FAZER LOGINCAPÍTULO 3 :
PRIVILÉGIO QUE JÁ NÃO ME PERTENCE "Ariel Gouveia" Depois do acidente, a minha realidade era dura demais pra continuar sendo o mesmo homem de antes, pois eu nunca mais fui o mesmo – E como poderia ser? Eu não tinha como, agora eu era um homem frio amargurado e sem forca alguma nas minhas pernas. Não consigo sequer andar. Um gesto simples — levantar, dar um passo, mudar de direção — tornou-se um privilégio que já não me pertence mais. Passo os dias inteiros preso a esta maldita cadeira de rodas, condenado a observar o mundo a partir de um ângulo baixo, imóvel, enquanto tudo continua a acontecer sem mim. Eu, que sempre vivi em movimento. Antes, meu corpo acompanhava minha mente: inquieta, faminta, acelerada. Eu respirava a empresa, os negócios da família, as decisões tomadas no limite do risco. Gostava de explorar, de conhecer lugares novos, pessoas novas, ideias novas — tudo em busca de inovação, de crescimento, de deixar a minha marca. O mundo sempre foi grande demais para ser vivido devagar. E eu nunca soube viver devagar. Até aquele dia. O acidente não levou apenas minhas pernas. Levou minha autonomia, meu ritmo, minha identidade. Levou o homem que eu era quando entrava em uma sala e todos sentiam a minha presença. Agora, entro empurrado. Espero. Peço ajuda. Dependo. Há dias em que sinto que estou apodrecendo em cima desta maldita cadeira. E eu falo não de fora para dentro, mas por dentro — Onde ninguém vê. O corpo parado, a mente em corrida constante, revivendo o impacto, o som do metal, o segundo exato em que tudo se partiu. Às vezes, o silêncio da casa pesa mais do que a dor física. Outras vezes, é o olhar de pena dos outros que me sufocava, e me irrita . Eu não estou apenas ferido. Estou preso. E a cada dia que passa, sinto que o mundo continua girando… enquanto eu fico para trás, enferrujando, à espera de algo — ou alguém — que me devolva a sensação de estar vivo. O irônico é que tudo aconteceu justamente quando eu estava prestes a assumir o meu cargo definitivo na empresa. O momento em que finalmente deixaria de ser apenas o filho de André Gouveia para me tornar algo por conta própria. E então… tudo parou. Agora vivo aqui, trancado nesta casa que mais parece uma prisão elegante. Dois anos já se passaram desde o acidente de carro. Dois anos. E nenhuma melhora significativa. Nenhum progresso real. Apenas a repetição exata dos mesmos dias, das mesmas paredes, do mesmo silêncio. Sinto-me um inválido. A palavra ecoa na minha cabeça com um desprezo que tento fingir que não existe. Um homem preso a uma cadeira, incapaz de escolher as próprias roupas. Tudo é o meu pai que faz por mim. Ele conhece os meus gostos, os meus caprichos, as minhas manias. Sempre soube. E decidiu assumir até isso. Não porque eu precise. Mas porque ele se sente na obrigação de fazer isso por mim. Ou talvez só pela a proteção. O grande André Gouveia, acostumado a mandar em empresas, mercados e pessoas, passou a satisfazer cada uma das minhas vontades. Como se isso pudesse compensar o resto. Como se comprar o que eu gosto fosse suficiente para calar a frustração que cresce dentro de mim a cada dia. Ele acha que faz isso para me agradar. Para não me deixar ficar ainda mais irritado ou frustrado. Talvez esteja certo. Porque cada dia nesta cadeira é fatalmente igual ao anterior. Monótono. Cinzento. Sem propósito. Uma sucessão interminável de horas em que sou obrigado a lembrar de tudo o que perdi. Mas há algo que nunca me saiu da cabeça. O acidente. Volto a ele todos os dias. A cada detalhe que não se encaixa. A cada memória falha. A cada sensação de que algo não b**e certo. Não foi apenas azar. Não pode ter sido. É por isso que pedi ao Fernando para investigar. Discretamente. Sem envolver o meu pai. Preciso saber a verdade. Mesmo que doa. Porque, se alguém quiser me tirar a vida, vai se arrepender amargamente. Pois não foi apenas o meu corpo que ficou preso. Foi o meu futuro. E eu não vou aceitar isso em silêncio. Não vou desaparecer devagar, fingindo que me conformei. Nem que eu tenha de mover o