~ NICO ~A Tenuta tinha um som.Não era um som único, daqueles que você reconhece de olhos fechados. Era um conjunto de ruídos pequenos que, juntos, viravam ritmo. O portão abrindo cedo, pneus na estrada de cascalho, passos apressados no corredor de serviço, o tilintar contido de louça na cozinha, a máquina de café trabalhando sem pausa. Madeira rangendo sob pés que já não andavam com cuidado, porque o lugar tinha deixado de ser obra e virado casa.E tinha cheiro.Café forte, pão aquecido, uva madura que insistia em morar no ar mesmo fora da época. Um perfume limpo de roupa recém-passada vindo de algum canto, o sabonete de hotel que Martina aprovou com uma seriedade de conselho administrativo. Eu atravessava o pátio e sentia, por baixo de tudo, o cheiro de pedra fria — aquele que sempre me lembrava que as paredes dali tinham história.Quando eu cheguei à cozinha, a rotina já estava em movimento.Uma das meninas da equipe alinhava bandejas, outra conferia uma lista com caneta na orelha
Última actualización : 2026-02-10 Leer más