INICIAR SESIÓNGabriela passou três anos a ser a mulher das sombras. A parceira estratégica. A que aquece a cama do CEO depois das dez da noite e desaparece antes do amanhecer. Alexandre Montenegro prometeu-lhe um anel. Em vez disso, subiu ao palco do baile de gala e anunciou o noivado com Mariana Antunes, a estagiária de vinte e dois anos que a própria Gabriela treinou. Beijo na boca. Na frente de todos. Com uma paixão que ele nunca mostrou por ela em público. O que ninguém esperava era que Alexandre corresse atrás dela pelas escadas, a agarrasse pelo braço e sussurrasse: "Eu fiz aquilo por você. Confia em mim." E o pior? Gabriela confiou. Agora, rebaixada a secretária da nova noiva, ela serve café à mulher que lhe roubou o cargo, o homem e a sanidade. Mariana não é uma socialite ingénua. É uma víbora de sorriso doce que se corta de propósito, arma escândalos e faz a vilã perfeita aos olhos de Alexandre. Cada dia é uma humilhação nova. Cada noite, uma garrafa de uísque e um bar sujo onde Gabriela tenta esquecer que ainda ama o homem que a destruiu.
Ver másPOV de Gabriela
O vestido azul-marinho não era de grife. Eu tinha passado quatro meses juntando dinheiro para comprar ele, cortando cafés, almoços e qualquer coisa que não fosse essencial. Mas quando me olhei no espelho naquela noite, senti que valeu cada centavo. O tecido caía bem nos ombros. A cor destacava os meus olhos. Me senti bonita. Me senti pronta. Essa noite, o Alexandre ia anunciar o noivado. Ele tinha me prometido. Três anos de espera, de encontros escondidos, de "ainda não é o momento", e finalmente o momento chegava. Toquei no pingente barato que ele me deu no primeiro ano. Em breve, seria substituído por um anel. A Bruna me ligou quando eu estava no táxi. "Ele vai fazer isso mesmo?" "Vai." "Você está radiante, não está?" "Estou." Desliguei rindo. O salão do Gran Harmonia estava um colosso de luzes douradas e vestidos caros. Procurei o Alexandre com os olhos, mas quem encontrei primeiro foi Adrian Vasconcelos. Estava encostado numa coluna, um copo de uísque na mão, os olhos escuros grudados em mim. Ele veio na minha direção antes que eu pudesse desviar o olhar. "Gabriela." "Adrian." Tentei sorrir, mas tinha alguma coisa no rosto dele que me travou. "O que foi?" "Preciso te falar uma coisa e não vai ser fácil de ouvir." "O que aconteceu?" "Não confia no Alexandre." A voz dele era baixa, mas firme. Os olhos não se desviaram dos meus. "Essa noite, fica esperta. Nem tudo é o que parece." "O que você quer dizer com isso?" Ele olhou pro palco, pros holofotes que começavam a acender. "Você vai descobrir…Mas não confie no Alexandre." "Adrian, que droga..." Mas ele já estava se afastando, sumindo no meio dos convidados. Fiquei parada, o coração batendo mais rápido. Não confia no Alexandre. O que era aquilo? O Adrian era rival do Alexandre nos negócios, mas nunca tinha mentido pra mim antes. Por que mentiria agora? Os holofotes se acenderam. Alexandre subiu no palco. Sorri. O desconforto sumiu. Era o momento. Finalmente. "Boa noite a todos. Essa empresa é feita de sonhos e de pessoas. Mas hoje quero falar de um sonho pessoal..." Meus dedos tocaram o pingente. Senti as lágrimas se aproximando. "...Quero apresentar pra vocês a mulher que iluminou meus dias nos últimos meses. A mulher que em breve vai ser minha esposa e a nova Diretora de Projetos Especiais da Montenegro Holdings... Mariana Antunes!" O ar sumiu dos meus pulmões. Mariana. Minha estagiária. A garota de vinte e dois anos que eu mesma treinei. A que me bajulava todo dia com "que blusa linda, dona Gabriela" e "um dia quero ser igual a senhora". Ela subiu no palco. Vestido vermelho. Cabelo ruivo brilhando. E o Alexandre beijou ela na boca. Na frente de todo mundo. Com uma paixão que nunca mostrou por mim em público. O barulho dos aplausos virou um zumbido. Senti as lágrimas subindo, a garganta fechando. Pisquei com força. Não podia chorar ali. Não na frente daquelas pessoas. Recuei. Um passo. Depois outro. Me virei e caminhei pra saída, as pernas tremendo. O elevador tava ocupado. A luz vermelha piscava, se recusando a abrir. Olhei pro lado. As escadas. Corri. Os saltos ecoavam nos degraus de mármore. Desci o primeiro lance, o segundo. As lágrimas já tavam escorrendo, o rímel manchando meu rosto. Não queria que