mundo com as mãos que ainda me obedecem, eu vou descobrir toda a verdade. Porque acidentes não acontecem no vazio. Sempre deixam rastros. Sempre deixam perguntas. E eu aprendi, desde cedo, a não ignorar. O médico foi claro. Cruelmente honesto, talvez — como alguém que sabe que a verdade dói, mas ainda assim precisa ser dita. Disse que, com muito esforço, disciplina quase desumana e tempo… existe uma possibilidade. Pequena, difícil, lenta. Mas real. Disse que eu posso voltar a andar. E eu agarrei essas palavras como quem se agarra a um último pedaço de chão. Mesmo que isso signifique mais meses — ou anos — em cima desta maldita cadeira. Mesmo que cada dia seja uma batalha contra o próprio corpo. Mesmo que eu tenha de reaprender tudo: equilíbrio, força, paciência. Eu vou confiar nisso. Não porque seja fácil, mas porque é a única coisa que me impede de afundar de vez. Eu não fui feito para desistir. E quando eu me recuperar — porque eu vou me recuperar — não será apenas o meu corpo que vai se levantar. Vou reconquistar o amor da Bianca. Minha noiva. A mulher que eu afastei não por falta de amor, mas por covardia. Eu rompi com ela no momento em que me vi refletido naquele espelho do hospital: fraco, quebrado, dependente. Tornei-me um estranho para mim mesmo. E não tive coragem de permitir que ela partilhasse esse homem comigo. Nunca quis que ela me visse assim. Não quis que o olhar dela fosse de cuidado em vez de desejo. Não quis que o toque fosse de proteção em vez de entrega. Preferi a solidão ao risco de ser amado incompleto. Disse a mim mesmo que era para protegê-la… mas a verdade é que eu estava a tentar proteger o pouco orgulho que me restava. Eu penso nela todos os dias. Penso no sorriso que eu perdi. Na vida que interrompi. No futuro, que eu empurrei para longe por medo. E isso dói quase tanto quanto o acidente. Mas dor também é combustível. Quando eu voltar a andar — ainda que com passos hesitantes — vou voltar inteiro. Não perfeito. Não invencível. Mas verdadeiro. E então, vou procurá-la não como o homem que era antes… mas como o homem que sobreviveu. Porque se ainda há algo intacto em mim, é isto: a vontade de lutar – a necessidade de amar. e a certeza de que esta história ainda não acabouCAPÍTULO 122 Tudo sobre controle e em total concordância ISABEL MARQUES Ariel não me deu a menor margem para questionar o que havia acontecido. A verdade é que, dentro daquela sala de reuniões, a dominância dele me fez esquecer qualquer decência, deixando-me completamente à mercê dos seus desejos. Seus movimentos foram inteiramente vorazes, desprovidos de qualquer delicadeza sutil, e eu, incapaz de conter a enxurrada de sensações, soltei um gemido agudo que morreu engolido por sua boca faminta e urgente. Eu estava inteiramente dominada por seus braços fortes, sem qualquer rota de fuga. A cada investida profunda, eu tentava manter o controle afundando meus dentes no ombro dele, usando a pele do meu marido para abafar os espasmos involuntários do meu íntimo. Isso só serviu para atiçar ainda mais o tesão dele, fazendo-o perder o restinho de sobriedade enquanto me possuía sobre a mesa de madeira maciça. Aquilo era uma loucura deliciosa; ele tinha o poder de arrancar o meu juízo e
CAPÍTULO 121 Uma Urgência Crua E Insana ARIEL GOUVEIA O toque suave, mas firme, de Isabel no meu braço funcionou como um comando silencioso. Naquele instante, eu soube exatamente o que significava: ela estava assumindo as rédeas e daria a resposta no devido grau que Bianca merecia — não apenas como uma intrusa corporativa, mas diante da legitimidade que possuía como minha esposa. Dei um meio passo para trás, cruzando os braços, com um sorriso de canto que mal conseguia disfarçar. Eu conhecia perfeitamente o intelecto e a classe da mulher com quem havia me casado. Meu pai havia feito aquela escolha pessoalmente; a minha mulher foi escolhida a dedo pelo patriarca dos Gouveia, e ela era, sem dúvidas, o melhor presente da minha vida.Isabel olhou fixamente para a mão de Bianca em seu ombro, mantendo um silêncio cirúrgico por três segundos. Foi o tempo exato para que todos os investidores na sala notassem o desconforto e a audácia daquela aproximação forçada. Com uma elegância gél
