INICIAR SESIÓNDante
O gosto dela ainda estava nos meus lábios. Quente. Teimoso. Doce demais para um homem como eu. Quando Valentina me beijou de volta, ou talvez tenha sido eu que a devorei, algo dentro de mim rompeu a muralha que costurei durante anos.
Não era para ter acontecido. Não assim. Mas, quando ela abriu a boca, quando senti o ar dela se misturar ao meu, já era tarde. Meu corpo reagiu antes da mente. Minhas mãos subiram por sua cintura, puxando-a para mim como se o espaço entre nós fosse uma afronta. O vestido vermelho, fino demais, cedeu sob meus dedos. Ela tentou me empurrar, o toque fraco, confuso, contraditório. Mas não afastou. E eu não quis parar. O beijo ficou mais intenso, mais selvagem. Nossas respirações se misturavam, os corpos colados, a raiva e o desejo lutando por domínio. Ela tinha gosto de proibição, de perigo, e o maldito inferno dentro de mim parecia achar isso delicioso. - Me solta... - ela sussurrou, mas a voz não soava como um pedido. Soava como um desafio. Segurei seu rosto com firmeza, obrigando-a a me encarar. - Diz de novo - murmurei, roçando os lábios nos dela - E talvez eu obedeça. Ela ficou imóvel. Os olhos castanhos queimando contra os meus. A respiração entrecortada. A pele corando sob meu toque. As palavras não vieram. Então a beijei outra vez. Com força. Com raiva. Com uma necessidade que eu mesmo não reconhecia. As mãos dela se prenderam na minha camisa, os dedos tremendo, ora me empurrando, ora me puxando. O corpo dela não sabia o que queria, e o meu também não. A encostei na parede, o som seco do impacto ecoando entre nós. O vestido se amarrotou entre nossos corpos. Minhas mãos desceram, explorando as curvas que ela tentou esconder. Cada tremor, cada suspiro preso, me fazia perder o controle que jurei manter. Ela era macia, quente e viva. E o pior de tudo: real. Nada nela lembrava as mulheres que passavam pela minha cama. Elas vinham vazias, treinadas para agradar. Valentina, não. Ela lutava, mesmo quando o corpo já estava se rendendo. - Pare... - ela tentou de novo, a voz quebrada. - Diga isso olhando pra mim - pedi, roçando o nariz no dela. - Diga com convicção. Os olhos dela se moveram, hesitantes, depois se perderam nos meus. O silêncio dela me incendiou mais do que qualquer gemido poderia. Peguei-a pela cintura, ergui em meus braços. Ela arfou, surpresa. - O que está fazendo?! - perguntou, tentando manter o tom firme. - Mostrando o que acontece quando você me provoca, Valentina. A deitei sobre a cama. Ela apoiou as mãos no colchão, o peito subindo e descendo rápido. Fiquei por cima dela, o peso do meu corpo controlado, o olhar cravado no dela. Meu dedo percorreu o contorno do pescoço dela, descendo lentamente até o decote. - Eu não faço as coisas assim. - ela sussurrou. - Assim como? - Por fazer, eu nunca fiz, eu nem... - a beijei novamente, e ela murmurou entre nossos lábios. - Isso é tão errado. - Errado é o que você me faz sentir - respondi, sem pensar. Meu polegar traçou o caminho entre seus seios, sem pressa, só para ouvir a respiração dela falhar. O vestido se moveu, revelando mais pele do que ela gostaria. E ela se arrepiou por inteiro, fazendo seus mamilos endurecerem. - O que é isso? - ela murmurou, os olhos semicerrados, a voz tremendo. Sorri contra sua pele. - É o seu corpo gritando pelo meu. Ela estremeceu. Tentei me convencer de que era medo, mas sabia que não era. A pele dela arrepiava sob meus toques, o quadril se movia contra o meu, inconsciente. O perfume barato misturado ao cheiro da minha pele era viciante. Desci meus lábios até o pescoço dela, senti o gosto salgado da pele quente, ouvi o som abafado do gemido que ela tentou conter. - Não lute contra o que já é seu instinto, Valentina. - sussurrei entre beijos. - O corpo fala a verdade que a boca tenta negar. Ela mordeu o lábio inferior, os olhos fechados, e arqueou sob mim. Quando passei os dedos pela barra do vestido, ela não impediu. Subi o tecido devagar, expondo suas pernas, os joelhos, as coxas. O ar entre nós ficou pesado, denso, vivo. Meu olhar encontrou o dela de novo. Havia medo. Mas havia também algo que me destruiu por dentro: desejo. Acariciei-a por cima da calcinha. Ela se arqueou, surpresa, os lábios se abrindo num gemido rouco. Continuei provocando, pressionando o ponto exato onde o prazer começa a nascer. - O que está acontecendo comigo...? - ela perguntou, a voz falhando, o corpo tremendo. - Está sentindo o que é viver. - respondi, a voz rouca, carregada de uma fome que eu não queria admitir. - O que é desejar alguém até perder o