INICIAR SESIÓNTânia estava com tudo certo para a semana da moda, tinha acertado com Gladys que iria desfilar um modelo exclusivo para ela, o que certamente o faria, mas seria em seus termos.
Jorge entrou em seu escritório branco como a neve.
— Tenho más notícias, Tânia.
— Desembucha logo, Jô.
Jorge estava tremendo de nervoso com um papel nas mãos e Tânia percebendo que ele não iria falar, pegou de suas mãos e lhe entregou um copo de água.
— Sente-se...
Ele prontamente obedeceu e bebeu de um gole só, porém quando Tânia viu a mensagem desmaiou.
POUCOS MINUTOS DEPOIS, Tânia acordou e tentava se recompor da mensagem e desandou a chorar.
— Eu sei que você o amava.
— Ele foi tão importante na minha vida... me salvou durante um naufrágio, me deu uma filha linda, foi o único homem com quem me deitei...
— Já sabe como irá falar para a sua filha?
— Você acha que há a necessidade dela saber?
— No momento é desnecessário.
— Sim... ela nunca pergunta nada sobre o pai, não quero abrir velhas feridas.
— Ou criar novas...
— Sim... o que aconteceu sobre o seu sequestro, achou que era mais um passeio em família, foi muito bem-tratada por ele, viajaram para a União Soviética, Espanha, França, Itália...
— Podemos dizer que para ela foi apenas um feliz incidente.
— E que continue achando desta forma.
GLADYS ENTROU e viu Tânia vestida com a roupa que tinha carinhosamente projetado para ela.
— Você está um espetáculo.
— Por incrível que pareça, me sinto muito bem vestindo algo tão...
— Contemporâneo.
— Claro... isso mesmo.
Gladys a abraçou e lhe deu um beijo no rosto.
— Você será um sucesso esta noite, seja bem-vinda ao meu mundo.
Tânia segurou as mãos de Gladys e sentiu toda a confiança que emanava daquela deusa em forma de gente.
Nem parece que éramos inimigas até tão pouco tempo atrás...
— Queria me desculpar com você, Gladys.
— Esquece o passado... se isso já cicatrizou quer dizer que venceu a batalha.
— Fico imaginando quantas cicatrizes você não deve ter.
Gladys chegou perto dela e ajeitou o lenço azul em seu pescoço.
— Isso aqui é do povo cigano.
— Como sabe?
— Minha avó era cigana.
De repente ela percebeu que as duas eram realmente parentes.
— Foi um presente para a minha avó.
— Então devo imaginar que a vida sempre a presenteou muito bem, assim como presentei a vida com a minha existência.
TÂNIA ESTAVA APREENSIVA quanto ao desfile, ela sabia que poderia ser uma faca de dois gumes o que Gladys estava aprontando, ela era uma pessoa pouco confiável, porém, também sabia que tinha uma imagem a zelar e faria qualquer coisa para tirar proveito disso para sair na frente.
— E então? – Disse Jorge apreensivo sobre o que ela iria fazer.
— Coloca o plano em ação.
— Mas isso vai acabar com a semana da moda.
— Quem decidiu jogar não fui eu, eu apenas sigo as regras do jogo, ou seja, jogar sem regras...
Eles só não sabiam que havia outro plano já em curso.
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”