PÍTULO 120 Comando Como Uma Gouveia ISABEL MARQUES Luz da manhã do País M começou a filtrar pelas imensas janelas da suíte, iluminando o quarto luxuoso. Aquele clima frio era convidativo para estar na cama com ele. Apesar da nossa noite intensa de amor, acordei cheia de disposição e com a mente totalmente focada, pronta para direcionar a nossa nova rotina e antes de tudo fazer Ariel voltar aos exercícios matinais. Sabia que tínhamos muita coisa a ser feita no escritório e que iríamos ver o novo empreendimento logo cedo, mas a minha prioridade absoluta antes de qualquer reunião de negócios era a saúde do meu marido. – Que mexia com os meus sentidos só de olhar pra ele só de sunga logo pela manhã. Olhei para o lado e Ariel ainda estava imerso em um sono profundo. Aproximei-me devagar, sentando-me na borda da cama, e comecei a afastar os cabelos da testa dele com carinho. Eu precisava alertá-lo sobre a fisioterapia; ele tinha que começar a voltar à ativa imediatamente para
CAPÍTULO 119 Ela Sabia O Que Fazer Perfeitamente ARIEL GOUVEIA Antes que eu pudesse mandar os seguranças intervirem, senti o toque firme de Isabel no meu braço. Ela deu um passo à frente, assumindo uma postura de altivez e elegância digna de uma verdadeira rainha do mundo corporativo. O olhar dela para os repórteres foi cirúrgico. — Senhores, por favor — a voz de Isabel ecoou clara, firme e sofisticada, silenciando o tumulto. — Meu marido e eu ficamos afastados temporariamente por uma questão estritamente profissional, devido aos meus compromissos, prazos e às minhas formações acadêmicas. Eu sou uma mulher extremamente reservada e não aprecio esse tipo de tumulto midiático. Mas prometo que, a partir de agora, vocês me verão muitas outras vezes ao lado do meu marido, Ariel Gouveia. Agora, se nos dão licença, precisamos seguir o nosso caminho. Os repórteres se entre olharam, impressionados com a firmeza e a beleza da mulher que eu havia escolhido. — Pelo visto,
CAPÍTULO 118 Se Sobressaindo Aos Ataques ARIEL GOUVEIA O sol da tarde batia contra o deck da piscina, mas a minha mente estava longe daquela calmaria. Aproximei-me lentamente da espreguiçadeira onde Isabel estava deitada. Ela usava um biquíni que parecia esculpido para o seu corpo, uma verdadeira obra de arte sob a luz dourada. Parei ao seu lado, fazendo sombra sobre a sua pele quente. — O que acha da gente sair um pouco daqui e conversar sobre o meu retorno ao País M? — perguntei, a voz baixa, buscando a atenção dela.Isabel nem sequer abriu os olhos de imediato, mas um sorriso de lado desenhou-se em seus lábios. Ela sabia perfeitamente que eu estava ali. — E o que você tanto conversava com o seu pai do outro lado da piscina, que não ficou aqui comigo? — ela rebateu, com aquele tom firme de quem observa absolutamente tudo ao redor. — Você anda muito curiosa, sabia? — Dei um sorriso de canto, provocando-a. — Curiosa não, Ariel. Atenta — ela corrigiu, abrindo
CAPÍTULO 117 Quer Me Levar Na Lábia Outra Vez? LAURA GOUVEIA Eu olhava para Caio e as palavras simplesmente se recusavam a sair da minha boca. Eu queria rebater-lo, gritar que o arrependimento dele vinha tarde demais, mas a proximidade do seu corpo seminu me paralisou por completo. Caio mexia com todos os meus sentidos. O cheiro da pele dele, o tom grave da sua voz... Tudo me puxava para o lado mais íntimo, mais primitivo e mais louco que eu guardava dentro de mim. Senti toda a minha segurança desmoronar como um castelo de areia. Sempre foi assim entre nós, desde o início: ele tinha o poder de me desarmar com um único olhar. Sabendo que se ficasse ali mais um segundo eu perderia completamente o controle da situação, pensei em Valerio. Ele não merecia aquilo. Se eu continuasse naquele quarto, eu provavelmente me entregaria aos braços daquele homem que sempre me levava à loucura. Dei as costas abruptamente.Saí batendo a porta do quarto de hóspedes, com o coração pa







