INICIAR SESIÓNMelanie Pov
“Bea, sua irmã está certíssima,” mamãe responde com calma. “Ficamos felizes em saber disso, minha lobinha. Você tem muito ainda o que viver, casamento não precisa estar no topo da sua lista.”
“Somente me preocupo com a reação de Karl”, Bea insiste, sua voz levemente afetada por uma falsa preocupação, mas seus olhos, frios como gelo, me perfuram com uma intensidade que me faz apertar os punhos sob a mesa. “Ele é próximo do rei lycan, primo e sucessor ao trono.”
Tyler balança a cabeça em discordância com a preocupação de minha irmã. O comentário dela me faz sentir um calafrio percorrer minha espinha, como se uma sombra antiga tentasse se agarrar a mim. O medo tenta se infiltrar nas rachaduras do meu ser, sussurrando memórias de outra vida, memórias de uma Melanie ingênua e apaixonada, que se jogou cegamente nos braços de Karl, se afastando da família que agora me cerca com preocupação e amor.
Naquela vida, eu era teimosa. Eu estava tão convencida de que Karl era minha alma gêmea que rompi laços com aqueles que tentaram me alertar. Fiquei cega, surda, indiferente aos sinais que gritavam para que eu fugisse. Cortei relações com meus pais, virei as costas para aqueles que me amavam. E no fim, paguei o preço.
Eles morreram por minha causa. A alcateia Killmoon caiu por minha causa. E Karl… Karl tomou tudo. O trono do meu pai. Minha liberdade. Meu próprio sangue.
Respiro fundo, tentando dissipar as lembranças sufocantes. Agora não. Agora sou diferente. Eu preciso ser diferente.
“Karl não poderá fazer nada contra nós,” meu pai responde. “Somos a maior matilha do reino, com muitos recursos e riquezas que o reino utiliza. Seria imprudente dele tentar alguma coisa contra nós.”
“Ele possuiu os números de soldados, papai.” Bea rebate.
“Não, querida”, meu pai retruca, sua voz carregada de paciência, mas sem perder a firmeza. “Quem possui os números de soldados é o primo dele, o rei. E o rei não vai iniciar uma batalha por causa de uma rejeição. Tenho certeza disso.”
Meu pai olha para mim e um sorriso se forma em seus lábios.
Bea aperta os lábios, insatisfeita. Pela primeira vez, sua confiança vacila, ainda que por um breve instante. Mas eu vejo.
“Minha princesa sempre terá a minha proteção, seja qual for a decisão dela, eu sempre irei protegê-la,” papai declara com sinceridade e isso preenche o meu coração.
Sinto uma paz dominar o meu coração ao ouvir essa declaração de meu pai. Me controlo para não chorar, invés disso, eu abro um sorriso em sua direção.
“Obrigada, papai.”
Rejeitar Karl pode ser um movimento arriscado. Bea tem razão sobre o poder que Karl possuiu. Em minha memória, vêm flashes da minha vida passada e percebo como fui ingênua e cega pelo amor que eu sentia. Karl não apenas tomou minha alcateia para si—ele destruiu tudo o que meu pai construiu com honra e dedicação. Retirou dele o título de Alfa, espalhou sua influência tóxica como um veneno que corrói lentamente os alicerces de um reino próspero. Ele transformou meu lar em um domínio de medo e controle absoluto.
Os sinais sempre estiveram lá, gritantes, pulsando diante dos meus olhos. Como pude não perceber? Como fui tão tola? O amor que eu sentia era tão forte ao ponto de me tornar cega para a verdade?
Meus olhos se voltam para minha irmã. Quando foi que ela cruzou a linha entre a família e a traição? Quando foi que ela se tornou cúmplice de Karl? Sua amante? Sempre foi assim e eu nunca percebi? De qualquer maneira, hoje no banquete do meu aniversário, eu irei descobrir e meu plano de vingança vai começar.
***
O salão de festa da nossa alcateia está deslumbrante, da mesma maneira que eu me lembrava que havia sido em minha vida passada. Meus pais se empenharam para fazer um lindo banquete de aniversário para mim. O ambiente ressoa com risadas e vozes alegres, mas para mim, tudo parece um eco distante, como se eu estivesse assistindo à cena de fora, sem realmente pertencer a ela.
Meu vestido desliza pelo chão conforme me movo pelo salão, um tecido azul profundo que contrasta com minha pele. Sei que estou bela. Sei que minha presença atrai olhares. E sei que Karl vai querer marcar sua posse sobre mim essa noite.
