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Liliane
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Romances de Liliane

Meu Segundo Amor

Meu Segundo Amor

Helena Macedo tem tudo o que o dinheiro pode comprar. Luxo, poder, status. Aos 26 anos, é uma das mulheres mais ricas do país, mas vive presa em um casamento de aparências com Leonardo Torres, um bilionário sedutor, frio e infiel. O que começou como uma união estratégica logo se transforma em um pesadelo de solidão e traição. É então que surge Henry Rodrigues, seu novo motorista. Um homem simples, mas de olhar firme, alma sincera e passado misterioso. Aos 28 anos, Henry nunca imaginou que se apaixonaria pela mulher que todos viam como inalcançável. E Helena, pela primeira vez, sente-se verdadeiramente vista — não como uma fortuna ambulante, mas como uma mulher com cicatrizes, desejos e um coração sedento de amor. Quando Leonardo finalmente percebe que perdeu o que nunca soube valorizar, já pode ser tarde demais. Agora, Helena precisa fazer uma escolha: manter as aparências ou seguir o amor inesperado que pode libertá-la. "Meu Segundo Amor". É ouma história intensa de redenção, paixão proibida e segredos que podem mudar tudo. Porque, às vezes, o verdadeiro amor nasce onde menos se espera — e custa muito mais do que qualquer fortuna.
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Chapter: Capítulo 23
HelenaO silêncio da madrugada me abraçava como um véu pesado e incômodo. A casa estava mergulhada em sombras, mas meu coração não sossegava. Desde que Leonardo voltou de viagem, mais controlador e perspicaz do que nunca, eu me sentia vigiada — como se ele desconfiasse que havia algo em meu peito que já não lhe pertencia.E ele tinha razão. Não pertencia mesmo.Estava com Henry. Ou melhor, estava completamente dele. Mesmo que ainda não tivéssemos nos entregado por completo, cada toque, cada olhar, cada palavra trocada em segredo era mais íntima do que qualquer coisa que já vivi com Leonardo. E isso doía mais do que eu podia suportar.Desci até a cozinha em busca de água, mas assim que acendi a luz, dei de cara com ele. Henry. Sentado à mesa, com os olhos baixos e a camisa branca desabotoada até o meio do peito. Havia uma tensão visível entre suas sobrancelhas, uma inquietação que me atingiu como um choque.— Não consegui dormir — ele murmurou, a voz baixa e grave, como se temesse ser
Última atualização: 2025-08-04
Chapter: Capítulo 22
Acordei com o som suave de pássaros lá fora, um contraste cruel com o turbilhão dentro de mim. A casa estava em silêncio, mas meu corpo ainda ardia com as lembranças da noite passada. Tentei levantar, mas uma dor sutil entre as pernas me fez fechar os olhos, relutando em aceitar o que havia acontecido. Eu tinha cedido novamente a Leonardo. E, pior, por alguns instantes, achei que era Henry.Levantei e fui até o espelho. Olhei minha própria imagem com desprezo. O que eu estava fazendo com a minha vida? Meu coração queria Henry, cada batida sussurrava o nome dele, mas meu corpo, bêbado e vulnerável, tinha caído na armadilha de Leonardo mais uma vez.Desci as escadas devagar, como se o piso fosse ceder a cada passo. Na sala, encontrei Leonardo tomando café e lendo o jornal, como se fosse um dia comum. Ele levantou os olhos e sorriu, aquele sorriso de quem acha que venceu uma guerra.— Bom dia, meu amor — disse, com voz doce. — Dormiu bem?A bile subiu à minha garganta. Tentei manter a ca
Última atualização: 2025-08-03
Chapter: Capítulo 21
