INICIAR SESIÓNCapítulo 07: Lídia...
O cheiro do café fresco sempre me traz uma sensação de estar no lar, mesmo quando tudo ainda parece provisório. Acordei forçando um sorriso... eu me esforcei para mantê-lo no rosto, enquanto colocava as xícaras na mesa e o pão fresco que busquei na padaria e o bolo que preparei. Sempre gostei de cozinhar e modéstia a parte tudo o que faço fica maravilhoso. Joice mexia o café distraída, e Eduardo devorava o pão como se fosse a sua última refeição antes de uma guerra. — Você está quieta demais! — disparou ela me analisando por cima da xícara. — Isso nunca é um bom sinal! Está tudo bem,mana? Sorri de lado, tentando parecer tranquila. — Só estou cansada... não dormi muito bem essa noite! ...Mentira! Eu estou apavorada! Com medo de fracassar mais uma vez, medo de criar expectativas e vê-las desmoronar, como tantas outras vezes. A entrevista havia sido estranha, intensa… e aquele homem, sério e fechado, ainda mexia comigo de um jeito que eu não sabia explicar. — Vai dar certo, mana! — disse Eduardo de repente, com a boca cheia. — Você sempre se vira... — Nem sempre! — respondi, sincera. Joice estendeu a mão por cima da mesa e apertou a minha. — Mas sempre tentou e isso é mais do que muita gente já fez ou faz! Estamos com você, mana, sempre! Respirei fundo e forcei um sorriso. — Obrigada pelo apoio! Eles não fazem ideia do quanto eu preciso desse emprego. Não só pelo dinheiro, mas pela chance de provar a mim mesma que ainda há um lugar no mundo onde eu me encaixo. Onde eu posso ser apenas a Lídia, a pedagoga, e não a garota que precisou dançar para sobreviver. Estávamos recolhendo as coisas da mesa quando o meu celular vibrou sobre a bancada. Era um número desconhecido, olhei para Joice com o coração disparado. — Atende logo! — disse ela. Com as mãos trêmulas, atendi. — Alô? — Bom dia, senhorita Lídia! Aqui é a secretária do senhor Carter! — disse e o meu estômago revirou. — Ele gostaria de vê-la hoje pela manhã, na empresa! Podemos confirmar? Por um segundo, fiquei muda, balancei a cabeça e respondi. — Sim! Claro que sim! Desliguei e encarei meus irmãos. — Eles querem me ver... — anunciei eufórica. Eduardo comemorou como se eu já tivesse sido contratada. Joice sorriu, mas seus olhos atentos captaram minha ansiedade. — Vai dar tudo certo, mana! Só precisa ser você mesmo! Balancei a cabeça em concordância, mas só eu sei como o meu coração estava ansioso. Horas depois, estava sentada na recepção da empresa Carter, minhas mãos estavam geladas e apertava uma na outra. Quando o senhor Carter apareceu, senti algo que não esperava... calma. Uma estranha sensação de que, apesar de tudo, eu estava onde deveria estar. ... Que coisa estranha!... Seguimos direto para a mansão. Assim que os portões se abriram, percebi que a minha vida estava prestes a mudar de novo. A casa era enorme, imponente, bonita demais para parecer um lar de verdade. Ainda assim, havia algo triste no ar, como se risadas tivessem sido silenciadas há muito tempo. — As crianças já estão em casa! Quero que conheça todos hoje e vá se familiarizando... Assenti, tentando manter o profissionalismo, mesmo com o coração acelerado. Assim que entramos, senti os olhares, o primeiro foi de um adolescente, apenas de olhar percebi que era rebelde. Ele estava encostado na parede da sala, braços cruzados, expressão desafiadora. O seu olhar avaliava cada passo meu, como se estivesse pronto para encontrar um defeito. — Então é você a nova vítima? — provocou e seu pai o fitou com o olhar. Antes que eu pudesse responder, uma voz suave e doce disse: — Erick, pare com isso! Uma garota surgiu descendo as escadas, linda, delicada, com olhos gentis e um sorriso que parecia carregar uma luz. Ela proximou-se de mim sem medo. — Oi, eu sou a Ella! — disse. — Bem-vinda! — Obrigada! — respondi, sentindo o meu peito se aquecer. O rapaz revirou os olhos e se afastou, claramente entediado. Foi então que ouvi passos apressados e logo senti algo bater contra minhas pernas. Um menino de cabelos bagunçados e