Chapter: O Círculo de FogoPOV de Anny RoseA Gabriela estava viva.Mal, mas viva.Eu nunca tive a intenção de matá-la naquele galpão. As bombas eram para os outros — para o Adrian, para a Beckett, para qualquer um que ousasse tentar resgatá-la. A Gabriela era minha isca. E a isca funcionou perfeitamente.Enquanto todos corriam para o galpão em chamas, eu tinha outro plano. Voltei para a mansão, peguei as meninas e trouxe a Gabriela para o verdadeiro esconderijo. Um porão. Frio, escuro, cheirando a mofo e desespero.Agora ela estava deitada num colchão imundo, as mãos acorrentadas à parede, o corpo magro demais, os lábios rachados, os olhos fundos. Quatro dias sem comida e água direito fizeram isso. Ela era só uma sombra do que foi."Trouxe visitas, mana."Abri a porta do porão carregando as meninas. A Lisa no braço direito, a Him no esquerdo. As duas quietas, exaustas de tanto chorar, mas vivas. Tão pequenas. Tão indefesas.A Gabriela levantou a cabeça devagar. Quando viu as meninas, algo acendeu nos olhos del
Última actualización: 2026-09-01
Chapter: A PropostaPOV de AlexandreO celular vibrou no meu bolso.Eu tava encostado no carro, os olhos perdidos no horizonte, tentando processar tudo o que tinha acontecido. A explosão. O berço vazio. A mensagem da Anny.E agora o celular vibrava.Olhei a tela. Número desconhecido.Meu coração disparou. Eu sabia quem era antes mesmo de atender."Alô?""Alex..." A voz dela era suave, doce, como se a gente tivesse se falado ontem. "Tava com saudade de você."Fechei os olhos. O som da voz dela mexia comigo de um jeito que eu odiava admitir."Anny, o que você fez?""Fiz o que precisava fazer." Ela riu baixinho. "Você viu o Adrian? Ele deve estar um caco. Pobre playboyzinho.""Você matou a Gabriela." Minha voz saiu dura. "Você explodiu ela. E depois levou as bebês.""Eu não queria ter feito aquilo com a Gabriela. Mas ela me irritou." A Anny suspirou, como se falasse de algo banal. "As meninas estão bem, Alex. Elas são lindas. A Lisa tem os olhos da mãe. A Him tem o sorriso do pai.""Para.""Para o quê? Esto
Última actualización: 2026-09-01
Chapter: O SilêncioPOV de BeckettO Adrian caiu de joelhos no chão do quarto, o bilhete ainda na mão. Ele não gritou. Não chorou. Só ficou ali, parado, os olhos fixos no berço vazio.E aquilo me assustou mais do que qualquer explosão."Adrian..." Me aproximei devagar, como quem se aproxima de um animal ferido. "Adrian, me dá o papel."Ele não respondeu. Os dedos apertavam o bilhete com tanta força que as juntas ficaram brancas.Me agachei na frente dele e peguei o papel com cuidado. Li."Nem sempre temos o que queremos — Anny Rose."Senti o sangue ferver.A Anny não só matou a Gabriela. Ela voltou aqui. Ela entrou na casa. Ela levou as meninas. E deixou um bilhete como se fosse um troféu."Eu vou matar ela." A voz saiu da minha boca antes que eu percebesse. "Eu vou caçar ela até o fim do mundo. Eu vou fazer ela pagar."O Adrian continuou imóvel."Adrian, olha pra mim." Segurei o rosto dele com as duas mãos. "As meninas estão vivas. A Anny não mataria elas. Ela quer usar como moeda de troca. Ela quer voc
Última actualización: 2026-09-01