“Minha amada, feliz aniversário!” Karl declara atrás de mim, me surpreendendo.
Meu corpo inteiro se enrijece antes mesmo que seus braços envolvam minha cintura, puxando-me suavemente contra seu peito. O toque dele me provoca uma repulsa imediata, mas eu a escondo com afinco.
Karl me vira para encará-lo, e lá está ele: impecável, vestindo um terno azul que, propositalmente ou não, combina com o meu vestido. É uma tentativa de exibir ao salão que pertencemos um ao outro. Ele sempre foi meticuloso com detalhes assim. Ele é apenas alguns centímetros mais alto do que eu, porém, nessa noite, por eu estar de salto alto, fico praticamente da mesma altura.
Seus olhos castanhos escuros deslizam por meu rosto, admirando-me com um desejo que parece tão real que qualquer um poderia se deixar enganar.
Meu corpo fica tenso com suas mãos ao meu redor. Todo amor que eu possuía por ele agora é apenas ódio e raiva. Encaro ele e tento encontrar o encanto que eu sentia antigamente, mas não há nada. Ele continua bonito, sua aparência de homem mais velho continua. Karl tem os cabelos castanhos escuros, curtos e bem penteados.
Me empenho para fingir que estou ainda apaixonada por ele. Envolvo meus braços em seu pescoço e permito que ele beije meus lábios. Quase sinto náusea ao permitir isso, só que preciso manter minha mente no meu plano. Na minha vingança.
“Você está radiante hoje, meu amor. Não existe mulher alguma mais linda do que você aqui, além da sua belíssima mãe, é claro.” Karl declara, fazendo minha mãe sorrir e eu também.
Percebo, por um breve instante, ele olhar em direção à Bea que lança um sorriso singelo em resposta. Isso me causa intriga e fico mais atenta para a interação dos dois.
“Você me permite uma dança?” Karl sugere, já estendendo a mão para mim.
Quero recusar, só que sei que isso levantaria suspeitas demais, por causa disso eu acabo aceitando. Karl me conduz até o meio da pista de dança, que logo começa a tocar uma nova música lenta. Karl me puxa para mais perto, sua mão pressionando a curva da minha cintura. O contato me causa uma repulsa tão intensa que preciso concentrar cada fibra do meu ser para não demonstrar meu desconforto.
“Passei o dia todo pensando em você, sabia?” Karl sussurra contra minha orelha. Sua respiração quente roça minha pele e me dá vontade de recuar, mas eu não posso. “No seu sorriso e como hoje é um dia tão especial para você.”
“Mesmo? Você pensou em mim?” Questiono com falsa inocência. Tudo o que eu quero fazer é vomitar com todo esse falso romantismo e cavalheirismo dele.
Karl acaricia o meu rosto e meu sangue gela com o seu toque. Ele fita os meus olhos e eu sustento o seu olhar.
“É claro, minha querida. Você é o amor da minha vida, sempre pensarei em você,” ele declara com afeto na voz.
A Melanie do passado teria achado isso comovente e aceitaria o que está por vir, aceitaria o pedido de noivado porque Karl possui um belo carisma. Mas eu não sou mais tão ingênua assim.
Durante o jantar, percebo de forma sorrateira as trocas de olhares entre minha irmã e Karl. Os dois estão sentados de frente para o outro. A conversa entre os dois é superficial, mas sinto que há tanta coisa não sendo dita entre os dois, camuflada pela falsidade deles, que percebo logo que Bea e Karl estão tendo um caso há muito tempo.
“Minha querida, posso te roubar um instante, por gentileza?” Karl sussurra em meu ouvido e fico tensa.
Lembro em minha vida passada que foi nesse momento que Karl me pediu em casamento e eu disse que sim. Respiro fundo e coloco um sorriso animado no rosto e concordo com o seu pedido.
Karl, me conduz para o jardim, onde há poucas pessoas. O vento da noite passa por nós, trazendo um pouco de frescor para o calor da estação. O silêncio entre nós é quase opressor. Vou seguindo seus passos sem demonstrar hesitação, deixando que me guie pelo caminho que ele escolher, mesmo que minha mente esteja calculando cada movimento com frieza.
Chegamos ao labirinto de arbustos vivos que se ergue alto ao nosso redor, as paredes de folhas espessas criando um isolamento natural do restante da festa. Aqui, estamos completamente sozinhos. A música abafada do salão mal chega até nós, substituída pelo canto dos grilos e pelo farfalhar das folhas dançando ao sabor do vento.