A chuva caía fina, tingindo os vidros da janela com gotículas cintilantes. Eu observava a cidade lá fora com um copo de vinho na mão, o coração pesando mais do que eu gostaria de admitir. Desde aquela noite no hotel com Henry, algo em mim havia despertado... ou talvez, retornado. A mulher que eu pensava ter enterrado sob os destroços do meu casamento infeliz com Leonardo estava viva, faminta e à flor da pele.Ouvi o som da porta da frente abrindo com um estalo seco. Virei rapidamente, e meu coração deu um salto ao ver Henry entrando. Estava molhado da chuva, o cabelo despenteado e os olhos intensos, como se me procurassem antes mesmo de saber onde estava.— Precisei vir… — ele disse com a voz rouca, jogando a chave sobre o aparador. — Desde aquele dia, não consegui tirar você da cabeça, Helena.Soltei o ar devagar, sentindo o calor do vinho subir para as bochechas. Eu não estava pronta para aquilo. Ou talvez estivesse esperando por exatamente isso.— Achei que você fosse desaparecer d
Última atualização: 2025-08-03
Chapter: Capítulo 20
O barulho da chuva fina contra os vidros do carro misturava-se ao som abafado da respiração de Henry, que permanecia ao volante, em silêncio. A tensão entre nós era palpável, cortante, como se qualquer palavra fosse suficiente para nos despedaçar. Desde a conversa na casa de praia, algo entre nós havia mudado — algo que não poderia ser desfeito.— Você está calada — ele disse, sem tirar os olhos da estrada. Sua voz baixa me arrepiou por inteiro.— Estou tentando entender o que está acontecendo comigo — sussurrei, olhando pela janela, tentando disfarçar as lágrimas que ameaçavam cair.Henry apertou o volante com mais força. A estrada deserta, ladeada por árvores escuras, parecia nos engolir. Tudo parecia sombrio, confuso, irreal.— Helena… — ele falou meu nome como se fosse um pedido. — Se eu disser que penso em você todos os dias, desde o momento em que acordei naquela cama de hospital, você acredita?Virei lentamente o rosto para ele. Seus olhos, mesmo concentrados no caminho, estava
Última atualização: 2025-08-02
Chapter: Capítulo 19
A noite caiu sobre a mansão como um véu de mistério. As paredes antigas pareciam absorver os murmúrios do passado, e cada passo meu ecoava como se pertencesse a outra era. A garoa fina escorria pelas janelas, e do lado de fora, o jardim parecia mergulhado em névoa. Eu estava sozinha. Sozinha com meus pensamentos, com a culpa latejando em minha mente.Depois daquela noite desastrosa com Leonardo — que jamais deveria ter acontecido — eu me sentia suja. Envergonhada. Enfraquecida. Não foi amor, nem desejo. Foi um erro embalado pela bebida, pela confusão e, acima de tudo, pela ausência de Henry.Henry... o nome dele se entrelaçava com meu corpo e alma. Desde que ele surgira em minha vida, nada mais fazia sentido. Tudo o que era sólido passou a parecer frágil — inclusive meu casamento.Estava no quarto, olhando para o espelho. A camisola de seda branca escorria pelo meu corpo como se denunciasse meus pecados. Meus olhos estavam vermelhos, não apenas pelo cansaço, mas pela dor de ter traído
Última atualização: 2025-08-02
Chapter: Capítulo 18
O silêncio da casa era cortado apenas pelo tique-taque do relógio antigo da sala. A madrugada havia mergulhado o casarão numa penumbra misteriosa, e mesmo assim meu corpo ardia em chamas. Ainda sentia o gosto amargo da culpa na boca, misturado com o perfume masculino que impregnava minha pele: o de Leonardo.Levantei da cama nua, com as pernas trêmulas, o estômago revirado. Eu me odiei por ter cedido à bebida e ao toque dele, mesmo sabendo que meu coração já não lhe pertencia. Olhei para o espelho: meus olhos estavam vermelhos, minhas bochechas coradas, e havia marcas no meu pescoço que não foram feitas com carinho, mas com domínio.Desci as escadas pé ante pé, vestindo apenas um robe de seda que mal cobria minhas coxas. Meus pensamentos estavam um caos. Eu precisava respirar. Precisava me encontrar.Quando alcancei a varanda dos fundos, fui surpreendida por Henry, de pé, com o rosto virado para o céu estrelado, os braços cruzados e o maxilar tenso.— Você ainda está acordado? — pergu