Chapter: CinzasPOV de AdrianAs chamas ainda subiam ao céu quando o Lee me puxou pelos braços."Temos que sair daqui! Pode explodir de novo!""EU NÃO VOU DEIXAR ELA LÁ!"Minha voz saiu rasgada, irreconhecível. Eu me debatia como um animal preso, as unhas cravando na terra, os joelhos sangrando. O Alex tentava me segurar pelo outro lado, mas eu era mais forte. A dor me dava uma força que eu não sabia que tinha."NÃO! NÃO! NÃO! ELA TÁ LÁ DENTRO! ELA TÁ VIVA!""Adrian, por favor!" A Beckett se ajoelhou na minha frente, o rosto coberto de lágrimas e fuligem. "Ela já era... ninguém sobreviveu àquilo...""VOCÊ NÃO SABE DISSO!"O calor do fogo queimava meu rosto. A fumaça entrava nos meus pulmões. Mas eu não me importava. Eu queria entrar. Queria morrer lá dentro com ela."Suas filhas precisam de você!" O Lee gritou no meu ouvido. "A Lisa e a Him já perderam a mãe! Não podem perder o pai também!"As palavras me atingiram como um soco.A Lisa. A Him.As nossas filhas.A Gabriela me olhando naquela maldita v
Última actualización: 2026-09-01
Chapter: ExplosãoPOV de BeckettO celular tocou e eu atendi antes do segundo toque."Beckett, eu sei onde ela tá!" A voz do Adrian explodiu do outro lado, misturada com pânico e esperança. "A Anny mandou a localização. É um galpão na saída da cidade!""Me passa o endereço. Agora.""Mas tem um problema..." Ele hesitou, e eu senti o medo na voz dele. "Ela implantou bombas no galpão. A gente só tem uma hora."O mundo parou por um segundo."Uma hora?""Ela disse 'tic tac'. A Anny armou tudo. Se a gente demorar...""Não fala isso." Cortei, a mente já trabalhando. "Chama o Lee e o Alex. A Bruna fica com as bebês. A gente se encontra na estrada.""Beckett...""Vai dar certo, Adrian. Vai dar certo."Desliguei e corri pro carro.Todos chegaram em minutos. O Adrian no banco do passageiro do meu carro, o rosto pálido, as mãos tremendo. O Lee e o Alex logo atrás, no carro do Lee. A Bruna ficou com as meninas, as duas chorando enquanto a gente saía."É na rodovia antiga", disse o Adrian, com o celular na mão. "Dep
Última actualización: 2026-08-31
Chapter: Sem tempoPOV de Anny RoseA Gabriela mal se segurava em pé. As correntes faziam todo o trabalho, mantendo ela suspensa como um boneco quebrado. A cabeça caída pra frente, o cabelo sujo grudado no rosto, os lábios rachados entreabertos. Três dias sem água fizeram dela isso: um corpo esperando a morte.Eu quase senti pena.Quase."Acorda, princesinha. Você vai fazer uma participação especial."Ela não respondeu. Talvez não tivesse mais forças.Me agachei na frente dela, levantando o rosto com a mão. Os olhos dela estavam vidrados, mas ainda tinham aquele brilho teimoso. A Gabriela nunca soube quando desistir."O Adrian vai te ver agora. Sorria."Ela cuspiu. Fraco, sem saliva. Não chegou nem perto do meu rosto.Balancei a cabeça e me levantei, ligando a videochamada.A tela acendeu. E lá estava ele — Adrian, o playboyzinho, o marido perfeito, com os olhos fundos e a barba por fazer. Ele parecia tão quebrado quanto a esposa. Lindo. Trágico."Gabriela!" A voz dele explodiu pela caixa do celular. "G
Última actualización: 2026-08-31

Fugi do Altar com o Padeiro, mas o Bilionário Me Caçou
Uma fuga. Uma caçada. Um casamento que ninguém desejou, mas que o destino exigiu.
Isla Morgan deveria estar no altar, selando a aliança que salvaria a empresa da família da falência. Em vez disso, estava na garupa da moto de Kai, o padeiro que prometeu um futuro simples, longe dos acordos milionários. O vestido de noiva valia uma fortuna, mas para ela, era apenas a mortalha de seus sonhos.
Kai deu a ela uma escolha: fugir e viver de amor, ou casar e salvar todos, menos a si mesma. Isla escolheu fugir. Foi o único erro que cometeu.
