FAZER LOGINEu ainda tentava acertar Gabriel com o limpador de piscina quando minha mãe saiu de casa.Ela parou assim que viu Lucas.— Lucas?!O susto em sua voz fez Lucas perder o pouco do sorriso que ainda tinha. Ele abaixou os olhos e enfiou as mãos nos bolsos.— Oi, madrinha...— Mãe, eu fiz as pazes com ele. E chamei ele para almoçar com a gente — expliquei, largando o limpador de piscina.Minha mãe olhou para mim.Depois para Lucas.Depois para mim novamente.Eu suspirei.— Eu sei... É muita informação para menos de vinte e quatro horas. Mas a gente está bem agora. Eu não gosto de ficar brigada com ele.Olhei para Lucas.Ele ficou vermelho e desviou o olhar.— Espero que vocês não briguem mais. Vocês sempre se deram tão bem... — minha mãe respondeu com mais tranquilidade, voltando a organizar a mesa. — Seu pai está vindo almoçar. Ele já deve estar chegando.Foi só ela falar aquilo para Lucas ficar tenso.Ele me olhou.— Alice... Acho melhor eu ir embora. Outro dia eu almoço com vocês.— Nad
— Mãe?! Estamos falando do Lucas! Ele nunca fez mal a uma mosca! Ele ama animais e é gentil com todo mundo! Ele nunca iria tocar em mim dessa forma! — falei desacreditada com o que meu pai tinha pensado na noite anterior.— Eu sei... Mas seu pai é pai. Se Lucas não tivesse falado a tempo qual foi o verdadeiro motivo, ele iria apanhar, com toda certeza! Seu pai ficou cego, Alice! Vocês, adolescentes, fazem um vento se transformar em um furacão! Já parou para pensar se seu pai tivesse machucado Lucas?! Com certeza a amizade dele com William seria abalada, e sabe lá Deus o que poderia acontecer! Então, pelo amor de Deus, Alice! Se acontecer alguma coisa que te chateie ou algo do tipo, seja clara! Não rodeie nem enrole para falar! Porque, com certeza, seu pai vai tentar adivinhar.— Desculpa, mãe! Eu estava nervosa.— Quer me contar direito o que aconteceu? Porque seu pai já me falou que você gosta do Lucas.Respirei fundo.— Tudo bem. Ontem, na festa, ele ficou escondido com a pior garot
Eu estava paralisada em frente à janela quando eles saíram.Nunca tinha visto meu pai daquele jeito.Parecia um lobo pronto para atacar Lucas.Meu coração socava meu peito.Só consegui me mexer depois de algum tempo. Voltei para a cama ainda com a respiração ofegante.Bateram na porta.— Filha, abre. Eu preciso conversar com você...Levantei ainda trêmula ao escutar a voz do meu pai e abri a porta.Ele me olhava mais calmo, com as mãos na cintura.— Você ainda não me deu aquele abraço.Meu pai entrou no quarto e me abraçou.Voltei a chorar em seus braços.O abraço do meu pai era o melhor lugar do mundo.Eu me sentia protegida. Ele era grande, e eu, pequena e magra. Quase desaparecia naquele abraço de urso.Meu pai foi me soltando conforme eu me acalmava e analisou meu rosto enquanto enxugava minhas lágrimas.Pedi para ele se deitar comigo.Ele sempre fazia isso, ficava ao meu lado e fazia cafuné quando eu estava triste ou doente. Mesmo crescida, eu ainda estava acostumada com aquilo.
Saí da casa de Felipe sem rumo, correndo.Escutei a voz de Lucas ao longe, me chamando, bêbado.Continuei seguindo pelo meio da rua. Estava decidida a ir embora andando. Afinal, não era muito longe.Olhei para trás, chorando, e vi Lucas bem distante tentando me seguir, mas Larissa o segurava e os dois pareciam discutir. Ele tentava andar, trocando as pernas por estar bêbado.Voltei a chorar.Andei o mais rápido possível, intercalando os passos com pequenas corridas, apenas para tirá-los da minha vista.Eu não conseguia parar de chorar.Minha boca começou a salivar e senti vontade de vomitar. Parei, me abaixei e vomitei como se estivesse doente.Limpei a boca com o corpo trêmulo e voltei a andar rapidamente até chegar em casa.Eu estava em desespero.Meu peito queimava e parecia que eu iria morrer de tristeza.Quando avistei minha casa de longe, voltei a chorar.Eu queria o meu pai.Queria muito o meu pai.Mas, ao mesmo tempo, não queria falar com ninguém.Abri a porta de casa e todos
Com o passar das horas eu não melhorei e eu ainda estava deprimida por causa do meu pai. Eu sabia que eu precisava fazer as pazes com meu ele para poder ficar tranquila naquela festa, decidi ir até o Lucas novamente onde ele estava sentado em um sofá de varanda com seus amigos conversando e dando gargalhadas.- Lucas me empresta o seu celular novamente? - Perguntei com aperto no coração e ele percebeu o meu semblante triste e parou de rir e se levantou me entregando.- Você está bem? - Lucas perguntou preocupado. Eu confirmei com a cabeça quando eu ligava para meu pai e me afastei do grupo e meu pai atendeu.- Lucas? - A voz do meu pai era de preocupação.- Oi Pai sou eu. - Respondi já sentindo vontade de chorar e ouvi ele suspirar pela ligação. - Filha... - Pai eu não quero que você fique bravo comigo. - Desabafei chorando sem conseguir me controlar. - Alice, eu sou o seu pai... Eu não quero que você me esconda as coisas, só isso! Eu não te dou motivos para você esconder nada de m
Ao menos meu pai estava com o meu celular e não ficaria me ligando.Eu estava irritada com os meus pais, e Lucas estava irritado com os pais dele.Quando chegamos à casa do Felipe, desci da moto e tirei o capacete. Lucas fez o mesmo.— Sério que eles estavam pensando que a gente estava transando?! — Lucas perguntou baixo, desacreditado, enquanto apertava a campainha do casarão dos pais de Felipe.Meu rosto corou só de ouvir aquela palavra.Eu me sentia completamente constrangida com aquela conversa.— Eles são loucos!No momento em que respondi, o celular de Lucas tocou. Ele me mostrou a tela e vi que era tio William ligando.— Melhor você atender — respondi preocupada.Até porque eu tinha fugido de casa no calor da raiva. Agora, com a cabeça mais fria, começava a ficar com medo de me meter em mais confusão.Lucas atendeu suspirando.— Oi... Sim, ela está comigo! Eu peguei ela pela janela do quarto dela. Avisa ao meu padrinho para ele ficar tranquilo, porque eu não entrei no quarto de