Última atualização: 2025-08-02
A Inocente

A Inocente

"Lentamente, sem pressa alguma, os olhos dele percorreram cada centímetro do meu corpo. Foi um olhar denso, profundo, quase palpável. Naquele segundo, sob a intensidade daquela avaliação, senti-me absolutamente desprotegida, como se estivesse desnudada no meio da rua por aquele olhar faminto e maduro. Meu coração martelava contra as minhas costelas, acelerado, descompassado. Ainda assim, por mais que meu pudor me mandasse desviar a atenção, meus olhos pareciam hipnotizados, incapazes de se soltar da sua face impecável e marcante. Ele claramente sabia o poder que exercia; tinha a plena consciência de que era deslumbrante. Ver uma jovem garota como eu paralisada por sua presença era apenas mais um detalhe cotidiano para o seu ego. BIBI! O som estridente de uma buzina cortou o ar como um chicote, quebrando o transe elétrico em que eu me encontrava. Um susto percorreu minha espinha e dei um pequeno pulo para trás, desviando o olhar bruscamente. "
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Chapter: Capítulo 40
O cheiro de fumaça e carne queimada nunca abandonou totalmente as minhas narinas. Durante doze longos meses, esse odor impregnou minha pele, disfarçado sob os perfumes importados mais caros e o álcool forte com que tentei anestesiar o inferno que minha vida se tornara. Mas a minha dor nunca foi de luto. Nunca foi de saudade. A dor que queimava minhas entranhas era feita do mais puro, gélido e concentrado ódio.Eu passei um ano inteiro vivendo no rescaldo da destruição causada por um monstro. Quando o jatinho particular explodiu no ar e caiu no interior de São Paulo, virando uma bola de fogo que reduziu tudo a cinzas e detritos carbonizados, o mundo inteiro achou que eu era o viúvo devastado. A perícia médica foi categórica: a arcada dentária encontrada entre os destroços, queimada pela fumaça de combustível, batia com precisão cirúrgica com os relatórios odontológicos de Rand. A ciência oficial assinou o atestado, fecharam o caixão lacrado, e todos choraram a morte da jovem e bela esp
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: Capítulo 39
O que o público e a perícia médica jamais desconfiariam era de um detalhe macabro que planejei com meses de antecedência. Antes mesmo de colocar o pé no jatinho, eu havia providenciado a morte perfeita. Um dentista clandestino no subúrbio havia moldado e implantado estrategicamente alguns dentes falsos com arcada modificada em fragmentos ósseos sintéticos e biológicos — obtidos no mercado negro de necrotérios —, os quais deixei escondidos no compartimento de bagagem da aeronave. Quando os peritos fossem escavar as cinzas e os detritos carbonizados, encontrariam exatamente o que precisavam para fechar o caso sem sombra de dúvidas: amostras odonto-legais forjadas que confirmariam, com precisão cirúrgica, que os restos mortais pertenciam à jovem esposa de Dhehanks. Ninguém desconfiou de nada. A ciência oficial foi a minha maior aliada.Seis meses se passaram. A Suíça me acolheu com seu ar gélido, suas montanhas cobertas de neve e sua discrição inabalável. Sob o nome de Valerie Vance, uma
Última atualização: 2026-08-27
Chapter: Capítulo 38
