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Capítulo 48 — Um Adeus

last update Data de publicação: 2026-07-02 05:25:43

O Escritório 214 parecia consideravelmente maior quando vazio. Ciarán percebeu isso logo ao abrir a porta naquela manhã. Durante meses, aquele espaço fora preenchido por estantes abarrotadas de livros, pilhas de artigos acadêmicos, canecas esquecidas sobre a mesa e folhas cobertas por anotações pressadas, redigidas entre uma aula e outra. Agora, metade das prateleiras exibia apenas o vácuo, e as caixas de papelão empilhadas contra a parede conferiam ao ambiente um inevitável ar de despedida. Er
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  • Sr. Ciarán, meu fruto proibido.   Capítulo 58 — Sim

    A ressonância daquela notificação institucional ainda vibrava no espaço mental de Marjory quando eles destrancaram a porta do novo apartamento em Ranelagh, no início daquela mesma noite. O documento da União Europeia, com a convocação para o módulo de pesquisa presencial na Universidade de Sorbonne, permanecia guardado na pasta de couro, funcionando como um vetor de transformações futuras que eles teriam de gerenciar em conjunto. Contudo, antes de debruçarem-se sobre cronogramas internacionais, prazos de vistos e readequações contratuais, havia um rito de passagem imediato que exigia cumprimento: a posse simbólica do território que haviam escolhido.Ao transporem o limite da entrada, o eco de seus próprios passos na madeira escura ressaltou a vastidão do ambiente desprovido de mobília. O apartamento encontrava-se completamente vazio. Não havia sofás para acomodar o cansaço da jornada, mesas que pudessem abrigar os relatórios de fomento ou as estantes de carvalho que eles haviam planej

  • Sr. Ciarán, meu fruto proibido.   Capítulo 57 — Um Lugar Nosso

    O processo de transição para uma habitação conjunta demandou de Marjory e Ciarán o estabelecimento de um planejamento logístico rigoroso. A decisão de unificar as residências, amadurecida ao longo dos últimos meses de consolidação de suas respectivas carreiras na UCD e na nova instituição de ensino, deixara o campo das hipóteses teóricas para se converter em um projeto de execução imediata. Durante os finais de semana, a rotina de leituras e caminhadas casuais por Dublin fora parcialmente substituída pela análise minuciosa de catálogos imobiliários e pelo agendamento de visitas técnicas a propriedades disponíveis para locação.Naquela manhã de sábado, acomodados à mesa de um pequeno café nas imediações de Rathmines, ambos revisavam um mapa da rede de transportes metropolitanos da cidade, ladeado por um bloco de notas preenchido com especificações de engenharia e critérios de conveniência espacial.— A mobilidade urbana vai ser o nosso ponto mais complexo aqui — apontou Ciarán, demarca

  • Sr. Ciarán, meu fruto proibido.   Capítulo 56 — Ciarán

    A transição para a nova instituição de ensino superior exigira de Ciarán Doyle o exercício pleno de suas faculdades de adaptação e liderança. O campus, caracterizado por linhas arquitetônicas arrojadas e uma mentalidade voltada à inovação acadêmica, operava em um ritmo substancialmente distinto da atmosfera secular de sua antiga universidade. Contudo, a sobriedade e a solidez metodológica que caracterizavam sua trajetória profissional permitiram que ele se estabelecesse não apenas como um docente qualificado, mas como uma liderança intelectual necessária para o departamento de humanidades.Nas primeiras semanas do semestre, Ciarán assumira formalmente a coordenação do novo Núcleo de Estudos de Literatura Comparada e Hermenêutica Crítica. A função demandava a articulação de projetos de pesquisa integrados, a captação de recursos junto a fundos de fomento europeus e a orientação de um grupo seleto de pesquisadores seniores e doutorandos. Sob sua direção, as reuniões de colegiado ganhara

  • Sr. Ciarán, meu fruto proibido.   Capítulo 55 — Marjory

    O Campus de Belfield, na University College Dublin, exibia a movimentação densa característica do meio do período letivo. Folhas secas cobriam os caminhos que interligavam os blocos de concreto e vidro, enquanto estudantes transitavam em ritmo acelerado entre as bibliotecas e os anfiteatros. No interior do pavilhão de humanidades, alheia à circulação externa, Marjory mantinha o foco direcionado à tela do computador na sala reservada aos pesquisadores da pós-graduação.A notificação eletrônica que cruzou o monitor trazia o timbre da Irish Journal of Contemporary Literary Studies — uma das publicações mais rigorosas e conceituadas do cenário acadêmico europeu. O texto da mensagem, assinado pelo comitê editorial, era sucinto e definitivo: o artigo de sua autoria, intitulado "Mecanismos de Deslocamento e Identidade na Narrativa Pós-Colonial Sul-Americana", havia sido aprovado sem restrições e integrado ao volume do trimestre corrente.Marjory recostou-se na cadeira, assimilando o impacto

  • Sr. Ciarán, meu fruto proibido.   Capítulo 54 — A Distância Certa

    A transição para o novo ano letivo impôs uma reconfiguração natural na rotina que Ciarán e Marjory haviam estruturado com tanto zelo. O amadurecimento do vínculo afetivo entre ambos não se manifestava mais pela necessidade de uma proximidade física ininterrupta, mas sim pela confiança sólida que permitia a cada um expandir seus próprios horizontes intelectuais e profissionais. O amor que compartilhavam deixara de ser um refúgio contra as adversidades externas para se consolidar como a base firme a partir da qual impulsionavam suas respectivas carreiras.Às sete horas da manhã de uma terça-feira típica de outono, o som discreto do despertador dava início à dinâmica do dia. O apartamento assumia uma cadência de movimentos precisos e coordenados. Ciarán, vestindo um terno cinza de corte impecável que reforçava sua postura sóbria, organizava seus documentos e o laptop na pasta de couro, enquanto Marjory, envolta em um roupão confortável, preparava o desjejum na cozinha.— O tráfego em dir

  • Sr. Ciarán, meu fruto proibido.   Capítulo 53 — Rotina

    O outono em Dublin consolidava-se por meio de uma paleta de cores sóbrias e uma queda gradual na temperatura, mas no apartamento de Ciarán a atmosfera mantinha-se preservada por uma calidez constante. Os domingos haviam adquirido uma cadência própria, desprovidos da urgência que caracterizara os trimestres anteriores. Já não existiam os prazos contratuais asfixiantes, o receio das convenções institucionais ou a necessidade de justificar a proximidade mútua perante terceiros. Havia apenas o compasso silencioso de uma normalidade conquistada com paciência.O ritual da manhã iniciava-se sem o auxílio de alarmes sonoros. Marjory despertava com a luminosidade difusa que filtrava pelas cortinas cinzentas, observando a silhueta dos livros empilhados na mesa de cabeceira — agora uma mistura equitativa de dissertações acadêmicas e volumes de literatura contemporânea brasileira. Na cozinha, o som do moedor de café operava como o primeiro indicativo da atividade diária. Ciarán dispunha as xícara

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