INICIAR SESIÓN— Nós vamos conseguir, filho — digo, sentindo-me mais forte e determinada agora.
No final da tarde algumas nuvens cinzas ofuscam a luz do sol, mas a ansiedade de me ver livre dessa prisão está me consumindo por dentro. Não consegui dormir como a Ava me pediu e mal toquei na comida também. Eu simplesmente não consigo engolir nada. E como um presságio cruel uma tempestade engole a luz do dia de repente. Raios e trovões riscam os céus nebulosos e nervosa, já começo a contar os minutos. A porta se abre em um rompante e o meu corpo inteiro se estremece quando Ava passa por ela.
Olhar assustado. Respiração ofegante. Algo está acontecendo. Eu sei que sim.
— Precisamos ser rápidas, Senhora! — Ela diz com uma voz carregada de tensão. — Não temos muito tempo.
— O que está acontecendo, Ava? — Procuro saber. Entretanto, ela me encara e finalmente vejo um medo crucial em suas retinas.
— O senhor Vittorio chamou o médico da família.
— Ele o que?
— Ele quer acelerar o parto, Senhora. Uma fazer uma cesariana de emergência.
— Mas… ainda tenho algumas semanas.
— Ele a quer de volta, não importa i que isso irá custar para ele.
Um silêncio sepulcral se instala entre nós.
— Vista isso, Senhora e depois, quero que corra. Corra para bem longe! — Ava me ajuda a pôr um casaco com capuz e como se fosse um pássaro cuja gaiola deixaram a porta aberta, saio apressada pelo corredor semiescuro, direto para a ala dos empregados.
… Saia pelas portas dos fundos.
Me lembro das palavras de Ava e ao abrir a porta, as gotas grossas da chuva molham meu rosto. Respiro o ar frio da noite que parece querer cortar a minha garganta e ponho o capuz antes de sair correndo na direção da mata. Um raio ilumina o meu caminho e um grito apavorado escapa da minha garganta. Levo uma mão para o meu ventre e tento manter a calma. Contudo, um disparo seguido de um clarão dentro do quarto do quinto arranca me faz paralisar ali mesmo.
Ava!
Penso em voltar, mas hesito entre a minha liberdade e uma amiga que ousou me devolver a minha liberdade.
… Corra!
… Corra!
… Corra para bem longe!
E eu corro. Não demora e alguns latidos surgem a alguns metros atrás de mim. Um trovão ruge violento pelo céu negro e a chuva se intensifica.
— A ribanceira!
Digo quando finalmente a encontro e corro imediatamente para lá. Fito a água escorrendo por entre as folhas encharcadas, carregando galhos quebrados pelo caminho. Os latidos me fazem olhar para trás. Eles estão cada vez mais perto e eu preciso me apressar. Penso quase desesperada. Portanto, me apresso a descer, mas escorrego pela lama negra e aos gritos, desço com tudo, rolando até chegar ao fim da jornada.
— Ai!
Uma pontada forte na minha barriga me faz levar a mão para o meu ventre. Respiro fundo algumas vezes para tentar aplacar a dor aguda e me forço a levantar quando percebo algumas lanterna no alto da ribanceira. Olho ao meu redor.
A estrada. Onde ela está?
… Um amigo a aguarda com uma caminhonete cheia de verduras.
… Ele levará para a cidade vizinha.
Uma pontada de dor mais forte me faz arrastar para uma direção. Caminho, dessa vez com dificuldade, segurando em cada tronco de árvore escorregadio.
— AAH!!! — Solto um rosnado forte quando a contração vem ainda mais forte.
Respiro fundo mais vezes.
— Agora não, filho! Agora não! — rogo cansada e finalmente alcanço a estrada, mas não vejo uma caminhonete em lugar nenhum. — Por favor! Por favor! — rogo e começo a chorar em desespero.
— Ela está ali! — Alguém grita e encontro forças para correr, dessa vez pela estrada estreita.
— Oh Deus, me ajude! — Faço uma prece, levando o meu olhar para o céu escuro com dificuldade devido as gotas pesadas da chuva. Contudo, um farol no meio da estrada chama a minha atenção e sem pensar duas vezes, ergo as minhas mãos, correndo na sua direção. — Por favor, me ajude! Me ajude! — grito com desespero.
O veículo freia bruscamente a centímetros de mim e quando uma sombra imponente sai de dentro dele, perco as minhas forças e desmaio.