O estalo metálico da câmara da Glock ecoando pelas paredes de madeira do escritório ainda ressoava nos meus ouvidos quando a porta da frente foi desferida com uma sequência de batidas violentas. Não eram batidas de um funcionário hesitation. Era o peso da autoridade. Ajustei o paletó sobre a arma velada na minha cintura, engoli o gosto amargo de fel e caminhei até o hall de entrada. Ao abrir, me deparei com o Delegado Barcellos, acompanhado de dois peritos da Polícia Civil vestindo jaquetas pretas com o brasão emborrachado e um promotor de justiça cujo rosto estampava aquela severidade burocrática de quem já havia tirado suas próprias conclusões antes de ouvir a primeira palavra. — Dhehanks — disse Barcellos, sem qualquer preâmbulo ou o mínimo decoro de pêsames. Seu olhar varreu meu rosto, demorando-se na barba por fazer de três dias e nos meus olhos injetados. — Precisamos conversar. O relatório preliminar da equipe de busca e salvamento dos destroços do jatinho acaba de chegar do I
Última atualização: 2026-08-25
Chapter: Capítulo 37
O silêncio do meu escritório nunca pareceu tão pesado, tão sufocante, tão carregado de um fedor invisível de traição. A poeira dançava no feixe de luz que cortava as cortinas de veludo, e cada ponteiro do relógio de parede soava como uma martelada no meu esterno. Ela estava morta. Rand estava morta. Era o que o mundo dizia. Era o que os jornais gritavam nas manchetes sensacionalistas. Era o que a perícia da Polícia Civil e da Aeronáutica tentava me vender com seus relatórios frios, cheios de termos técnicos como "fadiga de material", "combustão instantânea" e "ausência de sobreviventes". Uma tempestade de fogo a cinco mil pés de altitude. Um caixão lacrado contendo cinzas, pedaços de metal derretido e um punhado de matéria orgânica irreconhecível que os legistas diziam, com uma margem estatística fria, pertencer a uma jovem de dezoito anos. Mas a minha intuição não funciona com estatísticas. Ela funciona com o estômago. E o meu estômago estava se retorcendo em nós secos, em uma n
Última atualização: 2026-08-25
Chapter: Capítulo 36
O eco das palavras que ouvi no pátio daquela prisão ainda vibrava no meu crânio, mas não como uma ameaça; vibrava como uma piada de mau gosto. Eles me chamavam de serpente, de monstro, de ceifadora. Miguel, com sua cara de derrotado vestindo laranja, chorando pelo passado; Alicia e Amélia, tremendo nas sombras do próprio pânico; e Dhehanks, ah, o meu frágil e patético Dhehanks, soluçando como uma criança desmamada porque perdeu a chave do cofre e o status de grande homem. Eles achavam que compreendiam a extensão da minha escuridão. Achavam que me conheciam. Coitados. Eles não sabiam absolutamente nada sobre o que significa renascer das cinzas quando o mundo inteiro exige o seu fim.Eu ouvi cada palavra do que eles conversavam através das minhas escutas. A ingenuidade daquele conselho me fazia querer rir bem alto. Eles achavam que eu iria atrás do irmão dele, Degudenh, ou dos velhos Zamath e Chukran? Que perda de tempo. Eu nunca precisei de mais sangue nas minhas mãos do que o estritam
Última atualização: 2026-08-24
Chapter: Capítulo 35
O cheiro de desinfetante barato e mofo impregnava o ar do pátio de visitas daquele complexo penitenciário de segurança máxima. Cada passo que eu dava no concreto frio parecia um eco distante do meu próprio funeral. Eu, Dhehanks Dhabajhu, um homem que há poucas horas comandava um império de bilhões, agora me arrastava como um fantasma falido, carregando a carcaça de um orgulho destruído. A sala de visitas reservada era escura. Três pessoas me aguardavam do outro lado da mesa retangular. Miguel, trajando o uniforme alaranjado de presidiário; Alicia, com olheiras profundas e o olhar endurecido por anos de trauma; e Amélia, cujas mãos tremiam levemente sobre o colo. Três vítimas sobreviventes de uma mesma tempestade. Três pessoas que eu ignorei quando rotulei seus avisos como inveja ou loucura. — Você demorou para acordar, Dhehanks — disse Miguel, com a voz abafada pelo silêncio sepulcral do recinto. Caí sobre a cadeira de ferro. O choro, contido a custo durante o trajeto até ali, final
Última atualização: 2026-08-22
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