Porque Ezra Atlas não é um noivo qualquer. É um predador que compra o que deseja. E ele comprou Isla. Quando ela fugiu, ele usou o rastreador que havia costurado no próprio vestido de noiva e a caçou como uma peça de sua coleção.
Agora, Isla está presa em um casamento de mentira, com um homem cujo toque é frio como o ouro que ele carrega no bolso. Kai, ferido e humilhado, jura resgatá-la, mesmo sabendo que não pode competir com o poder ilimitado de um bilionário.
Em uma guerra onde o amor é a arma mais frágil e o poder a única moeda, quem vencerá: o padeiro que ofereceu seu coração, ou o bilionário que comprou o direito de possuí-la?
"Fugi do Altar com o Padeiro, mas o Bilionário Me Caçou" é uma história de amor proibido, obsessão perigosa e a dura verdade: algumas escolhas não são nossas. Algumas pessoas não podem ser salvas. E alguns homens não aceitam um "não" como resposta.
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Chapter: Capítulo 50 - A Guerra ComeçaA sala de reuniões do advogado era pequena e austera. Nada de luxos, nada de desvios. Apenas uma mesa de madeira gasta, estantes abarrotadas de livros de direito, e um homem de cabelos brancos e olhos cansados que ouviu a história de Isla sem interromper.O Dr. Almeida era amigo de Clara — mais um dos seus contactos misteriosos. Fora procurador durante trinta anos antes de se reformar e dedicar-se a casos pro bono. "Contra gente como o teu pai", explicou ele."E então?", perguntou Isla depois de lhe entregar a pen. "É suficiente?"Almeida enfiou a pen no computador e passou longos minutos a ler. O silêncio era ensurdecedor.Finalmente, tirou os óculos e esfregou os olhos."É suficiente para abrir uma investigação. Para congelar contas. Para deter preventivamente." Ele fez uma pausa. "Mas não é suficiente para o manter preso. O teu pai tem advogados. Tem contactos. Tem um império.""Então não serve de nada.""Não disse isso. Serve para comprar tempo. Serve para o enfraquecer. E serve p
Última actualización: 2026-05-14
Chapter: Capítulo 49 - O Aliado InesperadoTrês dias se passaram sem notícias de Viktor. Três dias de silêncio tenso, de olhares para a porta cada vez que a campainha tilintava, de dormir com um olho aberto.Kai mantinha a padaria a funcionar, mas a rotina estava diferente. Havia farinha no balcão e medo no ar. Os clientes habituais não notavam nada, mas Isla via tudo — a forma como Kai verificava a rua antes de abrir, o taco de baseball que agora estava encostado atrás do balcão, a nova fechadura na porta das traseiras."Estás a transformar a padaria num bunker", disse ela naquela manhã, enquanto bebia o café."Estou a ser prudente.""Estás a ser paranóico.""São coisas diferentes." Ele sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.A campainha tilintou. Ambos se viraram, tensos.Era Clara. Mas não vinha sozinha. Atrás dela, um homem de cabelos escuros com entradas prematuras, óculos de aro fino, e um ar de quem passara demasiadas noites em claro."Bom dia", disse Clara, como se aparecer com um estranho fosse a coisa mais normal
Última actualización: 2026-05-14
Chapter: Capítulo 48 - O Nome do PaiA padaria fechou mais cedo nesse dia.Kai baixou as persianas com movimentos calmos, mas Isla via a tensão nos seus ombros. Clara partira logo após a mensagem, dizendo que tinha "assuntos a tratar". O quadro das papoilas estava agora pendurado na parede da padaria, as flores vermelhas a contrastarem com o ambiente rústico."Devias ir embora", disse Isla, pela terceira vez. "Devias desaparecer por uns dias. Eu enfrento-o sozinha.""Já falámos sobre isso.""Kai...""Não." Ele virou-se para ela, os olhos duros mas não frios. "Não vou fugir. E tu também não.""Não é fuga. É estratégia.""É fuga. E eu não fujo."Isla passou as mãos pelo cabelo, frustrada. "Tu não sabes do que ele é capaz. Eu vi o que ele fez a pessoas que o tentaram enfrentar. Não são só ameaças. Ele arruína vidas. Ele compra pessoas. Ele...""Ele o quê? Ele é um homem. Um velho com dinheiro, como tu disseste." Kai aproximou-se. "Eu não tenho medo de velhos com dinheiro. Tenho medo de perder quem amo. Isso sim."A palavra
