INICIAR SESIÓNPov
Ava estava muito furiosa. Ela se limpava na pia, em frente à sala onde seu paciente já a aguardava, e não conseguia tirar Logan da cabeça. Aquele homem não tinha escrúpulos nem gentileza. Como pôde tratá-la assim? Ela rezava para que aquilo acabasse logo, para que pudesse voltar para a sua casa e esquecer tudo que tinha acontecido. — Devo confessar que nunca passei por nada disso antes. — Ava estava nervosa. Sua mente atordoada lhe pedia calma para que ela não matasse o homem que estava deitado na sala cirúrgica. Ela lavava as mãos na sala adjacente, assim como fazia sempre antes de operar. Contudo, daquela vez, as coisas não eram tão simples. — Nunca fui sequestrada antes para realizar uma cirurgia. O médico ao seu lado, o mesmo que havia discutido com Logan minutos antes, estava se preparando para a auxiliar. Ele lavava as mãos com tanta força, que quase se machucava. Ava fazia o mesmo, mas não percebia. A mulher encarava fixamente o homem que estava desacordado. — Eu deveria saber quem são essas pessoas? O médico também estava preocupado. Ele conhecia Logan, que não era tão bonzinho assim. Pelo que ele viu, antes de eles entrarem naquele lavabo, aquilo foi um desafio da parte de Ava. Logan foi criado para ser duro e para não deixar ninguém o desafiar. O doutor não queria envolver alguém do patamar de Ava Steven naquele assunto, pois compreendia que se Logan a machucasse, seria caçado pelo FBI, e isso o prejudicaria também. — Se deseja ficar viva, recomendo que esqueça os rostos deles. Ela não entendia como um profissional como ele podia trabalhar para um homem como Logan. Isso a revoltava. — Doutor. — Ela bateu na pia de metal na qual os médicos se higienizavam, encarando-o e o julgando. — O senhor faz parte dessa organização ou também foi forçado a estar aqui? Ele respirou fundo antes de responder. — Menina, nem tudo é preto no branco. — Há o certo e o errado, senhor. Então, ao ajudar esses criminosos, está... — Preste atenção no que vou dizer. — Ele desligou a torneira e a encarou. Entendia a situação e sabia que aquela mulher podia estar arriscando a própria vida ao confrontar os Miller. — Conheço essa família há anos. Sim, eles fazem muitas coisas erradas, não nego, mas sei que posso contar com eles, caso precise. — Então, faz parte desse grupo. — Doutora... — Aproximou-se mais dela, quase desesperado. Não queria que alguém os ouvisse. — Logan é o filho mais velho e o mais perigoso. Não teste a paciência dele. Se quer viver, permaneça em silêncio e faça o que ele pedir. Caso contrário... — Ele me mata — ela completou, com raiva. Sabia que isso era verdade e que ele não falharia com sua promessa. — Já ouvi isso. — Morrer é com o que menos deve se preocupar. Ela levantou uma das sobrancelhas, confusa. — Como assim? — Quando terminar o que vai fazer, e ele deixar que você vá, seu silêncio será necessário. Caso contrário, em vez de ele te matar, buscará pelas pessoas que você ama. Foi a primeira vez que Ava realmente sentiu seu chão cair, depois do que lhe aconteceu. Ela não tinha parado para pensar nisso. Logan prometeu libertá-la, mas... não acabaria por aí, ele teria que ter certeza de que ela não contaria nada a ninguém. — Acha que ele pode ir tão longe? — sua voz até tremeu. — Não brinque com Logan Miller, ou você vai sair perdendo. — Ela realmente ficou pensativa. O medo corroía a sua pele e ela achou que seu corpo estava todo febril. Então, a voz do homem invadiu seus ouvidos, despertando-a. — Vamos logo, o paciente não tem muito tempo. Teremos que fazer o possível para ele sobreviver. Ao terminar de se lavarem, eles foram para a sala de cirurgia, onde as auxiliares colocavam as luvas e o manto de proteção. Ava