De repente, Karl para de andar e, antes que eu possa reagir, ele se ajoelha diante de mim. Meu olhar se fixa na aliança que ele segura entre os dedos, um anel de ouro adornado com uma pedra cintilante, refletindo a luz da lua como se carregasse dentro de si um universo inteiro. Meu estômago revira com nojo e revolta, mas mantenho meu rosto impassível.
“Minha querida, você aceita se casar comigo?” Ele propõe todo sorridente.
Respiro fundo e já sinto o gostinho da vingança se formando dentro do meu coração. Abro um sorriso singelo, pequeno e com falso constrangimento.
“Oh, meu querido. Eu… eu…” gaguejo para trazer mais sofrimento e expectativa para Karl, que me olha cheio de orgulho. “Eu não posso. Não posso ser sua noiva.”
O sorriso no rosto de Karl desaparece por completo e logo ele fica de pé.
“Não?” Ele indaga, incrédulo. Confirmo com a cabeça a sua pergunta. “Por quê? Você não me ama, Melanie?”
Quero dizer que sim, eu não amo mais ele. Quero revelar todas as suas mentiras. Entretanto, me controlo.
“Claro que amo, mas sou nova ainda. Acabei de completar vinte e um anos. Não estou pronta para esse comprometimento agora, desculpa.”
Karl pisca para mim, chocado. Não lhe dou tempo para tentar me fazer mudar de ideia, logo volto para a festa. Me sinto satisfeita com o resultado, mas sei que Karl pode retalhar contra mim e a minha família, ele fez isso no passado, quando já éramos casados.
“Mel!” uma voz feminina me chama, me trazendo de volta para o presente.
É minha melhor amiga, Amelie. A presença dela me causa euforia e felicidade. Em minha vida passada, nos afastamos e ela acabou sendo morta na invasão.
Corro em sua direção e a puxo para os meus braços.
“Que saudades!” digo com a voz quase embargada de emoção. Amelie me abraça de volta, sem entender o que está acontecendo.
“Está tudo bem? A gente se viu ontem, o que houve?” Amelie pergunta confusa.
“Nada, não aconteceu nada. Desculpa, eu apenas… a festa tem sido emocionante demais.” Respondo, tentando controlar minhas emoções.
Amelie ri e eu faço o mesmo.
“Pois bem, se controle. Você não quer estragar a sua maquiagem antes da chegada do rei Ryan, quer?”
“Ryan Gordon? O Rei?” Questiono incrédula.
Ryan é o primo de Karl. Os dois se detestam. Karl sempre teve inveja e ódio do primo por ele estar no poder. Saber disso, me traz uma nova perspectiva para o meu plano de vingança.
Melanie Pov Me olho no espelho e, por um segundo, meu coração simplesmente para. O reflexo que vejo é como o retrato de um sonho que se materializa diante dos meus olhos. Meu vestido de noiva é de um tom creme suave, como a luz morna do sol atravessando cortinas finas. As mangas longas abraçam meus braços com graça, conferindo um ar etéreo, enquanto o decote em forma de coração parece desenhado exatamente para mim, destacando o colo com uma elegância silenciosa. A cauda longa se espalha atrás de mim como um rastro de névoa encantada.Minha maquiagem é suave, mas poderosa. Realça cada traço meu com precisão amorosa. Os olhos verdes, cheios de emoção, cintilam sob a sombra levemente acobreada. Meus cabelos ruivos estão presos em um meio-coque, adornado com pequenas flores prateadas, deixando algumas mechas soltas que emolduram meu rosto como se quisessem contar uma história por si só.“Você está belíssima, Melanie!” Narumi declara empolgada.“Só precisamos colocar esse colar e você vai
Melanie Pov“Para que estamos aqui?” Faith questiona, irritada, sua voz ecoando dentro da minha mente com uma mistura de impaciência e desprezo.Estamos na prisão onde Bea está sendo mantida, esperando os guardas a trazerem da sua cela para conversar conosco.“Tenho algumas palavras para dizer a ela,” respondo com calma.“Ela não merece ouvir, depois de tudo o que ela fez!” Faith retruca.“Mas eu mereço falar. Eu quero encerrar tudo isso.” Minha voz sai tranquila, mas o peso das palavras é cortante. Não é sobre o que Bea merece. É sobre o que eu preciso. Sobre não carregar mais o peso desse ciclo que me esmaga cada vez que me lembro do que ela fez.Faith bufa com raiva, a energia dela reverberando dentro de mim como uma tempestade contida. E, mesmo assim, não consigo evitar uma risada abafada. Uma parte de mim acha quase reconfortante essa sua revolta leal, protetora, como se ela fosse o grito que não posso soltar.Então, vejo Bea se aproximando. Os guardas a escoltam com rigidez, mas
