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Capítulo 3

Author: JacqueAuthor
Balanço a cabeça. Não.

Sem parar, balanço a cabeça, implorando para que este momento seja um pesadelo.

Mas Asher apenas me observa, com os lábios se curvando num sorriso frio e calculado. Os olhos dele brilham de diversão, como se estivesse apreciando o jeito como eu desmorono diante dele.

Ele não diz nada. Apenas observa. Como um predador brincando com a presa.

Tento absorver as palavras dele, dar algum sentido a elas, mas não encaixam. Não fazem sentido.

— Mas você é casado — sussurro, com a voz tremendo. — Você seguiu em frente. O que está dizendo? Eu não entendo.

Ele ri, baixo e frio, com a zombaria me cortando por dentro.

— Parece que você se deixou levar pelos seus sentimentos, Ariella. — A voz dele é provocadora, cruel.

— Eu nunca disse que te amava. Nunca disse que ia me casar com você. Nunca disse sequer que você tinha qualquer importância.

Prendo a respiração.

— O que eu disse — continua ele, com um tom transbordando veneno — foi que você é meu brinquedo. Vou te usar até não sobrar nada. Até você não se reconhecer. Até ninguém conseguir te reconhecer.

Ele se inclina para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto o olhar escuro queima nos meus olhos.

— Vou me divertir destruindo cada pedaço de você.

Lágrimas ardem nos meus olhos. Minha garganta se fecha, mas me forço a falar.

— Por favor, não me machuque, Asher — imploro. — Já faz anos. Você já seguiu em frente. Você tem uma família agora. Você está feliz. Por favor... apenas esqueça de mim. Me desculpe...

Outra risada cruel.

— Por que diabos eu faria isso? — Ele inclina a cabeça, com a expressão sombria.

— Eu, Asher Romano, sou um homem de palavra. Eu nunca volto atrás na minha palavra. E cinco anos atrás, prometi fazer você se arrepender do que fez comigo.

A voz dele baixa ainda mais, mais fria.

— E pretendo cumprir essa promessa. Até o fim.

Ele se recosta de novo, completamente à vontade.

— Você já deveria saber, Ariella, eu nunca perco e nunca recuo. Nunca.

— Mas eu... já faz anos, eu pensei...

— Ariella, cinco anos atrás, você achou que podia zombar de Asher Romano. Cinco anos atrás, você achou que podia brincar com os meus sentimentos. E isso acaba hoje. Eu vim cobrar.

Sinto que estou me sufocando com meus próprios pensamentos.

— Eu achei que você tivesse fugido em busca de uma vida melhor — continua ele, com escárnio. — Não esperava que estivesse vestindo esses trapos e vivendo de gorjetas. O que aconteceu com a Princesa Ariella? Aquela que podia ter tudo? Aquela que achava que podia conquistar tudo? A vida fora da família não foi um mar de rosas, foi?

Não me resta nada a não ser chorar, deixando as lágrimas caírem.

Ele se levanta de novo e caminha em minha direção. Devagar. Com determinação. Quando me alcança, ergue uma mão e enxuga uma lágrima da minha bochecha esquerda. Estremeço, mas não me movo.

Então, para o meu horror, ele a leva à boca e a engole.

— Adoro o gosto das suas lágrimas — murmura. — Vai haver muito choro para você no futuro.

A voz dele é calma, quase gentil. Isso só torna tudo pior.

— Agora que você está nas minhas mãos, as coisas que eu poderia fazer com você são infinitas.

O pânico cresce dentro de mim. Leon.

Penso no meu filho. No meu bebê. Ele precisa de mim. Eu tenho que sobreviver a isto.

Forço o máximo de firmeza que consigo na voz.

— Eu não pertenço mais à Famiglia. Saí anos atrás, e não vou voltar.

Respiro de forma trêmula, com a voz vacilante.

— O que aconteceu foi... eu não sabia o que estava fazendo na época... eu era uma adolescente. Não sou mais aquela pessoa. Então, por favor, apenas me deixe ir.

Silêncio.