— Se em trinta dias ela não mostrar a eficiência que você precisa, eu mesma a demitirei. Mas se você a enxotar dessa empresa como fez com as outras. Eu juro, Vincenzo, que eu mesma me demito. — Ela rebate e sai da minha sala no mesmo instante.Eva passa pela porta, fechando-a logo em seguida e eu volto a ocupar a minha cadeira. No mesmo instante a porta se abre e uma loira passa por ela. Ela me abre um sorriso profissional e ergue um tablet protetoramente rente a seus peitos.— Bom dia, senhor Vincenzo! Meu nome é Lucile e serei a sua assistente por hoje. Podemos ver a sua agenda agora? — Sem emitir som, faço um gesto de mão e aponto uma cadeira para ela. — Ok, o senhor tem uma reunião importante…Me perco em meio a imagem dos seus beijos. Eram insanos e famintos. Algo tão carnal. Nada emocional. No fundo eu sabia que ela nunca seria minha. Um desencontro de almas. Um amor nada puro. E eu sempre me entregava aos seus caprichos. No fundo eu sempre soube; eu me tornaria a sua segunda op
Adeus Nella!Um ano após a nossa despedida, essas palavras ainda gritam dentro dos meus ouvidos. Reverberam por cada terminação nervosa do meu corpo, rasgando o meu peito, fazendo o meu coração sangrar.Deus sabe que eu quis correr ao encontro dela. Eu quis impedi-la de partir. Mas no fundo eu sabia; Nella precisava sair da minha vida. Eu precisava dá um fim a esse sentimento doentio que me sufocava por dentro. Me mantinha seu prisioneiro. Eu precisava me libertar da sombra da minha própria traição. Contudo, não me sinto limpo. Pelo contrário, eu sou a própria treva andando por caminhos gelados e sem vida. E por mais que meu irmão me diga: eu perdoei os seus pecados, não me sinto livre.— Que merda é essa? — O silêncio do amplo escritório é quebrado pelo meu rosnado implacável, direcionado a mulher em pé na frente da minha mesa. Contudo, não tiro os meus olhos dos papéis que ela me entregou há poucos minutos. — Chama essa porcaria de relatório?Dessa vez, encaro o seu olhar que tem um
AdelinaMe consideram uma força da natureza. A final, eu sobrevivi a perda do meu pai e do meu irmão em um trágico acidente de avião. Mas agora vivo sobre a linha tênue entre a vida e a morte de minha mãe. Penso, enquanto observo as dezenas de medicamentos espalhados em cima da minha mesa.O fato, é que não me considero uma força da natureza. Porque se eu fosse, não estaria com medo de perder a única pessoa que amo nesse mundo.— Ah, você está tão linda, filha!A voz fraca de mamãe me faz fitá-la. Ela força um sorriso para mim, mas no fundo, eu sei que as dores a consomem por dentro.— Ainda não sei se vou a essa festa, mamãe — retruco, separando um coquetel de comprimidos em um pequeno copo descartável.— Que bobagem, querida. É claro que você vai. E eu quero que se divirta muito essa noite.— Mamãe...Tento replicar, mas ela continua. Entrego-lhe os medicamentos e um copo com água.— Se não quer fazer isso por você, faça por sua mãe, Adelina.Suspiro quando a campainha começa a toca
Flora DeenUm ano depois…Querido Papai Noel,Meu nome é Flora Deen, mas o Senhor já sabe disso, certo? Antes de fazer o meu pedido especial para esse ano, quero te agradecer por atender o meu pedido no ano passado. Estou muito feliz de ter o meu papai de volta e estou mais feliz ainda por ganhar uma nova mamãe tão linda e tão carinhosa. É sério, eles são perfeitos juntos. Mas já está na hora de eu ganhar um irmãozinho, não acha? Ah, só para o Senhor saber eu fui uma boa garotinha o ano inteiro. Mas isso o Senhor também já sabe. Então, espero ansiosa pelo meu PRESENTE ESPECIAL DE NATAL.— Flora? — Escutar a voz de Mia me chamando me faz dobrar a minha cartinha imediatamente e logo a escondo debaixo do meu travesseiro. — Flora? — Ela volta a me chamar e no segundo seguinte a porta do meu quarto se abre. Seus lindos olhos me avaliam por alguns segundos. — O que você está fazendo aí, Bonequinha?Bonequinha. Esse foi o apelido novo que eu ganhei desde que eles começaram a levar o relacion
FranckAlgumas horas depois…— Espere, filho. — Mamãe pede com carinho assim que desço o último degrau da escadaria da sua casa. Logo ela começa a ajeitar a gola da minha camisa de botões, que está por baixo da camisa de caxemira e quando termina, ela sorri, olhando dentro dos meus olhos. — Eu esperei tanto por esse momento. — Apenas beijo calidamente a sua testa. — Senti sua falta, Franck. Senti falta desse seu sorriso e de ouvir o som da sua voz.— Também senti saudades, mãe — falo, segurando em cada lado do seu rosto. — Me desculpe por demorar tanto! — Seu sorriso se amplia.— O importante é que você veio e que está aqui conosco. — A abraço fortemente.— Temos que ir ou vamos nos atrasar — ralho quando nos afastamos.— Sim, sim. A Mia já deve estar nos esperando.E eu estou explodindo de ansiedade de vê-la novamente.— Onde está a Flora?— Provavelmente ela curtindo o seu mais novo brinquedo. — Papai responde adentrando o cômodo. No entanto, subo as escadas de volta e vou direto pa
Franck— Então, como se faz isso? — pergunto para a minha filha, encarando com diversão a branca neve que cobre o chão como se ela fosse um imenso tapete felpudo.— É bem simples, papai. Primeiro, você precisa se deitar na neve. Depois começa a abrir seus braços e pernas várias vezes.— Está me dizendo que isso dará forma a um anjo? — ralho, fitando a menina que me lança um olhar perspicaz.— Isso. Assim, papai. — Flora imediatamente se deita no chão gelado e começa a mexer seus braços e pernas, e aproveito para tirar algumas fotos suas com o meu celular.Contudo, eu só consigo pensar em quanto tempo eu perdi longe dela. Esse seu sorriso lindo, essa sua alegria infantil, as suas notas na escola, as novidades do seu dia a dia. Como eu fui tolo em pensar que estava sozinho nesse mundo. E eu sei que decepcionei a Lisa de todas as formas possíveis. Decepcionei a mãe da minha filha, porque eu bem sei que a última coisa que ela esperava de mim era o abandono.— Vem, papai! — Flora me chama