ninguém me visse assim. Não ali. Foi quando alguém me agarrou pelo braço. O toque era firme. Conhecido. Me virei. Alexandre. Ele respirava com dificuldade, como se tivesse corrido atrás de mim. Os olhos castanhos tinham uma coisa que eu não conseguia entender. Culpa? Medo? Raiva? "Preciso falar com você", ele disse. Meu coração parou.POV de ChaseO quarto tava escuro. Só a luz do celular iluminava meu rosto. A mensagem dela."Boa noite, Chase."Sorri. Um sorriso de verdade."Boa noite, Him.""Promete que a gente se vê amanhã?""Prometo.""Promete que não vai desaparecer?""Prometo.""Então tá. Até amanhã.""Até."Desliguei. Olhei pro teto. Ela era diferente. Não era como as outras. Ela era... real.Mais cedo, fui visitar minha mãe.A casa ficava num bairro afastado. O Alex comprou depois do incêndio. Pra ela ter um lugar.Entrei no quarto. O cheiro de queimado ainda impregnava o ar. Ela tava na cama. O corpo coberto de ataduras. As máquinas ao lado.Os olhos ainda existiam. Mas o rosto era uma massa de cicatrizes."Oi, filho.""Oi, mãe."Sentei ao lado. Peguei a mão dela. Fria."Como você tá?""Dói. Como sempre."Assenti. Sem saber o que dizer."Chase. Você vai sair hoje?""Vou. Num show.""Que bom. Vai se divertir.""Vou."Ela sorriu. Um sorriso fraco."Você merece. Você é jovem. Você tem que viver."Olhei pra el
POV de Him A luz do sol entrou pela janela e me acordou. Eu abri os olhos devagar. O quarto tava silencioso. O cheiro de café subia da cozinha. E alguém batia na porta. "Him. Abre." Lisa. A voz dela tava séria. Mais séria que o normal. Levantei. Abri a porta. Ela tava parada. Os braços cruzados. Os olhos vermelhos. De cansaço. De preocupação. De raiva. "Bom dia pra você também." "Onde você estava?" "Com o Chase." "A noite inteira?" "É." "Fazendo o quê?" "Nada." "Nada." "É. Nada." Ela me olhou. Por um longo tempo. Como se quisesse arrancar a verdade de mim. Mas eu não ia dar. Não ainda. "Você tá diferente." "Tô não." "Tá. Seu cabelo. Sua roupa. Seu sorriso. Você tá... radiante." "São as luzes do show." "Não tem show agora, Him." "Então é o sol." Ela suspirou. Passou a mão no rosto. "Ele te beijou?" "Não." "Ele te tocou?" "Não." "Ele fez alguma coisa?" "Não." "Então o que vocês fizeram a noite inteira?" "A gente conversou." "Conversou." "É. Sobre a vida. So
POV de Lisa A música batia no peito como um segundo coração. As luzes piscavam em vermelho e azul. A multidão gritava, pulava, levantava as mãos. O show dos Winds tava lotado. A Him dançava do meu lado, o cabelo escuro voando, o sorriso enorme. "SEGURA ESSA!" Joguei o copo pra ela. Ela pegou no ar. Ri. Bebeu. "VOCÊ TÁ FELIZ?" "TÔ!" A gente dançou mais. A música mudou. Mais rápida. Mais intensa. A Him levantou as mãos. Eu fiz o mesmo. O Miguel apareceu. O sorriso fácil. "E aí, meninas?" "Miguel!" A Him abraçou ele. Ele olhou pra ela. Aquele olhar. Que ele tentava esconder. "Você tá linda, Him." "Obrigada." "Quer dançar?" "Tô com a Lisa." "Depois?" "Depois a gente vê." Ele assentiu. O sorriso fraco. Tentou falar algo. Desistiu. Como sempre. O Miguel me puxou pra um canto. "Lisa. Eu gosto dela. Muito." "Eu sei." "Eu tentei falar. Mas ela não me vê." "Você precisa ter paciência." "Paciência? Eu tenho há dezessete anos." "Não desiste. Um dia ela chega lá." Ele sorr
POV de GabrielaCinco anos depoisA casa tava cheia. Como sempre. A Bruna tinha trazido bolo de chocolate a receita da mãe dela, que ela guardava a sete chaves. A Chloé tinha trazido vinho e uma caixa de doces que o Michael tinha comprado em Paris. E eu tinha trazido a minha barriga de tanto comer. Mas a conversa tava boa. Daquelas de tarde inteira. Sem pressa. Sem telefone. Só a gente."Vocês viram?" A Chloé disse, o celular na mão. "O Michael ganhou o prêmio de melhor artista do ano. Olha a capa da revista."Ela mostrou a tela. O Michael, de terno, sorrindo, ao lado de uma pintura enorme. Uma mulher. De costas. Olhando o mar. A Mariana. Ele nunca deixou de pintá-la. Nunca."Ele tá famoso." A Bruna riu. "Quem diria. O menino do barraco. Agora expõe em Paris.""Ele sempre teve talento." Falei. "Só precisava de uma chance.""E você deu essa chance." A Chloé me olhou. "Você e o Adrian. Vocês acreditaram nele quando ninguém mais acreditava.""Ele merecia."A Chloé sorriu. Depois olhou pr












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