Melanie pov UM MÊS DEPOIS.“Alfa Melanie, você mandou me chamar?” Devon pergunta, sua voz ressoa com um respeito sincero enquanto permanece à porta do meu escritório.Seu tom é educado, mas percebo um leve nervosismo em sua postura, como se não soubesse exatamente o que esperar dessa convocação. Levanto o olhar e, assim que nossos olhos se encontram, permito que um sorriso amistoso se forme em meus lábios. Faço um leve aceno com a cabeça, convidando-o a se aproximar mais.“Sim, quero conversar com você.” Minha voz sai leve, mas carrega uma firmeza gentil.Como um mês consegue mudar tanto uma pessoa? Olho agora para Devon e vejo seu semblante mil vezes melhor do que era na ilha de Luxverra. Há uma alegria constante, ainda mais que ele tem ficado cada vez mais próximo de Amelie.Devon se aproxima mais e se senta na cadeira de frente para mim, com postura ereta, as mãos apoiadas nas coxas, mas relaxadas o suficiente para mostrar que ele não está em total tensão. Ainda assim, seu semblan
Melanie PovRyan me relata com detalhes tudo o que aconteceu enquanto estive inconsciente, internada na enfermaria da alcateia do Alex. Cada palavra que ele diz carrega o peso dos dias passados, como se cada frase fosse um fardo que ele segura para mim, para me poupar. Mas agora ele precisa dividir isso comigo. E eu preciso ouvir.“Bea já está presa em uma das instalações de segurança do Alex, não tem como ela sair de lá,” Ryan me explica com a voz pesada.Respiro fundo, sentindo um alívio intenso tomar conta do meu peito. Finalmente, Bea vai pagar. Finalmente, a justiça começa a encontrar o caminho certo. Por tudo o que ela fez, por cada momento de terror, de dor, de humilhação. A notícia é como um bálsamo. Um pequeno alívio em meio ao caos.Ryan pega o controle e liga a televisão. A imagem que surge na tela é quase surreal. O noticiário cobre, ao vivo, a retirada de Karl do palácio. Vejo soldados, vejo viaturas, vejo o alvoroço da imprensa. A câmera se fixa no rosto de Karl enquanto
Ryan Pov“Ainda te resta um,” digo com frieza, e minha voz carrega o peso de um juízo final.Meu olhar repousa em Dante. Ele está em frangalhos. Seu corpo treme convulsivamente, as lágrimas escorrem pelo rosto sem qualquer controle, como se o choro tivesse se tornado parte de sua respiração.Ele não é mais o mesmo sujeito altivo que conheci, não é o mesmo filho orgulhoso de Murphy. Agora, é apenas um garoto quebrado diante do cadáver da irmã. A dor está estampada em cada traço do seu rosto, uma dor crua, dilacerante.Os ombros arqueados, o olhar perdido, ele tenta se mover, dar um passo, alcançar o corpo sem vida de Diana. Mas Alex continua firme, o mantém imobilizado com mãos de aço. Dante luta, esperneia, suplica em silêncio com os olhos marejados. Mas tudo o que ele recebe é a resistência inabalável do meu melhor amigo.Murphy lança um olhar incrédulo misturado com ódio. Ele não esperava que eu fosse até o fim. Não esperava que eu fosse realmente fazer isso. Ele subestimou minha fú
Ryan PovO som dos aparelhos hospitalares preenche o cômodo por completo. O corpo frágil e machucado da Melanie está deitado na cama, se recuperando. Tirar a coleira dela e consegui-la tirar da ilha foi uma tortura sem fim para mim.“Os sinais vitais dela estão melhorando, senhor Ryan,” o médico informa sério. “Ela precisa apenas repousar, a conexão dela com a loba será fundamental para a recuperação dela. Precisamos ter apenas paciência.”Concordo com um aceno de cabeça. Não possuo palavras para dizer ao médico. Pego a mão da Melanie, está fria e pálida demais, fecho meus dedos envolta dos seus e sinto seus batimentos.“Companheira.” Vox rosna baixinho em minha mente. “Salva.”Respiro fundo ao ouvir as palavras profundas de Vox. Como pode isso? A fera dentro de mim, que passei ano lutando contra, agora tem uma consciência presente. Tudo graças à Faith meses atrás.“Sim, ela está a salvo.” Respondo com alívio.“Está na hora da gente ir atrás deles e quebrar a maldição,” Logan declara n







