Mag-log inVisão de MarianaO quarto do Henrique estava na penumbra, iluminado apenas pela luz fraca do abajur no formato de nuvem que a Laura tinha escolhido.O cheiro era de talco e leite, aquele cheiro gostoso de bebê que eu nunca ia cansar de sentir.Ele estava deitado no berço, com os olhos já pesados...— Quase um ano — sussurrei, passando os dedos pelos cabelos finos e escuros dele. — Como é que você já vai fazer um ano, meu amor?Ele piscou lentamente, com os olhos claros me encarando com aquela confiança de quem sabe que está seguro.
A Primeira Viagem em FamíliaVisão de MarianaA mala parecia um campo de batalha. Roupas dobradas, desdobradas, amassadas, jogadas para cima, jogadas para baixo.Fraldas empilhadas em montanhas… P, M, G, noturnas, de pano, descartáveis.Pomadas, lenços umedecidos, álcool em gel, termômetro, aspersor nasal, seringa sem agulha para dar remédio.O quarto do Henrique tinha virado um centro de distribuição logística.— Eu acho que estou exagerando — eu disse, olhando para a pilha de fral
A manhã seguinte começou com choro.O Henrique acordou às 5h47, com fome. Mariana já estava sentada na cama, com os travesseiros empilhados nas costas, pronta para amamentar.— Você não dormiu? — perguntei, bocejando.— Dormi… umas duas horas.— É pouco.— É o suficiente por enquanto.Ela colocou o bebê no peito, e ele se agarrou com uma ferocidade que me impressionou.Enquanto ela amamentava, fui até a cozinha, preparei uma bandeja com
Visão de MarianaA suíte pós-parto era um oásis de silêncio e luz suave.Eu estava deitada na cama, com os travesseiros empilhados nas costas, o corpo dolorido e exausto.Cada músculo parecia ter sido esticado além do limite.A região íntima ardia, as costas doíam, e os seios estavam pesados, cheios de leite que ainda não tinha descido direito.Mas o Henrique estava ali.Ele dormia no berço ao lado, enrolado em uma manta azul, com o gorrinho branco na cabeça.
Ele segurou a minha mão, pegou a mala com a outra, e caminhamos para a entrada. Uma enfermeira já estava à nossa espera, com uma cadeira de rodas.— Sra. Ferreira? Pode sentar.— Eu consigo andar.— É protocolo. A senhora não vai discutir protocolo agora.Sentei.A cadeira de rodas era desconfortável, mas a enfermeira empurrava com segurança.No corredor, o cheiro de antisséptico era forte, mas não me incomodava.As luzes brancas doíam nos o
Visão de MarianaMinha barriga chegou num ponto em que eu não via mais os meus pés.Não era exagero.Eu olhava para baixo e só enxergava uma montanha redonda, esticada, cheia de estrias que eu passava creme todo dia na esperança de diminuir.Os pés estavam inchados… tanto que os chinelos da Eliete não entravam mais.Minhas mãos também e o anel de casamento, que eu nunca tirava, estava guardado numa caixinha na mesa de cabeceira, esperando os dedos voltarem ao normal.— Você está l







