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Capítulo 78: Um amigo - parte 1

Autor: Evy
last update Fecha de publicación: 2025-08-07 06:30:30

Tommy não olhou para trás, a floresta parecia engolir suas pegadas enquanto ele atravessava os limites da Ventos Sombrios. O coração batia acelerado no peito, e não era apenas pela pressa, havia algo pesado e urgente queimando dentro dele. Ele precisava chegar à Lua Sangrenta antes que fosse tarde demais.

O vento frio da tarde cortava seu rosto enquanto ele corria. A imagem de Camilla surgiu em sua mente, o olhar preocupado o beijo trocado antes que el partisse, a promessa que ele fez de que vo
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    Alguns dias depoisO clima tinha mudado completamente.O peso do luto ainda existia, era impossível não existir, mas agora conviviam com ele alegria, alívio e esperança. O que foi destruído havia sido reconstruído e desde a manhã os aliados que ajudaram na guerra e seus familiares e amigos próximos estavam chegando para a comemoração. A alcateia estava enfeitada com lanternas de vidro, laços brancos e pequenas tochas que iluminavam o pátio inteiro. Alimentos de todos os tipos estavam dispostos em mesas longas. Raposas e lobos comiam lado a lado, bruxas dançavam entre eles com vestidos fluidos.Era uma festa, finalmente uma festa sem medo. Desde o aniversário de Lua aquela era a primeira, e era irônico que as coisas começassem e terminassem com uma comemoração.Lua e Caleb estavam próximos à fogueira principal. Ele girava ela pelos braços, e Lua ria como não ria desde a adolescência. Os olhos roxos brilhavam com amor enquanto Caleb, completamente apaixonado, olhava para ela como se a

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    A viagem de volta para a Lua Sangrenta parecia mais longa do que realmente era, não por causa da distância, mas por causa do peso.O peso dos passos, o peso da vitória, o peso das ausências.A neve tinha parado de cair quando atravessaram as terras de ninguém e se afastaram das montanhas, onde o clima era mais frio, mas o silêncio que acompanhava a alcateia parecia ainda mais denso que o frio. Lobos caminhavam devagar, alguns mancando, outros apoiando amigos, irmãos, companheiros. As raposas vinham logo atrás, mantendo uma formação unida, honrada. As bruxas fechavam a retaguarda, exaustas, mas dignas, com as mãos ainda marcadas pelos feitiços que salvaram tantos.River estava à frente.A postura ereta, imponente, mas não havia orgulho em seu caminhar, havia luto. Porque, mesmo vitoriosos, a vitória era amarga, haviam perdido muitos, e muitos se sacrificaram para que chegassem onde estavam agora.Lyra caminhava ao lado dele, a mão entrelaçada na dele, mesmo com o braço doendo tanto que

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    — River… — sussurrou.O alfa supremo se virou imediatamente ao ouvir a voz dela, e por um instante, toda dor, toda selvageria evaporou.— Meu amor…Ele atravessou o espaço entre eles cambaleando, mas determinado. Quando chegou até ela, caiu de joelhos sem hesitar, puxando-a para os braços.O impacto do abraço foi quente, forte, desesperado.Lyra enterrou o rosto no pescoço dele, soluçando sem conseguir segurar.— Eu achei que te perderia… — a voz dela tremia. — Eu achei… eu achei…— Nunca. — River segurou o rosto dela entre as mãos manchadas de sangue. — Nunca vou te deixar Lyra. Eu sempre volto para você, sempre.Ela riu e chorou ao mesmo tempo, o corpo inteiro tremendo.Os dois se beijaram.Não um beijo rápido, mas um beijo carregado de tudo, dor, saudade, medo, amor, alívio, tudo o que não conseguiram dizer enquanto lutavam pela própria vida. O beijo era a promessa que nunca puderam quebrar.Ao redor deles, Lua e Caleb se aproximaram, também voltando à forma humana, exaustos, mas v

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    O silêncio que se seguiu à morte de Atlas não parecia real.Era um silêncio pesado, carregado, como se o próprio ar estivesse tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Durante um segundo, um único segundo, o campo de batalha congelou. Lobos, raposas, bruxas, todos ficaram ali, respirando o cheiro de sangue, observando o corpo gigantesco do lobo cinzento tombado na neve, já sem vida, sem poder, sem ódio. Agora apenas uma casca vazia e morta.River ficou sobre ele, ainda em sua forma de supremo, respirando como um animal prestes a cair. O peito subia e descia em golpes irregulares, e o vapor quente escapava das narinas enormes em jatos violentos. O sangue de Atlas escorria pelas garras negras, pingando em linhas grossas que evaporavam ao tocar o corpo quente do Lycan. Mais uma vez o supremo havia triunfado, mais uma vez, a Lua Sangrenta havia vencido, por todos os que se foram antes disso, nas batalhas anteriores pela segurança de todos que já foram ameaçados por Atlas.Um mom

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    O lobo cinzento arregalou ainda mais os olhos. Pelo campo, o rugido da voz do supremo se espalhou como um trovão mental, atingindo cada mente ali.“Mande seus homens pararem!” As palavras vinham rasgadas, guturais, mas claras.Vários lobos de Atlas engasgaram com o próprio ar.Alguns olharam um para o outro, confusos, sem saber se obedeciam ao medo antigo que tinham do rei das montanhas ou ao respeito instintivo que sentiam pelo supremo. Raposas pararam, as orelhas em pé. As bruxas suspenderam os feitiços ofensivos, mantiveram só as barreiras, esperando.Dentro da cabeça de Atlas, outra guerra começou.“DÊ A ORDEM!” River pressionou um pouco mais a pata contra o peito dele, sentindo as costelas do irmão rangerem. “Acaba com isso. Agora.”Atlas riu, uma risada quebrada, desesperada, mas que ainda transbordava arrogância.“Você acha… que eu vou obedecer você?” A voz veio áspera, com dificuldade, mas o veneno continuava lá. “Você realmente acha que eu vou ver meus homens deitarem como ca

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    O choque dos dois monstros ecoou pelos penhascos como um trovão.O corpo colossal do supremo e o lobo cinzento de Atlas se encontraram no ar, garras contra garras, dentes contra dentes, peso contra peso. O impacto foi tão violento que a terra ao redor explodiu como se tivesse sido atingida por uma bomba, terra suja de sangue voando para todos os lados.Rolaram juntos, um emaranhado de pelos escuros e cinzentos, sangue e fúria. O rugido dos dois era um som bruto, quase impossível de distinguir quem era quem por alguns segundos. Eles se separaram, escorregando pelo chão, deixando rastros vermelhos por onde passavam.River foi o primeiro a se erguer.O corpo de Lycan supremo, enorme, se levantou numa linha firme, o peito subindo e descendo em respirações pesadas. Os olhos vermelhos brilhavam com um ódio que não era cego, era consciente. Do outro lado, Atlas se reequilibrava sobre as quatro patas, o pelo cinza eriçado, as mandíbulas escancaradas num rosnado ensandecido.Eles se encararam.

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