estava preparada, porém a conversa, pouco antes da sua entrada ali, deixava-a preocupada. Algo que não podia acontecer naquele momento. No andar de cima, assistindo a tudo, Logan observava o seu pai deitado na maca, sendo preparado para a operação. Ava estava toda montada, e ele tinha que admitir que ela ficava bonita com aquele aparate. Ele estava pensativo sobre o rumo das coisas depois que seu pai estivesse operado. Não poderia deixar aquela mulher à solta, com todas aquelas informações. Logan tomou uma decisão arriscada ao levar Ava para o meio daquele caos. As pessoas, de fato, estavam sentindo a falta dela. Até então, ela só não atendia ao telefone e ninguém tinha ido ao seu apartamento. Ele estava monitorando tudo. Também, os pais dela estavam em NY. Logan esperava achar uma solução para dar um fim nessa história. Realmente a mataria, como o planejado? Ava olhou para cima e viu o homem que estava arriscando a sua vida. Ela o encarou. Mesmo que ela estivesse com a máscara, Logan sabia que ela estava com uma careta desagradável no rosto. — O que vou fazer com você, docinho? Era uma incógnita. Descartá-la, depois de ter conhecido uma mulher como ela, seria um desperdício. E ele tinha que admitir que estava atraído por ela. Tudo o que Logan queria, após aquele procedimento, era a colocar em sua cama e a foder até que ela ficasse toda molhada. Naquele exato momento, ele fantasiava. Seria bom testar seus limites.Para começar o dia mostrando que estava em harmonia, descemos juntos para o café. Jared e a sua esposa já estavam comendo e Samantha chegou um pouco depois de nós. O clima estava estranho, assim como depois que o idiota do tio deles fez piadas e perguntas que não interessava a ele. O desejo de mata-lo aumentou quando encarei a faca de serra que estava sobre a mesa, mas Enrico soube levar essa situação de uma forma surpreendente. - Acho melhor mudarmos de assunto, pois nossa relação só desrespeito a nós, Jared. – Falou ele firme e desprendido de sentimentos.Vi como seu tio ficou surpreso com a sua atitude e um pouco de orgulho brotou em meu peito. Estávamos tentando dar a Enrico o poder que Jared estava o tirando e aos poucos ele mesmo via que devia ser mais duro e rígido quanto ao homem mais velho.Mesmo sendo o tio e o subchefe, Enrico era o dom, chefe dos chefes, e quem lhe deu esse poder foi seu pai, que agora estava morto.O resto do café foi em silencio, o que me deixou d
Tenho que gradecer ao meu sono pesado. Dormi como um anjo, claro, depois de sentir a estranha presença do corpo sarado do meu marido e não poder fazer nada.Acredito que meu cérebro estava confuso e quase parando de funcionar, pois de um lado estava a parte racional que dizia que Enrico era apenas o meu marido por conveniência e que minha verdadeira missão aqui era ajudá-lo a se livrar de Jared, o homem que quase conseguiu desmontar a minha família, e do outro lado estava a parte que esquecia quem ele era e o que estava fazendo aqui só para aproveitar o momento e o atacar.Meu marido era totalmente o meu tipo de homem, aquele tipo que sei que fará um estrago em mim. No passado, eu tentei ser desprendida do romance juvenil, mas fui enganada pelo meu próprio coração. Rafaelle era um meio para um fim, mas em um certo momento me vi suspirando pelo homem calculista e frio.Era obvio que nós dois só estávamos usando o momento para nos divertir, e o perigo de ser pegos pelos meus irmãos f
