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Capítulo 18 – O Fantasma da Mãe

last update Fecha de publicación: 2026-06-18 22:30:28

O dia estava pálido. Céu de algodão sujo, temperatura morna demais para um cemitério. Santino parou na entrada, mãos nos bolsos, boné baixo. Vinícius recuou dois passos para deixá-lo respirar — presença de guarda-costas que só se faz notar quando precisa.

Ele caminhou pelas alamedas de chão batido lendo nomes como quem procura um adversário antigo. Não vinha ali fazia anos. Não vinha porque acreditava que não devia nada a quem foi embora. Ou porque, bem no fundo, temia o que aconteceri

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  • Santino - Desejo e justiça   Epílogo – Dois Ombros, Duas Mãos

    Fim de tarde no parque. O vento empurra cheiros de grama molhada e pipoca, e a luz baixa acende um dourado que parece inventado só para eles. Santino vem à frente — camiseta simples, boné amassado, a filhinha nos ombros. As perninhas pendem, os sapatinhos batucam no peito do pai, e as mãos pequenas se enroscam no boné.— Mais alto, papai! — ela pede, e ele ergue um pouco mais, rindo. — Mais alto só quando você prometer que vai comer o brócolis do jantar, senhorita Lucchesi. — Prometo nada! — ela gargalha, cúmplice.Do lado, Júlia empurra o carrinho. O menino mais novo dorme pesado, boca entreaberta, o punho fechado como se segurasse um sonho. Júlia o observa por um instante, ajusta a mantinha num gesto automático e, depois, levanta o olhar para o homem e a menina que recortam a tarde em uma sombra só.— E então? — ela puxa assunto, voz macia. — Como foi a seletiva hoje? — Melhor do que eu esperava. Três garotos e uma garota. A menor de todas tem um jab que corta o ar. Chama Aline.

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    A tarde estava dourada no apartamento novo, aquela luz oblíqua que entra de lado e faz qualquer coisa parecer mais tranquila do que realmente é. Júlia passou um segundo a mais em frente ao espelho do banheiro, a caixinha do teste escondida no bolso do robe. O corpo dela já sabia, mas a faixa cor-de-rosa duplicada tinha o poder de transformar certeza em mundo.Ela saiu e encontrou Santino no balcão, distraído com uma receita que parecia mais uma batalha: frigideira quente, alho, a tentativa sincera de não queimar a manteiga. — Cheiro de vitória — ela disse, tentando sorrir com normalidade. — Ou de capitulação — ele riu, mexendo a colher. — Se der errado, a gente pede comida. Se der certo… eu ganho o direito de cozinhar de novo.Júlia chegou por trás e encostou o queixo na omoplata dele. O coração dela batia em dois tempos. — Vai dar certo — sussurrou. — E mesmo se não der, a gente pede pizza.Ele se virou. Viu alguma coisa no rosto dela e, por refl

  • Santino - Desejo e justiça   Capítulo 47 – O Casamento (Parte II — A Ilha)

    A ilha era um ponto de verde e areia no meio de um azul que não acabava. A lancha se afastou e, com ela, todo o resto: tribunais, manchetes, vozes. Ficaram o vento, o rumor insistente das ondas quebrando em arcos, o sol que dourava a pele e a promessa mansa de que, ali, ninguém os encontraria.A casa era de madeira clara, aberta, quase toda feita de portas que corriam. Tecidos brancos dançavam com a brisa; o cheiro de sal entrava sem pedir licença. Júlia tirou as sandálias e afundou os pés na areia morna, olhos semiabertos, deixando que o mar a recebesse. Santino veio atrás, devagar. Tocou-lhe a nuca com os dedos, como se confirmasse que ela estava mesmo ali.— Bem-vinda à nossa ilha — ele murmurou, e a frase foi mais juramento que frase.Passaram o dia sem hora: mergulhos longos, risadas que estouravam e sumiam no vento, o gosto de fruta madura na boca. Quando o sol começou a se inclinar, o céu tomou uma cor de manga e a água ficou metal líquido. Júlia sentou-s

  • Santino - Desejo e justiça   Capítulo 47 – O Casamento (Parte I — Hoje é só nosso)

    A manhã nasceu sem alarde, como se a cidade tivesse combinado de falar baixo. O endereço escolhido por Júlia e Santino era um solar antigo restaurado nos arredores da cidade — jardim de jabuticabeiras, piso de ladrilho hidráulico, vitrais que filtravam a luz num tom âmbar. Discreto, íntimo, impecável. A imprensa não foi convidada; os celulares dos poucos presentes ficariam guardados numa caixinha de madeira na entrada, ao lado de um cartão simples: “Hoje é só nosso.”No salão, cadeiras de madeira clara formavam um corredor estreito coberto por um caminho de pétalas brancas. Um quarteto de cordas afinava baixo ao fundo. Vinícius, agora sem fone de ouvido e com um terno escuro que quase o deixava irreconhecível como segurança, coordenava a portaria com um sorriso contido. Fernanda, emocionada antes da hora, ajeitava pequenos arranjos de lavanda sobre as mesas. Raúl, o treinador, ocupou a terceira fileira; Lorenzo veio ao lado, desconfortável na gravata, mas com um orgulho impos

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    O dia amanheceu com o gosto metálico das más notícias. Miguel entrou no escritório com o semblante fechado, um calhamaço de páginas impressas sob o braço.— Recurso — disse, antes mesmo de sentar. — A defesa do Marco conseguiu liminar pra suspender a execução da pena. E entrou com pedido de incidente de insanidade, alegando surto temporário na noite do sequestro.Júlia apoiou as mãos na mesa, respirando fundo. Lá fora, o tráfego seguia indiferente. Por dentro, tudo voltava a latejar.— Insanidade temporária… — ela repetiu, como quem mastiga um espinho. — Vão tentar tirá-lo do presídio e empurrar para medida de segurança em hospital de custódia. Tempo indeterminado, portas giratórias.— É o último golpe — Miguel concluiu. — E é bom.Júlia endireitou os ombros.— Então a gente dá o último contragolpe.Em poucas horas, o escritório virou sala de guerra. Tabelas, linhas do tempo, planilhas abertas em três laptops; telefones

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