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Capítulo 6

Autor: C-Emmzy
Ponto de vista de Iris

— Cansei disso. — Disse Eric, friamente. — Concordei em fingir que estava tudo bem por um mês, mas já estou me arrependendo de cada segundo.

Cerrei os punhos e os dentes.

— Ela é sua filha.

— Eu nunca a quis — Cuspiu ele.

As palavras me atingiram como um tapa, e estremeci.

Eric continuou:

— Nada disso jamais significou alguma coisa. Você não é minha companheira e nós não somos uma família. Você foi um erro que eu tolerei. A única razão pela qual entrei nesse jogo foi porque você disse que, depois de um mês, assinaria os papéis do divórcio e eu nunca mais teria que ver vocês.

Eu não havia percebido que Evie estava logo atrás de nós até ouvir seu suspiro baixinho.

Eric também se virou, e seu rosto perdeu a cor quando viu a filha parada ali, de olhos arregalados e imóvel, como se alguém tivesse acabado de lhe dar um tapa.

— Evie... — Dei um passo à frente, mas era tarde demais.

Ela se virou e saiu correndo.

— Evie! — Gritei, correndo atrás dela.

Nós dois corremos atrás dela, mas ela não foi muito longe. Desabou ao lado de um banco e começou a tremer.

— Evie? — Caí de joelhos ao lado dela, mas minha filha não respondia. Ela estava tendo uma convulsão.

— Ela está tendo uma convulsão. — Sussurrei, horrorizada. — Meu Deus, ela está tendo uma convulsão... Eric!

Eric ficou paralisado.

— Pegue-a! — Gritei. — Temos que levá-la à clínica. AGORA!

Ele se mexeu então, pegou-a e correu para o carro. Sentei-me no banco traseiro com Evie pressionada contra meu peito, sussurrando seu nome repetidamente, tentando mantê-la de olhos abertos.

Então o celular de Eric tocou quando ele começou a dirigir.

Era Zara.

Ele atendeu.

— Não posso falar agora. — Murmurou rapidamente.

Estava no viva-voz, então pude ouvir enquanto Zara falava freneticamente com Eric.

— Tiffany caiu da escada na festa. Ela está sangrando e não para de gritar. Precisamos de você agora!

Eric gemeu baixinho, então pisou no freio com força.

Soltei um suspiro de horror e incredulidade.

— Não... não, não, não, Eric, dirija! Evie não está respirando direito…

— Tenho que voltar. — Murmurou ele. — Tiffany está machucada.

— Você está louco?! Evie está MORRENDO!

— Ela está fingindo. — Disparou ele, fazendo o carro dar meia-volta. — Assim como a mãe dela sempre faz. Ela está tentando me manipular só porque eu mandei que se desculpasse.

— Seu desgraçado! — Gritei, soluçando. — Ela não está fingindo! Mal está respirando! Eric, por favor... não faça isso. Se algum dia você se importou com ela, nem que tenha sido um pouco…

— Saia do carro. — Disparou ele.

— O quê...

— Eu disse SAI! Leve seu teatrinho para outro lugar. Tiffany está machucada, e eu não tenho tempo para isso.

Minha boca se abriu em choque.

Eric parou o carro e destrancou as portas.

Eu não conseguia acreditar.

Evie se mexeu fracamente em meus braços.

— Mamãe... — Sua voz mal passava de um sussurro. Ela estava ficando azul.

— Estou aqui. — Chorei. — Eu estou com você, querida.

Eric foi embora, deixando-me gritando e berrando enquanto tentava correr atrás dele com Evie nos braços.

Uma mão delicada tocou minha bochecha. A mão de Evie tremia enquanto acariciava meu rosto.

— Está tudo bem, mamãe...

— Sim, querida, está tudo bem. Você vai ficar bem. — Tentei tranquilizá-la.

Evie balançou lentamente a cabeça.

— Eu sei que o papai não me ama. — Sussurrou. — Não como ele ama a Tiffany.

Chorei ainda mais.

— Não diga isso... por favor, não...

— Está tudo bem. — Disse ela em voz baixa e tranquila, e meu coração sangrou ainda mais. — Eu só... queria que ele me amasse de verdade.

Apertei-a com força, tentando mantê-la aquecida.

— Eu sei que estou doente, mamãe. Sempre soube. Mas não queria dizer nada porque… porque você ficaria triste. Eu só queria ver você sorrir mais.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto diante das palavras de Evie.

A voz de Evie ficou mais fraca.

— Você precisa me prometer uma coisa...

— Qualquer coisa, querida. — Falei entre soluços.

— Prometa que você vai ser feliz, como costumava ser. Mesmo que isso signifique deixá-lo e seguir em frente com uma pessoa melhor que realmente ame você.

Assenti, soluçando.

— Eu prometo, querida. Eu prometo.

Evie deu um sorriso fraco, parecendo muito mais madura do que seus sete anos.

— Ótimo...

Então seus olhos se fecharam, e seu corpo ficou imóvel.

Congelei.

— Não... não, não, não... EVIE! — Gritei.

Sacudi minha filha, implorei para que acordasse, chorei até minha garganta ficar em carne viva e minha voz falhar.

Tentei alcançar Eric pelo vínculo de companheiros, mas ele havia me bloqueado.

Carreguei o corpo de Evie nos braços e caminhei todo o caminho até a clínica, descalça e tremendo.

Quando cheguei lá, os curandeiros vieram correndo.

Eles tentaram.

Tentaram de tudo, mas era tarde demais.

Evie havia partido.

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