ar. Ela tentou dizer algo, mas o gemido engoliu as palavras. Os quadris dela começaram a se mover em resposta ao meu toque. O som das respirações entrecortadas enchia o quarto. Eu a observava, hipnotizado. O rosto corado, os olhos semicerrados, os lábios entreabertos... Valentina Rojas era um pecado embalado em inocência. Aumentei o ritmo, minha mão dominando o corpo dela como se sempre tivesse pertencido a mim. Ela agarrou meus braços, os dedos cravando em minha pele. E então veio. Um gemido profundo, um tremor que percorreu seu corpo inteiro, e eu senti a onda quebrar nela. Eu sabia que aquele era o primeiro orgasmo da vida dela. Valentina arfou, o corpo ainda estremecendo, os olhos perdidos em mim como se tentassem entender o que acabou de acontecer. E foi isso que me destruiu. Eu a olhava e, por um segundo, tudo pareceu errado. Não era assim que deveria ser. Não com ela. Não em sua primeira vez. Fechei os olhos. Respirei fundo. Afastar-me exigiu mais força do que qualquer guerra que já travei. Me levantei, tentando ignorar o desejo ainda pulsando em mim. O sangue quente. O corpo pedindo mais. Mas eu precisava parar. Precisava. Ela me olhava, o peito subindo e descendo, o rosto ainda corado. Arrumei minha roupa e meu membro que gritava para ser libertado, me virei e segui para a porta. - Dante...? - a voz dela saiu baixa, quebrada, um sussurro que me atingiu como um tiro. Parei na porta, de costas para ela. Se olhasse, não sairia dali. Meu tom saiu frio, mecânico. - Se recomponha. Volte ao seu quarto e espere até que Teresa a busque. Houve um silêncio. Depois, a voz dela, mais frágil do que antes: - Me buscar pra quê? Virei o rosto, só o suficiente para que ela me visse. - Irá almoçar comigo. E saí. O som da porta se fechando foi como o estalar de uma corda que quase se rompe. Caminhei pelo corredor em silêncio. O ar parecia denso demais, a respiração pesada demais. Cada passo ecoava no chão de mármore como um lembrete do erro que quase cometi. Encostei-me à parede, fechei os olhos e passei as mãos no rosto. O cheiro dela ainda estava nos meus dedos. Doce. Suave. Perigoso. Maldição. O gosto de Valentina era uma maldição. E eu sabia que se voltasse a prová-lo, não haveria retorno. Ela é uma dívida. Uma posse. Uma função. Preciso repetir isso até acreditar. Mas, ao fechar os olhos, tudo o que vejo é o instante em que ela se arqueou sob mim, quando o prazer tomou conta dela e o mundo pareceu parar. Aquela visão me persegue. E o pior é que parte de mim quer vê-la de novo assim, entregue, vulnerável, viva. Mas não posso. Não sou homem para despertar nela o que é bonito. Sou o que vem depois, o que destrói. E se continuar, ela vai ser minha ruína. Respirei fundo, forcei o controle de volta. Dante Vitale não sente. Dante Vitale não ama. Dante Vitale comanda. Dante Vitale... só precisa de um herdeiro. Dante Vitale... tentei manter meu nome vivo na minha mente, para poder esquecer do resto. Mas, por algum motivo que ainda não entendo, o nome Valentina Rojas já soa como uma ameaça ao que sou. Ela tem um gosto delicioso... Mas é o tipo de sabor que pode te matar. Porque tem gosto... de perigo.EpílogoDanteDois anos depois.A casa cheirava a cera de madeira antiga e biscoitos de canela. Parei na porta da biblioteca, apoiando o ombro no batente, sem fazer barulho. Eu tinha acabado de chegar de uma viagem de três dias a Milão e estava exausto, com o cheiro de aeroporto e reuniões entediantes impregnado na roupa.Mas aquela cena... aquela cena limpou minha alma instantaneamente. A luz dourada do fim de tarde entrava pelas janelas altas. Valentina estava sentada ao piano de cauda. Ela tocava algo suave, uma melodia que parecia flutuar no ar, os dedos dançando sobre as teclas com uma leveza que contrastava com a força que eu sabia que aquelas mãos tinham.No sofá de veludo, Sofia estava esparramada, com os pés apoiados numa pilha de almofadas, massageando o tornozelo inchado. A barriga de sete meses de gravidez era uma curva proeminente sob o vestido florido.- Eu juro, Tina... - Sofia resmungava, interrompendo a música. - Se o Mario me disser mais uma vez para "ficar calma", e