Última actualización: 2026-05-14
Chapter: Capítulo 47- O Cheiro do PãoNa manhã seguinte, Isla apareceu na padaria.Era a primeira vez que ia lá desde a noite em que fugira. A fachada modesta, o toldo verde, a montra onde Kai expunha os pães como obras de arte. O cheiro de fermento e açúcar queimado que saía pela porta entreaberta e envolvia a rua como um abraço.Ela parou na entrada. O coração martelava."Vais ficar aí parada o dia todo, ou vais entrar?" A voz de Kai veio do interior, abafada mas divertida.Isla empurrou a porta. A campainha tilintou.Kai estava atrás do balcão, as mãos cobertas de farinha, o avental manchado. Parecia exausto — provavelmente não dormira —, mas os olhos brilhavam quando a viu."Bom dia", disse ele, como se ela aparecer ali fosse a coisa mais natural do mundo."Bom dia.""Há croissants acabados de sair do forno. E café. Muito café."Ela sentou-se a uma das mesas pequenas, as mãos a tremerem ligeiramente. Kai trouxe-lhe um prato com um croissant dourado e uma caneca de café preto."Não pus açúcar. Lembrei-me que não gostas
Última actualización: 2026-05-14
Chapter: Capítulo 46- O Homem do BosqueO passado de Isla não era uma história bonita.Começava num bosque. Sempre começava num bosque. Ela tinha oito anos, um vestido amarelo que a mãe cosera à mão, e um pai que ainda não se tinha transformado no monstro que o dinheiro criaria. Nesse bosque, ela apanhava flores silvestres. Margaridas. Papoilas."O meu pai era um homem bom", disse Isla, sentada no chão da cave da galeria, as costas apoiadas na parede fria. Kai estava ao seu lado, não a tocava, apenas ouvia. "Antes do dinheiro. Antes da empresa. Antes de tudo."Ela contou-lhe como o pai herdara uma fortuna inesperada de um tio distante. Como o dinheiro o transformara lentamente, como uma doença. Primeiro, vieram os carros. Depois, as festas. Depois, as mulheres. Depois, a crueldade."A minha mãe morreu quando eu tinha doze anos. Não foi o dinheiro que a matou. Foi a tristeza. Ele destruiu-a aos poucos, com silêncios, com ausências, com desprezos. E quando ela se foi, eu fiquei sozinha com ele."Kai não disse nada. Mas a sua
Última actualización: 2026-05-14
Chapter: Capítulo 45 - As Regras da GaleriaClara aproximou-se lentamente, os sapatos de sola macia quase não fazendo som no chão de madeira. O cabelo prateado brilhava sob as luzes da galeria, e o seu sorriso enigmático permanecia no lugar."Bem", disse ela, a voz neutra como a de uma jurada num tribunal. "Isso foi bastante mais interessante do que catalogar gravuras."Isla endireitou-se. "Desculpe, Clara. Eu não queria trazer problemas para a galeria.""Problemas?" Clara arqueou uma sobrancelha. "Minha querida, eu vendo arte. A arte é feita de problemas. De paixão. De fogo." Ela olhou para o quadro das papoilas. "Aquele ali chama-se 'Ignis'. Fogo. Sabem porquê?"Kai e Isla ficaram em silêncio."Porque o artista o pintou depois de perder tudo. A casa. A família. A sanidade. Durante um ano, ele não conseguiu pintar nada. Estava bloqueado. Destruído. E então, uma noite, ele pegou na tinta mais vermelha que encontrou e despejou-a toda. Sem pensar. Sem planear. Apenas sentindo." Clara virou-se para eles. "O fogo não destrói apenas
Última actualización: 2026-05-14