FAZER LOGINPOV: CALLIE
Cogitei em fugir, conhecia aos arredores e tinha isto como vantagem... Anos sendo caçada como uma presa ajudaram a treinar meus instintos de sobrevivência, meu olfato era meus olhos e cada árvore daquela floresta eu recordava bem o cheiro.
Minha mãe era uma loba sábia, Hunter havia capturado de outra cidade, não sei com precisão de qual alcateia que ela pertencia... Em um momento de fúria do meu pai, ao rasgar minha carne em uma de suas caçadas e arremessar-me contra uma rocha, o ouvir rugir:
— Eu achei que com o sangue raro da Lyra teria filhotes como descentes fortes, mas não, a Deusa resolveu nos punir e derramar sobre nós uma maldição graças a você... Desgraça da alcateia! — Brandou ele arrancando com as presas um pedaço do meu coro da barriga.
— Eu não sei se você está divagando ou bolando um plano de fuga. — A voz de Aaron me trouxe de volta ao momento.
— Eu.... — Murmurei, engolindo o nó na garganta incerta sobre o quanto deveria falar. — Não sei te explicar como fiz aquilo, apenas sei que você não deveria ir até lá se preza por sua vida!
— É uma ameaça loba? — Rosnou feroz o Alfa, a água vibrou ecoando um som um único, senti sua aproximação. — O que acha que era então?
— É apenas um conselho, meu rei... — Reverenciei com receio de ser ferida novamente, a poucos minutos antes a dor me dilacerava. — Acho que a Deusa Lua quer te dizer algo, não compreendo por que vejo o que vejo... Não sei por que sou assim, apenas sou!
O som de sua respiração estava pesado, como em um esforço grande para se conter, talvez aquele lobo negro não quisesse me machucar, ao menos, não naquele momento.
— Suas respostas são vagas demais! — Brandou enfurecido o Alfa. — Aquele lugar que me guiou, tem noção de onde era?
Remexi nervosa sem saber ao certo, quando uma corrente de vento rodopiou nossos corpos passando por minhas orelhas lupinas, sussurrando:
— Alvorada Selvagem... — Senti cocegas no ouvido, estremecendo sutilmente.
— Está com frio? — Aaron indagou passando as mãos por meus pelos como em uma carícia. — Seus tons de pelagem são incomuns... Callie, responda minha pergunta e retornaremos a pequena cidade.
— Acredito que seja a alcateia Alvorada Selvagem ao norte daqui... — Ainda de cabeça baixa, falei em um tom cordial. — Não precisa se preocupar comigo.
— Não estou! — Respondeu ele ríspido se afastando bruscamente — Mas quero respostas e não as terei se você morrer.
— Compreendo, meu rei. — Ergui o queixo em direção ao seu cheiro amadeira que atraia minha loba e a agitava. — Por isto ainda estou viva?
— Por enquanto... — Um assoviou sarcástico escapou por seus lábios, até mesmo seus sutis movimentos chamavam a minha atenção em uma conexão estranha que eu não compreendia. — Como conhece o nome desta alcateia?
— Ouvir os guardas falarem, Hunter a atacou roubando recursos, soube que o Alfa havia sucumbido e um de seus lobos designados se tornou o regente local... Acredito que tenha sido o pai dos irmãos Esmeralda e Vicent Houck. — Estremeci com a menção de seus nomes, sendo arrastada para a lembrança da caçada na manhã anterior, balancei a cabeça vagorosamente tentando apagar aqueles sentimentos ruins que se formavam.
— Você parece ter um passado com eles. — Observou o rei Lycan astuto. — Até que eu tenha as respostas para as minhas perguntas, você será minha prisioneira e andará acorrentada ao meu lado.
— Ao seu lado? — Falei em choque cedendo alguns passos para trás, suas mãos fortes agarraram meu corpo lupino mantendo no local.
— Me parece que você é daquelas fujonas, acho melhor garantir que não vá para lugar algum... — Rosnou ameaçador o Alfa caminhando comigo em seus braços. — A propósito, espero que goste de guerras, pois irá para uma comigo!
— Para a guerra? — Saltei de seu colo me encolhendo ao chão. — Por que me levaria para o campo de batalha? Que serventia uma loba cega teria para você?
— É exatamente este o ponto, lobinha! — Rosnando, Aaron agarrou sobre minha pelagem acima do pescoço e saiu arrastando de volta a cidade. — Droga, preciso te ensinar a se transformar.
— Me ensinar? — Engoli em seco com receio.
O alfa seguiu quieto, a respiração mais tranquila até chegarmos à cidade onde sua áurea poderosa se intensificou, senti seu lobo se agitar. Concentra-me, podia jurar que ouvia sua fera rosnar querendo sair. Não sei onde estávamos, mas farejei diversos cheiros de lobos e humanos, de ambos os sexos no local.
— O que está criatura está fazendo aqui? — Perguntou histérica com a voz aguda, uma loba fêmea.
Brandando, ouvi o rugido alto do rei Lycan ameaçador, o chão vibrava diante de seu poder, no ambiente ecoou o som trincado de uma rachadura que parecia vir das paredes.
— Eu acho que não fui muito claro com você, Kemilly! — Rosnou frio o Alfa. — Pegue esta loba e ensine-a a mutar para forma humana.
— Perdão meu rei, não quis ofender... — Gaguejou a loba. — Venha loba.
— Ela é cega, sua estupida! — Brandou o Lycan. — Parece que estou rodeado de incompetentes, Callie, siga o cheiro desta loba.
Apenas assenti seguindo-a, saímos do local, eu farejava com cuidado para não esbarrar em nada e nem ninguém.
— Como conseguiu persuadir o Rei Lycan para que ele poupasse sua vida insignificante? — Rosnou feroz Kemilly irritada.
