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Autor: AutoraBella
last update Fecha de publicación: 2026-03-10 02:31:15

Viktor

Meu nome é Viktor Sokolov. Tenho vinte e cinco anos. Hoje sou o homem que assumiu o controle da organização que domina grande parte dos negócios ilegais de Moscou. Mas nem sempre foi assim.

Antes de tudo isso, eu era apenas um rapaz que cresceu sem nada.

Conheci Irina ainda na escola. Naquela época, eu não tinha sequer dinheiro para comprar comida no intervalo, e muitas vezes era ela quem pagava por mim. Mesmo assim, ela nunca me humilhou ou me fez sentir pequeno. Pelo contrário, sempre acreditou que eu poderia me tornar algo maior.

Irina sempre foi a única pessoa que realmente esteve ao meu lado.

Mas a vida dentro da minha casa nunca foi fácil. Meu pai era um homem violento, viciado e imprevisível. Todas as noites ele chegava bêbado, destruía tudo e batia na minha mãe.

Eu cresci assistindo aquilo em silêncio.

A raiva se acumulava dentro de mim, dia após dia.

Até a noite em que perdi o controle.

Entrei em casa e encontrei minha mãe novamente caída no chão depois de mais uma agressão. Meu pai estava alterado, rindo como se aquilo fosse um espetáculo.

Eu peguei a arma.

E atirei.

Aquele foi o momento em que minha vida mudou para sempre.

Depois disso, comecei a trabalhar para homens perigosos. Pequenos serviços no início. Transportes, vigilância, cobranças. Nada que chamasse muita atenção. Eu dizia a Irina que era apenas um trabalho para melhorar nossa vida.

Mas, no fundo, eu sabia a verdade.

Eu estava entrando em um caminho sem volta.

Mesmo assim, por muito tempo consegui manter duas vidas separadas.

O homem que Irina conhecia.

E o homem que o submundo estava transformando em algo completamente diferente.

Quando Irina descobriu que estava grávida, algo dentro de mim mudou. Pela primeira vez pensei em parar. Pensei em sair daquela vida antes que fosse tarde demais.

Mas as coisas nunca são tão simples.

Eu estava em um dos clubes controlados pela organização resolvendo alguns assuntos quando Lorena apareceu. Ela sempre se aproximava, sempre insinuava alguma coisa, mas eu costumava ignorar.

Naquela noite, porém, minha cabeça estava cheia demais.

Lorena entrou na sala sem pedir permissão.

Lorena:

— Posso entrar?

Viktor:

— Fale o que precisa daí mesmo. Hoje não estou com paciência.

Ela sorriu de um jeito provocador e começou a se aproximar lentamente.

Lorena:

— Você parece tenso. Talvez eu possa ajudar você a relaxar.

Viktor:

— Cuidado com o que diz.

Lorena deu mais alguns passos.

Lorena:

— Irina não pode cuidar de você agora… não é?

Meu corpo inteiro se enrijeceu.

Viktor:

— Não mencione o nome dela novamente.

Lorena apenas riu.

Lorena:

— Ninguém precisa saber.

Eu deveria ter mandado que ela saísse.

Deveria ter ido embora naquele momento.

Mas eu não fui.

Depois que tudo terminou, joguei dinheiro sobre a mesa e disse para ela desaparecer. Aquilo não significava nada para mim.

Era apenas um erro.

Um erro que eu pretendia esquecer.

Tomei um banho, me vesti e estava indo embora quando um dos homens que trabalhavam para mim me interceptou no corredor.

Homem:

— Viktor… Irina esteve aqui.

Naquele momento senti meu estômago afundar.

Viktor:

— O que você disse?

Homem:

— Ela saiu daqui chorando.

Por alguns segundos fiquei completamente imóvel.

Eu sabia exatamente o que aquilo significava.

Irina havia visto tudo.

Voltei para a sala, peguei uma dose de cocaína e tentei afastar a culpa que começava a me esmagar. Depois disso fui para casa.

O resto da noite é um borrão na minha memória.

Só me lembro dos gritos.

Da discussão.

E de Irina caída no chão.

Quando percebi o que havia feito, já estava carregando o corpo dela nos braços e correndo para o hospital.

Passei horas esperando por notícias.

A médica disse que Irina estava inconsciente e que poderia levar dias… talvez até semanas para despertar.

Voltei para casa destruído.

Eu matei meu próprio pai por fazer exatamente aquilo.

E agora eu havia feito o mesmo com a única mulher que sempre esteve ao meu lado.

Uma semana depois, Irina ainda não havia acordado.

Foi então que aconteceu o ataque.

Uma disputa interna dentro da organização terminou com a morte do antigo líder. Os homens da família me chamaram para uma reunião reservada.

Eles disseram que eu assumiria o comando.

Eu tentei recusar.

Mas na nossa vida não existe escolha.

Agora eu era o homem responsável por tudo.

E Irina não estava ali para ver.

Algumas horas depois, Lorena apareceu novamente.

Lorena:

— Então é verdade… você agora está no comando.

Viktor:

— Saia daqui.

Lorena ignorou minhas palavras e continuou caminhando pela sala.

Lorena:

— Irina ainda está no hospital. Pensei que talvez você quisesse companhia.

Naquele momento percebi algo que não queria admitir.

Eu estava me tornando exatamente o tipo de homem que sempre odiei.

E talvez…

já fosse tarde demais para voltar atrás.

