que aquilo tudo ainda não tinha terminado.

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