Mantive-me em silencio.
— Além de cega é muda? Que perfeito, como vou ensinar algo a uma criatura quebrada? — A mulher parecia enfurecida — Anda logo, ainda por cima é lenta!
Suas garras fincaram em minha carne me arrastando para algum lugar longe de onde o rei Lycan estava, me agitei contorcendo com a dor sendo arrastada para o que parecia ser um galpão que fedia a sangue e poeira.
POV: RIGANUm apito ao fundo e o cheiro penetrante de álcool chamaram minha atenção. Aos poucos, fui abrindo os olhos, confuso. Estava olhando para um teto branco. Olhei em volta, assustando-me quando enormes mãos pousaram sobre meu ombro.— Rigan, você despertou! — A voz poderosa soou familiar, mas o medo e a confusão me dominaram.— Pai? — Disse, intrigado e em choque, olhando diretamente para ele.— Sim, filho. Você está bem? — Ele ameaçou encostar em mim novamente, mas desviei, arisco, rosnando de maneira instintiva.— Sua fera está controlada? — perguntei, a voz mais feroz do que eu pretendia, enquanto o medo e a raiva se misturavam dentro de mim.— Rigan, o que houve? — Ouvi minha mãe dizer, se aproximando. Olhei em volta, percebendo
POV: RIGANQuando as forças retornaram, corri até as patas queimarem e protestarem. Nenhum sinal da fera de meu pai. O campo de batalha era um cenário de completa devastação, com corpos espalhados e o cheiro acre de queimado ainda impregnando o ar. Por entre a destruição, um telefone tocava. O som estridente cortava o silêncio mortal ao meu redor.Procurei freneticamente entre os corpos até localizar a origem do som. Era o corpo de Meliodas, o Alfa daquela alcateia, estendido no chão. Ao lado dele, um aparelho celular vibrava incessantemente. Agachei, pegando o telefone com mãos trêmulas, e vi o nome de seu irmão, Constantine, na tela.Suspirei, sentando-me no chão. Nada disso podia ser real. O peso da tragédia parecia insuportável. Gritei alto, um som primal de dor que fez os pássaros em volta levantarem voo em um fren
POV: RIGANEle parou por um momento, as palavras parecendo penetrar sua consciência. Mas então, um rugido feroz escapou de sua garganta, fazendo o chão tremer.— Presa! — repetiu, avançando sobre mim com uma velocidade assustadora.Eu mal tive tempo de desviar do seu ataque, sentindo o vento cortante de suas garras passarem perto demais. Rolei para o lado, levantando-me rapidamente e encarando-o.— Pai, eu não quero lutar com você, mas se isso for necessário para trazer você de volta, eu o farei! — Declarei, minha voz firme apesar do medo que corria por minhas veias.Ele rugiu novamente, os olhos fixos em mim com uma fúria implacável. Sua figura era um contraste aterrador do homem que eu conhecia. A pelagem negra como a noite, coberta de sangue, e as presas reluzindo à luz fraca da lua, faziam dele uma visão infernal.
POV: RIGANUm pesadelo, o verdadeiro inferno na terra. Mantive os olhos fixos em Maeve, minha doce e pequena irmãzinha. Se eu tivesse ficado lá, poderia tê-la salvado. Como pude deixá-la?— Quem? — Rosnei entre as presas, sentindo a dor ser substituída por ódio e o desejo de vingança. — Quem fez isto?— Eles chegaram com suas armas tecnológicas, foi tão rápido... aquela sensação, aquela frieza, os olhos sombrios... — gaguejou minha mãe, acariciando o rosto de sua pequena filha. — Os coletes não foram capazes de conter, todos perderam o controle... Seu pai... Minha Deusa...— Mamãe, por favor, preciso que me conte o que houve... Onde está o corpo do meu pai? — Olhei novamente em volta, tentando localizar qualquer sinal dele. — Mãe?
POV: RIGANDescemos as montanhas em alerta, o caos havia se espalhado, transformando o lugar antes cheio de vida em um campo de corpos sem vida. Prendi a respiração, impactado com a cena diante de mim. Não conseguia localizar o inimigo que havia massacrado todos ali presentes.— Pela Deusa Lua, o que houve aqui? — Exclamei em choque. Constantine passou por mim, os olhos arregalados em descrença, caminhando entre seu povo morto, girando para contemplar o estrago com um olhar perdido.— Eu não entendo... Quem poderia ter feito isto? — Disse ele com a voz embargada. — Rigan, todos estão mortos!Farejei o ambiente, confirmando a terrível verdade. Não havia cheiro de vida, apenas o odor pesado e opressivo da morte.— Como isto aconteceu e tão rapidamente? — Passei as mãos pelos cabelos, a
POV: RIGANChegamos à alcateia, um lugar que antes era conhecido como a cidade dos errantes. Constantine havia feito grandes progressos no local com a introdução de tecnologia e desenvolvimento. A cidade estava agitada, com muitos carros passando para lá e para cá, e uma energia vibrante pairava no ar.Ao olharmos em volta, notamos várias lojas e comércios prósperos. Uma cafeteria, em particular, chamou minha atenção. Estava cheia de adolescentes sentados, conversando animadamente, rindo e compartilhando histórias, suas vidas entrelaçadas em uma teia de amizade e crescimento.— Incrível, não é? — comentou Constantine com orgulho, seus olhos brilhando enquanto admirava a alcateia que ele administrava como líder. — Graças aos investimentos do Alfa Supremo e à sua liderança, conseguimos erguer as alcateias e evoluir. Agora, temos duas faculdades para a nova geração. Não precisarão ser apenas guerreiros; podemos ser muito mais além da for