Então... ele ri. É grave. Sombrio. Divertido. Bate as mãos uma na outra, devagar e de propósito. Uma ovação zombeteira.

— Que baita atuação — diz ele com sarcasmo.

— Agora. De joelhos.

A voz dele está carregada de comando, poder e autoridade absoluta.

Eu congelo. Minha mente está em guerra consigo mesma. Uma parte de mim quer obedecer, mas... por que diabos eu estaria me ajoelhando?

Será que ele vai me executar? O pensamento escapa dos meus lábios antes que eu consiga me conter.

— Você vai me executar?

Ele ri. Devagar. Sombrio. Enrolando os dedos nas pontas do meu cabelo, brinca com elas com preguiça, como um gato que provoca um rato encurralado.

— Por que eu iria querer te executar? Ainda mais num lugar tão público? — O tom dele é quase divertido. — Quer dizer, pensa em todo o trabalho que eu teria... encobrir tudo, lidar com o restaurante, a limpeza. Seria um baita aborrecimento. E você não vale a pena.

Ele se inclina, com a respiração quente contra a minha pele, e sussurra:

— Eu poderia simplesmente te levar, te liquidar e te jogar para os meus cães.

Um arrepio de horror me percorre. Meus olhos se arregalam de medo, e ele dá uma risadinha. Então... de repente... a expressão dele muda de novo. Fria. Distante.

— De joelhos. Borboletinha...

Hesito por apenas um instante antes de me ajoelhar. Que escolha eu tenho?

Ele me olha de cima, brincando com o meu cabelo, tocando o meu rosto, passando os dedos pelos meus lábios como se estivesse me testando, brincando comigo.

Meu estômago se contorce de nervosismo. Não sei o que ele quer. Não sei o que ele vai fazer.

Desesperada, finalmente sussurro:

— O que você quer, Asher? O que vai te fazer me deixar ir?

A mão dele agarra meu queixo, forçando-me a olhar para cima, para ele.

— Eu quero muitas coisas de você, Ariella. — A voz dele é baixa, quase gentil. Mas as palavras cortam ainda mais fundo.

— Eu quero tudo. — Ele se inclina mais perto, com o aperto se intensificando.

— E eu nunca vou te deixar ir. Não até eu dar o meu último suspiro ou você dar o seu. Porque você...

Os olhos dele queimam nos meus.

— Você me pertence.

Um soluço sobe rasgando pela minha garganta.

— Eu não entendo! — grito, com a voz quebrando. — O que você quer de mim?

Um sorriso de canto lento surge nos lábios dele.

— Você, Ariella. — O tom dele é cruel. — Você acabou de se tornar uma das muitas vadias à minha disposição.

Ele inclina a cabeça, observando-me como um predador que saboreia a presa.

— Então... parabéns. Você acabou de ganhar na loteria.

Olho para ele, com os olhos cheios de horror.

— O quê? Não. Nunca! — Minha voz está trêmula, mas firme. — Eu nunca seria isso. Já passei por demais. Sofri demais. E nunca me rebaixei tanto assim. Nem por você. Nem por você. — Balanço a cabeça repetidas vezes.

Ele apenas parece achar graça, com os olhos escuros reluzindo com algo indecifrável enquanto me encara de cima. O contraste é quase risível... eu, de joelhos, e ele de pé, alto e poderoso acima de mim.

Ele roça os dedos pelos meus lábios, devagar e de propósito.

— Você não tem escolha.

A voz dele é calma, mas há algo aterrorizante por baixo da superfície.

— De agora em diante, você não tem voz. O que eu digo é o que vale. — Ele inclina a cabeça, observando-me, esperando minha reação.

— Se a família descobrir o que você fez... se descobrir que você fez troça deles, que destruiu de propósito a casa da sua família só para poder fugir... — Ele deixa a frase no ar, estudando-me. Então, a voz dele baixa, zombeteira. — E para quê? O que exatamente você andou fazendo todos esses anos, Ariella? Qual foi o propósito de todo aquele drama...?

Balanço a cabeça, com a respiração presa na garganta.

Eu não posso contar a ele.

Eu não vou.

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