olhar curioso me encarava de baixo, com um sorriso travesso. — Você é a nova babá? — perguntou com uma carinha de sapeca. — Sou — respondi, agachando para ficar na altura dele. — E você é o... — João Miguel! — interrompeu. — Mas eu não gosto de babás! Todas são insuportáveis... Sorri. — Tudo bem! Eu também não gostava de gente estranha quando era criança, mas se me der uma chance posso provar que posso ser bem legal! — disse docemente. Ele estreitou os olhos, desconfiado e vi uma pontinha de curiosidade. — Você vai embora logo, como as outras babás? — Não pretendo ir embora... — respondi com sinceridade. Ele deu de ombros, mas percebi que continuava me observando, atento, como se estivesse pronto para testar cada palavra minha. — Onde está a Maria Júlia? — perguntou Adam, olhando para a governanta. — A nossa princesinha está dormindo, papai! — antecipou Ella. Poucos minutos depois, conheci a razão daquele título. Adam deu sinal para o seguí-lo, então subimos as escadas em silêncio. Entramos no belo quarto e lá estava ela sentadinha no berço, com uma mão coçava os olhinhos e a outra abraçava um ursinho quase do tamanho dela. Linda, dois anos, olhos grandes e bochechas rosadas. Quando me viu, abriu um sorriso sem dentes perfeitos e estendeu os bracinhos. Meu coração se derreteu instantaneamente. — Oi, princesinha! — murmurei, pegando-a com cuidado. Ela encostou a cabeça no meu ombro como se me conhecesse há anos. Seu pai arqueou uma das sobrancelhas. — Geralmente ela estranha pessoas desconhecidas! A última babá não conseguia nem dar banho nela nos primeiros dias... Sorri e percebi naquele instante que não haveria mais volta. Um adolescente rebelde, uma adolescente doce que tenta cuidar de tudo e de todos, um menino sapeca e uma princesinha carente de afeto. Ambos com um pai distante e uma casa silenciosa, sem nenhum fio de alegria. E eu aqui, no meio de tudo. Um grande desafio, talvez o maior de toda a minha vida. No entanto, pela primeira vez em muito tempo, em vez de medo, senti algo diferente crescendo dentro de mim... um mix de esperança, carinho e vontade de ajudar essa família.Capítulo 170: Epílogo...Adrian e Joice...Se alguém me perguntasse, lá atrás, como eu imaginava o meu futuro, eu jamais descreveria a vida que tenho hoje. Não porque ela é perfeita, mas é muito mais bonita do que qualquer sonho que eu já tive.O tempo passou e não de forma brusca, nem distante… mas como algo que se encaixa, que amadurece, que transforma e, com ele, o nosso amor também mudou. Não diminuiu, só ficou mais forte e profundo.Hoje, amar ele não é mais um turbilhão constante, como no começo. Não é mais aquele medo de perder, aquela urgência de segurar. Hoje, amar ele é ter certeza e saber que, independente de qualquer coisa… ele vai estar ali e eu também.A nossa vida ganhou novos sons, risos mais altos, passos pequenos correndo pela casa, vozes que nos chamam a todo instante... os nossos três filhos. Três pedaços de nós que transformaram tudo em nossas vidas. A casa ficou mais bagunçada, mais barulhenta e muito mais viva.E eu nunca me senti tão completa como agora. Às vez
Capítulo 169: Epílogo...Adriel e Bruna...Se alguém me dissesse, lá no início, que a minha vida tomaria esse rumo, eu provavelmente não acreditaria. Tudo começou de forma confusa, dolorosa e cheia de desencontros, mas o amor… o verdadeiro amor, encontrou um jeito de crescer mesmo assim.O dia da minha formatura foi um dos mais importantes da minha vida, eu estava nervosa, ansiosa, com o coração acelerado e não apenas pelo diploma, mas por tudo o que aquele momento representava. Quando chamaram o meu nome, levantei com um sorriso que eu sabia que não era só meu... era nosso. Adriel esteve todo esse tempo ao meu lado, me ajudando e me incentivando.Enquanto caminhava pelo palco, meus olhos automaticamente o procuraram na plateia e lá estava ele. Adriel, com nossa filha nos braços, a nossa pequena princesa, já um pouco maior, com os olhos curiosos e atentos, como se quisesse entender tudo ao seu redor.E, ao lado deles… nossa família unida e forte.Segurei o diploma firmemente, sentindo