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Último capítulo

  • Salva pelo Mafioso    Fim

    IRINATrês anos depoisObservei a festa de Apolo com um sorriso que insistia em permanecer no meu rosto. Os gêmeos comemoravam junto dele como se os três fossem aniversariantes. E a verdade era que acontecia a mesma coisa nos aniversários deles. Ilaria e Romeo só aceitavam cantar parabéns se Apolo estivesse ao lado dos dois. Desde pequenos, os três criaram um vínculo tão forte que parecia impossível separar um do outro.A família inteira estava presente.Aliados.Amigos.Pessoas que atravessaram os piores momentos das nossas vidas e permaneceram ao nosso lado.Nossa família cresceu muito ao longo daqueles anos.Alessandra engravidou pouco depois de Aurora, para completo desespero de Matteo. Eles tiveram uma menina linda chamada Bianca. Chiara havia dado à luz recentemente e ainda carregava aquele brilho especial de mãe apaixonada pelo próprio filho. A cada ano parecia surgir mais uma criança correndo pelos jardins das propriedades da família.E eu amava isso.Porque significava que es

  • Salva pelo Mafioso    256

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  • Salva pelo Mafioso    255

    KatrinaEstou na reta final da gravidez. A maldita reta final. E, depois de tudo o que fiz, tudo o que planejei e tudo o que arrisquei, não consegui absolutamente nada. Quem assumiu o lugar de Vladislav não tem qualquer intenção de continuar aquela guerra. Fiquei sem aliados, sem apoio e sem perspectivas. O pior não é nem isso. O pior é saber que continuam rindo da minha situação. Todos eles.Aquele idiota prometeu que me ajudaria. Prometeu que tudo daria certo. Prometeu que eu não ficaria desamparada. No final, voltou atrás e ainda teve a coragem de me chamar de burra por querer vingança. Segundo ele, a única obrigação que assumiu foi garantir que a criança tivesse uma vida confortável. Sempre a criança. Sempre o bebê. Sempre alguém que nem nasceu ainda. E eu? Onde eu entrava naquela história?Lembro perfeitamente da última ligação porque foi naquele momento que entendi que estava completamente sozinha.— Você não pode fazer isso. Assumiu um compromisso.Do outro lado da linha ele s

  • Salva pelo Mafioso    254

    Vittoria Uma paz quase perfeita. Faltava apenas Katrina desaparecer das nossas vidas. Ela continuava insistindo que estava grávida de Renzo e, apesar de já terem exigido o exame de DNA mais de uma vez, sempre surgia uma desculpa diferente para adiar tudo. Na minha opinião, aqueles laudos médicos não passavam de uma mentira muito mal construída. Ainda assim, ninguém conseguia se livrar dela de uma vez por todas. Naquele fim de tarde, estávamos todos reunidos na praça central da propriedade. No dia seguinte aconteceria a grande festa da família e, pela primeira vez em muito tempo, parecia que a vida finalmente voltava aos trilhos. Chiara estava morando definitivamente com Renzo. Bogdan praticamente vivia na casa de Sara. E eu passava cada vez mais tempo com Remond. Talvez até tempo demais. Se ele me convidava para sair, eu aceitava. Se aparecia para me buscar, eu ia. Se me chamava para passar algumas horas com ele, eu encontrava uma desculpa qualquer e acabava cedendo. E a verdade e

  • Salva pelo Mafioso    253

    VittoriaFiquei esperando minha mãe responder. Já estava roendo as unhas de nervosismo quando ela começou a rir. Fiquei sem entender absolutamente nada.— Claro que pode.Renzo e Rafael falaram ao mesmo tempo:— Mãe, como assim?Ela riu ainda mais, enquanto Remond também segurava o riso.— Quantos anos você tinha quando começou a namorar, Renzo? Treze? Quatorze? Rafael foi praticamente a mesma coisa. Sara namora desde os quinze anos, e todos aqui sabem disso. Agora Vittoria tem dezesseis. Ela pode namorar alguém que a respeite e a trate bem.Ela apontou para nós dois.— Meu único conselho é que sejam maduros. Quando um relacionamento não funcionar mais, terminem. Não traiam. Não transformem tudo em uma guerra. E, pelo amor de Deus, nada de filhos agora.Meu rosto ficou vermelho imediatamente.— Mãe!Ela ignorou.— Estou falando sério. Namorem. Aproveitem. Vivam. Depois pensem em casamento. E, muitos anos depois, pensem em filhos.Então apontou para mim e para Remond.— Os dois entende

  • Salva pelo Mafioso    252

    VittoriaRecuperei o amor e a confiança da minha família e, aos poucos, voltei a ser feliz. Não sou melhor amiga de Chiara, mas percebi o quanto fui idiota. Ela é divertida, impulsiva e tão maluca quanto eu e Sara.Também me afastei das antigas amizades. Ninguém me obrigou a nada, mas minha mãe estava certa quando dizia que algumas pessoas não me faziam bem. Voltei a me aproximar de Sara e de outras garotas que realmente gostam de mim. Elas são sinceras e não ficam rondando Bogdan. Sara está completamente apaixonada por ele e, por causa disso, tornou-se absurdamente ciumenta.Às vezes acho que ela consegue ser pior do que muitos homens quando o assunto é ciúme.Eu, por outro lado, tenho passado a maior parte do tempo em casa.Tenho evitado Remond.No dia em que nos encontramos na praça, fui embora assim que o vi se aproximar. Pedi que minha família viesse comigo e ele respeitou a distância.A verdade é que gosto dele.Gosto muito.Mas também cometi erros.Remond sempre foi gentil comi

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