Dante Eu enfrentei exércitos. Negociei com terroristas. Sobrevivi a torturas e enterrei inimigos com as minhas próprias mãos. Mas nunca, em trinta e dois anos de vida, minhas mãos suaram tanto quanto agora. Ajeitei a gravata pela décima vez na frente do espelho do hall. O nó estava perfeito, mas parecia apertar minha garganta. - Se você mexer nessa gravata de novo, eu vou chamar a Teresa para te dar uma colherada na mão. Virei-me. Mario estava encostado na porta, um copo de uísque na mão e um sorriso debochado no rosto. O Sottocapo parecia irritantemente calmo. - A segurança? - perguntei, ignorando a piada. - O perímetro está fechado, Dante. - Mario revirou os olhos, desencostando da porta. - Temos atiradores nos telhados, drones no ar e mais homens armados disfarçados de garçons do que garçons de verdade. Nem uma mosca entra aqui sem autorização. Relaxe. Hoje é dia de paz. Ele me estendeu o copo. - Beba. Você parece que vai vomitar. Peguei o copo e virei o líquido âmbar de u
ValentinaTrês meses.Noventa dias de fisioterapia, exercícios respiratórios para fortalecer meu pulmão remendado e sessões de fonoaudiologia para que minha voz voltasse a ser mais do que um sussurro rouco.A recuperação foi uma escalada lenta, mas a vista do topo valia a pena. A mansão Vitale nunca esteve tão viva. O silêncio solene dos corredores tinha sido substituído pelo som de joelhos pequenos batendo no chão de madeira e balbucios que soavam como ordens ditatoriais.Nicolau e Vittoria estavam com oito meses. E eram o caos encarnado. Nico engatinhava como um tanque de guerra, derrubando tudo o que via pela frente, com a força bruta do pai. Vittoria era rápida, estratégica; ela esperava o irmão derrubar a barreira de almofadas para passar pelo buraco.Eu estava sentada no tapete da sala, rindo enquanto Nico tentava comer o pé da mesa e Vittoria puxava a orelha de um urso de pelúcia.- Eles vão destruir a casa antes de completarem um ano. - Elisa comentou, passando com uma pilha d
Valentina Acordar não foi como acender uma luz. Foi como emergir de um oceano profundo e escuro. Primeiro veio o som: o bipe rítmico, a respiração pesada de alguém ao meu lado. Depois veio o toque: uma mão grande, áspera e quente segurando a minha. E por último, a dor. Não era a dor aguda do tiro. Era uma dor surda, de corpo esquecido, de músculos atrofiados. Tentei engolir e senti um bloqueio estranho na garganta. Algo plástico. Algo errado. Levei a mão ao pescoço, os dedos trêmulos tocando o curativo, o tubo pequeno. - Calma, Tina. - A voz de Chiara veio do outro lado, profissional, mas embargada de alívio. - Não tente falar. Você está com uma traqueostomia. Vai incomodar um pouco, mas é o que te ajudou a respirar. Abri os olhos completamente. A luz do abajur era fraca, dourada. Dante estava ajoelhado ao meu lado. O rosto dele... meu Deus. Ele estava barbudo, com olheiras profundas, mas o sorriso que ele me deu foi a coisa mais bonita que já vi na vida. - Você voltou. - ele s
Dante Dois meses. Sessenta e um dias. Mil, quatrocentas e sessenta e quatro horas. Eu aprendi a contar o tempo não por relógios ou prazos de carregamentos, mas pelos bipes de um monitor cardíaco e pelas mamadas de duas crianças que não entendem por que a mãe não vem quando elas choram. Transformei a ala leste da mansão em um hospital de ponta. A Doutora Chiara praticamente mora aqui. Três enfermeiras se revezavam em turnos de oito horas. O quarto onde Valentina dormia cheirava a antisséptico e lavanda, o cheiro dela lutando contra o cheiro da medicina. A ferida no peito dela estava fechada. A cicatriz, uma linha rosada e furiosa, era a marca da bala que deveria ter me matado, não ela. O corpo estava curado. Os ossos, colados. Mas a mente... a mente dela decidiu vagar por lugares onde eu não podia entrar. Desci as escadas com a camisa social desabotoada, manchas de leite no ombro esquerdo e olheiras que nenhum dinheiro no mundo podia apagar. Na sala de estar, o caos habitual da
Dante O mundo era barulho. Sirenes. Gritos. O som do monitor cardíaco falhando. Mas dentro da minha cabeça, havia apenas um silêncio branco. Eu estava dentro da ambulância. Minhas mãos ainda pressionavam a gaze sobre o peito dela, embora o paramédico tivesse tentado me afastar duas vezes. - O senhor precisa soltar! - ele gritou. - Se eu soltar, ela sangra! - rosnei, e ele viu nos meus olhos que eu mataria qualquer um que me impedisse de tentar salvá-la. - Dirija essa merda mais rápido! Eu olhava para o rosto dela. Pálido. Cinza. A máscara de oxigênio embaçava ritmicamente, cada vez mais fraca. - Não ouse. - sussurrei perto do ouvido dela, ignorando o caos ao redor. - Você não tem permissão para ir, Valentina. Eu não autorizei. Você me ouviu? Eu não autorizei! A ambulância parou no hospital com um solavanco. As portas se abriram. O mundo virou um borrão de luzes fluorescentes e jalecos brancos. - Ferimento por arma de fogo no tórax! Perda massiva de sangue! Pressão 6 por 4! Prep