Capítulo 168: Lídia...Os meses passaram como páginas de um livro que eu não queria que terminasse. Cada dia trazia uma nova emoção, um novo detalhe e uma nova descoberta.A minha barriga crescia… e com ela, o amor dentro de mim parecia não ter limites. Adam se tornou ainda mais presente, mais atento e mais cuidadoso.Se antes ele já era protetor, agora… era quase impossível sair de perto dele sem que perguntasse para onde eu ia, com quem eu estava e se eu precisava de alguma coisa.— Você vai ficar bem sozinha? — perguntava até quando eu ia apenas até a cozinha.Eu ria.— Adam, eu só vou pegar água.— Mesmo assim... eu pego pra você! E então ele ia comigo, mas eu não reclamava, porque em cada gesto há amor. Um amor que me envolve, me acolhe e me faz sentir segura.Núbia também se tornou parte essencial da minha rotina, nós compensávamos cada segundo perdido, conversávamos sobre tudo e ríamos de coisas bobas.Às vezes chorávamos juntas… não de tristeza, mas de alívio.Nessa rotina, J
Capítulo 167: Joice...O casamento foi perfeito e emocionante, com palavras, não conseguiria descrever esse momento tão especial e único em nossas vidas.A recepção foi simplesmente inesquecível, ainda sentia o gosto do beijo intenso dele em meus lábios. Ainda sentia o calor de suas mãos segurando as minhas fortemente. Ainda sentia… tudo, mas agora, além da emoção, tinha leveza, alegria e aquela sensação gostosa de “conseguimos”.— Senhora Carter… — começou, com aquele sorriso provocador.Levantei uma sobrancelha.— Nem começa.— Senhora minha esposa... — completou, se aproximando.Revirei os olhos, mas sorri.— Você está se achando muito.— Eu posso... Afinal, casei com a mulher mais linda, perfeita e excepcional do mundo!Ele segurou minha cintura, me puxando levemente para perto e o meu coração deu aquele pulinho.— Convencido.— Realista.Ri, encostando a testa na dele.— Eu te amo, Adrian! — Eu sei e eu te amo mais.— Nem vem.— Sempre.A recepção estava linda, as luzes douradas
Capítulo 166: Adrian...Confesso, que nunca acreditei muito naquele tipo de frase…“Esse é o dia mais feliz da sua vida.”Sempre achei exagero, até hoje.O lugar estava impecável, exatamente como Joice merecia... luz suave, flores brancas por todos os lados. O caminho até o altar refletindo as luzes como se fosse um espelho… como se cada passo levasse direto para um sonho.Mas, mesmo com tudo perfeito, nada conseguia acalmar o que estava acontecendo dentro de mim. O meu coração batia descompassado, as minhas mãos suavam e eu não conseguia parar de olhar para a entrada.Desesperadamente ansioso.— Calma, cara. — Adriel sussurrou ao meu lado. — Você já enfrentou coisa pior.Eu soltei um riso nervoso.— Nunca algo tão importante e único na vida, cara!Adam me deu um leve tapa no ombro.— Ela vai vir. Eu sabia, mas ainda assim cada segundo parecia uma eternidade.Então, a música começou e tudo parou.Meu corpo inteiro ficou intenso e o meu coração quase saiu pela boca.E quando ela apare
Capítulo 165: Ella...Depois daquela noite no jardim de casa, comecei a perceber nos pequenos detalhes, no jeito como Eduardo me olhava quando estávamos sozinhos, na forma como suas mãos demoravam um segundo a mais na minha cintura, a respiração dele mudando quando nossos beijos se prolongavam.Percebi o quanto ele estava se segurando, não era difícil notar.No começo, eu não entendia completamente, achava que talvez fosse insegurança, ou medo de ir rápido demais. Mas, com o tempo, percebi que era algo muito maior do que isso. Tratava-se de cuidado, respeito, escolha e isso me toca de um jeito profundo. Ele faz eu sentir que não preciso corresponder a uma expectativa... não há pressão, nem urgência. Apenas um sentimento crescendo, firme, constante, genuíno e seguro. Mas, ao mesmo tempo… eu também estou mudando.Ultimamente, o meu corpo reagia de formas novas quando ele me tocava. Meu coração acelerava com mais intensidade, minha respiração ficava irregular, e aquele frio na barriga qu