Não posso mentir dizendo que não me importava com o fim da festa falsa de casamento e a primeira noite que passaria no mesmo quarto com Enrico.Não sou a garota puritana que todos esperam. Já fiz loucuras nas quais meus irmãos não faziam ideia e meu mais novo marido não era tão idiota em relação a mulheres, ele sabia que sua esposa não era a típica mulher submissa, tímida, amedrontada e virgem, como todos esperavam que fosse a escolhida para ser uma esposa de um dom. Essa mansão era belíssima, com piso marmorizado branco, paredes claras com detalhes lindos, cortinas chiques e tudo mais que uma casa de milionário pode ter. Na atualidade, os mafiosos não tinham vergonha nem medo de esbanjar o luxo. Muitos mostravam uma vida rica e vulgar, tinham empreendimentos milionários para lavar dinheiro e tudo mais. Os Bianchi não eram uma exceção.Hotéis, boates, restaurantes e muitas outras empresas faziam parte da família, por isso a maioria das pessoas e do país, podiam até desconfiar do
Era uma piada para mim e para a máfia estar usando branco e entrando em uma igreja, como se fossemos pessoas de boa fé e morais, mas ironicamente, os antiquados preservam pela imagem e tinham muita fé.Nem pareciam que priorizavam aquilo que mais os religiosos detestavam, a luxuria. Todos presentes nessa igreja eram assassinos, tinham rios de dinheiro que eram frutos de tráfico de drogas e outras porcarias e família para eles eram o que chamavam de negócios. A real “família” ficava e segundo plano, negociavam suas próprias filhas e treinavam os homens para serem tão cruéis quanto eles, mas mesmo assim, exigem que nós, mulheres, sejam puras e comportadas, que vestíssemos branco com véu e grinalda, que nos vestíssemos com decência e que nunca levantássemos a voz mais que os homens. Eu não era assim, e Enrico sabia disso, mas deixaria toda a minha personalidade de lado, para derrubar um inimigo. Eu estava prestes a entrar pela porta da igreja, linda e majestosa, com o vestido tradicio
Quando eu sonhava com o meu casamento eu não me imaginava fazendo isso por dever, mas lá no fundo eu sabia que quando isso acontecesse não seria por amor, seria uma ilusão sonhar com algo tão bom sendo de uma família tão controversa.Durante a minha adolescência, na escola de freiras, fui a aluna rebelde que nunca gostava de seguir as regras rígidas e clichês das mulheres que diziam amar Deus. Eu não sou tão fanática, mas acredito na palavra, o difícil era aceitar que Deus me colocou em uma família e vida tão errada para ser a mulher recatada que eu estava sendo criada para ser.Pensando bem, não sei se ele escolheria colocar qualquer um de nós em um negócio tão sujo quanto esse, mas por incrível que pareça, até os mafiosos eram crentes e isso passava do irônico ao questionamento.A verdade era que meu pai tentou a todo custo me prometer a um dos capos, ou filhos deles, quando ainda era vido e eu desejei muito a sua morte, até que ele se foi, levando minha mãe e passei o resto dos
Por alguns minutos o silencio novamente nos tomou. Enrico estava pensativo e ainda sem dizer uma palavra, seu olhar foi desviado para algo atrás de mim. O barulho do automóvel chamou minha atenção e vi que eram os meus irmãos.- Acho que pode estar certa. – Falou depois de respirar fundo. Novamente desviei minha atenção para ele e seu olhar frio me tomou. – Quero finalmente ser o líder, sem depender de Jared. Provavelmente ele está usando tudo o que aconteceu em Drakoy, que foi apoiado por ele mesmo, para tirar o meu poder sobre a minha casa e família. Não sou idiota, Gabriela, o que disse me chateou pelo fato de que ouras pessoas também percebem o quanto sou fraco.- Não acho que seja fraqueza, é mais como um complô para que esteja sozinho nessa. - Que seja. – Esperar que ele fale alguma coisa me perturba. Geralmente gosto de saber tudo sobre tudo, e olha-lo nos olhos e perceber que pensa em algo, mas não confia em mim para dizer, me incomoda. – Meu pai, querendo ou não, confiava







